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Retorno

Posted: 23 Oct 2008 23:24
by azert
<!--fonto:Arial sans-serif--><span style="font-family:Arial sans-serif"><!--/fonto-->Eu já sabia agora do desencontro entra a imagem que tinha feito de Braga e a realidade. As mulheres de negro, cabeças cobertas por lenços e ventres tapados com aventais, ficaram para trás, na aldeia paterna aos pés da serra, onde a única casa de banho existente era a da Casa do Povo. Ao mais, resolviam-se todas as necessidades com baldes e alguidares, por trás de uma cortina. Findo o serviço, lançavam-se os produtos das entranhas às valas das ruas e riachos de dejectos corriam rente às casas, uniformizando odores por toda a aldeia.

<!--fontc-->[/color]<!--/fontc--><!--fonto:Arial sans-serif--><span style="font-family:Arial sans-serif"><!--/fonto-->Assim que Braga era uma cidade e eu já sabia então que este país era feito tanto de povoações grandes, pavimentadas, onde se amontoavam aos sete andares as famílias para viver, como de pequenos lugares, próximos no espaço mas distantes no tempo. Do assento traseiro do carro do meu pai, fiquei a conhecer umas e outras, tentando reter na memória o que viam os olhos e no estômago o que comia a boca. As estradas retorciam-se, dorida a terra pelos rasgões das obras públicas. Só mais tarde haviam de cicatrizar, à força de alcatrão, e aí, endireitar-se-iam, para regozijo de viajantes rodoviários. <!--fonto:Arial sans-serif--><span style="font-family:Arial sans-serif"><!--/fonto-->Mas naquela altura, tardavam sempre mais os destinos que, embora não muito distantes, se adiavam pelas curvas.

<!--fontc-->[/color]<!--/fontc--><!--fonto:Arial sans-serif--><span style="font-family:Arial sans-serif"><!--/fonto-->Também havia de ver Portugal inteiro, com terras e rios, planícies e montes, pendurado por um fio na parede, ao pé do quadro por onde desfilariam as aprendizagens de três anos de escola. E, por entre as carteiras e as casas das colegas, haveria de fiar raízes, pois que as que fragilmente haviam sido criadas tinham ficado no ultramar, nome que uniformemente se atribuía a todos os países, maiores que Portugal, que constituíam o luso império colonial.

<!--coloro:#696969--><!--/coloro-->(Excerto de um dos textos com que concorri a um concurso literário cá da terra e que vai ser incluído numa colectânea de edição local. E não, não ganhei nada. :rolleyes: )<!--colorc--><!--/colorc--><!--fontc-->[/color]<!--/fontc--><!--fontc-->[/color]<!--/fontc-->

Re: Retorno

Posted: 24 Oct 2008 10:44
by Samwise
:wink:

E essa edição local... arranja-se?

Sam

Re: Retorno

Posted: 24 Oct 2008 14:01
by azert
Para os amigos? Ao dobro do preço! :mrgreen4nw: