Geração Papinha-toda-feita

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Geração Papinha-toda-feita

Postby White Rabbit » 08 Oct 2008 16:27

Desculpem-me, mas não resisto a partilhar aqui o último post do Coelho Branco.
(um aviso: a escrita sem pontos nem parágrafos é propositada, pois o coelho tem tanta pressa que não consegue parar para pausas...)


<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Geração «papinha-toda-feita»<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Compreendo que nos dias de hoje não há tempo para nada — corre, coelhinho, corre —, mas a verdade é que somos cada vez mais a geração pret-à-porter, ou melhor, a geração «papinha-toda-feita», e não sei se é por não termos tempo ou se foi o não ter tempo que nos transformou nisso, em criaturas que querem tudo feito e na hora, se não tens dinheiro para pagar azar, pede um crédito, tens é de ter e já, e esta ideia vem a propósito de um comentário feito pela minha mãe, que depois de ter sido arrastada pelo centro comercial a entrar e a sair de lojas desabafou dizendo que «já não se vêem aquelas roupinhas jeitosas e bem feitinhas que havia antigamente, hoje em dia é tudo roupas feitas em série, mal-amanhadas e todas iguais», e de facto hoje quem é que vai ao alfaiate ou à costureira mandar fazer o que quer que seja, quem é que tem tempo para isso, já para se conseguir ir numa fugida a uma catedral de consumo — o chamado comércio tradicional é só para os reformados, que são os únicos com disponibilidade para frequentar locais que abrem às 9 e fecham às 19 —, dizia eu que já conseguir isso é o 13º trabalho do Hércules, ainda para mais com o bebé a escapulir-se de trinta em trinta segundos para se enfiar no carro do Noddy ao fundo do corredor, e não são só as roupas que são pret-à-porter, é tudo, desde a comida encharcada em aromatizantes e conservantes e emulsionantes e outras coisas acabadas em –antes para tentar dar-lhe o sabor que deveria ter e não tem, até aos livros escolares com mais bonecos do que texto, e que trazem, além do manual propriamente dito, o livro de exercícios, o livro de apoio, o livro de correcção dos exercícios e o livro do índice dos vários livros componentes do livro, mais o CD-rom de apoio com mais bonecos e no qual basta clicar para a papa aparecer feita, habituamo-nos desde cedo à Cerelac e depois é o cabo dos trabalhos para a trocar por outra coisa, fala-se dos meninos da mamã da geração mileurista que não saem de casa da mãezinha nem por nada, só a pontapé, porque têm casa, mesa e roupa lavada sem gastarem um chavo, o que ganham é para estourar como se não houvesse amanhã, enfim, as criancinhas começam desde cedo a ter tudo sem se esforçarem, para quê abrir um livro para ver qual é a capital de Portugal se posso ir à Wikipedia, não tarda muito o e-escola que já passou a e-escolinha vai passar a e-pré-escolinha e na volta ainda iremos ver o e-berçário, é preciso habituar os meninos desde já a clicar e a navegar na net, e não esquecer os telemóveis topo de gama que servem para tudo menos para falar, e ainda nos vai acontecer como aos miúdos japoneses que de tanta sms já têm os polegares deformados, é o próximo passo na evolução genética, e para que é que os miúdos da escola se vão dar ao trabalho de fazer pesquisa para trabalhos se podem ir à net sacar algum que já alguém fez e apresentá-lo como seu, para quê mexer o rabo para fazer o que quer que seja se já está tudo feito e pronto, se a papinha já vem feita, a carne já vem temperada das prateleiras do hipermercado, para fazer um bolo é só abrir um pacote e despejar o conteúdo para dentro de uma forma, levar ao forno e já está, a vida está cada vez mais facilitada e mais difícil, já nos chamaram «geração rasca», depois «geração à rasca», a seguir «mileuristas» uns e «dinkis» outros, e atrevo-me a dizer que a geração a seguir à nossa vai ser a «geração-papinha-toda-feita», não quero ser velha do Restelo mas no nosso afã de dar tudo aos nossos filhos acabaremos por criar umas criaturas amorfas que não irão saber coisas corriqueiras e banais como cortar um limão a meio para espremer em cima de um bife, ou fazer uma soma de 10+10 sem usar a calculadora, coser um botão que se desprendeu, ou dobrar uma folha de papel para a meter num envelope ou usar um abre-latas manual, ou folhear um livro sem ser com o rato do computador, and so on…<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->
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Re: Geração Papinha-toda-feita

Postby azert » 08 Oct 2008 16:46

Muita coisa mudou, muita coisa tem mudado, sempre foi assim.

