Guilherme, o Tal

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Jorge dos Santos
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Guilherme, o Tal

Postby Jorge dos Santos » 18 Aug 2008 18:10

<div align="center">Guilherme, o Tal
1307</div>
Acusado de ofensas contra o Governador, Guilherme, o Tal, foi condenado a atingir com arco e flecha, uma maçã colocada na cabeça do próprio filho.
No dia 18 de Novembro de 1307, nos jardins do Governador Gessler, Guilherme disparou a primeira seta. Perfeita, certeira, directa ao olho do filho, que perfurado pela ponta metálica, sujou um pouco a camisa.
O Governador mandou interromper, para que a camisa do miúdo fosse substituída. Depois, mandou que lhe introduzissem uma batata no olho, para não impressionar as damas da época.
Guilherme, o Tal, disparou a segunda seta. Mais rápida ainda, mais certeira que a anterior, a flecha partiu. Segundos depois, nova batata foi introduzida no olho direito da criança.
Guilherme disparou terceira vez. A seta, apontada com carinho, atravessou o coração mesmo pelo meio e o Governador, ferido de morte, caíu gordo e pesado sobre a mesa.
As damas, mandaram que lhe substituíssem a camisa, e livres da teia do tirano, dirigiram as felicitações, ao tal Guilherme. Depois, o banquete para festejar.
O miúdo, cego, afastava-se às turras às árvores quando o pai o chamou: é que o chefe de mesa, precisava das duas batatas!
Saudações sinceras,
Jorge dos Santos

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Samwise
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Re: Guilherme, o Tal

Postby Samwise » 19 Aug 2008 15:22

:lol2:

Gostei bastante. É curto, não se alonga a conversas desnecessárias e está bastante divertido. Achei piada à nuance "Tell- o Tal".

Sam
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Jorge dos Santos
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Re: Guilherme, o Tal

Postby Jorge dos Santos » 19 Aug 2008 15:45

Samwise wrote::lol2:

Gostei bastante. É curto, não se alonga a conversas desnecessárias e está bastante divertido. Achei piada à nuance "Tell- o Tal".


Faz parte de uma colectânea de pequenos contos a que chamo Notas de Meio Conto, porque na verdade, não chegam a Contos de Réis... isto para quem fala em escudos e não em euros!
Saudações sinceras,
Jorge dos Santos

urukai
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Re: Guilherme, o Tal

Postby urukai » 19 Aug 2008 19:41

Gostei do tom cómico.

Mas não encontrei nenhuma moral subjacente... Era suposto? :unsure:

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Jorge dos Santos
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Re: Guilherme, o Tal

Postby Jorge dos Santos » 19 Aug 2008 20:01

urukai wrote:Gostei do tom cómico.

Mas não encontrei nenhuma moral subjacente... Era suposto? :unsure:


Neste caso é mais imoral. :wink:

Também é necessário conhecer a "verdadeira" lenda de William Tell para poder entender a "piada".
Saudações sinceras,
Jorge dos Santos

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Re: Guilherme, o Tal

Postby urukai » 19 Aug 2008 20:07

Jorge dos Santos wrote:
urukai wrote:Gostei do tom cómico.

Mas não encontrei nenhuma moral subjacente... Era suposto? :unsure:


Neste caso é mais imoral. :wink:

Também é necessário conhecer a "verdadeira" lenda de William Tell para poder entender a "piada".


Pois, não conheço.

A minha ignorância neste caso resume-se à maçã no topo da cabeça e tinha ideia que era uma besta e não arco e flecha.

De qq maneira gostei da ideia "Meios contos".

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pco69
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Re: Guilherme, o Tal

Postby pco69 » 19 Aug 2008 21:07

urukai wrote:
Jorge dos Santos wrote:
urukai wrote:Gostei do tom cómico.

Mas não encontrei nenhuma moral subjacente... Era suposto? :unsure:


Neste caso é mais imoral. :wink:

Também é necessário conhecer a "verdadeira" lenda de William Tell para poder entender a "piada".


Pois, não conheço.

A minha ignorância neste caso resume-se à maçã no topo da cabeça e tinha ideia que era uma besta e não arco e flecha.

De qq maneira gostei da ideia "Meios contos".


eis uma cena que não esqueci,mesmo após ter sido lida à muuuuuitos anos

Guilherme, foi obrigado pelo governador(?) a provar que era um excelebte atirador com a besta, e para o provar, tinha que acertar numa maçã colocada no alto da cabeça do seu filho.
Guilherme, tira duas flechas.
Coloca uma na besta
Aponta
Dispara
E acerta na mação, sem ferir minimamente o filho
O gorvernador pergunta; " se és tão bom atirador, porque é que retiraste duas flechas?"
Guilherme responde; " se tivesse falhado a primeira, a segunda era para o seu coração!"

ideia que ficou....nunca ceder aos tiranos
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: Guilherme, o Tal

Postby urukai » 19 Aug 2008 21:17

Obrigado pela recordação pco69...

A minha maior inimiga é a minha memória. Afinal já tinha visto isso em qualquer lado (mas nunca o li).

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Jorge dos Santos
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Re: Guilherme, o Tal

Postby Jorge dos Santos » 19 Aug 2008 21:32

pco69 wrote:eis uma cena que não esqueci,mesmo após ter sido lida à muuuuuitos anos

Guilherme, foi obrigado pelo governador(?) a provar que era um excelebte atirador com a besta, e para o provar, tinha que acertar numa maçã colocada no alto da cabeça do seu filho.
Guilherme, tira duas flechas.
Coloca uma na besta
Aponta
Dispara
E acerta na mação, sem ferir minimamente o filho
O gorvernador pergunta; " se és tão bom atirador, porque é que retiraste duas flechas?"
Guilherme responde; " se tivesse falhado a primeira, a segunda era para o seu coração!"


Obrigado pelo remember! Na verdade, também eu conhecia essa versão. Contudo, na altura em que escrevi isto, estudei com atenção "Weisses Buch von Sarnen", escrito por Schriber em 1474, e não consegui apurar a verdade sobre esse pormenor. Depois, um alemão com alguma cultura histórica, explicou-me que a palavra usada era dúbia, porque não dizia arco nem besta, dizia "com uma seta" podendo tratar-se de um arco, ou uma besta, mas que nessa altura, em 1300, na zona referida do cantão Uri qualquer coisa, ou qualquer coisa Uri, os arcos eram comuns e as bestas não. Dizia ele também que o termo arqueiro era usado para os homens do Arco e atirador para os da Besta. Vá lá a gente saber!

Ok. Tinha que fazer uma escolha, optei pelo arco. É um dos privilégios da ficção!
Saudações sinceras,
Jorge dos Santos


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