Acerca da Pirataria

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Re: Acerca da Pirataria

Postby Samwise » 21 Jan 2013 19:48

Mais do mesmo. Here we go again... <_< A proposta que caiu no ano passado mantém a sua filosofia base, não mudou quase nada.

A "Jonasnuts" já reagiu.

Entretanto, do outro lado do globo: Kim Dotcom regressa à batalha da partilha de ficheiros

O fundador do Megaupload, o site encerrado há um ano pelo FBI, apresentou o seu novo negócio na Internet. Inteiramente legal, garante.

Um ano depois do encerramento do site de armazenamento e partilha de ficheiros Megaupload, Kim Dotcom revelou a sua nova criação: chama-se apenas Mega e apresenta-se como o serviço que vai “virar este mundo de pernas para o ar”.

O empresário/hacker/pedra no sapato do FBI, que cumpre na segunda-feira 39 anos de idade, já tinha anunciado o seu regresso ao complexo mundo da troca de ficheiros na Internet há cinco meses. A ameaça surgiu no dia 28 de Agosto de 2012, sob a forma de um tweet: "Eles maltrataram o tipo errado. Vou virar este mundo de pernas para o ar. Adeusinho, Echelon. Olá, Liberdade."

Este sábado – um ano depois de o FBI ter mandado encerrar o Megaupload e de a justiça norte-americana o ter mandado deter na Nova Zelândia, sob a acusação de violação dos direitos de cópia –, Kim Dotcom apresentou o Mega, um novo serviço que acredita cumprir todos os requisitos legais.

Em entrevista ao Wall Street Journal, Kim afirma que o Mega vai transformar-se num dos serviços mais importantes da Internet ao longo do próximo ano, mas admite que ainda é cedo para saber se algum dia será tão relevante como o extinto Megaupload.

Quanto ao facto de estar a enfrentar uma acusação judicial – e de poder vir a ser preso –, Kim Dotcom não vê nisso nenhum entrave a uma nova aventura, em conjunto com os outros fundadores do Megaupload: "Não podemos pôr as nossas vidas em suspenso e deixar que eles fiquem com todos os nossos bens, para que não possamos pagar bons advogados. Concluímos que, se nos deixássemos levar, estaríamos a desperdiçar o nosso talento. (...) Pensámos em usar a nossa experiência de sete anos para criar o melhor negócio de armazenamento na cloud que o mundo já conheceu."

Desta vez, Kim Dotcom não acredita que o FBI lhe bata à porta, porque afirma que o Mega "é provavelmente o site mais escrutinado da história da Internet". "Cada píxel daquele site foi analisado por advogados e é evidente que estamos a cumprir todas as leis", afirma.

A grande novidade do Mega é o seu método de encriptação, que é feito em tempo real. "Sem ser preciso instalar qualquer aplicação – acontece no browser, em segundo plano –, procede à encriptação, o que permite mais privacidade", explica Kim Dotcom.

A mesma privacidade que pode também permitir a profusão de conteúdos ilegais? "A pornografia infantil é um problema, mas, tal como acontecia com o Megaupload, os outros utilizadores podem retirar conteúdos. Se alguém identificar algo que não pode estar ali, pode entrar em contacto connosco, pedir-nos para retirarmos esse conteúdo e é isso que faremos. Iremos cumprir integralmente a lei e colaborar com as autoridades", afirma Kim Dotcom.

A diferença entre os dois serviços é que, no novo Mega, o ficheiro será encriptado no computador do utilizador antes do armazenamento, sendo depois enviada uma segunda chave para decifrar o ficheiro. Na prática, este método pode garantir que o site não será responsabilizado pela partilha de ficheiros ou pelo armazenamento de dados protegidos pela legislação da propriedade intelectual ou direitos de autor, deixando o controlo total na mão dos utilizadores.
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Re: Acerca da Pirataria

Postby Bugman » 21 Mar 2013 16:08

De tempos a tempos há uns engraçadinhos que gostam de voltar a esta coisa. Desta vez parece que trabalham para a Uniao Europeia.

