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Vesga de Amor

Posted: 23 Mar 2010 00:07
by zé.chove
Tão vidrada estava em seu amor
Que os olhos embicavam para o meio
E quem olhasse no momento do beijo
Pareceria meio vesga sim senhor

Beijavam-se furiosamente
Mas sobre o ombro do rapaz
Fixava meus olhos melosamente
Porque nada a satisfaz

Beijavam-se não havia mais ninguém
Saía eu do metro prá cidade
Toquei-lhes os ombros com cumplicidade
E sussurrei esta é a vossa paragem

Re: Vesga de Amor

Posted: 23 Mar 2010 00:57
by João Arctico
:devil: :tu:

Re: Vesga de Amor

Posted: 23 Mar 2010 01:47
by Sharky
Fogo pá, cortaste a cena aos moços :D
Tá giro, curti bués :tu:

Re: Vesga de Amor

Posted: 23 Mar 2010 12:33
by Samwise
Gostei do termos escolhidos e da mordacidade do poema, mas parece-me que há ali uma certa contradição na segunda estrofe, e em relação à outras duas: a moça que descreves parece estar em êxtase ("não havia mais ninguém") por causa do beijo, - isto na primeira e na terceira - mas depois fixa-se "melosamente" noutro par de olhos (os teus) porque "nada a satisfaz" - na segunda estrofe?

Re: Vesga de Amor

Posted: 23 Mar 2010 23:25
by zé.chove
:D :D :D
Nas novelas elas conseguem beijar uma criatura e olhar para outra pessoa ao mesmo tempo é uma questão de prática...

Re: Vesga de Amor

Posted: 24 Mar 2010 13:26
by Samwise
zé.chove wrote::D :D :D
Nas novelas elas conseguem beijar uma criatura e olhar para outra pessoa ao mesmo tempo é uma questão de prática...


Não digo que não - e até vou mais longe a ponto de afirmar que não é só nas novelas :twisted: -, mas a minha picuinhice tem a ver com as contradições dentro do poema - ou ela estava "vidrada" no amor e na fúria do beijo (e não via mais nada à frente), ou não estava (e nesse caso fazia podia então olhar para outros homens), só que as duas situações parecem acontecer ao mesmo tempo.

Re: Vesga de Amor

Posted: 24 Mar 2010 22:45
by MAGG
Samwise wrote:Não digo que não - e até vou mais longe a ponto de afirmar que não é só nas novelas :twisted: -, mas a minha picuinhice tem a ver com as contradições dentro do poema - ou ela estava "vidrada" no amor e na fúria do beijo (e não via mais nada à frente), ou não estava (e nesse caso fazia podia então olhar para outros homens), só que as duas situações parecem acontecer ao mesmo tempo.


A não ser que a moça goste de beijar de olhos abertos e sofra de ...estrabismo. :angel:

Re: Vesga de Amor

Posted: 24 Mar 2010 22:51
by Thanatos
MAGG wrote:A não ser que a moça goste de beijar de olhos abertos e sofra de ...estrabismo. :angel:



Mas... mas... é mau beijar de olhos abertos observando os surroundings? :unsure: É que biologicamente o beijar é um vestígio de predação. Agarrámos as presas pelas beiças e quase de certeza que não fechávamos os olhos a menos que fosse para os proteger de detritos (como as membranas dos tubarões na hora da dentada).

Re: Vesga de Amor

Posted: 24 Mar 2010 23:00
by Arsénio Mata
Eu por acaso beijo sempre de olhos abertos. Nunca percebi essa regra de ter que se fechar os olhos...

Re: Vesga de Amor

Posted: 24 Mar 2010 23:02
by MAGG
Olha que não ...olha que existem aqueles que quando saboream o belo do repasto fecham os olhos de satisfação. ^_^

Re: Vesga de Amor

Posted: 24 Mar 2010 23:04
by Arsénio Mata
Pois eu cá acho que é muito melhor olhar para a pessoa... Ou para o jogo a dar na televisão... :whistle: :P

Re: Vesga de Amor

Posted: 24 Mar 2010 23:07
by MAGG
:unsure: E a moça não se assusta Arsénio?

:P
( on topic :blush:
Zé gostei do poema mas na segunda estrofe também eu choquei com a ilógica de olhar melosa para outros olhos mas depois pensei que a acção talvez fosse apenas assim entendida pelo "narrador"... :rolleyes: )

Re: Vesga de Amor

Posted: 24 Mar 2010 23:10
by Arsénio Mata
Não, ela está sempre de olhos fechados... :angel: :P

Re: Vesga de Amor

Posted: 26 Mar 2010 02:51
by Samwise
Zé Chove, faço uma sugestão alternativa para o título do poema: Singularidades de uma rapariga vesga. :mrgreen:

Re: Vesga de Amor

Posted: 26 Mar 2010 11:29
by zé.chove
Singularidades duma rapariga vesga - tem o seu charme. :mrgreen:

The The - True Happiness This Way Lies

And have you ever wanted something so badly
that it possessed your body & your soul
through the night & through the day
until you finally get it!
And then you realise that it wasn't what you wanted after all.
And then those selfsame sickly little thoughts
now go & attach themselves to something....
....or somebody....new!
And the whole goddamn thing starts all over again.
Well, I've been crushing the symptoms but I can't locate the
cause.
Could God really be so cruel?
To give us feelings that could never be fulfilled. Baby!
I've got my sights set on you. I've got my sight set on you
And someday, someday, someday, you'll come my way.
But when you put your arms around me
I'll be looking over your shoulder for something new
'cause I ain't ever found peace upon the breast of a girl

I ain't ever found peace with the religion of the world
I ain't ever found peace at the bottom of a glass
sometimes it seems the more I ask for the less I receive
sometimes it seems the more I ask for the less I receive
The only true freedom is freedom from the heart's desires
& the only true happiness....this way lies.

A parte destacada da letra sempre me encantou, ou melhor toda a música me encanta. O tema da infidelidade quando já se está satisfeito é muito interessante...
Os escritores românticos têm uma certa pancada por olhos de raparigas com alguma deficiência. Aqui está a minha espetadela no olho duma moça.
Só para terminar, achei muito interessante a ideia do Thanatos analisar toda a questão segundo o prisma do instinto predador feminino...Touché!