Essa Coisa do Destino... (em Progresso)

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Lady Entropy
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Essa Coisa do Destino... (em Progresso)

Postby Lady Entropy » 08 Dec 2009 14:11

Durante o Nano deste ano, fui assaltada por vários livros que me pediam para os escrever. Foi extremamente difícil focar-me naquele que queria trabalhar porque tinha tantas ideias para usar que só queria começar com as novas.

Aquela que me bateu com mais força ao ponto que tive que tirar um dia para me tentar dedicar a ela foi uma súbita ideia que me apareceu por causa do 007 -- fiquei viciada no Casino Royal (atraída, admito desavergonhadamente, pelo Daniel Craig em calções), descobrir que gosto de Old School Spy Stories depois de ter comprado a colecção de contos do Ian Fleming.

E por isso começou a dar-me uma ideias estranhas, sobretudo depois de descobrir que o papá do James Bond se inspirou num casino tuga para escrever a sua obra prima.

E se houvesse criaturas sobrenaturais durante a 2ª Grande Guerra? Lobisomens Nazis? E se em vez de um segredo, a magia fosse mais uma arma, que ambos os lados do conflito tinham acesso? Espiões com magia? Em portugal! E como reagiria Salazar à situação?

Assim, quase sem querer, nasceu a protagonista do conto, uma feiticeira que tinha tido uns problemas românticos com o superior e agora estava numa má situação porque ele lhe tinha metido uma maldição em cima.

Comecei a escrever, mas empanquei um bocado, porque português é uma língua para mestres, e eu, tadinha, não sou. É facil escrever ao correr da pena em Inglês, mas nem pensar na língua lusa. Esta é uma versão não editada ainda, com pontuação absolutamente horrenda. E repetições. Tomates delas.

E para piorar as coisas...ainda nem consegui decidir o título.

Ficam os vários que tinha em mente...

Sugestões, críticas e ameaças de morte agradecem-se!




"Sorte ao Jogo"
"Essa Coisa do Destino"
"Poker, Dados e Roleta Russa"
"O Estranho Jogo da Roleta Russa"
"Roleta Russa com o Destino"



- Pair: rien et manque!

O croupier, recolheu rapidamente as fichas, para desagrado dos apostadores mais fortes e rapidamente entregou os magros ganhos aos apostadores tímidos, que tinham desta feita levado a melhor. Por mim, decidi afastar-me da mesa da roleta, e continuar a minha missão – confesso que nunca fui grande apreciadora deste tipo de jogos. Suponho que quando se consegue manipular o Destino com um pequeno esforço e um agitar de dedos, ter sorte ao jogo é algo muito pouco interessante. Deixo o meu respeito para aqueles que arriscam alto e ganham em desafios que exigem cabecinha e experiência.

Eram cerca de nove da noite, numa tépida quinta-feira, e os comensais no Casino da Póvoa terminavam agora o seu jantar, dirigindo-se para o "coeur de la béte", o antro do jogo. Visto que estavamos a meio da semana, poucos seriam os nativos – na sua maioria seriam attachés, membros das embaixadas, e espiões. Muitos espiões.

Atravessei a sala lentamente, utilizando esse tempo para observar aqueles que se encontravam já entregues ao vício. Talvez entre eles se encontrasse o meu salvador. Posso dizer-vos desde já, meus queridos, que nunca me vi como uma dessas adoraveis mocinhas que necessitam constantemente de ser salvas; conhecem o género, decerto, frageis, delicadas, certamente bonitas, e a quem os miolos não pesam muito. Mas tinha que admitir que a minha situação de momento não era das mais confortáveis e que tinha que fazer algo em relação a isso, e enquanto a zanga do meu beau (a bem dizer, ex-beau) durasse, havia muito pouco que eu pudesse fazer por mim própria.

