Black Rain

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Black Rain

Postby Samwise » 19 Oct 2009 10:09

Tópico aberto.

Gaminha, ja sei que estás cheia de vontade: deixo as honras por tua conta. :devil:
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Re: Black Rain

Postby Gaminha » 19 Oct 2009 10:45

Oh Sam, que querido que és... então lá vamos:

Black Rain (1998)
<div align="right">
</div>Realizador: Ridley Scott
Actores a destacar:
<blockquote>Michael Douglas (as Nick)
Andy Garcia (as Charlie)
Ken Takakura (as Mas)
</blockquote>

Sinopse:
"Nick (Michael Douglas, de Atração Fatal ") e Charlie (Andy Garcia, de" Os Intocáveis ") são dois policiais de NovaYork com sérios problemas: eles deixaram escapar, em, Osaka, um perigoso membro da Yakuza, a máfia japonesa, que haviam capturado depois de um violento tiroteio num restaurante novaiorquino.
Agora, sem conseguir ajuda oficial da polícia japonesa, os dois partem para uma desenfreada busca pelas ruas de Osaka à procura do assassino fugitivo. Pelo caminho, eles esbarram com um audacioso plano da Yakuza que poderá abalar todo o mundo ocidental. O diretor Ridley Scott ("Blade Runner") e "Os Duelistas") conduz um espetáculo policial surpreendente, em ritmo alucinante. com imagens de uma Japão tradicional em choque com a violência dos tempos modernos, onde o perigo espera a cada esquina, em cada noite chuvosa."


A minha opinião:


Uu filme engraçado que se deixa ver, mas não é um filme brilhante. Michael Douglas não está no seu melhor no papel de policia duro e mau (nick). Enquanto que o Andy Garcia e mesmo Ken Takakura (Mas) estão bastante melhores nos seus papeis. O argumento do filme agrada-me, tendo em conta que é um filme com 20 anos, está bem para a altura mas não acho que seja um filme que resista bem ao tempo. Não é na minha opinião um filme incontornável.

Momento alto do filme :thumbup:


Algumas gaffes que gostava de discutir com vocês, pois parecem-me erros:

00:58:30 - Charlie corre atrás do homem que lhe rouba o casaco, é encurralado pelas motas. Nick corre atrás mas fica separado de Charlie, assistindo assim à sua morte sem poder fazer nada.
Mesmo não conhecendo a garagem onde eles se encontram, parece estranho Nick não conseguir encontrar a mesma entrada que momentos antes Charlie utilizou. Não é impossível, mas fica estranho. E o que incomoda é ser fácil de resolver. cenário possível: corre-se a rede de separação só depois de Charlie passar (tendo lá alguém previamente à espera).
A faca que o "gajo" da mota puxa aparenta ser uma faca pequena e depois vês-se um sabre. Só mesmo frame a frame é que parece a mesma faca.

[img]http://img195.imageshack.us/img195/2348/br03.png[/img] [img]http://img36.imageshack.us/img36/387/br02.png[/img]

1:15:00 - Nick e Mas perseguem a rapariga do vestido de lantejolas. à porta do Banco, quer a rapariga, quer Mas chamam "TAXI". Será que em japonês os taxis se chama taxis?

1:22:00 - Nick encontra-se numa fabrica a perseguir uma mota. Nick é tão bom, mas tão bom, que consegue correr tanto como a mota, conhece atalhos de uma fabrica onde acaba de chegar e quase que corre mais depressa do que o proprio camião.

1:40:00 - Num cenário em que os 5 maiores chefes da mafia da zona (se não do país) se encontram para realizar negócios, há falta de segurança? Não é nem possível, nem plausível. Traição por parte de Sato é provável, no entanto Nick e Mas conseguem aproximar-se da casa sem serem vistos. O perímetro de segurança teria de ser enorme.Para alem disso temos os agricultores que afinal são pessoal infiltrado. Está parte está toda ela caótica.

