A Regra de Quatro - capítulos 16, 17 e 18

1ª Leitura Conjunta
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Bubbles
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A Regra de Quatro - capítulos 16, 17 e 18

Postby Bubbles » 05 Apr 2005 22:01

Desculpem lá estar a postar adiantado, mas não sei a que horas vou chegar a casa amanhã...
Mas a discussão só começa amanhã na mesma!! :angel:

Capítulo 16

O capítulo centra-se em memórias do Tom, em duas alturas distintas.

A primeira é na sua adolescência, sobre o acampamento no Lago Erie, para antigos escuteiros com problemas, e sobre a sua expulsão, devido a uma música. Essa mesma música leva a uma conversa com a sua mãe, na qual ela dá a entender que considera a “paixão” do pai pela Hyp… mal orientada, pois esta devia ser centrada na sua família. Há a ainda a intenção de afastar Tom das pisadas do pai.

A segunda na altura que estava a ajudar Paul na sua tese.
Há uma explicação sobre a estrutura do livro e do método utilizado para a sua descodificação:
• A primeira parte do livro apresenta um ciclo regular de capítulos longos, individualizados, alternados com séries de 3 ou 4 capítulos curtos.
• A segunda parte do livro apresentava uma estranha sequência desordenada. Paul considerava esta parte apenas uma distracção para dar a noção de narrativa.
• O enigma estaria nos capítulos longos, que era extraído por Paul. O texto de Collona estaria na sequência de capítulos curtos, pela aplicação de uma cifra. Esta seria obtida pela descodificação do enigma, a parte que cabia a Tom.

Há uma forte referência a Katie, com a qual Tom partilhava os enigmas, e começou nessa altura a namorar. Também nessa altura a Hyp… começou a tornar-se uma obsessão para Tom. O seu tempo era dividido entre Katie e a Hyp…, não conseguindo a maioria das noites sequer dormir.

A descodificação do segundo enigma apresentou a seguinte mensagem:
A cripta de Collona foi criada por Bramante e edificada por Terragni, de forma a ser impenetrável a todas as coisas, especialmente a água. Há a referência a algumas mortes, nomeadamente a queda de árvores.
Há ainda a explicação de porquê o livro estar datado 30 anos antes de estar escrito. A data coincide com o início da data guerra da igreja contra os humanistas, marcada pela condenação de Leto pelo Papa Paulo II.

A descodificação do terceiro enigma dá acesso a um texto que revela as fontes dos enigmas anteriores e como estes foram construídos. Dá ainda a indicação que apenas faltam dois enigmas para se descobrir a natureza da Hyp…
Nesta altura Tom tornou-se tão obcecado pela obra que se afasta completamente de Katie.


Capítulo 17

Neste capítulo voltamos ao presente, à manhã do dia seguinte ao assassinato de Stein. Descobre-se que Paul não dormiu e que ficou a noite toda a trabalhar em Ivy.
Paul vai encontrar-se com Katie, e esta apresenta-lhe Sam Felton, a jornalista responsável pela notícia da morte de Stein, mas apenas de passagem. Após conduzi-lo à câmara escura lança-lhe um ultimato: Ou ela, ou a Hyp…


Capítulo 18

Neste capítulo voltamos ás recordações, mais uma vez em dois pontos distintos:

Um primeiro sobre outra recordação de adolescência – “O amor consegue tudo”.
O pai dá um contraponto à opinião da sua mãe, que ele poderia tentar afastar-se do Hyp… mas que nunca o conseguiria, pois o amor consegue tudo.

A segunda recordação retoma o final do capítulo 16.
Tom ouve o boato que Katie tem outro namorado, e afunda-se ainda mais na pesquisa, acabando por falhar dois prazos de entrega da sua própria tese. A obsessão torna-se de tal nível que quer que Paul trabalhe mais, e acaba por se afastar de todos os seus amigos, passando quase todo o dia pesquisando.
Charlie, Gil e Paul acabaram por se impor, e tentar com que ele voltasse a falar com Katie, mas Tom recusou-se. Katie acabou por vir ter com ele ao quarto, onde muito emotivamente lhe disse como tinha sido a sua vida desde que se tinham deixado de ver e que ainda acreditava neles os dois. Acabou por lhe fazer um ultimato, que levou Tom a desistir da Hyp… e voltar para junto de Katie.

Há ainda a descoberta de mais uma passagem de texto, em que Collona explica o porquê de escrever o texto, a perseguição aos humanistas.

Paul chega ao último enigma e apercebe-se de duas coisas: que perdeu Paul por completo, e que o último enigma não daria a resposta completa ao livro, e que esta teria de estar na segunda parte do livro.

Quando lê o último enigma a suspeita de Paul confirma-se. Collona tinha medo que alguém que não merecesse conseguisse decifrar os enigmas, e consequentemente o livro, por isso na segunda parte a regra de 4 continuaria a ser aplicada, mas sem explicação ao leitor, que teria de seguir por sua própria iniciativa.

_______________________________________________________________

Houve dois pontos que me chamaram mais a atenção nestes capítulos:

-> Porque é que a cripta de Collona é especialmente resistente à água?

-> O Paul ter passado a noite a trabalhar. Muito frio, realmente... com a morte do Stein ele não devia estar em estado de trabalhar.
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Re: A Regra de Quatro - capítulos 16, 17 e 18

Postby Samwise » 06 Apr 2005 10:10

Muito bom resumo Bubbles! Já sou um fã teu.

