Sexta-feira 13

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Pedro Farinha
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Sexta-feira 13

Postby Pedro Farinha » 11 Feb 2009 01:11

A propósito da próxima sexta-feira que é sexta-feira 13, o desafio é um texto de terror, de meter medo ao susto, de provocar arrepios na espinha. A história terá de decorrer numa sexta-feira 13 evidentemente.

:pubbbde:

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pco69
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Re: Sexta-feira 13

Postby pco69 » 11 Feb 2009 12:04

Nunca me ei de esquecer daquela sexta feira!
Era dia 13!
Elas estavam as duas na sala à minha espera!
Nuas!
Vestidas com um sorriso na boca!
A dizerem-me que queriam viver comigo!
Em conjunto!
A partir desse dia, nunca mais tive descanso....
Ou uma ou outra, queriam sempre atenção!
Ora...nem estou a falar de sexo!
Relativamente ao sexo a vida passou a ser uma noite de núpcias permanente.
O problema é mesmo a atenção!
Vocês sabem...Aquela coisa de chegar a casa e ouvir como lhe correu o dia...
E mesmo sem prestar muita atenção, ter o cuidado de ir dizendo ”Sim Querida”, de vez em quando...
Mas agora eram duas.!
E já não confidenciavam comigo!
Falavam uma com a outro e eu ficava de parte!
Isso até não me incomodava muito!
Ao principio!
Mas o saco foi enchendo.
Eu estava a ser ignorado na minha própria casa.
Nem o futebol me deixavam ver
Felizmente, o martelo não fez ruído algum
Só não sei como me vou livrar dos corpos....
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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azert
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Re: Sexta-feira 13

Postby azert » 11 Feb 2009 19:11

Onde é que eu já li algo parecido?? :rolleyes:
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Mad_1_wolf
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Re: Sexta-feira 13

Postby Mad_1_wolf » 11 Feb 2009 23:07

O ar fedia a sangue e urina. Estava escuro, muito escuro.
O homem acordou atordoado.
Respirava de forma ofegante. Tentou gritar, mas acanhou-se, com medo do desconhecido.
Ao levantar-se verificou que o tecto era demasiado baixo. Começou a tremer, apalpando as paredes irregulares, procurando uma porta, uma janela, uma saída.
O ar já estava a faltar, como se o oxigênio faltasse.
Sentou-se e tentou acalmar-se "Tu vais sair desta".
Há medida que a respiração voltava ao normal, apercebeu-se de uma respiração regular na sala. Não se encontrava sozinho.
Tentou descortinar quem seria pela escuridão, mas sem sucesso.
- Olá? - perguntou, a meia voz, meio a medo, rezando que fosse alguém que o pudesse ajudar.
Uns olhos vermelhos surgiram na escuridão, mirando de frente para ele.
De um salto, o outro ocupante chegou-se ao homem.
- Q-quem és?
O outro cheirou-o e olhou-o de forma animalesca. Parecia excitado pela descoberta.
Quando se aproximou, o homem pode ver-lhe a cara.
Os cabelos, nojentos, escuros estavam desalinhados em suor. Os olhos esbugalhados, muito abertos e brilhantes, contemplavam de forma doentia o pescoço dele.
Da boca pendia saliva e sangue, que já caía pelo tronco nu e musculado.
- Por favor... - implorou o homem.
De uma só vez, a criatura homem esmagou a cabeça da vítima com uma pedra,caindo o corpo para o lado.
Rindo-se de forma maníaca do seu feito, começou a rasgar as carnes, comendo ruidosamente com as mãos, deixando somente os ossos e a roupa.
Uivou de satisfação e correu para a rua, para a noite escura à espera da próxima vitima. E depois da outra. E depois da outra.
Nunca, nunca estava satisfeito.

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Re: Sexta-feira 13

Postby azert » 12 Feb 2009 00:10

Naquela sexta-feira, dia 13 de Maio, o sol começou a insinuar-se por entre as aberturas do estore por volta das 8 horas. Mário virou-se para o outro lado da cama e viu os contornos redondos e fartos da mulher que, como sempre, dormia ainda, com aquele ressonar típico. Levantou-se.
Foi até à cozinha, onde era evidente que o seu filho de 4 anos já tinha preparado o seu próprio pequeno-almoço. Da banca tombava um dio de leite para cima de um monte de cereais espalhados no chão, com marcas de ter sido pisado pelo cão. Olhou para o sítio onde costumava estar a tigela do cão e não a viu. Segiu então o rasto de chocapics empapados em leite pelo corredor até à sala.
Sentados no sofá de pele, filho e cão partilhavam indistintamente do prato raso com leite e cereais e da tigela com ração. Parecia que afinal o bicho, não só tinha pisado o leite na cozinha, como também devia ter-se deitado em cima dele, a avaliar pelos chocapics presos no pêlo. Na televisão, o mesmo episódio do Noddy e as bolas saltitantes, pela enésima vez. Ele levou as mãos à cabeça e correu, desvairado, para a casa de banho.
Lavou a cara com água bem fria, por várias vezes. Ao endireitar-se e ver-se reflectido no espelho deu um grito. Continuou a olhar-se, com um misto de curiosidade e repulsa, até que um sorriso começou a desenhar-se no rosto. Que alívio! Afinal aquele não era ele!
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Pedro Farinha
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Re: Sexta-feira 13

Postby Pedro Farinha » 12 Feb 2009 01:02

Adorei a tua ultima frase azert, até parece que andas a ler Millas

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Re: Sexta-feira 13

Postby Ripley » 12 Feb 2009 15:52

Pedro não era supersticioso. Outros delegados de propaganda médica evitavam fazer as suas voltas a uma sexta-feira 13; isso não só não o incomodava como até lhe dava jeito, menos concorrência a acotovelar-se na sala de espera de um consultório.

