autópsia

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azert
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autópsia

Postby azert » 25 May 2009 16:30

preparo a banca que quero imaculada
as mãos desinfectadas e a língua
lambendo rasga o tórax
exponho o orgão no alvo móvel
o músculo de que o sentir é feito
desconheço o código morse
das suas batidas só sei que ecoam
não decifro mais que corporeidade
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Ripley
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Re: autópsia

Postby Ripley » 25 May 2009 16:39

Na tua mão, cintilante, o bisturi corta o envólucro e liberta as palavras guardadas que os gráficos não foram capazes de traduzir ...
"És a metade que me é tudo." [Pedro Chagas Freitas]
---§§§---
"O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende." [Miguel Esteves Cardoso]

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Re: autópsia

Postby Samwise » 25 May 2009 17:44

Gostei o entranhado de sentimentos que se une de forma visceral nesta amálgama clínico-carnal. Há aquele distanciamento clínico do autopsiador, mas é de sentimentos que se está a falar.

Destaco esta frase (que é uma boa síntese daquilo que estás a atingir com este tipo de "linguagem"):
azert wrote:o músculo de que o sentir é feito


Não é o teu primeiro deste género, e é uma combinação mui interessante. :wink:

Sam
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

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Re: autópsia

Postby Aignes » 25 May 2009 18:05

Eu gostei do «lambendo rasga o tórax»

Bem descrito, entre o clínico e outra coisa qualquer. :wink:
«The force that through the green fuse drives the flower
Drives my green age; that blasts the roots of trees
Is my destroyer.
And I am dumb to tell the crooked rose
My youth is bent by the same wintry fever.»

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azert
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Re: autópsia

Postby azert » 25 May 2009 18:55

Obrigada R., Sam e Aignes. :smile:
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Pedro Farinha
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Re: autópsia

Postby Pedro Farinha » 25 May 2009 18:56

Também gostei... aliás a azert de vez em quando gosta de escrever com o bisturi na mão...


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