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Consternação

Posted: 14 Jan 2010 03:32
by zé.chove
Facilmente me encontro perto do choro...

Re: Consternação

Posted: 14 Jan 2010 03:54
by Aignes
Isto há gente que parece que sabe exactamente como pegar nas palavras e ordená-las de forma perfeita.

Muito bom, mesmo que eu sinta que há qualquer coisa que me escapou. Ou se calhar é das horas. ;)

Re: Consternação

Posted: 14 Jan 2010 11:41
by zé.chove
Acho que não foi das horas... A mim também me está a escapar qualquer coisa. O texto ainda precisa duma esfrega... Mas tava tão entusiasmado com o tom do lamento que decidi postar.
Obrigado pela visita!

Re: Consternação

Posted: 14 Jan 2010 12:02
by Ripley
zé, este terá sido dos teus textos um dos que mais gostei.
Algumas passagens dizem-me mais do que outras, como é natural. Este trecho em particular fez eco:

zé.chove wrote:Não que nunca tivesse pensado na morte. Quem é que nunca pensou?
Mas senti-la? Passa por nós como uma serpente silenciosa.
Olhou-me como se já nos conhecêssemos com uma insistência desusada entre os que andamos a pé pelas calçadas do castelo. Algo nos une. As mesmas fraquezas dão semelhantes tremuras nas pálpebras dos olhos ou tiques nas mãos idênticos, por vezes a mesma cadência cautelosa no respirar. Partilhamos as mesmas revoltas interiores desde sempre e o nosso coração sempre se encavalitou do mesmo lado das ameias.


Mesmo necessitando de algum burilar, gostei bastante.

Re: Consternação

Posted: 14 Jan 2010 23:30
by Samwise
zé.chove wrote:Acho que não foi das horas... A mim também me está a escapar qualquer coisa. O texto ainda precisa duma esfrega... Mas tava tão entusiasmado com o tom do lamento que decidi postar.
Obrigado pela visita!


É verdade que precisa, mas também acho que foi dos teus textos que mais gostei.

Foi muito bom teres partilhado logo aqui esse "entusiasmo com o tom do lamento" (sabe-se lá o que aconteceria se o texto tivesse sido submetido antes à faca...)- é que é mesmo disso que se trata: há um tom palpável neste lamento, real, uma consternação opaca e pesada nas descobertas de vida - da dele e da dos outros - que o narrador vai fazendo ("A minha vida não me provoca qualquer emoção"). E está cheio de frases magníficas, que parecem ter encontrado um ambiente certo para serem reveladas.

Fica a minha vénia por este momento!

Re: Consternação

Posted: 15 Jan 2010 02:30
by zé.chove
Obrigado! Agora fiquei com vontade de escrever outros textos.