Voltava dos arredores de Serpa para Lisboa depois de um almoço bem regado a cerveja a que se seguiu a última visita do dia. O problema foi ter achado que conseguiria aguentar a bexiga até chegar ao destino uma vez que o WC da clínica estava ocupado ... uns quantos km à frente concluiu que teria mesmo que dar uma escapadinha para trás de um chaparro e parou o carro na berma.
Enquanto se aliviava apercebeu-se da aproximação de um mota. "Que giro ... se fosse preciso fazia o Alentejo inteiro sem me cruzar com ninguém, agora que vim dar uma mija aparece alguém! Mau ... a mota parou ?!?! Não, afinal já vai embora ... mas que raio ?"
Virou-se ainda a puxar o fecho das calças - mesmo a tempo de ver o seu carro afastar-se a toda a velocidade.
"Dasse! Só a mim! Carjacking no meio do Alentejo, nem a porra do telemóvel tenho!!!"

Começou a caminhar, resignado. Haveria de encontrar alguma aldeola ou um monte habitado onde pudesse fazer um telefonema.
Duas horas depois chegou a uma casinhota de aspecto meio degradado. A porta estava aberta e Pedro bateu na ombreira.
- Ó de casa!
Uma voz de mulher soou lá de dentro.
- Quim! Ó Quim!
Apareceu-lhe à frente um velhote, mal barbeado e de olhos avermelhados.
- Atão? Anda perdido, home? Ou teve um furo no paneu?
- Boa tarde ... nem uma coisa nem outra, roubaram-me o carro!
- Ora essa! Nã questumamos têri disse pr'aqui! Entri, home, entri!

Pedro entrou numa cozinha pouco iluminada. Depois da torreira que suportara aquela frescura era uma bênção.
- A 'nha mulheri, Conceiçã ... 'stá fazendo o jantari, é servido?
- Não quero incomodar, agradeço imenso mas o que eu preciso mesmo é de usar o seu telefone ...
- C'um raio ... nã temos. O Quim mai novo dê-nos um telemóve p'ra sêri mai' barato.
- Também serve!
- Mas o conho 'tá sem bataria! É m'lhori vossemecê esperari ... e janta c'a genti!

"Que remédio! Ao menos descanso um bocado!" pensou Pedro.
D. Conceição abriu o forno deixando sair um apetitoso cheiro a carne assada. Até ali Pedro seria capaz de jurar não ter fome mas aquele cheirinho deixou-o decididamente a salivar.

- Sente-si! Tome lá um pedaço!
Mastigou gulosamente a carne tenra. A velha ofereceu-lhe mais e Pedro não recusou.
- Isto (nham) é espectacular (nham). É carne de quê? Porco? (nham) Desculpe, posso comer (nham) só mais um bocadinho?
O velho Quim riu-se.
- Chêo d'apetite, hã? Atão venh'ali ajudar a 'scar mais!
Limpando a boca, Pedro seguiu o velhote até um anexo onde se via uma arca frigorífica moderna. O homem abriu a arca e debruçou-se.
- Ai! As 'nhas costas! Já nã posso adebruçar-me tanto!
- Deixe que eu ajudo, por amor de Deus! O que é que quer que tire ?
Pedro debruçou-se na arca. "O que é isto ?!?!?!? AHHHH!"


Da penumbra atrás da porta do anexo apareceu um homem de capacete com uma pá na mão e bateu-lhe na cabeça com toda a força. O corpo de Pedro caiu ao lado da arca, já cadáver.
O homem da pá tirou o capacete e pegou no corpo, empurrando-o para dentro do congelador.

- Pronto, pai ... já tem carne para mais uns dias. Quando vender o carro do home eu logo lhe trago qualquer coisinha.
- Dá jêto trabalharis na única tasca da aldêa e poderis botar os cumprimidos p'ro xixi na cervejola ... vais arranjando carnita p'ra genti e uns tostanitos p'ra ti! És um bom filho, mê Quim!
"És a metade que me é tudo." [Pedro Chagas Freitas]
---§§§---
"O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende." [Miguel Esteves Cardoso]

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Re: Sexta-feira 13

Postby Pedro Farinha » 12 Feb 2009 17:06

Muito cinematográfico. :thumbsup:

A vitima é que podia ter outro nome :wink:

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Re: Sexta-feira 13

Postby azert » 12 Feb 2009 17:25

Pedro Farinha wrote:até parece que andas a ler Millas


Parece, não parece? :mrgreen4nw:

Com a solução da Ripley, enquanto houver citadinos a atravessar o Alentejo, a crise não há-de lá chegar! :mrgreen4nw:
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Re: Sexta-feira 13

Postby Ripley » 12 Feb 2009 18:07

Pedro Farinha wrote:A vitima é que podia ter outro nome :wink:



Ah, pois - isso ... o nome ... ahem ... foi sem querer ... a sério! :rolleyes:
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Re: Sexta-feira 13

Postby Pedro Farinha » 13 Feb 2009 16:01

Estaquei à porta da divisão. Momentaneamente a luz da lua perfurou as trevas e tive um vislumbre de vidros no chão. De certeza que os meus passos seriam audíveis.

