Medos

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Sofia
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Medos

Postby Sofia » 02 Dec 2008 18:46

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Pode parecer-vos, à partida, que falar de casas assombradas, esses antros repletos de teias de aranha e pesadelos, já não impressionaria ninguém. Existem coisas no nosso imaginário muito piores que o som das tradicionais correntes invisíveis, ou a aparição de vultos enegrecidos pelos cantos da casa.
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<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo--><!--sizec-->[/color]<!--/sizec--> É certo que sentimos mais fascínio que medo, mais curiosidade que assombro, quando ouvimos alguém relatar, com o rosto tingido por uma suave luminescência, esses estranhos contos do Além. E quando se tenciona recriar o terror pelas simples palavras, o mais certo é o ouvinte esquinar um sorriso e ir deitar-se sossegado, certo de que essas brumas se desvanecerão no silêncio.
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<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo--><!--sizec-->[/color]<!--/sizec--> Mesmo assim, há aqueles que anseiam por uma qualquer experiência insólita, daquelas que podem ser ou não ser, dependendo da vontade que temos em acreditar nelas. Porque o terror inspira quando está longe de ser sentido.
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<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo--><!--sizec-->[/color]<!--/sizec--> Mas quando estamos sozinhos. Quando tudo o que sentimos é escuridão e a nossa própria existência dentro dela, sentimo-nos cegos e desorientados, inspirando e expirando um ar frio e doentio com uma intensa sonoridade que revela que estamos muito vivos. Ainda…
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<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo--><!--sizec-->[/color]<!--/sizec--> Solidão. A solidão pode ser bastante perturbadora. Porque dela nasce o silêncio. E é nesse silêncio que existem coisas. Um sussurro, um raspar, um odor que faz acender intermitentemente uma parte oculta do nosso cérebro. E sentimos a pele da nuca arrepiar, de forma inicialmente insuspeita, com a impressão de que daquele silêncio profundo, demasiado frágil para ser tranquilo, saltará algo tão atroz quanto inacreditável.
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<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo--><!--sizec-->[/color]<!--/sizec--> Uma impressão. O medo é feito de impressões. De sinais subtis, ou não tanto assim, já que podem ser suficientemente óbvios se quisermos levá-los a sério. Pois de um cicio suspirado num canto escuro pode nascer um guincho por cima do nosso cego ombro esquerdo. E isso já não pode ser uma impressão. Isso é uma clara evidência de que o inacreditável, o longínquo e o onírico, está aqui. Recebendo em si a nossa respiração assincopada, e viva. Por enquanto…
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<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo--><!--sizec-->[/color]<!--/sizec--> E portanto o terror reside na descoberta de que estamos enganados. Ou pior ainda, de que quando relanceámos receosamente aquela sombra com um formato esquisito, estivemos sempre certos.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

Pedro Farinha
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Re: Medos

Postby Pedro Farinha » 03 Dec 2008 15:08

Gostei caso isto seja o principio para qualquer coisa, ou seja, penso que é uma boa introdução para uma história de terror/fantástica. Se for apenas isto, acho que fico com aquelea sensação de "ok, sim senhor, e agora quando é que começam as sombras a aparecer por detrás dos meus ombros..."

Caro Storyteller, continua com a história, tipo: Ludovico Carabineri sempre sentira que uma presença estranha o acompahava, no entanto sempre fez questão de não acreditar nela...

ou, de preferência, uma coisa bem melhor. :thumbsup:

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Re: Medos

Postby Sofia » 03 Dec 2008 18:44

Obrigada pelo comentário, Pedro.

Sim, é de facto uma introdução a um conto de terror que tenho meio escrito, no meio de outros "milhares" que ficaram a meio e que fui escrevendo para concorrer à antologia Pulp Fiction da Saída de Emergência.

Ainda vou postar aqui a continuação. Este tempo cinzento é a fonte de inspiração perfeita. :pcorn:


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