Link para o estudo: Digital Music Consumption on the Internet: Evidence from Clickstream Data

Do Resumo:
EC wrote:Although positive and signi cant, our estimated elasticities are essentially zero: a 10% increase in clicks on illegal downloading websites leads to a 0.2% increase in clicks on legal purchases websites. Online music streaming services are found to have a somewhat larger (but still small) ef ect on the purchases of digital sound recordings, suggesting complementarities
between these two modes of music consumption. According to our results, a 10% increase in clicks on legal streaming websites lead to up to a 0.7% increase in clicks on legal digital purchases websites.
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Re: Acerca da Pirataria

Postby pco69 » 19 Jun 2013 09:10

http://www.publico.pt/tecnologia/notici ... ha-1597711

Um grupo de investigadores do prestigiado Instituto Fraunhofer , na Alemanha, criou uma técnica para que cada ficheiro de um determinado livro electrónico tenha pequenas alterações no conteúdo, que não alteram o sentido do texto, mas que transformam cada cópia num exemplar único.

O objectivo é que, através da análise ao conteúdo de um ficheiro distribuído ilegalmente na Internet, seja possível saber quem o disponibilizou, o que poderá actuar como um dissuasor, já que os mecanismos de protecção que editoras e vendedores incluem nos ficheiros têm estado a ser contornados.

O projecto de investigação (que é financiado pelo Estado e que conta com o apoio da associação que representa editores e livreiros na Alemanha) está a aproximar-se do fim. O resultado, porém, será ainda uma demonstração de conceito e não algo pronto para chegar ao mercado, explica ao PÚBLICO Martin Steinebach, o investigador responsável pelo projecto, que se chama SiDiM, a sigla em alemão de Documentos Seguros através de Marcação Individual.

O método desenvolvido por Martin Steinebach e colegas, que funciona por ora apenas na língua alemã, implica pequenas alterações a palavras e expressões. Uma das “abordagens mais promissoras”, exemplifica o investigador, é trocar de posição dois nomes próprios nas frases em que a ordem não seja relevante. Assim, “Daniel e Pedro vão almoçar” poderia ser alterado para “Pedro e Daniel vão almoçar”. Outra possibilidade seria substituir uma expressão como “não é visível” por “é invisível”. O processo é inteiramente automático.

“Num livro de 100 páginas, estamos confiantes de que conseguimos encontrar dez ou 20 posições onde podem ser feitas mudanças sem causar grandes danos”, afirmou Steinebach, notando que a técnica não poderá ser aplicada em obras de poesia, onde a ordem e extensão das palavras é muito importante.

Marcar individualmente cada ficheiro de um livro electrónico para que os leitores não o partilhem não é uma novidade. A técnica é por vezes chamada DRM social, já que não impede tecnicamente a partilha, mas assenta no receio dos utilizadores de serem descobertos (DRM é a sigla de Digital Rights Management, e designa mecanismos que procuram impossibilitar o uso de ficheiros de formas não previstas pelos detentores dos direitos).

Porém, as técnicas de DRM social normalmente passam por colocar avisos sobre os direitos de autor e uma frase única numa página do livro que não seja a do conteúdo. Por exemplo, “Este livro foi vendido ao utilizador X, a 18 de Junho de 2013”. Para além disso, podem incluir séries de caracteres que não são visíveis para o leitor, mas que permitem identificar cada ficheiro. Do ponto de vista das editoras e vendedores, o problema é que estes caracteres identificadores podem ser retirados por utilizadores com os conhecimentos técnicos necessários.

Já o método desenvolvido por Steinebach torna mais difícil a remoção das alterações usadas como identificador, já que o conteúdo da obra teria de ser comparado com o original (que, em última instância, poderá até nem ser disponibilizado ao público).

No debate que opõe livros electrónicos a livros em papel, as possiblidades de alterar o conteúdo, nomeadamente à distância, através da ligação à Internet do aparelho que o utilizador esteja a usar para ler, tem sido apresentada simultaneamente como uma vantagem e um problema.

Por um lado, permite que livros técnicos, académicos e escolares se mantenham actualizados e facilita a correcção de gralhas e erros. Por outro, abre portas a que seja tecnicamente possível (incluindo por ordem de Governos) fazer todo o tipo de mudanças no conteúdo (embora não relacionado com o conteúdo, ficou conhecido, em 2009, o caso em que a Amazon apagou dos Kindle dos seus clientes dois livros de George Orwell, incluíndo, ironicamente, “1984”; os livros tinham sido postos à venda na Amazon, através de um sistema de auto-publicação, por uma empresa que não tinha os direitos para os comercializar).

