Guitar Lesson on a Rainy Day

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xuaninha09
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Guitar Lesson on a Rainy Day

Postby xuaninha09 » 21 Sep 2008 01:04

<!--fonto:Book Antiqua--><span style="font-family:Book Antiqua"><!--/fonto--><!--sizeo:2-->[size=85]<!--/sizeo-->Sento-me na cama, tendo por companhia uma Stout pousada na secretária, entre papéis, papelões e papelinhos. Há algum barulho suave no ar, provavelmente proveniente do recém adquirido portátil; surpreendemente, não me suscita qualquer tipo de reacção, acção ou pensamento sequer - a mim, que sou tão irritável. As minhas mãos seguram a velha guitarra, presente da minha mãe pelo 20 a Matemática nos exames do ano passado. Os meus irrequietos dedos saltitam de corda para corda, tocando uma canção qualquer com uns acordes aborrecidos e chatos que me estava a obrigar a aprender. Os minutos passam e rapidamente me farto daquele exercício (aprender contrariada nunca resultou comigo), decidindo levantar-me e mudar de poiso. Pouso a guitarra. Um gole, dois goles de cerveja; dou comigo à janela, olhando. Quem me pudesse ver decerto pensaria que observava uma gata e os seus filhotes no jardim do vizinho, ou talvez a gaivota que pousava nas cordas da roupa no apartamento ao lado, mas a verdade é que eu olhava para o céu, como que à espera de um sinal. De repente começou a chover, o que - pensei - estava de acordo com as previsoes metereológicas para essa noite.

Sempre adoraste a chuva. Alguém que se sente traído e cheio de ódio, como tu gostas de dizer que te sentes, facilmente interpreta a chuva - esta chuva - como um elemento de paz, um ritual de purificação da alma, um novo começo. Uma segunda chance para corrigires os erros do passado, mesmo que não te arrependas do que fizeste. Eu também sempre gostei da chuva, mas por razões diferentes. Desde pequena que a chuva me fascina; a maneira como a chuva cai, fazendo pequenos círculos no chão - às vezes de alcatrão, outras de terra batida -, como que lágrimas caindo dos olhos de alguém, rolando pela face e caindo no que está mais próximo: às vezes a t-shirt de um amigo, uma mesa, um sofá, outras o peito nu de alguém.

Vazio. Vazia, é como me sinto, é o sentimento que começa a tomar conta do meu corpo e da minha alma, à medida que te vou recordando com memórias cada vez mais claras e vívidas. Pergunto-me se por estar vazia é a razão para nunca ter apreciado a chuva da mesma maneira que tu.

Reparo numa coisa fria e molhada que aflora na pele da minha mão direita, imediatamente deixando o meu devaneio e focando agora a minha atenção no real, próximo e palpável. Estou a chorar. Dou por mim no momento seguinte, caída no chão, abraçando o meu peito que dói e queima por dentro. Por mais racional que seja em frente a todos (até contigo e ao pé de ti), por vezes estes sentimentos agridoces tomam conta de mim e não consigo evitar nem a dor nem as lágrimas. E este chão frio, frio de morte, sabe tão bem...

A guitarra ainda me olha, como se esperasse por um toque meu. Agarro-a e abraço-a, aconchegando-a em mim, como se eu fosse tu e a guitarra por estes breves momentos me personificasse. Como tu me costumavas agarrar.

Os meus dedos ganham vida e vontade própria, começando a tocar uma canção completamente diferente da anterior, uma canção da qual eu não me lembrava alguma vez ter tocado ou ouvido, mas não me importo. Enquanto acaricio a guitarra, acaricio-te a ti também. Pouco a pouco, os meus dedos dedilham as cordas; primeiro devagar, com cuidado; depois, ganham confiança e energia, movendo-se com paixão, voluptuosos. Acordes, cordas e sons combinados de um milhão de maneiras diferentes, de maneiras que nunca imaginei que pudesse alguma vez tocar.
Os meus dedos fazendo amor com a guitarra, pintando o ar com sons, tal como fiz amor contigo. Cada som, cada acorde, cada respirar teu perto da minha orelha, cada arrepio de electricidade que correram pela minha espinha acima com o teu beijo e o teu toque, cada nirvana atingido em cada orgasmo.

