Quem nunca errou que atire a primeira pedra...

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Skilz0ne
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Quem nunca errou que atire a primeira pedra...

Postby Skilz0ne » 31 Oct 2008 23:54

Era o seu último segundo na Terra, tinha que aproveita-lo bem, ou pelo menos tentar. E a tentativa não durou muito tempo, não conseguiu ver a vida de trás para a frente e muito menos de frente para trás, também não viu a luz ao fundo do túnel. Enfim ali se desfez milhares de boatos que vinha a ouvir á imensos anos.

Mas não, ele também não tinha tido tempo para pensar nisso, apenas tinhas fechado os olhos e aberto de novo, era estranho, estava tudo branco á sua volta, podia pensar que estava no Céu, mas não lhe pareceu que aquilo fosse o Céu, e duvidava que alguma vez visse esse espaço onde todos os comuns mortais desejam estar.

O seu nome em vida era John Albosta, um nome que durante anos a fio semeou o pânico nos moradores da sua pacata terreola, até por fim ser preso e condenado á morte. Bem recordações agradáveis sem dúvida mas que foram interrompidas prontamente por uma voz. Uma voz indistinta que soava das profundezas daquele lugar, o dono da voz era invisível ou pelo menos assim parecia, visto que John não conseguia distinguir ninguém.

- Então John, por cá tão cedo? Sabes que se tivesses agido bem durante toda a vida só cá estarias daqui a 40 anos? – Perguntou a voz num tom acusatório.

John tentou encolher os ombros mas o resultado foi um tanto ou quanto patético, por isso preferiu responder simplesmente com um abanar de cabeça, não muito comprometedor.

- Então John, estás arrependido? É bom que te despaches, tenho que aturar mais uns 5 serial killers durante o dia de hoje – insistiu a voz agora num tom firme.

- Sim estou, lamento-o do fundo do meu coração – E dito isto John desatou a rir.

- Pois…bem sabia que eras um caso perdido…ou talvez não. Sabes John como foste honesto comigo, sim pois sem bem que não estás arrependido e tu também o sabes, irei te por á prova. Terás que passar teste…e agora vai que estou farto de ti! – A voz vibrou no seu cérebro e depois desapareceu.

John abriu os olhos, estava num corpo que não era o seu, alguém gritava por um nome que não era o seu…Tom Adil, foi o que conseguiu perceber. Fosse lá quem fosse alguém estaria á procura dele. Esticou as pernas e viu que não o conseguia fazer, olhou á sua volta e constatou que estava no corpo de uma criança. Sim uma criança, um bebé de 6 meses no máximo, era como se tivesse acabado de nascer.

Fechou os olhos e abriu-os de novo e continuava no mesmo local e no mesmo sítio…Será que este era o tal teste da Voz? Bem, lá teria que suportá-lo.

E durante vários anos cresceu na pele daquele rapaz, era um rapaz estranho sem dúvida, corpo de 10 anos e mente de 40, sim estranhíssimo mas ao mesmo tempo divertido.

Aos poucos John Albosta ia-se tornando cada vez mais uma criança, sim estava cada vez mais a ser Tom Adil do que John…estava a perder consciência da sua vida passada, aos poucos e poucos ia-se esquecendo de coisas inesquecíveis como o assalto ao Banco de Priskel ou o Homicídio do Nelinho.

Era o último dia do período escolar, e Tom teria um teste. Esquecera-se completamente de estudar e como John já mal ocupava o seu espírito tinha esquecido de tudo o que ele pudesse saber sobre o assunto. Lá teria que copiar, sentou-se ao lado da melhor aluna e a meio do exame quando viu que nada poderia fazer tentou deitar o olho para o teste do lado. Faltava-lhe fazer a composição e estava em busca de ideias e ideias era o que não faltava ali no teste da colega. Fechou os olhos por uns momentos e recordações antigas vieram-lhe á memória, via um rapazito de 10 anos numa sala de aula, tinha escrito no chapéu em letras gigantes o seu nome “John Albosta”, viu John a copiar por um colega, viu John a sair da sala com um sorriso triunfante e a receber um A (nota máxima) no dia seguinte. Viu John a assaltar o primeiro miúdo que passava na rua…e viu John a cometer dos mais pequenos aos maiores delitos e tudo porque uma vez tinha passado a linha do certo e do errado.

Voltou a abrir os olhos, olhou para o teste da colega, era muito tentador. Bem, Quem nunca errou que atire a primeira pedra…

Saiu da aula com um sorriso triunfante, ia ter uma excelente nota sem dúvida. No dia seguinte Tom recebeu um A, o professor aplaudiu a sua nota e pediu-lhe para ler a sua composição. John olhou receoso em redor para toda a turma, bem lá teria que ser…e começou a recitar:

“Quem nunca errou que atire a primeira pedra



Era uma vez um jovem chamado John Albosta…”.



Tom morreu aos 80 anos, deixou filhos e netos que na hora da despedida choraram de alegria por o pai e em alguns casos avo ter partido em paz.

A sua campa é visitada por milhares de pessoas que o conheceram em vida e reconhecem que ele era uma pessoa excepcional, todos os dias flores novas aparecem como que por magia na campa.

Ao lado da campa de Tom existe uma mais sombria que ninguém jamais visitou ou deixou flores, nela pode-se ler:

“Aqui jaz John Albosta”.

Pedro Farinha
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Re: Quem nunca errou que atire a primeira pedra...

Postby Pedro Farinha » 01 Nov 2008 15:07

Muito gira a história. Sinceramente gostei. No entanto na escrita tens alguns erros que devias emendar, tipo uns 'à' sem 'h' e um 'sem' que era 'sei'.

Skilz0ne
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Re: Quem nunca errou que atire a primeira pedra...

Postby Skilz0ne » 02 Nov 2008 23:21

Pedro Farinha wrote:Muito gira a história. Sinceramente gostei. No entanto na escrita tens alguns erros que devias emendar, tipo uns 'à' sem 'h' e um 'sem' que era 'sei'.


Foi escrito um pouco à pressa, estava na altura inspirado e pronto.
Obrigado pelo comentário, entretanto quando tiver tempo irei corrigir os erros.


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