Questionado sobre uma possível reacção negativa dos leitores, Steinebach afirmou: “Estou confiante que os leitores não vão notar, e tenho dúvidas que os autores notem”. Admitiu porém, que os autores não têm acolhido bem o conceito e reconheceu que o uso desta técnica “é algo que requer avaliação”.




:pub:
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Re: Acerca da Pirataria

Postby pco69 » 15 Jan 2014 11:42

http://exameinformatica.sapo.pt/noticia ... a-suspensa

O Segundo Juízo do Tribunal Criminal de Lisboa acaba de condenar Luís Ferreira, criador do site BTuga, a oito meses de pena suspensa. A sentença foi convertida numa multa que chega aos 12.600 euros. O caso, que é inédito na justiça portuguesa, ainda pode vir a conhecer recurso.
Luís Ferreira, criador do site BTuga, foi hoje condenado a oito meses de prisão suspensa por coautoria na usurpação de direitos de autor.

Em vez de cumprir prisão, o réu terá de pagar um total de 12 600 euros. Este valor resulta da soma de 190 dias de multa aos oito meses de pena de prisão suspensa, que também foram convertidos em 230 dias de multa. A cada dia de multa foi aplicado um valor de 30 euros.

O Tribunal Criminal de Lisboa optou por não dar provimento à acusação, que exigia uma indemnização de 1,6 milhões de euros, acrescida de mais duas parcelas que aumentariam para quase dois milhões de euros a compensação a pagar aos detentores dos direitos de autor. O processo foi interposto por várias associações que representam produtores de vídeos, editoras de música e representantes de intérpretes.

Segundo a acusação, a atividade do BTuga, que foi encerrado em 2007 na sequência da intervenção das autoridades, teve efeitos negativos nas vendas de filmes e músicas em Portugal – e as indemnizações teriam por objetivo ressarcir os autores e produtores pelas licenças e cópias legais que não foram vendidas no período em que o site pirata operou na Internet.

O Tribunal Criminal de Lisboa recordou que apenas deu por provada a acusação de usurpação de três ficheiros (um filme da saga X-Men; um filme do humorista Borat; e um álbum dos Dire Straits) e que, por essa razão, não poderia dar provimento ao pedido de indemnização, uma vez que as perdas provocadas pela distribuição dos três ficheiros não terão tido dimensão suficiente para serem levadas em conta.

Alexandra Mota Gomes, advogada de Luís Ferreira, diz estar satisfeita pelo desfecho do julgamento no que toca aos pedidos de indemnização, mas reiterou que o criador do BTuga «considera que não cometeu nenhum crime». «Vamos analisar a sentença e tomar uma decisão (sobre um eventual recurso)», referiu a advogada quando inquirida pela Exame Informática.

Eduardo Simões, diretor da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), desvalorizou o facto de a indemnização solicitada pelos representantes de autores e editores ter sido rejeitada pelos juízes. «É o único processo do género a correr nos tribunais em Portugal. Já tinham sido aplicadas sentenças a utilizadores que partilharam ficheiros na Internet, mas nunca tinha sido aplicada uma sentença a um gestor de um site que usava tecnologia de torrents. E contam-se pelos dedos os casos nestas condições que foram julgados e considerados culpados nos tribunais desse mundo fora».

Apesar de considerar o desfecho como «positivo», o responsável da AFP expressa a convicção de que a sentença proferida num tribiunal de primeira instância «não acaba com este processo». E admite que possam ser apresentados recursos.

O Tribunal Criminal de Lisboa lamentou que «a investigação não tenha ido mais longe», no que toca à recolha de provas de cópias ilegais distribuídas no BTuga. Durante o julgamento, várias testemunhas garantiram que o BTuga distribuía ficheiros ilegalmente, mas não foram recolhidas as provas que permitiriam saber quais as obras distribuídas e quais os autores lesados. «Antes de se ter procedido ao encerramento do site em 2007, poder-se-ia ter tentado descarregar outros ficheiros e ir além dos três aqui identificados», recordou a juíza responsável por este julgamento.