Um homem com fato de bom corte chamou a minha atenção, não só porque estava sozinho a uma mesa de blackjack, mas porque, pela mal-disfarçada tensão do seu corpo parecia estar a perder pesadamente. Aproximei-me.Tinha uma figura agradável, mas não enchia o fato (claramente feito por medida) da mesma forma assaz interessante que os militares activos conseguem. Deixei-me estar alguns momentos atrás dele, observando apenas. Sabia que muitos dos olhares dos cavalheiros das mesas vizinhas estavam em nós, e não me sentia nada mal por estar a possivelmente destruir-lhes o jogo. Afinal, até a Sorte merece uma ajudinha de vez em quando. Por fim, o meu cavalheiro virou-se para ver quem ousava tão descaradamente observá-lo. Tinha uma cara nobre, com feições limpas, e um nariz imponente. Mas a cara dele parecia ter um certo desdém, um certo desprezo que o fazia parecer mais velho do que realmente era. Sorri-lhe.

- Que tal?

Ele encolheu os ombros, e não pareceu reagir à minha presença, o que, devo admitir, me magoou um nadinha o orgulho. Eu sabia que tinha um palminho de cara e que o vestido vermelho rugidor que trazia me assentava impecavelmente:

- Nada bem. – O português dele era correcto, mas tinha um certo sotaque. Parecia italiano, mas havia algo mais, algo vagamente germânico. De estatura baixa e cabelo escuro, facilmente se faria passar por um dos nativos. Mas o estranho sotaque aliado ao facto de estar num casino a um dia da semana fazia-me pensar, imediatamente, numa coisa: agente secreto. Deveria ter tomado isso como uma indicação para me afastar o mais rapidamente possível, mas o óbvio desespero e as pesadas perdas que sofria atraíram-me. Antes que me tomem por uma "Shadenfreude", garanto-vos, meus queridos, que tinha todo o desejo de o ajudar com os seus problemas. Não acho mal, portanto, se recebesse alguma coisinha pelo meu esforço. Decidi, então, deitar um isco e ver se ele mordia. Beijei as pontas dos meus dedos, com cuidado para não esborratar o batom, e dei duas pancadinhas nas cartas que ele ainda não havia recolhido do croupier.

- Já dei sorte a alguns homens. – disse, modestamente, e afastei-me. Tinha dado cinco passos quando ouvi a exclamação de surpresa do croupier, e o anúncio de "O cavalheiro ganha".

Agora era uma questão de ver o quanto o cavalheiro gostava de ganhar.

Como em todos os jogos de azar, alguma estratégia é recomendada, por isso afastei-me. Assim, não chamaria demasiada atenção, e deixaria-lhe um gostinho do que estaria para vir. Dirigi-me para o bar, e pedi um cocktail. Estava mesmo precisada, porque, vejamos, a minha situação estava longe de ser das melhores. Pode parecer-vos um pouco estranho que uma rapariga desembaraçada como eu estivesse tão preocupada em manter os seus talentos escondidos quando claramente teria muito mais a ganhar em explorá-los, mas desde que Salazar tinha conseguido fazer passar o Acto de Defesa da Nação, magos de Nível Cinco para cima estavam obrigatóriamente recrutados para o Exército enquanto houvesse uma "ameaça para a segurança nacional." Isto era uma forma muito bonita de dizer que era enquanto o governo bem entendesse. A guerra é uma coisa muito feia, e ainda que, teoréticamente, fossemos neutros, eu sabia de que lado estava o governo. Confesso que, no entanto, o que me assustava verdadeiramente era ter que novamente estar às ordens de quem, originalmente, me havia metido nesta alhada. Foi com estes tristes pensamentos que acabei a minha bebida, e decidi voltar às mesas. Pesarosamente, retirei da malinha de mão uma nota muito bem dobrada e coloquei-a em cima do balcão. Ia desliza-la para o barman, quando uma mão masculina pressionou a minha, detendo-a. Era o cavalheiro do blackjack.

