O Sujeito lá de Cima (I)

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O Sujeito lá de Cima (I)

Postby Ripley » 14 Oct 2009 18:16

Noutra zona do fórum nasceu, por iniciativa do nosso querido Samwise, uma discussão que acabou por se centrar muito em torno de religião, religiões, e definições de conceitos como o ateísmo.

Isto levou as ideias a divagar noutra direcção, viagem em que tive o prazer de ter uma boa companhia.
A seguir vou-vos apresentar a primeira viagem colaborativa que fizemos (eu e a Gaminha) no sentido de conhecer O Sujeito Lá de Cima. Na prateleirinha dela será apresentada a viagem de regresso...

(link no final)
"És a metade que me é tudo." [Pedro Chagas Freitas]
---§§§---
"O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende." [Miguel Esteves Cardoso]

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Re: O Sujeito lá de Cima (I)

Postby Ripley » 14 Oct 2009 18:24

Ninguém sabia, de facto, como tinha começado o Mundo. Teorias, havia muitas. Big Bang. Big Boom. Big Splash. Geração espontânea. Fluidos mágicos. Flogisto.

Um pequeno grupo especulava que o Mundo começara por intervenção de alguém. “Mas quem? Vocês são é doidos!” respondiam outros. “Alguém com mais poder do que nós! Alguém que zela por nós!” gritavam os crentes.
As discussões prolongavam-se e por vezes tornavam-se acesas – e azedas. Comunidades secessionaram-se devido a debates que tinham atingido níveis inauditos.

- Não há nada, somos nós e pronto. Aparecemos do nada - dizia Citosy
- É impossível. Já viste ou tentaste criar algo assim? Experimenta então sentar-te e ver se aparece alguma coisa espontaneamente - respondia Arginy.

Arginy, além do ancião daquela comunidade, era o mais acérrimo defensor da ideia de um Criador. Subia a um monólito e apregoava a todos os habitantes que tivessem fé. Citosy e Uracy apupavam-no e atiravam-lhe coisas até ao dia em que Arginy clamou que o Criador faria cair água do céu naquele pedaço do Mundo que tinha secado por completo. Quando nessa noite choveu, Arginy ganhou mais seguidores – os Crentes – e os seus opositores quedaram-se abismados.

- Não pode ser. Eu não sei como é que ele conseguiu aquilo, mas não houve, não pode ter havido ali “intervenção divina”, como ele diz!
- Olha lá, Uracy, sabes que eles andam a tentar descobrir o nome do Criador? Bem podem tentar ... pfft! Descobrir algo que não existe!
- Eu já os ouvi. Chamam-lhe Seud.
- Isso lá é nome? São doidos!
- Será que nos outros mundos acreditam num criador?
- Como queres que saibamos? Não conseguimos lá ir perguntar!

Na verdade, obtiveram essa resposta bastante depressa. Numa manhã encontraram no meio da praça um sujeito adormecido. Era diferente deles, mais pequeno e com uma tez mais escura. Quando a luz lhe bateu em cima, o desconhecido levantou-se e mirou-os com curiosidade.


- Grande é a glória do senhor Unxiv! Trouxe-me aqui para espalhar as novas da sua bondade! Graças, Unxiv, graças!

Arginy aproximou-se de sobrolho carregado. - Quem és? - Perguntou.

- Sou Timin, infiel. Unxiv trouxe-me ao teu mundo para eu vos contar da sua existência e da sua infinita bondade em criar-nos e zelar por nós.
- Unxiv? Não queremos saber da tua heresia! Sabemos quem é o Criador e cremos nele, no nosso senhor Seud!
- Aaargh! Blasfémia, blasfémia! Renegastes o senhor Unxiv!
- Não o renego porque ele não existe! Não há outro senão Seud!
- Unxiv é rei!
- Seud é o criador!
- Unxiv rocka!
- Seud rula!

Começaram a agredir-se e insultar-se mutuamente até que alguém os veio separar.