Apesar de não dispôr de dados que permitissem saber as reais proporções dos danos causados pelo BTuga, o Tribunal Criminal de Lisboa recordou que foram contabilizados mais de 166 mil euros na conta bancária de Luís Ferreira, um estudante no segundo ano de uma licenciatura de informática, que vive na casa dos pais.

O Tribunal Criminal de Lisboa deu como provado que Luís Ferreira facilitou a partilha de ficheiros sem a devida autorização de editores e autores, e também que assumia funções de análise e seleção das obras distribuídas no BTuga. O tribunal recordou ainda que o jovem tinha consciência do ilícito que estava a praticar.

O BTuga foi o maior site de partilha de ficheiros português da década passada. Em 2007, foi encerrado após ação das autoridades.

Este caso teve origem numa queixa apresentada pelas associações Audiogest, AFP, GDA, GEDIPE, FEVIP, e SPA.

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Re: Acerca da Pirataria

Postby Forbidden » 15 Jan 2014 20:27

pco69 wrote:http://exameinformatica.sapo.pt/noticias/mercados/2014-01-13-BTuga-Tribunal-condena-criador-do-maior-site-pirata-portugues-a-oito-meses-de-pena-suspensa

O Segundo Juízo do Tribunal Criminal de Lisboa acaba de condenar Luís Ferreira, criador do site BTuga, a oito meses de pena suspensa. A sentença foi convertida numa multa que chega aos 12.600 euros. O caso, que é inédito na justiça portuguesa, ainda pode vir a conhecer recurso.
Luís Ferreira, criador do site BTuga, foi hoje condenado a oito meses de prisão suspensa por coautoria na usurpação de direitos de autor.

Em vez de cumprir prisão, o réu terá de pagar um total de 12 600 euros. Este valor resulta da soma de 190 dias de multa aos oito meses de pena de prisão suspensa, que também foram convertidos em 230 dias de multa. A cada dia de multa foi aplicado um valor de 30 euros.

O Tribunal Criminal de Lisboa optou por não dar provimento à acusação, que exigia uma indemnização de 1,6 milhões de euros, acrescida de mais duas parcelas que aumentariam para quase dois milhões de euros a compensação a pagar aos detentores dos direitos de autor. O processo foi interposto por várias associações que representam produtores de vídeos, editoras de música e representantes de intérpretes.

Segundo a acusação, a atividade do BTuga, que foi encerrado em 2007 na sequência da intervenção das autoridades, teve efeitos negativos nas vendas de filmes e músicas em Portugal – e as indemnizações teriam por objetivo ressarcir os autores e produtores pelas licenças e cópias legais que não foram vendidas no período em que o site pirata operou na Internet.

O Tribunal Criminal de Lisboa recordou que apenas deu por provada a acusação de usurpação de três ficheiros (um filme da saga X-Men; um filme do humorista Borat; e um álbum dos Dire Straits) e que, por essa razão, não poderia dar provimento ao pedido de indemnização, uma vez que as perdas provocadas pela distribuição dos três ficheiros não terão tido dimensão suficiente para serem levadas em conta.

Alexandra Mota Gomes, advogada de Luís Ferreira, diz estar satisfeita pelo desfecho do julgamento no que toca aos pedidos de indemnização, mas reiterou que o criador do BTuga «considera que não cometeu nenhum crime». «Vamos analisar a sentença e tomar uma decisão (sobre um eventual recurso)», referiu a advogada quando inquirida pela Exame Informática.

Eduardo Simões, diretor da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), desvalorizou o facto de a indemnização solicitada pelos representantes de autores e editores ter sido rejeitada pelos juízes. «É o único processo do género a correr nos tribunais em Portugal. Já tinham sido aplicadas sentenças a utilizadores que partilharam ficheiros na Internet, mas nunca tinha sido aplicada uma sentença a um gestor de um site que usava tecnologia de torrents. E contam-se pelos dedos os casos nestas condições que foram julgados e considerados culpados nos tribunais desse mundo fora».

