Em Campanhã

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azert
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Em Campanhã

Postby azert » 24 Jan 2009 23:05

<!--coloro:#000000--><!--/coloro-->eram gaivotas para lá das linhas dos combóios
notas breves em pauta electrificada
oscilando entre um fundo de rio e telhados
eu invejando-lhes os horizontes leves
o movimento que desejara em direcção à foz da tua boca
onde por entre dentes e línguas te consumo líquido
por um amor de instintos canibais que me acomete<!--colorc-->
<!--/colorc-->
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Pedro Farinha
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Re: Em Campanhã

Postby Pedro Farinha » 25 Jan 2009 11:52

Ao contrário do "do meu telhado" deste já não gostei tanto pois ainda que o tema acabe por ser semelhante. No outro é mais platónico ? Acho que não tem a mesma força. De qualquer forma fico contente de ver que a tua poesia já nada tem de pusia.

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azert
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Re: Em Campanhã

Postby azert » 25 Jan 2009 17:21

Pedro Farinha wrote:De qualquer forma fico contente de ver que a tua poesia já nada tem de pusia.


Ainda que agradeça, permite que discorde. :rolleyes:
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Lord Wimsey
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Re: Em Campanhã

Postby Lord Wimsey » 26 Jan 2009 22:46

tem duas imagens muito boas: as notas breves em pauta electrificada e os horizontes leves; os últimos três versos, por outro lado, parecem-me demasiado dependentes do jogo semântico com a ambiguidade de "foz" e de "consumo" (líquido, pois claro) que, como todos os trocadilhos (no fundo é disso que se trata), só servem para tirar profundidade e eficácia ao poema. Talvez devesses tentar desenvolver mais os poemas, aumentando a extensão, quanto mais não seja, vais-te soltando progressivamente da influência de alguns vícios de linguagem que são típicos dos textos curtos (como é o caso dos jogos de palavras, o recurso a imagens críticas que o próprio autor não descodifica, o palavreado caro, etc) que, creio, estão aqui presentes. De qualquer modo, como disse, tem pelo menos dois apontamentos muito bons, se embirro é por vê-los mal aproveitados.

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Re: Em Campanhã

Postby azert » 26 Jan 2009 23:34

Lord Wimsey, isto é o que eu chamo de uma crítica construtiva - aponta aspectos mais e menos conseguidos. Aliás, mesmo que apontasse apenas os menos conseguidos ou, até, que se limitasse a dizer que existem, sem se dar ao trabalho de explicar, continuaria a ser uma crítica construtiva, pois não se reduziria a dizer "o que escreves não é bom" ou qualquer outra coisa do género. :smile:

Como já disse há muito tempo atrás (julgo que foi até a propósito de um poema teu), quando escrevo tenho muita dificuladade em evitar escorregar para os clichés, sempre tão à mão. É por isso que os "quasi-poemas" ficam sempre tão curtos - porque para além de uma ou outra imagem mais ou menos bem conseguida (como foi aqui o caso das "notas breves em pauta electrificada"), o poema mirra, definha nas palavras gastas que, também eu, abomino.
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Re: Em Campanhã

Postby zé.chove » 27 Jan 2009 11:49

Gostei bastante dos quatro primeiros versos. Fica logo pintado um ambiente de leveza. Os três versos finais têm potencial mas vejo-os noutro quadro.

Parabéns

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Re: Em Campanhã

Postby azert » 27 Jan 2009 16:29

Obrigada, Zé chove. :smile:
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Re: Em Campanhã

Postby Samwise » 28 Jan 2009 13:19

Está um poema agradável de ler.

Noto uma diferença de textura algo forçada entre a naturalidade dos primeiros quatro versos, referentes aos pássaros, e a transposição da ideia para um tema e registo completamente diferentes. Se em relação ao tema não tenho muito a dizer, o mesmo já não acontece no que respeita ao modo e à especificidade - parece que não acompanha aquilo que foi escrito versos acima. Para além de cru e carnal, acaba por particularizar em demasia algo que podia ser deixado num plano mais vasto.

Em todo o caso, está um bom jogo de palavas.

Sam
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