Logo a sair Sato corta o dedo, levanta-se e aproxima-se do outro chefe da máfia. Tendo em conta que ele foi revistado à entrada com detector de metais, só pode estar a usar a faca que acaba de usar para cortar o próprio dedo
( bem vou dar esta de barato, podemos sempre imaginar que ele é muito habilidoso, e que ninguém na mesa reparou que ele levou a faca com ele, alem de esta não estar dentro do casaco, mas em algum sitio estranho entre a perna e a mesa talvez).
No entanto a faca está sem sangue:
[img]http://img21.imageshack.us/img21/4356/br01n.png[/img]
Quando começa o tiroteio, Sato corre em direcção da porta e depois salta na outra direcção. Ele nesta altura não pega nas chapas de falsificação, o que não faz sentido, mesmo estando simplesmente preocupado a fugir, ele acaba de arriscar tudo. Como é quer deixa as "placas" de falsificação para trás? E depois no fim do filme, Nick já as tem? Então pressupõe-se que afinal era mesmo Sato que as roubou. Confuso.

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Re: Black Rain

Postby Samwise » 19 Oct 2009 11:12

Gaminha wrote:Oh Sam, que querido que és...


Eu sabia que ias gostar da atenção... :hypocrite:


Black Rain (1998)
<div align="right">
</div>Realizador: Ridley Scott
Actores a destacar:
<blockquote>Michael Douglas (as Nick)
Andy Garcia (as Charlie)
Ken Takakura (as Mas)
</blockquote>


Kate Capshaw (as Joyce) - para quem não sabe, a actriz é mulher de Steven Spielberg.

Outras curiosidades: O director de fotografia, Jan de Bont, seria o realizador de Speed, anos mais tarde. E o "musicólogo" de serviço, Hans Zimmer, trabalharia também mais tarde Scott para a música de Gladiator.


A minha opinião:

Um filme engraçado que se deixa ver, mas não é um filme brilhante. Michael Douglas não está no seu melhor no papel de policia duro e mau (nick). Enquanto que o Andy Garcia e mesmo Ken Takakura (Mas) estão bastante melhores nos seus papeis. O argumento do filme agrada-me, tendo em conta que é um filme com 20 anos, está bem para a altura mas não acho que seja um filme que resista bem ao tempo. Não é na minha opinião um filme incontornável.


Na generalidade, concordo. Até gostei mais do Michael Douglas e menos do Andy Garcia, mas de um modo geral acho que os artistas foram bem escolhidos para os papéis.

Como dizes, é um filme que se vê bem e que se esquece relativamente depressa. É um razoável cop-flick com bons momentos de acção, filmados bem ao estilo de Hollywood, com muita espectacularidade e pouca verosimilhança.

É mesmo essa falta de verosimilhança que retira algum valor ao filme, na minha opinião. O final típico, à Commando (com as falhas apontada pela Gaminha e mais alguns tiroteios e explosões em slow-motion), e algumas deixas completamente fora de tom ("We Kicked Ass, Mas") baixam um bocado a força dramática que poderia ter resultado melhor de outra forma.

Pela positiva, pareceu-me que Scott arranjou um cenário mesmo à medida para mostrar Blade Runner nos dias de hoje (ou nos dias de 1989). As filmagens de Osaka, à noite, remetem para o cenário futurista dos grande edifícios carregados de luz, cartazes publicitário, uma floresta de neon que tem por baixo um mar de gente que parece andar à deriva, deslocada do mundo real. Para reforçar a ideia, há ainda determinados cenários interiores em que uma claridade branca intensa entra por entre as gralhas de um estore, ou de uma ventoinha gigante em funcionamento; há Douglas sentado num bar de rua, a comer chinês (tal como havia Harrison Ford); e há uma pista que lança as bases para a investigação, uma lantejoula, tal como havia uma escama de cobra no outro filme.


Momento alto do filme :thumbup:



Ooooohh--- Oooh
Aaaaahh--- Aaah

:mrgreen4nw:


Quanto às gaffes, vou ter de olhar para o filme outra vez...
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Re: Black Rain

Postby grayfox » 19 Oct 2009 11:18

houve uma cena em que me pareceu que um tipo vai a fugir de mota, leva um tiro e a mota explode :smile:
tenho de rever, quase de certeza vi mal.

e há uma cena hilariante em de um slow motion de uns tipos com uma explosão por trás e um deles parece que está a ter um ataque epiléptico.
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Re: Black Rain

Postby Gaminha » 19 Oct 2009 11:29

Samwise wrote:Hans Zimmer, trabalharia também mais tarde Scott para a música de Gladiator.

A banda sonora do Gladiator está fenomenal.


