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Postby Arsénio Mata » 09 Oct 2009 05:14

Fica aqui um primeiro esboço do que será o primeiro capitulo do texto que tenciono enviar para a antagonista editora (mais informações aqui.) Gostava de saber a vossa opinião porque o terror não é bem o meu género e na verdade é a primeira vez que escrevo dentro deste estilo... :rolleyes: Thanks
Only in the bloodline is this terror exposed
A knife to the eye of modern day times
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Re: Esboço

Postby Arsénio Mata » 09 Oct 2009 05:16

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Quando acordou e percebeu que estava amarrada a uma cama que não era à sua, não se lembrou logo o que tinha acontecido na noite anterior. Era impossível concentrar-se com todo aquele cheiro a mijo. Não sabia onde estava e o pânico entranhou-se dentro de si, dentro da sua pele, de um modo que nunca tinha sentido. Então aquilo é que era o medo da morte? Ou seria apenas medo pelo seu bebé, que carregava na barriga há 8 meses? As memórias não ajudavam o medo a desaparecer, tão dolorosas que até o seu filho chorava dentro de si. Ou pelo menos assim parecia, já não tinha a certeza de nada. Estava atada aquela cama há mais de um mês, atada pelos pulsos e pelos tornozelos, já feridos de tanto se tentar libertar. Mas era inútil, os homens que a haviam levado para ali sabiam o que faziam. Eram profissionais. Do quê, não conseguia ela perceber, mas eram-no certamente de alguma coisa. Os seus pais, agora mortos, eram a prova disso.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Há mais de um mês que estava ali, como já foi dito, e até agora ainda não tinha percebido porquê. Lembrava-se da noite em que a levaram de casa. Cinco homens, entraram pela casa dos seus pais, e foram implacáveis. Dois tiros certeiros mataram a sua mãe e pai. Os seus queridos pais estavam mortos. Pensou que a seguir fosse ela. Pensou que a seguir fosse o seu filho. Teve medo como nunca na vida. Como nunca voltaria a ter. A última memória que tinha dessa noite era de sentir a urina, quente, a escorregar-lhe pelas pernas. E depois o vazio.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Acordara no dia seguinte, com uma enorme dor de cabeça, e chorou. Não suportava a dor de ter perdido os pais. Chorou durante dias seguidos e da horrível comida que lhe traziam, pouco comeu, numa tentativa desesperada de cometer um aborto. Preferia que o bebé morre-se a ter de viver no meio daqueles homens, que eram certamente uns animais. No sentido literal.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Ouvira-os mais do que uma vez imitirem uns sons que eram, sem dúvida, sobrenaturais. Também tinham formas, por baixo dos enormes hábitos que usavam, que não eram humanas. Um deles, ao entregar-lhe o prato da comida, mostrara uma das mãos, e ela ficou na dúvida se aquilo seria mesmo uma mão ou uma pata. Os dedos eram mais longos do que o normal, e as unhas pareciam crescer para dentro.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Os seus pensamentos mudaram rapidamente de tema, quando ouviu à porta do quarto onde estava abrir-se. A sua mente entrava sempre em pânico quando ouvia o ranger das dobradiças, o raspar do metal enferrujado no chão. Sentiu dentro de si que hoje havia algo de diferente, que não era apenas mais um dos seres que a vinham alimentar. E bastou-lhe erguer a cabeça dois segundos para perceber que estava certa. Em vez de apenas uma criatura vinham sete ao todo. Seis deles usavam hábitos cor-de-palha, sem qualquer tipo de ornamento. Também usavam máscaras cinzentas, da cor de ratos. O mais alto de todos, tinha uma máscara azul, que contrastava com o hábito vermelho, enfeitado com desenhos prateados e dourados, que vestia. Mas o que via só podia ser uma alucinação, não podia ser real.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Os desenhos representavam todos posições sexuais, algumas das quais ela nem podia imaginar que existiam, e todos se movimentavam. Alguns trocavam de parceiro, outros apenas de posição, até todo o hábito se tornar numa imensa orgia. Podia jurar que ouvia os gemidos de prazer, dentro da sua cabeça. Ela própria estava a começar a sentir a euforia característica do prazer carnal. A sua face ruborizou-se, em parte por vergonha.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->(não lutes, é inútil)<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->ouviu, dentro de si. Aquela voz fez com que um arrepio percorre-se todo o seu corpo, mas não tinha sido uma sensação desagradável. Na verdade, estava a começar a agradar-lhe todo aquele frenesim, todas aquelas novas sensações que o seu jovem corpo experimentava.