- Uma noite no deserto não vos vai fazer mal nenhum - era Ribox, o agente da autoridade.
- Infiel!
- Desgraçado!
- Unxiv te castigará!
- Pede o perdão de Seud!

Os ajudantes de Ribox ajudaram a levar os exaltados pregadores para o deserto, tendo uma pequena multidão seguido os dois.

Praticamente arrastados, foram largados no deserto, abandonando-os à sua sorte e à sua disputa.
- A vingança de Unxiv caíra sobre vós, ó infiéis, que não creis na magnitude do vosso criador. - Timin vermelho de cólera gesticulava na direcção da massa que voltava para a cidade. - Que mil bolores caiam sobre as colheitas daqueles que renegam a salvação.

- Cuidado com as palavras, infiel! Seud, o todo poderoso criador do céu e de todos os mundos poderá virar a sua cólera contra ti. - Arginy levantava-se a custo das quentes areias vítreas, com toda a gravidade a puxar a sua imensa barriga para baixo.

- Ohoo criador Unxiv, porque me enviaste para este antro de descrentes, ohoo criador Unxiv, que pesado fardo me destes nesta missão - de mãos levantadas aos céus Timin gritava ao seu deus.

Arginy começou a caminhar para o pequeno oásis que se avistava a alguma distância dali, deixando o seu adversário para trás.

- Pobre infiel. - Abanou Arginy lentamente a cabeça. - Pior que não acreditar, é acreditar num deus não existente.
- E se fores tu que crês num deus inexistente? - Timin correra atrás dele e acompanhava-o no seu caminho. - E se fores tu que rezas a algo que não existe?
- Tu não entendes, Seud criou este mundo!
- Eu digo que foi Unxiv.
- Seud é um todo-poderoso que fez cada um de nos!
- Eu digo que foi Unxiv.
- Seud zela por nós!!!! - berrava Arginy.
- Eu digo que é Unxiv que zela por nós.
- Seud faz milagres, fez cair chuva numa zona de seca, tal como eu previ.
- Ah, ah, ah! Isso é fácil, meu pobre tolo. Unxiv faz o mesmo.

Arginy parou de repente com os olhos cheios de fúria e desprezo.

- O mundo não pode ter sido criado por dois deuses, não faz sentido. Foi Seud que criou tudo, o meu mundo e o teu. Mostra-me, mostra-me então o poder do teu criador, faz chover agora e aqui.

Timin parou e olhou-o com um pequeno sorriso.
- E se chover?
- Se chover o quê?
- O simples facto de me pedires para eu te mostrar que Unxiv tem poder para fazer chover, só demonstra que tens dúvidas. Só demonstra que se eu fizesse chover, tu acreditarias em Unxiv. Assim sendo a tua fé não é genuína. Não é total e verdadeira!
- Que disparate, eu ...
- TU pediste para eu te mostrar!



Arginy olhou para Timin, horrorizado. Caminhou a custo na direcção de uma pequena elevação de terreno.

- Seud vai castigar-te! Senhor, Seud, do alto deste monte te peço! Mata o infiel, Seud o Poderoso, Seud o Criador, Seud, Seud!!!!!

Timin cruzou os braços e olhou para Arginy com ar de mofa.
A páginas tantas parou de sorrir e Arginy de entoar a sua litania.
No céu pairava algo monstruoso de aspecto metálico, que descia na sua direcção. Cada vez mais baixo, cada vez mais baixo.

De uma ponta do objecto saiu uma enorme quantidade de água que inundou a comunidade, o resto do terreno, todo o mundo em redor. A única zona seca era o monte onde ambos se encontravam, tremendo de medo. O objecto desceu ainda mais na sua direcção e com um toque delicado apanhou-os.





