The Maltese Falcon

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The Maltese Falcon

Postby Samwise » 01 Nov 2009 12:43

O trailer....



... que começa de uma forma que faz lembrar o Hitchcock de anos mais tarde, ao fazer a apresentação de episódios da sua série.

Amanhã começo eu a falar do filme. Está combinado. :mrgreen4nw:
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Thanatos
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Re: The Maltese Falcon

Postby Thanatos » 01 Nov 2009 12:51

Os trailers de antigamente eram tão ingénuos. :tongue:

Penso que não vou dizer nenhuma novidade mas para quem goste desta forma perdida de publicidade a TCM oferece um manancial de pequenas pérolas.

TCM Classic Movie Trailers
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Re: The Maltese Falcon

Postby Samwise » 02 Nov 2009 03:01

The Maltese Falcon - O Falcão de Malta (ou melhor "A Relíquia Macabra") - , realizado em 1941 por John Huston, é a mais importante adaptação do romance homónimo de Dashiell Hammett, publicado 11 anos antes e responsável pelo enraizamento de algumas das "regras" que definiriam mais tarde a matriz da literatura Hard-Boiled. No livro, como no filme, estão lá os arquétipos que deixariam um legado gigantesco para o futuro e que seriam explorados até à exaustão. O maior e mais valioso destes "activos" é o personagem central: um detective cínico e sem escrúpulos que se move à margem da lei mas que, regendo-se por um código de conduta moral muito próprio, nunca desce ao nível dos "maus da fita". No caso, o nome é Sam Spade, mas seria mais tarde Philip Marlowe, pelas mãos de Chandler na literatura, e pelo rosto de Bogart no cinema (The Big Sleep, 1946), que interpretaria assim os dois mais famosos personagens do género. As representações, de resto, poderiam perfeitamente tratar do mesmo "ser", já que incidem, no essencial, sobre personagens bastante semelhantes (se Chandler me ouvisse agora, eu estaria em maus lençóis...).

O filme segue a para o passo, diálogo por diálogo, cena por cena, tudo que se passa no livro, mas fornece-lhe a materialização daquilo que é a felicidade do leitor descrente: inventividade e generosidade nos planos, por um lado, e caras e representações apropriadas, por outro (se bem que no caso de Spade, a figura descrita no livro não seja assim muito aproximada da de Bogart). Face à riqueza de conteúdo do material original, provavelmente bastaria que tudo o resto fosse gerido com uma dose mínima de competência e acerto para que as coisas funcionassem bem, mas Huston, no seu filme de estreia, revelou argumentos e expectativas que não defraudariam a grande carreira que se sucedeu - a adaptação do argumento valeu-lhe, aliás, uma nomeação para o Oscar respectivo.

A história pode-se resumir da seguinte maneira: no início há uma dupla de detectives, uma mulher bonita e um caso aparentemente simples de acompanhar; no dia seguinte há um cadáver, uma dupla de detectives desfeita, uma mulher fatal a usar-se de uma panóplia de truques manipuladores e uma quadrilha de criminosos atrás de estátua misteriosa, o falcão que dá o título ao filme.

A intriga é labiríntica, como convém numa narrativa destas, e tem a dupla virtude de prender o espectador à cadeira sem nunca o deixar à nora (coisa que não acontece no The Big Sleep, por exemplo); os diálogos, elaborados ao pormenor artístico, rápidos no "debitanço", e carregados de "espertezas" que ficam na memória, são sempre adequados aos personagens e às situações; e o elenco é todo ele sem mácula, destacando-se os quatro fabulosos principais: Bogart (o inesquecível Spade), Peter Lorre (o "small crook" Cairo), Mary Astor (la femme fatale) e Sydney Greenstreet (Gutman - "Fatman" -, um vilão de características tão apelativas, se bem que diferentes, quanto as do detective).

Ergue-se um filme que é feito de um crescendo de situações-limite, cada vez mais complexas, com diálogos mais afiados, e em que se gera um intenso jogo pelo domínio do poder e subjugação dos adversários, quer por palavras, quer por "actos" (um equilíbrio à partida difícil mas que resulta totalmente, fornecendo uma sequência lógica para a irrisão deliberada de alguns diálogos) . É esta vertigem pelo confronto, esta espécie de atracção pelo abismo, que move o detective, mais do que o desejo pela mulher ou o gosto pelo dinheiro que vai metendo ao bolso, oportunistamente, com o decorrer dos acontecimento - e recorde-se que a partir de certa altura está em jogo a sua pele.