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->(o teu corpo é apenas um meio)<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->e ela riu-se, pois começava a compreender. Era indiferente se viveria depois disto ou não, queria apenas desfrutar o momento o mais intensamente possível. Sentiu pontadas na barriga, e isso fez com que recuperasse a consciência um pouco. Lembrou-se que estava a lidar com animais, tinha que encontrar uma saída dali, ou além do seu corpo, também a sua alma ficaria corrompida.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CEU<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->VENHA A NÓS O VOSS<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->(o teu corpo vai ser nosso, desiste.)<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->SEJA FEITA A VOSSA VONTADE<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->ASSIM NA TERRA COMO N<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->(cala-te rapariga estúpida, o teu corpo é nosso!)<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->E tão rapidamente como se tinha lembrado de recorrer ao deus salvador, assim se esqueceu dele quando a sua vagina começou a arder. Como era bom aquele ardor, não podia resistir. Era indiferente se sobreviveria, era indiferente se o filho sobreviveria, ela queria era sentir, como nunca.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Olhou a sua volta e viu que todos a observavam, imóveis como estátuas. Sentia-se o alvo de algum espetáculo doentio, sem qualquer tipo de propósito. Mas pouco queria saber, o que lhe interessava era que estes anormais continuassem a proporcionar-lhe o prazer que estava a sentir.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->(saberás no momento certo, quando lhe pertenceres, mas até lá és nossa.)<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->disse-lhe o que, sabia agora, era o chefe. As suas mãos e testa e coxas suavam abundantemente. Todo ela era êxtase, gemia em línguas que nem conhecia e o seu coração batia descontroladamente. Nesta altura os animais aproximaram-se de si e tiraram as máscaras. Todos eles tinham a cara em carne viva, mas ela não queria saber. Todos retiram uma faca de dentro dos hábitos e fizeram um corte na sua pele suja<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->E O EXTASE AUMENTA, MEU SENHOR<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->e lamberam, com as suas línguas bicefálas. Depois todos tiraram os hábitos e exibiram os seus horríveis corpos desnudados de pele, e o chefe penetrou-a. Enquanto isso, duas criaturas juntaram-lhe os pés e cravaram uma faca a prendê-los. As outras três cortaram as amarras que a prendiam e estenderam-lhe os braços, de modo a puderem espetar as facas nas suas mãos. Ela era, agora, uma perfeita encarnação de cristo e da sua mãe, pois também engravidara virgem.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->PERDOA-ME MEU SENHOR SE PEQUEI<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->(agora és nossa, tal como o teu filho)<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->ecoou a voz do chefe na sua cabeça, e a seguir tirou o membro de dentro dela, encharcado em sangue e suco,<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->(sabem o que têm a fazer)<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->ouviu-se, e todos os outros seis se dirigiram para a já dilatada vagina da rapariga. Todos eles a penetraram, ao mesmo tempo, enquanto o chefe voltava a vestir o hábito. Ela começava a sentir contrações, sinal de que o parto estava para breve.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->(está tudo a correr como planeado)<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->SALVA-ME MEU SENHOR, EU TE IMPLORO<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->mas já não havia salvação possível. Ouvia agora as vozes dos outros animais dentro da sua cabeça, e sentia os seus membros dentro de si. Ouvia o chefe a imitir sons que ela não conseguia perceber, num cântico de proporções transcendentais. Os outros acompanham-no neste e a luz descia ainda mais no quarto. Sentia o seu filho a querer sair de si, e tentava impedi-lo. Depois do prazer veio a culpa. Culpa de não ter resistido. Quem sabe eles não tivessem conseguido avançar com aquele terrível plano se ela não tivesse colaborado. O próprio chefe tinha dito : “está tudo a correr como planeado”.<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Uma contração mais forte devolve-a a realidade, e ela sente a ejaculação quente de seis animais dentro de si. Depois o frio de seis lâminas penetrou-a. O ritual parecia estar concluído. Abre os olhos, ainda febril, e olha para cima. A lâmina ainda escorria o seu próprio sangue quando desceu, violentamente, em direção a sua cabeça. <!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->
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Re: Esboço