Desde que o homem inventou a roda que é mais fácil transportar coisas. Desde que passámos a cozinhar alimentos, a nossa dentição alterou-se, não sendo necessários dentes tão fortes para rasgar e triturar as carnes cruas dos animais.

Sou contra generalizações. É claro que muitas das mudanças foram para pior, mas também as houve para melhor. A nós cabe-nos, não lutar contra mudanças, que já o Camões percebia serem inevitáveis, mas tentar equilibrá-las.
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Re: Geração Papinha-toda-feita

Postby srd » 08 Oct 2008 17:10

azert wrote:Sou contra generalizações. É claro que muitas das mudanças foram para pior, mas também as houve para melhor. A nós cabe-nos, não lutar contra mudanças, que já o Camões percebia serem inevitáveis, mas tentar equilibrá-las.


Costumo dizer isto com alguma frequência :wink:

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Re: Geração Papinha-toda-feita

Postby Thanatos » 08 Oct 2008 18:01

Bolas... alguém me diz quanto é 10+10? A calculadora funciona a pilhas e o chinês já fechou! :biggrin:

Eu compreendo os vossos comentários azert e srd mas também entendo o post do coelhito branco como sendo uma sátira, uma hipérbole dos nossos tempos. Evidentemente que toda esta papinha-feita alguém a terá de fazer e daí que cada vez mais não seja a informação que seja poder mas antes a catalogação da informação que seja o verdadeiro poder. :wink:
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Re: Geração Papinha-toda-feita

Postby Samwise » 08 Oct 2008 18:09

Nice.

Está crónica do tempo que passa havia de ser publicada numa coluna dessas que todos lêem, numa publicação de grande tiragem...

Sam
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Re: Geração Papinha-toda-feita

Postby White Rabbit » 08 Oct 2008 20:34

O que pretendia era alertar para uma questão: o facto de ter a papinha toda feita castra a imaginação e impede-nos de evoluir. O que me preocupa é que os meninos têm tudo e como tal não se esforçam para melhorar. Azert, o homem inventou a roda porque tinha dificuldade em deslocar-se; «inventou» a agricultura porque custava muito andar a recolectar os alimentos. Vejam o caso dos brinquedos: antes as crianças brincavam com tudo e mais alguma coisa, o que era preciso era imaginação. Hoje em dia não há lugar para isso. E se os miúdos de hoje têm computadores, garanto-te que não é para tentarem coisas como projectar um telescópio gigante ou uma nave espacial, só para dar um exemplo extremo. A informatização dos meninos é quase exclusivamente para estarem na conversa em chats e a escrever mal e a assassinar a língua portuguesa.
Obviamente que os exemplos que mencionei no texto eram extremos, mas era só para tentar demonstrar o que poderá vir a acontecer.
Ah, Sam, muito obrigada!
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Re: Geração Papinha-toda-feita

Postby azert » 08 Oct 2008 20:58

Eu acho que muitas das invenções mais práticas (como os electrodomésticos, por exemplo), devem ter sido inventadas por preguiçosos, em busca de uma maneira mais fácil de fazer as coisas! :mrgreen4nw:

Não sou a favor do progresso selvagem, note-se, apenas acho que nem todas as mudanças são negativas e que é preciso aprender a tirar o melhor partido delas.
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Re: Geração Papinha-toda-feita

Postby pco69 » 08 Oct 2008 22:08

Há um conto (creio que do Asimov?) onde são toda a aprendizagem é feita a uma determinada idade (18 anos?) por uma descarga de informação directamente para o cérebro. A profissão que é descarregada foi previamente definida aquando de uns testes psicotécnicos quaiquer....
Após a descarga, a pessoa está pronta e começa imediatamente a trabalhar na profissão que lhe foi destinada. Varredor, musico, cozinheiro, etc...

Há uma criança que quer imenso ser programador de computadores (acho que era essa a profissão, mas já não tenho a certeza). De tal forma, que antes dos psicoténicos (também já não me lembro como é que ele sabe ler), de forma a 'preparar' o seu cérebro para que nos testes ele seja destinado a ser programador de computadore, arranja uns livros de programação e aprende algumas coisas.