Samwise wrote:Momento alto do filme :thumbup:


Ooooohh--- Oooh
Aaaaahh--- Aaah


Ooooohh--- Oooh
Aaaaahh--- Aaah

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Re: Black Rain

Postby Sharky » 19 Oct 2009 11:29

Há muitas explosões desnecessárias que simplesmente não são possíveis, como referiram, o caso da mota e alguns carros no fim do filme.
Quanto à interpretação, o Douglas não teve assim nada de especial, nem o Garcia, já o Ken, gostei da interpretação dele.
Concordo com o que a Gaminha disse em relação ás gaffes, já agora, é impressão minha ou a corrida de motas ao inicio, aquele acidente aparatoso não é um pouco duvidável?
E o som das motas de TT na perseguição final, não vos pareceu um som de umas motas mais rápidas?

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Re: Black Rain

Postby grayfox » 19 Oct 2009 11:37

Samwise wrote:E o "musicólogo" de serviço, Hans Zimmer, trabalharia também mais tarde Scott para a música de Gladiator.


useless knowledge nº1: E fez agora a banda sonora do Modern Warfare 2.
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Re: Black Rain

Postby Samwise » 19 Oct 2009 11:59

grayfox wrote:e há uma cena hilariante em de um slow motion de uns tipos com uma explosão por trás e um deles parece que está a ter um ataque epiléptico.


Isso é porque está a ser metralhado pelo Mas.

Alguém chamou a essa coisa Danse Macabre - quando o corpo é fustigado por uma carga de metralhadora. Visível em muitos, muitos filmes...
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Re: Black Rain

Postby Samwise » 19 Oct 2009 12:39

Repararam na canção que abre o filme - a que acompanha o Douglas enquanto ele atravessa a ponte de mota, com a cidade ao fundo e o trás o nascer do sol?

E que acharam do título e da sua relação com a história? Uma das deixas mais engraçadas do filme vem precisamente da conversa onde surge a menção à "chuva negra", uma conversa que, curiosamente, começa por bater nos filmes (e na cultura) americanos - hahaha!
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Re: Black Rain

Postby annawen » 19 Oct 2009 14:57

Eu tenho uma opinião um pouco diferente. Para mim este filme é fraco, vazio de conteúdo, cheio de clichés. Digamos que os anos 80 estão muito presentes neste filme (e que saudades que eu tinha dos anos 80 :rolleyes: ).

Pontos fracos: Argumento, personagens e interpretações. Nada de especial. Tudo desinteressante. Utilização da câmara lenta quando ela não é necessária. Toda a reacção do Michael Douglas à morte do Andy Garcia é pessimamente interpretada e realizada. Aliás, não me parece que o realizador estivesse muito interessado em dirigir os actores, tão más são as interpretações. Mas, claro, isto é pura suposição da minha parte.

Detestei a música e a maneira como ela é utilizada no filme.

No geral, sinceramente, achei o filme um aborrecimento.

Mas... isso não quer dizer que não haja pontos, senão bons, pelo menos interessantes de discussão.

Ponto 1: O tratamento do espaço.

Aqui nota-se bem a formação em arquitectura do realizador. Existe muito cuidado no enquadramento das cenas do exterior, infinitamente mais interessantes do que os interiores. Planos gerais de ruas e espaços com um ponto de fuga bem definido, rodeados, na maior parte das vezes por colunas, abundam no filme. Se repararem praticamente não há praça, rua, ou outro espaço exterior que não tenha estas características. A obsessão é tão grande que quase diria que o que levou o Ridley Scott a fazer o filme foi mesmo ter a possibilidade de trabalhar cinematograficamente o espaço exterior de uma grande metrópole urbana.

E o que é que isso traz ao filme: bem, na minha opinião, não muita coisa. Podemos extrapolar que pode tentar representar a solidão urbana. Mas não muito mais. Como as personagens são vazias (não têm interioridade), nunca se chega a estabelecer nenhuma ligação entre a cidade e elas, logo, toda a intencionalidade destes enquadramentos perde-se e ficamos somente com os espaços em si. Tão vazios como as figuras que os povoam.

Ponto 2: a personalidade do detective principal (Michael Douglas).