Apesar de considerar o desfecho como «positivo», o responsável da AFP expressa a convicção de que a sentença proferida num tribiunal de primeira instância «não acaba com este processo». E admite que possam ser apresentados recursos.

O Tribunal Criminal de Lisboa lamentou que «a investigação não tenha ido mais longe», no que toca à recolha de provas de cópias ilegais distribuídas no BTuga. Durante o julgamento, várias testemunhas garantiram que o BTuga distribuía ficheiros ilegalmente, mas não foram recolhidas as provas que permitiriam saber quais as obras distribuídas e quais os autores lesados. «Antes de se ter procedido ao encerramento do site em 2007, poder-se-ia ter tentado descarregar outros ficheiros e ir além dos três aqui identificados», recordou a juíza responsável por este julgamento.

Apesar de não dispôr de dados que permitissem saber as reais proporções dos danos causados pelo BTuga, o Tribunal Criminal de Lisboa recordou que foram contabilizados mais de 166 mil euros na conta bancária de Luís Ferreira, um estudante no segundo ano de uma licenciatura de informática, que vive na casa dos pais.

O Tribunal Criminal de Lisboa deu como provado que Luís Ferreira facilitou a partilha de ficheiros sem a devida autorização de editores e autores, e também que assumia funções de análise e seleção das obras distribuídas no BTuga. O tribunal recordou ainda que o jovem tinha consciência do ilícito que estava a praticar.

O BTuga foi o maior site de partilha de ficheiros português da década passada. Em 2007, foi encerrado após ação das autoridades.

Este caso teve origem numa queixa apresentada pelas associações Audiogest, AFP, GDA, GEDIPE, FEVIP, e SPA.



LOOOL, e so o que tenho a dizer. Se andassem atras de pessoas que realmente fazem crimes - desvio de milhares ou milhoes de dinheiro - isso sim! Agora partilhar coisas na internet, qual e o mal? Ha muita gente que se nao sacar da net nao vai comprar de qualquer forma - porque nao ha dinheiro - logo, vai dar ao mesmo. Alem do mais, acham normal ter de pagar 18 euros por um cd? Eu nao.
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Re: Acerca da Pirataria

Postby Thanatos » 15 Jan 2014 22:24

Concerteza reconheces, Forbidden, que se há quem nunca fosse comprar também haverá quem deixa de comprar.

Quantos aos preços das coisas eu até diria que se mais gente comprasse, calhando o preço até baixava... mas isto sou eu a quem a minha mamã disse: quem não tem guito, não tem vícios. ;)
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Re: Acerca da Pirataria

Postby vampiregrave » 15 Jan 2014 22:26

Thanatos wrote:Concerteza reconheces, Forbidden, que se há quem nunca fosse comprar também haverá quem deixa de comprar.

Quantos aos preços das coisas eu até diria que se mais gente comprasse, calhando o preço até baixava... mas isto sou eu a quem a minha mamã disse: quem não tem guito, não tem vícios. ;)


Se a discordância com o preço de um bem fosse razão para o roubar, já tinha um Mercedes :rolleyes:

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Re: Acerca da Pirataria

Postby Forbidden » 16 Jan 2014 14:57

Thanatos wrote:Concerteza reconheces, Forbidden, que se há quem nunca fosse comprar também haverá quem deixa de comprar.

Quantos aos preços das coisas eu até diria que se mais gente comprasse, calhando o preço até baixava... mas isto sou eu a quem a minha mamã disse: quem não tem guito, não tem vícios. ;)


Nao me parece, sinceramente, ate poruqe podiam pensar "ah, se muita gente compra e porque o preço é aceitavel" e nao e!

Mais, a Cultura nao e vicio nenhum, nem pode ser um direito de ricos. A Cultura e um direito de toda a gente, alias, e por isso que ha bibliotecas - pra quem nao tem dinheiro poder usufruir de livros.
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Re: Acerca da Pirataria

Postby Thanatos » 16 Jan 2014 17:38

Passando ao lado do moço bom samaritano ter 166 mil euros numa conta, eu pergunto onde raios é que o "direito" à cultura pode atropelar os direitos dos autores, produtores e distribuidores?
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Re: Acerca da Pirataria

Postby Bugman » 16 Jan 2014 17:41

Ha claro várias formas de se olhar para coisa.