- Permita que lhe ofereça a bebida. - Permitia, com certeza, e, alegremente meti a nota de volta na minha malinha, dando-lhe o meu mais encantador sorriso. Não reagiu. Francamente, este senhor era muito pouco galante. Olhava-me com um certo desdém. Decidi que não tinha gasto o meu tempo em vão e ia levantar-me quando finalmente obtive uma reação. – Espere. Temos que falar.

- Não o conheço, cavalheiro. E, visto que nem se incomodou a apresentar-se, não sei se valerá a pena falar. – Começava a ter um mau pressentimento sobre este senhor. Antes que me pudesse afastar, rodeou-me a cintura com o braço, puxou-me a ele, e colocou, com todo o desplante, um beijo no meu ombro nu.

- Sei que está à procura de um mecenas, e agora que toda a gente aqui me viu tratá-la com tanta intimidade, duvido que se continuar a tentar a única coisa que irá conseguir é a reputação de ser uma menina da vida. – Estava a gostar cada vez menos dele – Está precisada de dinheiro, correcto? – Tive vontade de o esbofetear. As minhas intenções homicidas deviam ter-se reflectido nos meus olhos, porque, baixou o tom de voz, murmurando ao meu ouvido – Tenho amigos que estão precisados de um favor, e necessitamos de um civil para desempenhar a tarefa.

Olhei-o, suspiciosa. Se ele não era um civil, significava que era agente governamental. E se queriam um civil, era porque era algo ilegal. Não estava assim tão precisada de dinheiro. – Boas noites, cavalheiro.

- Pelo que sei, feiticeiras não registradas neste país são ilegais. E pelo que sei, também, a pena para tal crime é… - não completou a frase. Não precisou. Ambos sabiamos muito bem qual era a pena.

- Bom – disse, por fim. – Parece-me que não tenho solução senão ouvir a sua proposta.
"I believe in pink. I believe that laughing is the best calorie burner. I believe in kissing, kissing a lot. I believe in being strong when everything seems to be going wrong. I believe that happy girls are the prettiest girls. I believe that tomorrow is another day and I believe in miracles."

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Re: Essa Coisa do Destino... (em Progresso)

Postby Samwise » 09 Dec 2009 11:36

Olá, Lady! :bye:

O título que gosto mais, de entre os propostos, é "Poker, Dados e Roleta Russa".

Enquanto estava a ler este início de conto (romance?), lembrei-me de várias referências que podem ser interessantes para ti. Em primeiro, e quase logo de imediato, Jonathan Strange & o Sr. Norrell, pela exploração daquilo que poderia ser uma junção realista entre o mundo da feitiçaria e o nosso passado histórico real; depois, dois dos romances policiais de Robert Wilson: O Último Acto em Lisboa e A Companhia de Estranhos, cada um deles com intrigas de espionagem passadas cá em Portugal, no tempo de Salazar, e com os Casinos como locais privilegiados para os encontros sociais da praxe; finalmente, e tal como tu, um romance de Ian Fleming, precisamente o Casino Royal, mas o livro, não o filme (ao qual não achei lá muita piada).

Em relação ao texto: parece-me que tem, pelo menos, pernas para andar para a frente, no sentido em que deves continuar até esgotares as ideias. Já te tinha dito no outro conto que acho que tens jeito para preencher, com ideias concretas, os espaços em branco que normalmente uma narração necessita. Não te falta imaginação e não te faltam palavras.
O português precisa realmente de ajustes (começa logo com um erro de palmatória "O croupier, recolheu rapidamente as fichas,": nunca se separa o sujeito do predicado com uma vírgula!) e algumas expressões seriam, a meu ver, de retirar completamente: as referências ao leitor com o "meus queridos" e os diminutivos tipo "coisinha" e "malinha"...

O que te falta neste momento é mais experiência de vida, mais maturidade e sobretudo muita prática - ler e escrever muito. E claro, alguém com mais traquejo que eu para acompanhar/orientar. :wink:
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