Meu vizinho Totoro

O Meu Vizinho Totoro é a história de duas irmãs que mudam para uma nova casa com o pai e que nesse novo ambiente descobrem uns vizinhos muito especiais. Mais do que isso é a história de uma fraternidade muito forte de duas meninas que se refugiam nas suas brincadeiras mutuas, no explorar da nova casa e nos seus mundos mágicos para se abstraírem da realidade de terem a mãe hospitalizada. Este filme é quase diametralmente oposto por exemplo ao Nausicaa: uma história muito menos épica, um drama reduzido ao espaço de uma familia, e o aparecimento de algo de mágico que apenas Satsuki e Mei presenciam.
Este é um filme indicado dos 1 aos 101 anos. É infantil? Sim, no traço, na banda sonora, na maneira como os Totoro são retratados e animados, a própria maneira como o filme começa lembra imediatamente os genéricos das séries de animação infantis dos anos 80 (e logo nos primeiros 5 segundos fiquei encantado com este filme). Por outro lado tem muito para os adultos apreciarem, antes de mais pela nostalgia (principalmente para quem nasceu nos anos 70 e 80), mas muito mais por tudo aquilo que o filme mostra a quem estiver atento para ver com olhos de adulto. As crianças poderão ficar deliciadas com tudo aquilo que já foi referido sem se aperceberem por exemplo da maneira perfeita como uma criança de 4 anos e outra de 8 anos estão retratadas, olhando mais para o mundo mágico dos Totoro sem dar tanta importância ao drama que aquelas meninas vivem e do qual se abstraem nas brincadeiras naturais de criança. O meu vizinho Totoro é como uma imagem de resolução infinita, independentemente do zoom com que quisermos olhar para ele nunca ficam as "costuras" expostas, está sempre à altura.
Escusado será dizer que adorei este filme. Fez-me sentir criança, fez-me lembrar os desenhos que eu via em 88, fez-me pasmar com a verosimilhança da Mei, fez-me rir com as cenas hilariantes que os Totoro proporcionam como a cena da paragem do autocarro. Enfim, encheu-me as medidas, era o filme que tinha mais curiosidade de ver neste ciclo e não defraudou.
Para terminar quero só referir o paralelismo com dois outros filmes do Studio Ghibli. Um deles é A viagem de Chihiro que parece uma sequela espiritual deste filme e poderá ser comparada mais á frente quando o virmos neste ciclo. O outro é um filme que foi feito no mesmo ano, não tem o dedo do Miyazaki e que até estreou em double-feature com este Meu Vizinho Totoro, que é o Grave of Fireflies. É um filme em tom completamente diferente do Totoro, muito mais sobrio e pesado, mas a história tem muito em comum: em ambos temos dois irmãos, uma irmã mais nova excelentemente caracterizada, com o mais velho a ter de em alturas "crescer" perante a possibilidade de ver a irmãzinha magoar-se, uma mãe hospitalizada, uma vizinha ou familiar que os "ajuda". Mas mostram desenvolvimentos e resoluções completamente diferentes, como se quisessem dizer: aqui está o mundo mágico que imaginamos em crianças (O Meu vizinho Totoro), aqui está o mundo real (Grave of Fireflies).
O meu conselho: vejam este filme. Se quiserem ver também o Grave of Fireflies façam-no primeiro.

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achei a personagem da Mei irritante, só desejava que ela morresse no final para que eu passasse a gostar dela, e o filme em si é um pouco aborrecido! Miyazaki tem filmes muito melhores, não percebo como este é considerado muitas vezes o melhor dele!
... ) a versão original legendada a português do