- Jeff, consegui! Consegui!
- Conseguiste o quê? Desculpa, tenho estado embrenhado neste projecto ...
- Jeff, a minha experiência com os pratos de Petri ... esta manhã transferi uma célula de um caldo de cultura para outro diferente; provocou uma reacção e há poucos minutos duas células isolaram-se e ligaram-se! Sabes o que isto significa ? Sabes?
- Err ... que se essas células fossem seres vivos pensantes, para elas serias um deus?
- Jeff, não digas disparates! São só célulazinhas ...



Com um sorriso Myrna deitou as duas células num caldo rico em nutrientes dentro de uma proveta e lançou os pratos de Petri encharcados no incinerador. Aquelas culturas já não seriam necessárias.



RC/MGL, 14 de Outubro de 2009
"És a metade que me é tudo." [Pedro Chagas Freitas]
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Re: O Sujeito lá de Cima (I)

Postby Ripley » 14 Oct 2009 18:29

Notas: a parte assinalada a itálico é a preciosa contribuição da Gaminha para esta viagem.

O retorno foi feito por uma via diferente e pode ser encontrado aqui:
O Sujeito Lá de Cima (II)
"És a metade que me é tudo." [Pedro Chagas Freitas]
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Re: O Sujeito lá de Cima (I)

Postby Samwise » 14 Oct 2009 19:17

Já li os dois. Gostei de ambos. Estão bem escritos; as partes de cada autora ficaram bem intercaladas no conjunto; e ainda me ri bastante com uma senhora chamada malícia.

Pena que tal senhora tenha atacado mais deste lado do que do outro, nomeadamente no final. Happy endings são coisas politicamente correctas - ou seja, demasiado próximas da ideia de "divino" para serem utilizadas em contos destes... :mrgreen4nw:
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Re: O Sujeito lá de Cima (I)

Postby Gaminha » 14 Oct 2009 21:54

Samwise wrote:Já li os dois. Gostei de ambos. Estão bem escritos; as partes de cada autora ficaram bem intercaladas no conjunto; e ainda me ri bastante com uma senhora chamada malícia.

Pena que tal senhora tenha atacado mais deste lado do que do outro, nomeadamente no final. Happy endings são coisas politicamente correctas - ou seja, demasiado próximas da ideia de "divino" para serem utilizadas em contos destes... :mrgreen4nw:


Tambem não há quem vos entenda, se termino mal os contos, é porque só termino mal... :Go_Away_by_Davidgtza2: Deve ser o segundo conto em que não mato alguém... :unsure:

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Re: O Sujeito lá de Cima (I)

Postby Lovecraft » 15 Oct 2009 01:30

Gaminha wrote:
Samwise wrote:Já li os dois. Gostei de ambos. Estão bem escritos; as partes de cada autora ficaram bem intercaladas no conjunto; e ainda me ri bastante com uma senhora chamada malícia.

Pena que tal senhora tenha atacado mais deste lado do que do outro, nomeadamente no final. Happy endings são coisas politicamente correctas - ou seja, demasiado próximas da ideia de "divino" para serem utilizadas em contos destes... :mrgreen4nw:


Tambem não há quem vos entenda, se termino mal os contos, é porque só termino mal... :Go_Away_by_Davidgtza2: Deve ser o segundo conto em que não mato alguém... :unsure:



Num costumo meter o bedelho nestas situações, mas desta não posso deixar de o fazer.

Gostei muito de ambas as histórias. Tem um desfecho não previsto. De happy endings nenhuma delas enferma.

A Gaminha desta não matou, eu acho que devia, mas nesse caso não surpreenderia.

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Re: O Sujeito lá de Cima (I)

Postby Sofiushka » 15 Oct 2009 02:25

Parabéns às duas, foi muito engraçado :tongue:

However...

- é placa de Petri, não prato.
- caldo de cultura? Percebo que a ideia terá vindo do inglês broth, mas em português chamamos-lhe meio de cultura.
- as provetas são usadas para medir volumes com precisão, nunca para armazenar seja o que for. Para isso usam-se balões volumétricos (normalmente para soluções), tubos de ensaio ou de centrífuga para curto prazo, mas em culturas celulares ou de bactérias, normalmente usam-se tubos cónicos (vulgo falcons), que são de plástico e têm rosca razoavelmente vedante.