Este filme pretende ser um neo-noir, e tem uma das características do noir: a cidade assume uma presença palpável (ver ponto 1). Mas a personalidade do detective não tem nada a ver com o noir clássico. Onde está então a diferença? É simples, o detective não tem nenhuma estatura moral. No noir clássico, o detective pode ser cínico e fazer coisas menos recomendáveis, mas tem uma posição moral perante o mundo. A posição dele pode ser resumida assim: "Eu posso viver na lama, dar-me com sujeitos execráveis, mas eu não sou como eles, eu sou melhor que eles, eu só finjo que sou como eles para poder sobreviver, mas na realidade tudo isto me mete nojo." Esta é a posição moral do detective num filme noir. Está presente em todos os detectives clássicos: Philipe Marlowe, Sam Spade, etc. Se pudermos definir isto por cores, podíamos dizer que o detective é um ponto branco num mundo preto. Porque não há cinzas no "noir" (o título "noir" não tem só a ver com a fotografia). Há pretos e brancos.

O que nos leva para a cena em que o Michael Douglas diz ao colega japonês: "Nova Iorque inteira é uma área cinzenta", isto para justificar a sua própria corrupção. O facto de ter roubado dinheiro da droga. Ora o que define um detective do "noir" clássico é que ele é incorruptível. E tem códigos morais rígidos. O Michael Douglas não. Nem ficamos a saber se o facto de ser um polícia corrupto o incomoda. Ele roubou porque todos os outros faziam, para pagar as contas, por outras mil e uma razões... nada disso interessa. O ponto importante é que ele é um ladrão, como aponta o japonês. E nem acho que o final do filme o redime. Na minha opinião, não há progressão na personagem, ele começa como acaba. Logo um mau sinal.

Então como podemos caracterizar a personagem? Eu diria que ela é um produto pop. Ou melhor uma mistura de "noir" com pop. Na realidade, ela está muito mais perto dos "Rambos" e "Rockys" dos anos 80 do que dos detectives clássicos do "noir". Aliás a forma desabrida como ele se comporta ao longo do filme, com "agir primeiro, pensar depois", apontam para esses modelos. Eu devo dizer que acho esta mistura muito pouco interessante e daí ter ficado desapontada com o filme. Não há nada mais chato no cinema do que cenas de acção em que o espectador se desinteressa do resultado.

A melhor cena: a cena em que o chefe yakusa explica o significado de "Chuva Negra". Porque esse é a única personagem que tem alma. Que tem um passado e memória com que o espectador se possa relacionar. Se ao menos o filme tivesse sido sobre ele...

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Re: Black Rain

Postby Gaminha » 19 Oct 2009 15:24

annawen wrote:Ponto 2: a personalidade do detective principal (Michael Douglas).

Como disse achei que Michael Douglas não esteve bem no filme. Não acho que tenha sido só um problema de personagem, pareceu-me que o proprio actor não se encaixou na personagem.

O que nos leva para a cena em que o Michael Douglas diz ao colega japonês: "Nova Iorque inteira é uma área cinzenta", isto para justificar a sua própria corrupção. O facto de ter roubado dinheiro da droga. Ora o que define um detective do "noir" clássico é que ele é incorruptível. E tem códigos morais rígidos. O Michael Douglas não. Nem ficamos a saber se o facto de ser um polícia corrupto o incomoda. Ele roubou porque todos os outros faziam, para pagar as contas, por outras mil e uma razões... nada disso interessa. O ponto importante é que ele é um ladrão, como aponta o japonês.
Ainda bem que apontas este ponto, achei que não encaixava na personagem. Durante o filme sempre achei que ele era honesto, e que simplesmente teria protegido um colega. O facto de ele reforçar a ideia a Mas de "primeiro fala-se com o colega" e a propria cena quando ele pega no dinheiro sempre nos indicia de que ele não é corrupto.

Depois na conversa entre Mas e Nick, é acentuada a ideia da honra e do dever por parte da policia Japonesa e de estas características faltarem nos EUA.

Aqui fiquei com a sensação do realizador não saber do que queria afinal falar no filme. Tentou meter demasiadas coisas no mesmo filme, não sendo depois capaz de lidar com tudo.

E nem acho que o final do filme o redime. Na minha opinião, não há progressão na personagem, ele começa como acaba. Logo um mau sinal.