Situação atrás de situação, um ponto limite é atingido...
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Re: The Maltese Falcon

Postby Gaminha » 02 Nov 2009 11:02

Boa Sam! :thumbsup:

O filme foi até agora o que mais me agradou ao mesmo tempo que é o que menos se encaixa na temática. Este é um típico policial, mas sem duvida dos bons.

Começando pelos actores, é um dos pontos mais fortes do filme. Adorei o detective, adorei Cairo e adorei a representação de Gutman. Três actores que estiveram excelentes. As duas senhoras também estiveram muito bem. Todo o enredo encaixa muito bem, e não nos faz duvidar da consistência.
O detective Spade merece mais um pouco de atenção, o típico mulherengo, o típico detective esperto. Por vezes até é esperto de mais "para si mesmo" e deixa-se apanhar como um tonto. Deixa-se apanhar por Gutman numa artimanha simples e comum, mas é também bastante esperto no modo como consegue gerir os momentos finais do filme.

Gostei da fotografia do filme, da claridade das cenas. Não tem o escuro habitual dos policiais da época. O filme parece um todo.
Achei que resiste muito melhor ao tempo que o último que vimos. Tem alguns pormenores desnecessários, mas que não incomodam muito no todo do filme.

Gostei!

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Re: The Maltese Falcon

Postby Samwise » 02 Nov 2009 12:13

Gaminha wrote:Achei que resiste muito melhor ao tempo que o último que vimos.


Concordo quanto a esta situação, ainda que a abordagem à seriedade das situações seja diferente. O White Heat, mesmo contando com a tal faceta ingénua ou inocente que o percorre, era um filme bem mais sério, apostado em mostrar uma "realidade" dura, sem gracejos à mistura.

O Falcão tem pouco a ver com isso: há uma vertente ficcional lúdica bem acentuada, sobretudo nos personagens (coisa que já vinha do livro), que, sem prejuízo para a obra, a liberta de qualquer fixação ao mundo real e que lhe confere uma intemporalidade maior.
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Re: The Maltese Falcon

Postby Samwise » 02 Nov 2009 14:08

A personagem Sam Spade, tal como é descrita no livro, logo no primeiro parágrafo:

Samuel Spade’s jaw was long and bony, his chin a jutting v under the more flexible v of his mouth. His nostrils curved back to make another smaller, v. His yellow-grey eyes were horizontal. The v motif was picked up again by the thickish brows rising outward from twin creases above a hooked nose, and his pale brown hair grew down – from high flat temples – in a point upon his forehead. He looked rather pleasantly like a blond satan.


Uma outra sensação com que fiquei do físico do Spade do livro foi que ele era quase um brutamontes. Alto e encorpado, quase fazia desaparecer por baixo de si os adversários nos confrontos físicos. A primeira sequência com o Cairo, em que o "livra do fardo da pistola" dá essa sensação. No filme a coisa foi filmada de um ângulo que favorece o Bogart...
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Re: The Maltese Falcon

Postby annawen » 02 Nov 2009 15:45

Para mim, "The Maltese Falcon" é um filme um pouco sobrevalorizado. Sem dúvida que é um marco na história do cinema (pelas razões que o Sam referiu anteriormente), ninguém pode abordar o cinema policial sem falar dele. Historicamente é importante. Mas como filme fica muito atrás de "White Heat" e "The Big Sleep", para falar de dois filmes que têm sido aqui referidos.

Tem uma histórica bem contada, não há dúvida. Com algum ritmo. Panache nos diálogos. Mas esses são os seus limites, uma história bem contada.

Do que gosto verdadeiramente é das personagens do "Fatman" e do Joel Cairo. As representações são muito divertidas. Aliás, a dupla Greenstreet e Lorre ia aparecer em mais filmes. Adoro a cenas entra o Gutman e o Sam Spade sozinhos. Principalmente a primeira: "I am a man who likes talking to a man who likes to talk."