Vendendo muito leva a novas edições, com maiores tiragens e portanto com maiores margens. Assim sendo é fácil baixar preços, especialmente num mercado que se tornou um lago com muitos tubarões e poucas sardinhas.

Sim, a cultura é um direito, mas isso não quer dizer que quem a faz tenha de o fazer pro bono. E de resto, vamos olhar para os livros que vendem, ou para a música popular(ucha). São mesmo os produtos de qualidade que vendem? Como dizia um fulano na conferência que houve no CCB aqui há umas semanas: "nem todos os livros que se publicam hoje são literatura" e acrescento eu, só se publicam porque vão vender.

Não sou necessariamente contra a criminalização do descarregamento da rede, mas também já não sou tão anjinho assim... ;)
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Re: Acerca da Pirataria

Postby Samwise » 16 Jan 2014 18:27

Forbidden wrote:Mais, a Cultura nao e vicio nenhum,


Para aquilo que o Thanatos pretendeu dizer, o resultado é o mesmo: um crime (admitindo que se está a falar de um crime) não se torna legal pelo facto de o infractor não ter dinheiro para pagar pela compra do serviço/bem.

nem pode ser um direito de ricos. A Cultura e um direito de toda a gente, alias, e por isso que ha bibliotecas - pra quem nao tem dinheiro poder usufruir de livros.


Está aqui pano para mangas. Se de uma forma geral tendo a concordar contigo (de que a "Cultura" devia ser gratuita), na particularização daquilo que serão ou poderão ser considerados "objectos culturais" já tendo a discordar, nomeadamente se os autores dos mesmos estão protegidos por direitos de autor e se dependem deles como fonte de trabalho/rendimento, mais a mais porque, havendo sempre objectos culturais que estão protegidos por esses direitos, há outros que não estão e são sempre alternativas gratuitas legais. Ou seja, se quem descarrega estes ficheiros anda mesmo à procura de cultura - para se instruir intelectualmente - pode sempre recorrer a fontes que não estejam sob a alçada a da lei... ;)

E onde será acaba aquilo que é cultura e começa aquilo que é entretenimento? Quais são os produtos que estão em causa nestes processos judiciais? Será cultura no sentido de "enriquecimento intelectual", ou serão mesmo mais ... «um filme da saga X-Men; um filme do humorista Borat; e um álbum dos Dire Straits» :mrgreen:

---

Eu continuo, ao fim deste tempo todo, a considerar que a lei tem lacunas, que não é nada clara quanto a quem comete realmente as infrações, e que necessita de ser ajustada ao tempos modernos, pós-internet. Quem estiver apenas a descarregar para consumo (sem partilhar e sem obter qualquer lucro com isso) é um criminoso ou cometeu alguma infração legal? Analogia com: quem vai à feira comprar DVD's pirateados também está a cometer alguma infração, ou é apenas quem está a vender?
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Re: Acerca da Pirataria

Postby Forbidden » 16 Jan 2014 19:57

Samwise wrote:
Para aquilo que o Thanatos pretendeu dizer, o resultado é o mesmo: um crime (admitindo que se está a falar de um crime) não se torna legal pelo facto de o infractor não ter dinheiro para pagar pela compra do serviço/bem.



Primeiro, eu acho (posso estar enganado) que so e crime se a pessoa lucrar com a partilha de ficheiros, se nao e assim, e assim que devia ser. E se querem prender quem tira filmes ou musicas da net, podem preprapar-se pra prender metade da populaçao portuguesa.