Durante os testes, descobrem que ele já leu uns livros para se preparar. Infelizmente, dizem-lhe que ele é um deficiente do cérebro e como tal, o seu cérebro não pode receber a tal descarga. Terá que ir para uma escola para crianças deficientes.

É lá colocado e vai aprender à antiga, estudando. É infeliz, porque é um deficiente e está afastado da sociedade.

Tinha um amigo que queria ser operador de uma maquina qq especial. E a quem foi descarregada essa formação.

O nosso herói de tanto ser infeliz, foge da escola. Deambula pela cidade e vai ter a um estádio ode decorrem as olimpiadas lá do sitio. Encontra o seu amigo a concorrer na utilização da tal máquina especial. O amigo perde. Ele vai ter com o amigo e diz-lhe que tem pena que ele tenha perdido.

O amigo diz-lhe que já esperava isso, porque a sua formação era para uma máquina de um modelo antigo e havia competidores mais novos que tinham tido a formação do modelo da máquina mais recente.

Ele fica muito admirado porque é que o amigo não procurara livros e informação para 'aprender' a usar o novo modelo....

O amigo nem quer sabe disso visto que após a formação descarregada, já não pode ser descarregada mais e as pessoas não concebem maneiras de aprender que não seja a tal da descarga de informação.

E é assim, que o rapaz tem uma epifânia e descobre que afinal ele não é deficiente coisa nenhuma e volta para a escola onde então lhe dizem a verdade.

São precisos cérebros como os dele para fazer as tais máquinas e os programas a utilizar para a tal descarga de informação ao cérebro.

------

Relativamente ao texto do coelho branco, eu digo assim.
Foi preciso um ábaco para inventar a calculadora
Foi preciso uma calculadora para inventar o computador
Foi preciso um computador para inventar ......

Todas as gerações dizem '- No meu tempo é que era bom. Vocês agora já não sabem nada'
Os nossos pais vêm ter conosco para que lhes programemos o video/dvd
Nós iremos ter com os nossos filhos para que estes nos ensinem a usar um aparelhómetro qualquer que ainda não foi inventado

Os nossos pais, para fazerem um texto sobre o Cámões, tinha que ir a uma biblioteca pública à procura de livros sobre o gajo
Nós fizemos esses trabalhos usando a enciclopédia que havia lá em casa
Os nossos filhos usam a enciclopédia deles (chamada internet)

Cabe aos pais/professores exigirem mais. Como por exemplo, se todos vão buscar o trabalho sobre o Cámões à net, quem apresentar o trabalho mais completo ou mais diferente, terá naturalmente uma nota melhor

----

Já me doiem os dedos de tanto teclar :lol2:
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Re: Geração Papinha-toda-feita

Postby pco69 » 08 Oct 2008 22:10

azert wrote:Eu acho que muitas das invenções mais práticas (como os electrodomésticos, por exemplo), devem ter sido inventadas por preguiçosos, em busca de uma maneira mais fácil de fazer as coisas! :mrgreen4nw:
(...)

Citação do Heinlein, creio que ou da 'História do futuro' (time enough for love)
Ficou-me gravada na memória, por isso é que sei :lol2:
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Re: Geração Papinha-toda-feita

Postby Samwise » 09 Oct 2008 10:35

Alguém há uns tempos me dizia: "A preguiça é o motor da evolução". Algo com o que concordo plenamente (mais a mais sou um grande preguiçoso, e dessa forma posso ir exibindo orgulhosamente a minha falha... :mrgreen4nw:). Alguém que leu Heinlein, provavelmente...

Quanto às gerações que no passado sempre disseram "no meu tempo é que era bom, hoje ninguém sabe nada...", será que isto é verdade? Duvido muito. De há três ou ou quatro gerações para cá, talvez. Antes disso, não acredito.

A questão é que o progresso e a evolução tecnológica estão a atingir (ou já atingiram) uma velocidade de actualização que ultrapassa a nossa capacidade de acompanhar - já andamos nós a reboque dele, em vez de ser ao contrário. Já as crianças têm tudo disponível ANTES de se aperceberem ao certo do que é, em concreto, aquilo que têm disponível. A percepção que têm do mundo começa por ser um "o que eu quero já existe, mesmo que eu ainda não tenha procurado para saber se existe ou não, e como sei que existe vou aceitar aquilo que encontrar sem questionar". E nesse sentido o título da crónica está bem escolhido.