Não levem a mal, mas o rigor fica sempre bem. :smile:

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Re: O Sujeito lá de Cima (I)

Postby pco69 » 15 Oct 2009 08:18

Muito bem, para as duas :thumbsup:

Entre as duas, gostei mais desta. Demonstra à saciedade a idiotice das religiões organizadas. :Go_Away_by_Davidgtza2:

A outra história, vai buscar muito a formação da Maria (colégio de freiras) que no 'fim', mesmo tendo passado a vida toda a renegar esses ensinamentos, quando chega a 'hora da verdade' acaba por ter uma 'recaída'.
Fez-me lembrar a história do Cyrano de Bergerac(*). Sempre agnóstico, sempre redicularizando o clero e a religião e na hora da morte arrependeu-se (creio que a pedido da filha).


(*) não tenho a certeza da história. :shut:
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: O Sujeito lá de Cima (I)

Postby Gaminha » 15 Oct 2009 09:46

Lovecraft wrote:Num costumo meter o bedelho nestas situações, mas desta não posso deixar de o fazer.

Gostei muito de ambas as histórias. Tem um desfecho não previsto. De happy endings nenhuma delas enferma.

A Gaminha desta não matou, eu acho que devia, mas nesse caso não surpreenderia.


Xiiiii a primeira vez que o Lovecraft vem dizer algo sobre o que eu escrevo... :hug: Obrigada.

O importante no final que escolhi, foi ela acordar e não se ficar com a certeza se realmente aquilo foi um sonho...

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Re: O Sujeito lá de Cima (I)

Postby Ripley » 15 Oct 2009 10:27

Sofiushka wrote:Parabéns às duas, foi muito engraçado :tongue:

However...

- é placa de Petri, não prato.
- caldo de cultura? Percebo que a ideia terá vindo do inglês broth, mas em português chamamos-lhe meio de cultura.
- as provetas são usadas para medir volumes com precisão, nunca para armazenar seja o que for. Para isso usam-se balões volumétricos (normalmente para soluções), tubos de ensaio ou de centrífuga para curto prazo, mas em culturas celulares ou de bactérias, normalmente usam-se tubos cónicos (vulgo falcons), que são de plástico e têm rosca razoavelmente vedante.

Não levem a mal, mas o rigor fica sempre bem. :smile:


Obrigado, Sofiushka :thumbsup:
A última vez que pus os pés numa aula de Biologia foi há mais de vinte anos, por isso acho que podes dar-me um descontito :mrgreen4nw:
- da placa de Petri tinha a sensação de haver algo ligeiramente errado mas não sabia o quê... e não estava com tempo para pesquisar o termo correcto;
- do caldo de cultura, não teve a ver com o inglês mas sim com a terminologia usada no liceu na altura (mandavam-nos ler obrigatoriamente Rosnay);
- proveta foi mais ou menos propositado, já que faz emergir quase automaticamente, a quem não está familiarizado, a imagem de um tubo de ensaio;

Fica ainda uma nota para quem está, como a Sofiushka, mais "dentro" da Biologia ... alguém achou os nomes dos "personagens" algo, sei lá, familiares? :devil2:
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Re: O Sujeito lá de Cima (I)

Postby Sofiushka » 15 Oct 2009 11:09

Por acaso... :wink:
Mas se Timin, Uracy, Citosy e Arginy são do mesmo "grupo", então em vez de Arginy devia ser Adeny :devil2:

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Re: O Sujeito lá de Cima (I)

Postby Ripley » 15 Oct 2009 11:37

Sofiushka wrote:Por acaso... :wink:
Mas se Timin, Uracy, Citosy e Arginy são do mesmo "grupo", então em vez de Arginy devia ser Adeny :devil2:


Era um bocadinho diferente ... por isso é que era um líder :laugh:
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