Também gosto da performance da Mary Astor (Brigid). Muito boa, com uma cena final clássica.

A cena final é muito importante na definição da personalidade do detective hard-boiled: tanto do Sam Spade como de todos os outros detectives que surgiriam depois. Aqui podemos ver, de uma forma límpida, a ética deste género de personagens e, também, da maneira como vêem as mulheres.

Uma curiosidade: no "The Maltese Falcon" temos 3 actores que irão entrar no ano seguinte em "Casablanca": Bogart, Sidney Greenstreet e Peter Lorre.

Gosto também como termina: "The stuff that dreams are made of", e enquanto diz isto desvia o olhar da estatueta e olha para a mulher.

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Re: The Maltese Falcon

Postby Gaminha » 02 Nov 2009 15:52

annawen wrote:Para mim, "The Maltese Falcon" é um filme um pouco sobrevalorizado. Sem dúvida que é um marco na história do cinema (pelas razões que o Sam referiu anteriormente), ninguém pode abordar o cinema policial sem falar dele. Historicamente é importante. Mas como filme fica muito atrás de "White Heat" e "The Big Sleep", para falar de dois filmes que têm sido aqui referidos.

Tem uma histórica bem contada, não há dúvida. Com algum ritmo. Panache nos diálogos. Mas esses são os seus limites, uma história bem contada.


Ui, não concordo, acho estemuito superior ao "White Heat", o outro não conhço. Não estou a falar a nivel daimportancia do filme na historia dos policiais, pois nem conheço essa importancia do filme. Acho que realmente tem melhor fotográfia, que esta mais bem filmado eque os actoressão muito superiores.

Do que gosto verdadeiramente é das personagens do "Fatman" e do Joel Cairo. As representações são muito divertidas. Aliás, a dupla Greenstreet e Lorre ia aparecer em mais filmes. Adoro a cenas entra o Gutman e o Sam Spade sozinhos. Principalmente a primeira: "I am a man who likes talking to a man who likes to talk."

Também gosto da performance da Mary Astor (Brigid). Muito boa, com uma cena final clássica.
Adorei as duas representações, quer do Cairo, quer doFatman, mas o Spade não fica muito atras, são é personagens diferentes. parece-me que estas a tentar "proteger" (para que não haja comparações) o Cody do "White Heat". :whistling:
A cena final é muito importante na definição da personalidade do detective hard-boiled: tanto do Sam Spade como de todos os outros detectives que surgiriam depois. Aqui podemos ver, de uma forma límpida, a ética deste género de personagens e, também, da maneira como vêem as mulheres.

Uma curiosidade: no "The Maltese Falcon" temos 3 actores que irão entrar no ano seguinte em "Casablanca": Bogart, Sidney Greenstreet e Peter Lorre.

Gosto também como termina: "The stuff that dreams are made of", e enquanto diz isto desvia o olhar da estatueta e olha para a mulher.

Já agora em relação à cena final, achas que aquele era o falcão verdadeiro ou não?



sorry, mudei de portatil e este tem um teclado muito estranho, alem de não ter corrector... :huh:

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Re: The Maltese Falcon

Postby Samwise » 02 Nov 2009 16:16

annawen wrote:Do que gosto verdadeiramente é das personagens do "Fatman" e do Joel Cairo. As representações são muito divertidas. Aliás, a dupla Greenstreet e Lorre ia aparecer em mais filmes. Adoro a cenas entra o Gutman e o Sam Spade sozinhos. Principalmente a primeira: "I am a man who likes talking to a man who likes to talk."


Como para mim o filme resulta em cheio, é-me difícil destacar apenas estes dois artistas, mas sem dúvida que as cenas em que participam, as falas que têm e as reacções que geram são muito divertidas.

O Greenstreet estreou-se no cinema com este filme (e logo com uma nomeação para o Oscar). Aquele timbre de voz aliado às linhas que debita são um mimo. "I must say, sir, you are a character!"

E o Lorre, aparentemente, teve de aprender a dizer as falas por aprendizagem fonética, já não sei se foi neste filme ou num anterior, já que veio "importado da Alemanha" e caiu fresquinho de para-quedas bem no meio de Hollywood, sem saber mais do que um "Yes" e um "No"...