Parei. Hesitação.

Ouvi-os lá em baixo a refastelarem-se com o corpo já sem vida da Joana, uma loura de seios fartos que veio de longe para este encontro. De inicio tinha corrido tudo tão bem. Vermos as caras de pessoas que só conhecíamos através de palavras escritas num ecrã. A Sara por exemplo: uma rapariga tímida e de olhar aparentemente mortiço para quem eu não olharia duas vezes caso não tivesse discutido longas horas, on line, e a ficado a conhecer e respeitar pelas suas ideias e capacidade de argumentação. Engraçado isto: pessoas que conhecemos primeiro pelo que pensam, ou dizem que pensam, e só depois pela aparência. Muda completamente a perspectiva da coisa.

Mas depois eles tinham chegado. Mal sabíamos nós que aquele velho edifício abandonado que escolhêramos era habitado por tais criaturas maléficas.

O som de passos a subirem as escadas.

Aterrorizado levei as mãos ao coração pois parecia-me que o seu batuque sincopado os atrairia para o recanto onde me tinha enfiado. De tanto não querer fazer barulho, alternava entre suster a respiração e absorver sofregamente grandes golos de ar. O resultado era obviamente contraproducente. Arquejava.

Cautelosamente dei um passo atrás encostando-me à ombreira da porta de onde pendia, vestígios de outros tempos, um velho veludo verde escuro. Senti que o meu pé pisava algo mole e forcei-me a baixar a vista. O Bernardo estava no chão e do pescoço ainda escorria sangue espesso que eu, malfadadamente pisara. Bonito. Agora deixaria um rasto de pegadas cúmplices atrás de mim.

As nuvens escuras da trovoada que se avizinhava, lá fora, taparam a lua lançando a escuridão total dentro do edifício. Uns grunhidos indicaram-me que eles já estavam no primeiro piso. Só podiam andar atrás de mim.

A Sara, a Joana, o Nuno, o Mané e o Bernardo estavam mortos. Para além de mim, se alguém estivesse vivo só poderia ser a Rita. Quando o ataque se dera fugira escadas acima. Ainda nós pensávamos que era uma brincadeira de carnaval ou de sexta-feira 13 já ela compreendera a gravidade da situação. Era um dia aziago.

Um grito estridente deu-me a conhecer que a Rita tinha sido descoberta. Sons de roupa a rasgar, gemidos entrelaçados com grunhidos e a voz dela a extinguir-se num pavio deram-me a conhecer o que estava a passar. Paralisado de terror percebi que era a minha oportunidade. Eles iam entreter-se com o corpo dela. Perfura-lo em várias partes. Goza-lo enquanto restasse algum calor no cadáver daquilo que tinha sido uma rapariga afoita e cheia de vida. De repente lembrei-me do que ela escrevia no Fórum – adorava thrillers e tinha uma predilecção pelo macabro.

Um calafrio percorreu-me a espinha.

Tinha de ser agora.

Desatei a correr desenfreadamente pelas escadas abaixo sem me preocupar com o barulho ou com o trepidar das escadas sobre os passos pesados que me seguiam. À saída, no que tinha sido a entrada do Centro Comercial restavam montes de trapos amontoados. Restos de outras noites passadas naquele local. Saquei do isqueiro que atirei aceso sobre aquele tumulto de farrapos.

As chamas ergueram-se alegres, lambendo rapidamente as paredes, aproveitando os resquícios de papel de parede a cair.

Cá fora, exausto, apreciei como ninguém a tocha nocturna que tinha acendido. No dia seguinte os noticiários da manhã falariam de um incêndio ocorrido no antigo Lido na Amadora. Entre os escombros tinham encontrado diversos cadáveres. Humanos todos eles.
Alguém ainda viria à minha procura.

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Re: Sexta-feira 13

Postby Samwise » 13 Feb 2009 16:16

É mesmo boa altura para sugerir uma alternativa para próxima tertúlia. Conheço um armazém abandonado ali para os lados do Jardim do Tabaco...

Sam
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

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Re: Sexta-feira 13

Postby Ripley » 13 Feb 2009 16:45

Creepy ... ligação ao Fórum e depois localizá-lo num sítio que eu até conhecia bem - deixas-me a pensar o que de facto teria acontecido ali para ter ardido :laugh:

E o final ainda mantendo uma ponta de suspense ...

Thumbs up!!!
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