Interessante o debate que se gerou em torno desta pequena crónica de FC*.

Sam

* Teasing, teasing... :devil:
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Re: Geração Papinha-toda-feita

Postby Thanatos » 09 Oct 2008 10:45

Caminhamos a passos largos para a Singularidade de Vernor Vinge. A uma certa altura nem nos reconheceremos como humanos.

Enquanto a velocidade tecnológica é de facto impressionante eu penso que basicamente o ser humano continua a fazer as mesmas coisas: comer, dormir, fazer bebés, ler, ouvir música, passear, meditar, politicar, etc. Os gadgets que usa para fazer isso é que se alteraram grandemente.

No outro dia tive um daqueles ataques de nostalgia que nos deixa paralisados a meditar sobre o fluir do tempo. Há uns trinta anos, era eu um puto imberbe vinha para Lisboa via cacilheiro e na Praça do Comércio estava sempre um homem de pano no chão com uma série de livros usados à venda. Entre eles imensos Argonautas. Ohhh blissful times! Todos os dias lá parava a admirar as capitas, a namorar este ou aquele título e a invariavelmente torrar o dinheiro das refeições em um ou dois livritos. Um desses livritos foi o Trevas nas Estrelas de Edmond Hamilton (The Haunted Stars). Trinta anos depois passo por cima da ponte, no comboio Fertagus (muito mais confortável que um cacilheiro, deixem que vos diga) e carrego no e-reader o mesmo livro.
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Re: Geração Papinha-toda-feita

Postby pco69 » 09 Oct 2008 11:31

Thanatos wrote:(...)
No outro dia tive um daqueles ataques de nostalgia que nos deixa paralisados a meditar sobre o fluir do tempo. Há uns trinta anos, era eu um puto imberbe vinha para Lisboa via cacilheiro e na Praça do Comércio estava sempre um homem de pano no chão com uma série de livros usados à venda. Entre eles imensos Argonautas. Ohhh blissful times! Todos os dias lá parava a admirar as capitas, a namorar este ou aquele título e a invariavelmente torrar o dinheiro das refeições em um ou dois livritos.
(...)


Não sei se seria a mesma pessoa, mas eu lembro-me de um homem que costumava ficar à curva do edifício, logo antes das arcadas, (quem vem dos barcos), com um carrinho pequeno, (espécie de carrinho de mão de madeira), onde tinha N livros usados, incluindo imensos argonautas das 'saudosas' capas cinzentas. :mrgreen4nw:
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Re: Geração Papinha-toda-feita

Postby Thanatos » 09 Oct 2008 11:40

pco69 wrote:
Thanatos wrote:(...)
No outro dia tive um daqueles ataques de nostalgia que nos deixa paralisados a meditar sobre o fluir do tempo. Há uns trinta anos, era eu um puto imberbe vinha para Lisboa via cacilheiro e na Praça do Comércio estava sempre um homem de pano no chão com uma série de livros usados à venda. Entre eles imensos Argonautas. Ohhh blissful times! Todos os dias lá parava a admirar as capitas, a namorar este ou aquele título e a invariavelmente torrar o dinheiro das refeições em um ou dois livritos.
(...)


Não sei se seria a mesma pessoa, mas eu lembro-me de um homem que costumava ficar à curva do edifício, logo antes das arcadas, (quem vem dos barcos), com um carrinho pequeno, (espécie de carrinho de mão de madeira), onde tinha N livros usados, incluindo imensos argonautas das 'saudosas' capas cinzentas. :mrgreen4nw:


É bem provável que seja a mesma pessoa. Só lá havia um. Não me recordo do carrinho. Aquele de quem falo metia umas mantas na calçada e expunha os livros em cima delas. Talvez tivesse de facto um carrinho mas penso que era para guardar os livros.

Já hoje em dia está um no Cais de Sodré um pouco antes da entrada do Metro. Mas esse já é profissional. Tem quiosque e tudo. Também tem alguns Argonautas mas a preços exorbitantes (pior do que ele só mesmo o tipo das Escadinhas do Duque) e em muito mau estado.
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