Em relação ao The Big Sleep e porque são filmes da mesma "raça" - filmam a história segundo a perspectiva do detective, não a do criminoso (e será essa uma das diferenças essenciais para os filmes de gangsters propriamente ditos) - diria que são completamente diferentes na dinâmica que imprimem à história. O Falcão tem uma intriga movimentada, mas a encenação é bastante lenta e dá ênfase sobretudo aos diálogos. Já o outro tem um ritmo cinematográfico muito mais acelerado, em que às tantas se torna impossível ligar os pormenores do mistério uns aos outros (e perde-se o fio condutor), tal é a rapidez com que passam as cenas. Para além disso, Hawks parece mais interessado em captar a química Bogart-Bacall... Entre um filme e outro, não sei qual prefiro. Acho que gosto dos dois por razões distintas.
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Re: The Maltese Falcon

Postby annawen » 02 Nov 2009 16:28

Gaminha wrote:parece-me que estas a tentar "proteger" (para que não haja comparações) o Cody do "White Heat". :whistling:


Ora explica lá isto melhor, Gaminha. Quem é que eu estou a "não proteger"? O casal Greenstreet/Lorre ou o Bogart? Não percebi.

Já agora em relação à cena final, achas que aquele era o falcão verdadeiro ou não?


Não, aquele falcão é falso. O verdadeiro tinha ficado com o russo (não me lembro o nome). Esse russo, quando se apercebeu que o Gutman lhe queria comprar o falcão, descobriu o real valor da estatueta e substituiu-a por uma de chumbo. Daí o Cairo se atirar ao Gutman, dizendo que ele tinha sido burro em tentar comprar o falcão, em vez de o roubar logo. Daí o "the stuff that dreams are made off". O falcão era um sonho, um sonho de um homem gordo, que andou atrás dele 17 anos e quando o conseguiu verificou que não tinha nada. Olha, pensando bem esta sinopse dava um filme interessante. Alguém devia filmar a "Relíquia Macabra" sob o ponto de vista do Gutman. E poderia até ter ser (se já não tivesse morrido) o próprio John Huston, uma vez que a temática do gajo que sonha ter tudo e depois fica sem nada aparece nalguns filmes dele, como "O Tesouro da Sierra Madre" e "O Homem que Queria Ser Rei".

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Re: The Maltese Falcon

Postby Gaminha » 02 Nov 2009 16:36

annawen wrote:Ora explica lá isto melhor, Gaminha. Quem é que eu estou a "não proteger"? O casal Greenstreet/Lorre ou o Bogart? Não percebi.

Como gostas muito do actor que que fez de Cody (é esse o nome da persnoagem principal do White Heat?) eu estava a chatear, como não referes o actor principal deste (que eu por acaso acho que esta muito bem no papel) não deixas margem de comparação entre os 2. E eu acho que o Spade émais interessante que o Cody (como personagens).

Não, aquele falcão é falso. O verdadeiro tinha ficado com o russo (não me lembro o nome). Esse russo, quando se apercebeu que o Gutman lhe queria comprar o falcão, descobriu o real valor da estatueta e substituiu-a por uma de chumbo. Daí o Cairo se atirar ao Gutman, dizendo que ele tinha sido burro em tentar comprar o falcão, em vez de o roubar logo. Daí o "the stuff that dreams are made off". O falcão era um sonho, um sonho de um homem gordo, que andou atrás dele 17 anos e quando o conseguiu verificou que não tinha nada. Olha, pensando bem esta sinopse dava um filme interessante. Alguém devia filmar a "Relíquia Macabra" sob o ponto de vista do Gutman. E poderia até ter ser (se já não tivesse morrido) o próprio John Huston, uma vez que a temática do gajo que sonha ter tudo e depois fica sem nada aparece nalguns filmes dele, como "O Tesouro da Sierra Madre" e "O Homem que Queria Ser Rei".