E nem faz sentido. Ele não se arrepende de ter roubado o dinheiro, por isso, porque é que vai entregar no aeroporto as chapas, e mais importante porque entrega a Mas às escondidas? Mas é honesto, nunca iria usar as placas. Então o que faria mais sentido, era aquando da prisão de Sato, Nick atirar as chapas para a mesa do inspector chefe da delegacia (por exemplo).

Na realidade, ela está muito mais perto dos "Rambos" e "Rockys" dos anos 80 do que dos detectives clássicos do "noir".

Lol, foi uma imagem que me veio várias vezes à mente durante o filme.

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Re: Black Rain

Postby annawen » 19 Oct 2009 15:45

Gaminha wrote:
annawen wrote:Ponto 2: a personalidade do detective principal (Michael Douglas).

Como disse achei que Michael Douglas não esteve bem no filme. Não acho que tenha sido só um problema de personagem, pareceu-me que o proprio actor não se encaixou na personagem.


Sim, isso também. Mas temos que concordar que é um papel muito ingrato.

E nem faz sentido. Ele não se arrepende de ter roubado o dinheiro, por isso, porque é que vai entregar no aeroporto as chapas, e mais importante porque entrega a Mas às escondidas? Mas é honesto, nunca iria usar as placas.


Aí já não tenho tanta certeza, se as chapas fossem de dólares... Mas... who cares... como a personagem é inexistente, não interessam as motivações dela.

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Re: Black Rain

Postby Gaminha » 19 Oct 2009 16:34

annawen wrote:Aí já não tenho tanta certeza, se as chapas fossem de dólares... Mas... who cares... como a personagem é inexistente, não interessam as motivações dela.


e são de dólares... mas não acho que interfira.

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Re: Black Rain

Postby annawen » 19 Oct 2009 16:44

Gaminha wrote:
annawen wrote:Aí já não tenho tanta certeza, se as chapas fossem de dólares... Mas... who cares... como a personagem é inexistente, não interessam as motivações dela.


e são de dólares... mas não acho que interfira.


Tinha a ideia que eram de ienes.

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Re: Black Rain

Postby Samwise » 19 Oct 2009 16:47

Hmmm... annawen...

Não concordo de todo com a superficialidade do personagem do Douglas, nem com a interpretação falhada. Pode não ser excepcional, mas não é má. É adequada ao personagem, me thinks. Apesar de concordar que o argumento não ajuda muito em algumas situações (a maneira como eles decidem acompanhar a rusga e as caras que eles fazem durante essa parte... :mad: )

Ao longo do filme dei comigo a pensar que era mesmo um actor escolhido à medida para o papel. Em relação à personagem, acho-a rica e bem desenvolvida, muito longe de ser superficial: um cowboy (como ele chama ao Mas, no fim) urbano, impulsivo e irresponsável, mas também dedicado e eficaz no seu trabalho, mesmo que por vezes meta a pata na poça. A cena de início, em que ele entra numa corrida de forma impulsiva, e a maneira sem escrúpulos como recebe o dinheiro da aposta , sem se preocupar minimamente com o outro tipo, ou com o perigo da manobra que fez, colocam logo alguns pontos nos "ís" - e logo depois descobrimos que ele é polícia ( :blink:).

A questão da corrupção é precisamente aquilo que lhe dá espessura - a ambiguidade que em o espectador se encontra até quase final do filme, porque conhece duas realidades diferentes e não as consegue enquadrar: uma em que ele é fiel e leal para com os seus amigos e para com a profissão, e a outra mais sombria, que não augura bom coisa.

Não sei se intenção era fazer um noir ou não, mas se era, não se dá por muito por isso e daí que a comparação com os velhos códigos de conduta do género seja um pouco irrelevante (interessante mas irrelevante). Não é por falta de adequação a esse modelo que o personagem perde o interesse.

Desenvolvendo a questão da culpa e da redenção: acho que no momento em que revela a Mas que recebeu dinheiro - nesse preciso momento - é que se arrepende verdadeiramente. Nessa altura leva com a realidade em cima, uma realidade que carrega um fardo pesado e que lhe diz que já não se pode redimir perante Charlie, e que lhe diz que daí para a frente vai ser um polícia bem comportado. O final do filme, em que se coloca perante um dilema: matar o criminoso que lhe assassinou o colega ou entragá-lo à polícia, reforça essa ideia.
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