Samwise wrote:Está aqui pano para mangas. Se de uma forma geral tendo a concordar contigo (de que a "Cultura" devia ser gratuita), na particularização daquilo que serão ou poderão ser considerados "objectos culturais" já tendo a discordar, nomeadamente se os autores dos mesmos estão protegidos por direitos de autor e se dependem deles como fonte de trabalho/rendimento, mais a mais porque, havendo sempre objectos culturais que estão protegidos por esses direitos, há outros que não estão e são sempre alternativas gratuitas legais. Ou seja, se quem descarrega estes ficheiros anda mesmo à procura de cultura - para se instruir intelectualmente - pode sempre recorrer a fontes que não estejam sob a alçada a da lei... ;)

E onde será acaba aquilo que é cultura e começa aquilo que é entretenimento? Quais são os produtos que estão em causa nestes processos judiciais? Será cultura no sentido de "enriquecimento intelectual", ou serão mesmo mais ... «um filme da saga X-Men; um filme do humorista Borat; e um álbum dos Dire Straits» :mrgreen:



Acho que temos noçoes diferentes de cultura... pra mim cultura nao e so Saramago ou Eça de Queiros, ou musica classica, pra mim cultura sao todas as manifestaçoes artisticas e intelectuais que existem, incluindo tanto blockbusters como filmes indies, musica pimba ou erudita, o que seja Arte.

Ora, na minha opiniao a internet veio abrir a Cultura e Arte a muita gente, e trouxe-a ao Mundo... dantes so meia duzia e que tinham direito a tudo isto que podemos ter a um click da internet, hoje qualquer um com internet pode ter tudo. Nao e isto justiça e igualdade? Querem voltar outra vez ao tempo em que so podiamos comprar 1 cd ou 1 dvd por mes, e em que nao conhecíamos metade do que conhecemos agora, graças a esta porta que se abriu?

Podem dizer que se esta a violar direitos de autor, pra mim isso nao tem sentido se a pessoa nao retira disso lucro, ate porque como disse, provavelmente se nao obtivesse essa obra pela internet nao a teria, de todo. E o Conhecimento (e a Cultura faz parte dele) deve abranger-se o mais possivel. E por isso que temos educaçao gratuita, nao?

Obviamente que eu acho que quem tem dinheiro e pode dar se ao luxo de comprar 15 cds e 15 dvds por mes deve faze-lo, tem essa obrigaçao moral. O comum dos mortais nao, pode ir comprando uns cds ou dvds quando pode (como faria, mesmo sem ter a internet) mas o que vem por acrescento e uma bençao, e se lhe for retirada, bem, fica so com o que tinha dantes. As vendas de cds e dvds podiam aumentar um pouco, mas nao acredito que aumentassem muito, ainda para mais com a crise que a Europa atravessa.
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Re: Acerca da Pirataria

Postby pco69 » 16 Jan 2014 23:09

Forbidden wrote:(...)
Podem dizer que se esta a violar direitos de autor, pra mim isso nao tem sentido se a pessoa nao retira disso lucro,
(...)

Não se está a 'violar os direitos de autor' está-se a 'roubar o autor', sem eufemismos. :whistle:

O problema é que quem está a atacar a pirataria, não são os autores mas sim os intermediários. Porque na verdade, são esses quem tem mais a perder. :rolleyes:
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: Acerca da Pirataria

Postby Bugman » 16 Jan 2014 23:11

pco69 wrote:
Forbidden wrote:(...)
Podem dizer que se esta a violar direitos de autor, pra mim isso nao tem sentido se a pessoa nao retira disso lucro,
(...)

Não se está a 'violar os direitos de autor' está-se a 'roubar o autor', sem eufemismos. :whistle:

O problema é que quem está a atacar a pirataria, não são os autores mas sim os intermediários. Porque na verdade, são esses quem tem mais a perder. :rolleyes:


Como disse o pco, não estás a retirar disso lucro, mas estás a negá-lo ao autor.

O segundo ponto do pco é o que me mantém aqui mais na zona cinzenta sobre o que fazer nestes casos.
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Re: Acerca da Pirataria

Postby Thanatos » 17 Jan 2014 01:09

Acerca dos autores não atacarem os piratas gostaria de relembrar Metallica vs. Napster...

Outra questão: se por acaso os pobrezinhos (embora com acesso à net, enfim) passarem a riquinhos será que vão mudar de hábitos?

E será assim tão pobrezinho um gajo que se lamentava no zwame que o isp dele lhe fazia TS quando ele só sacava 500 GB por mês? (não é gralha, era mesmo 500 gigas)

E só pobrezinhos sedentos de cultura é que descarregam?

E o puto que foi agora condenado, era estudante mas tinha uma conta forrada com 166 mil também não lucrous nada?
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!


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