Eu entendi a cena do russo e da acusação do Cairo ao Gtuman.
E na altura eu e o Lovecraft estivemos a descutir isso, eu achava que aquele era um falso. E o Lovecraft acha que é o verdadeiro. "the stuff that dreams are made off" pode levar-nos para a intrepetração de que é feito de ouro. Assim como Gutman tenta com um canivete, mas a verdade é que se fosse chumbo tinham saido bocados e não saíram...

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Re: The Maltese Falcon

Postby Samwise » 02 Nov 2009 16:54

Gaminha wrote:E na altura eu e o Lovecraft estivemos a descutir isso, eu achava que aquele era um falso. E o Lovecraft acha que é o verdadeiro. "the stuff that dreams are made off" pode levar-nos para a intrepetração de que é feito de ouro. Assim como Gutman tenta com um canivete, mas a verdade é que se fosse chumbo tinham saido bocados e não saíram...


Estás a foca-te demasiado no pormenor físico da coisa - aquele que não interessa para nada (tal como, por analogia, aconteceria se te focasses nos actores que fazem de mortos e notas que o peito se mexe levemente, concluindo então que estariam vivos).

O que interessa é a conclusão a que toda a gente chega no filme: o exemplar é falso. Para mim não há margem para dúvidas.

Quanto à frase "the stuff that dreams are made of" - resulta bem melhor tendo por substância algo que não está ao nosso alcance, como que a dizer: é o sonho que nos faz perseguir o objectivo com tanta determinação. Não faria grande sentido se tivesse sidos proferida na presença do objecto verdadeiro.
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Re: The Maltese Falcon

Postby Samwise » 02 Nov 2009 16:59

O que podes fazer é queixares-te de que a encenação não está realista... :tongue:
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Re: The Maltese Falcon

Postby Gaminha » 02 Nov 2009 17:03

Samwise wrote:Estás-te a focar demasiado no pormenor físico da coisa - aquele que não interessa para nada (tal como, por analogia, aconteceria se te focasses nos actores que fazem de mortos e notas que o peito se mexe levemente, concluindo então que estariam vivos).

O que interessa é a conclusão a que toda a gente chega no filme: o exemplar é falso. Para mim não há margem para dúvidas.

Quanto à frase "the stuff that dreams are made of" - resulta bem melhor tendo por substância algo que não está ao nosso alcance, como que a dizer: é o sonho que nos faz perseguir o objectivo com tanta determinação. Não faria grande sentido se tivesse sidos proferida na presença do objecto verdadeiro.


OH sim, por vezes não é necessário ser picuinhas com estes pormenores... Mas tambem não achei que a ironia de aquele ser o verdadeiro, ficasse mal no fim do filme.

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Re: The Maltese Falcon

Postby annawen » 02 Nov 2009 19:20

Gaminha wrote:Como gostas muito do actor que que fez de Cody (é esse o nome da persnoagem principal do White Heat?) eu estava a chatear, como não referes o actor principal deste (que eu por acaso acho que esta muito bem no papel) não deixas margem de comparação entre os 2. E eu acho que o Spade émais interessante que o Cody (como personagens).


Ah, ok. Não referi porque a interpretação do Bogart é standard. Quer dizer, ele está muito bem como Sam Spade, e tal, mas é uma representação normal para ele. Não tenho grande coisa a dizer. Quanto à personalidade entre o Cody e o Spade, não acho, mas também é verdade que são personagens muito diferentes. Portanto eu diria que ambas são interessantes, cada uma em aspectos diferentes.

[...]mas a verdade é que se fosse chumbo tinham saido bocados e não saíram...


Mas saem. Vêem-se as marcas do canivete na estatueta.

Quanto à frase "the stuff that dreams are made off" - resulta bem melhor tendo por substância algo que não está ao nosso alcance, como que a dizer: é o sonho que nos faz perseguir o objectivo com tanta determinação. Não faria grande sentido se tivesse sidos proferida na presença do objecto verdadeiro.


Não esquecer que a frase evoca o verso "We are such stuff that dreams are made on", dito por Prospero, em "A Tempestade" de Shakespeare. Na peça, o verso refere-se à vida humana como um sonho, uma ilusão passageira. Deixo aqui a passagem (cena I, 4º acto): "We are such stuff as dreams are made on; and our little life is rounded with a sleep."


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