As duas perguntas que deixas no ar realmente são interessantes.

Vou acrescentar mais um ponto (que não é uma pergunta)...

A certa altura, num dos capítulos (creio ser no final do 16), o Tom refere que o enigma que eles andam à procura é... "O que está dentro da cripta do Colonna"!
Mas primeiro... têm que encontrar o local....!

Quanto à impermeabilidade à água, a mim parece-me que ele quer proteger as coisas que se encontra lá dentro...
Se é uma critpa, é mais ou menos natural que esteja debaixo de terra e, como tal, vulnerável à subida das águas...

Sam

P.S. Os "puzzles" estão a começara a ficar muito interessantes! Será que isto tudo é real na "vida real"?
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Re: A Regra de Quatro - capítulos 16, 17 e 18

Postby Bubbles » 06 Apr 2005 21:43

Samwise wrote:Muito bom resumo Bubbles! Já sou um fã teu.


:blush: É de passar muito tempo a fazer apontamentos para estudar... uma pessoa acaba por se habituar a fazer resumos.

A certa altura, num dos capítulos (creio ser no final do 16), o Tom refere que o enigma que eles andam à procura é... "O que está dentro da cripta do Colonna"!
Mas primeiro... têm que encontrar o local....!


Não vi! Tenho de ir reler o capítulo... mas já tinha ficado com essa noção mais atrás no livro, quando eles andavam á procura dos mapas.

Quanto à impermeabilidade à água, a mim parece-me que ele quer proteger as coisas que se encontra lá dentro...
Se é uma critpa, é mais ou menos natural que esteja debaixo de terra e, como tal, vulnerável à subida das águas...


Eu pensei automaticamente em proteger pergaminhos ou livros :P São altamente vulneráveis à água. E como o livro está relacionado com a perseguição aos Humanistas... fazia algum sentido.

Os "puzzles" estão a começara a ficar muito interessantes! Será que isto tudo é real na "vida real"?


Realmente muito bons!! A resolução do último enigma, o da junção entre a alma e o corpo, posso confirma-te que é real ;) As aulas de História do Pensamento Biológico sempre serviram para alguma coisa :mrgreen:
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Re: A Regra de Quatro - capítulos 16, 17 e 18

Postby Thanatos » 06 Apr 2005 22:34

Bubbles wrote: Eu pensei automaticamente em proteger pergaminhos ou livros :P São altamente vulneráveis à água. E como o livro está relacionado com a perseguição aos Humanistas... fazia algum sentido.


:o :o :o Bem... esta dedução é de alto nível!

O que eu achei destes 3 capítulos é que a acção parou por completo para dar uma perspectiva intimista da vida de Tom e da sua relação com Katie, Paul, o pai e o Hypne. De certa forma foi curioso conhecer o status vigente antes do início do livro e interessante perceber como o Tom foi absorvido pelo mesmo livro que o pai, descurando estudos, amigos e namorada. Será uma forma de compensar a morte do pai?
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

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Re: A Regra de Quatro - capítulos 16, 17 e 18

Postby Samwise » 08 Apr 2005 11:15

Bubbles wrote: -> O Paul ter passado a noite a trabalhar. Muito frio, realmente... com a morte do Stein ele não devia estar em estado de trabalhar.

Ou seja...

Depois da confusão toda que já tinha havido nessa noite (incluindo uma fuga à polícia depois ter uma entrada ilegal numa determinada sala) o menino ainda se levanta e vai para parte incerta.

Cada vez mais me convenço que ele têm uma quota parte de resopnsabilidades nos acontecimentos obscuros que se andam a passar.

De certa forma foi curioso conhecer o status vigente antes do início do livro e interessante perceber como o Tom foi absorvido pelo mesmo livro que o pai, descurando estudos, amigos e namorada. Será uma forma de compensar a morte do pai?


Como assim? Retribuir ao pai, postumamente, a atenção que o Tom nunca deu em vida em relação ao livro?
Acho que sim... de maneira inconsciente... talvez possa ter sido isso.

Achei piada àquela ideia do triângulo de relações que é imposto pelo amor e que o pai lhe tenta explicar através do quadro.

Também gostei da letra da canção alterada ( :mrgreen: ) pelo Tom escuteiro.

Continuo a pensar (e ainda não tive paciência para ir pesquisar o assunto na Net) se todas as revelações feitas em em realção ao "Hypnero..." são verdadeiras.
É preciso uma grande (ENORME) bagagem literária, artística e de sei lá mais do quê para se sacar aquelas informações de lá de dentro...

Sam
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Re: A Regra de Quatro - capítulos 16, 17 e 18

Postby Cerridwen » 11 Apr 2005 20:44

Após a leitura destes capítulos fiquei com a ideia de que o hypnerotomachia é quase como uma droga. Aquele que resolva estudá-lo acaba por ficar viciado no livro. O Tom começou sempre por querer apenas ajudar o Paul, mas de todas as vezes que o fez, acabou por viver apenas pelo livro, deixou quase de ter vida própria, e depois de repente resolveu deixar o livro. É quase como se o livro fosse uma maldição, como se quisesse ser descoberto, mas no entanto, sem facilitar a vida...
Lembro-me de ter lido uma parte em que dizia que desde que o pai do Tom começara a tentar decifrar o livro, tudo começara a correr mal.(ou qualquer coisa do género). Muito estranho. :unsure:


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