Road to Xibalba

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Ripley
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Road to Xibalba

Postby Ripley » 01 Jan 2012 16:07

Observo-te sem te ver na sombra da tarde.
Longe demais para poder tocar-te, limito-me a sentir.

Fluímos olhando a Vida de ângulos distintos, e no entanto a mesma sede nos abrasa. Mas acode-me o medo - medo do desencontro após a fugaz passagem em que fui apanhada no rebordo do teu campo gravitacional, medo de te ver afastares-te qual cometa rumo à fronteira da nuvem, mágica Oort para além da qual as estrelas dançam. Longe, a anos-luz do meu olhar.


Pára-se-me o respirar na ausência da tua chama... invoco o escuro para te ver brilhar e a tua luz beija-me o interior das pálpebras cerradas, onde o teu código ficou gravado, para que o veja sempre que feche os olhos para dormir.

Mas quando os abro continuas longe, tão longe como se foras levado na esteira de outra galáxia - e volta o medo, medo de não voltar a sentir o teu calor e só testemunhar o teu brilho anos depois de já ter cessado, distante quasar ao ritmo do qual pulsa o meu coração.


Estás longe e anoiteço na penumbra de mim.
"És a metade que me é tudo." [Pedro Chagas Freitas]
---§§§---
"O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende." [Miguel Esteves Cardoso]

Pedro Farinha
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Re: Road to Xibalba

Postby Pedro Farinha » 01 Jan 2012 18:40

Bonito texto, mas uma chama ainda que distante anos-luz, bem espremida, ainda aquece o coração :)


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