O ritmo de queda das minhas lágrimas aumenta vertiginosamente. O topo dos meus dedos já não é pele, é carne viva; as cordas, essas, a pingar sangue. O corpo outrora castanho claro da guitarra, pintado com lágrimas vermelhas, tal como tu estás pintado na tela do meu coração.

Acabo a cerveja e acendo um cigarro da mesma marca que tu fumas.

Tinta permanente é extremamente difícil - impossível até - de se apagar. Para a próxima, se houver próxima, farei por não me esquecer disso.

_______________________________


<!--fonto:Arial--><span style="font-family:Arial"><!--/fonto--><!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo--><!--coloro:#ff0000--><!--/coloro-->Nota:<!--colorc--><!--/colorc--><!--sizec-->[/color]<!--/sizec--> já vão 4 anos desde que escrevi o meu último texto "por iniciativa própria" - chamemos-lhe assim. No entanto, cada vez mais senti a necessidade de escrever, tendo assim origem este meu primeiro texto. Contudo, estou perfeitamente ciente que a minha skill de escrita e criatividade anda longe da skill que tive outrora. Assim, resolvi publicá-lo aqui no BBDE!, esperando críticas que me ajudem a desenferrujar. Desde já o meu obrigada ^^<!--fontc-->[/color]<!--/fontc--><!--sizec-->[/color]<!--/sizec--><!--fontc-->[/color]<!--/fontc-->

Pedro Farinha
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Re: Guitar Lesson on a Rainy Day

Postby Pedro Farinha » 21 Sep 2008 13:45

Se queres criticas, a "gente" critica :rolleyes: . Na minha opinião não está mal escrito mas, para quem está com uma guitarra na mão, falta ritmo.

Para que eu goste de um texto tenho de quando estou a meio ter mais vontade de que não acabe do que de chegar ao fim. Neste teu isso não aconteceu, acho que falta algo para prenderes o leitor à prosa. Parecendo completamente irrelevante o lettering utilizado também não ajuda nada.

No entanto, há partes que gostei bastante, como por exemplo:

Desde pequena que a chuva me fascina; a maneira como a chuva cai, fazendo pequenos círculos no chão - às vezes de alcatrão, outras de terra batida -, como que lágrimas caindo dos olhos de alguém, rolando pela face e caindo no que está mais próximo: às vezes a t-shirt de um amigo, uma mesa, um sofá, outras o peito nu de alguém.
ou a frase (quase) final:
Tinta permanente é extremamente difícil - impossível até - de se apagar.


e esquece essa história dos skills, aqui cada um mostra o que escreve como escreve e o mais importante é tentar evoluir. Na minha (i)modesta opinião há quem escreva muito bem e quem não tenha a menor aptidão para a coisa. Mas dificilmente alguém evolui se não escrever muito e não estiver pronto a aprender com as criticas feitas por desconhecidos (sim, para a minha mãe eu escrevo sempre bem desde que não carregue demasiado os textos com asneiras).

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Re: Guitar Lesson on a Rainy Day

Postby azert » 21 Sep 2008 14:56

Pedro Farinha wrote:Parecendo completamente irrelevante o lettering utilizado também não ajuda nada.


Confesso que também me incomodou, sobretudo no que toca ao espaçamento entre linhas. :rolleyes:

Em relação ao texto, acho bem escrito, com alguns bons momentos.
Fiquei um pouco confusa relativamente às pessoas invocadas no texto, mas talvez o defeito esteja em mim.

De resto, escrever por gosto, é perfeitamente legítimo. Já quando se escreve com pretensões de publicar, as exigências, como é natural, aumentam.
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