Postby Gaminha » 09 Oct 2009 10:11

Primeira nota, acho que não deves publicar aqui os teus textos se pretendes enviar para uma editora. É que eles podem exigir que sejam inéditos e a publicação dos mesmo em blog/forum etc. pode contar. Mas talvez seja melhor tirar isso a limpo com alguém que tenha mais experiência que eu neste assunto, não tenho bem a certeza.


Sobre o texto posso dar algumas opiniões, mas não serei a mais experiente no assunto...
Quanto ao texto:[list][*]não acho que seja necessário usar palavras como Mijo, que na minha opinião não soam bem no texto;</li>[/*:m][*]há algumas partes que estão menos coerente. Primeiro ela acorda e não se lembra de onde está ou o que aconteceu, depois falamos de 1 mês dela ali presa. Provavelmente ela não saberia quanto tempo estava ali... ou então lembra-se de onde está e conta os dias que passam... ou alguem lhe diz. Percebes o que estou a dizer?</li>[/*:m][*]- certas frases um pouco estranhas:[list][list][*]"como já foi dito", soa-me mal.</li>[*]"como nunca voltaria a ter" , como poderá ela saber... a não ser que esteja a contar morrer...</li>[/*:m][*]"Acordara no dia seguinte", pouco coerente com a primeira frase onde falamos da noite anterior. O espaço temporal parece-me errado... primeiro estamos no dia a seguir, depois falamos de 1 mês passado, e depois falamos novamente do 1º dia em que teve uma dor de cabeça muito forte.</li>[/*:m][*]Os sentimentos em relação ao bébe também estão contraditórios... primeiro ela teme pelo bebe, depois deixa de comer para tentar abortar.</li>[/*:m][*]"que eram certamente uns animais", outra frase que não está muito bem. Esses "homens/animais" mataram-lhe os pais, por isso são horríveis ponto. o "certamente" fica estranho na frase, mesmo tendo a intenção de insinuar/afirmar que são animais.</li>[/*:m][/list:u]</li>[/*:m][/list:u]</li>[/*:m][/list:u]Tens mais alguns erros deste tipo no texto, e acho que serão os mais fáceis e importantes de corrigir numa primeira fase... Quanto depois ao conteúdo, é um género que não me diz muito... e eu até gosto de violência na escrita. Mas continua a escrever, o que tens aqui não é o suficiente para me decidir...

Espero que seja útil em alguma coisa o que escrevi e que não te tenha chateado. :rolleyes:

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Re: Esboço

Postby Arsénio Mata » 09 Oct 2009 14:43

Estou mesmo chateado Gaminha, nem imaginas. Principalmente tendo em conta que foi mesmo isso que eu pedi que fizessem e que concordo com a maioria do que dizes. :biggrin:
A única coisa em que não estamos de acordo é em relação ao aborto, porque era uma tentativa desesperada de salvar o bebé...mas se calhar é muito forçado...
Muito obrigado pelos comentários, ajudaram bastante...
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