Passatempo de Cinema - V

Tópicos que envolvam mostras de imagens de/sobre filmes
User avatar
azert
Edição Única
Posts: 2705
Joined: 14 Sep 2007 12:30
Location: Braga
Contact:

Re: Passatempo de Cinema - V

Postby azert » 27 Mar 2009 17:38

QUE gracinha! :dry:

Como seria de esperar, as que reconheci eram as que já foram identificadas. :rolleyes: (Entretanto já percebi que estas últimas imagens eram um encore).
Image Image

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14973
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: Passatempo de Cinema - V

Postby Samwise » 27 Mar 2009 17:46

azert wrote:QUE gracinha! :dry:


Esta foi por causa do coto... :lol2:
Sam
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

Pedro Farinha
Edição Única
Posts: 3298
Joined: 03 Apr 2005 00:07
Contact:

Re: Passatempo de Cinema - V

Postby Pedro Farinha » 27 Mar 2009 18:30

Samwise wrote:Este passatempo foi fácil em demasia, considerando o tempo que esteve activo - a razão foi que não houve um bloco central no que respeita a dificuldade. Eram quase todas fáceis (o Pedro acertou logo muitas... :tongue:) e só havia duas ou três mais difíceis.

Sam


Protesto !! Só eu é que posso gozar com a minha própria ignorância.

User avatar
azert
Edição Única
Posts: 2705
Joined: 14 Sep 2007 12:30
Location: Braga
Contact:

Re: Passatempo de Cinema - V

Postby azert » 27 Mar 2009 18:42

Samwise wrote:
azert wrote:QUE gracinha! :dry:


Esta foi por causa do coto... :lol2:
Sam


O "vale a perna ver"? :rofl2:
Image Image

User avatar
annawen
Livro Raro
Posts: 1953
Joined: 18 Jan 2006 11:34
Location: Gaia
Contact:

Re: Passatempo de Cinema - V

Postby annawen » 27 Mar 2009 19:55

Samwise wrote:
annawen wrote:
Samwise wrote:E pensar que a culpa disto tudo é da Annawen. :lol2:

MINHA???!!!!!!!!


Sim. Houve queixas numa das tertúlias, a propósito de acertares quase tudo, de modos que quando chegava a vez dos outros já só havia umas migalhitas... :biggrin:

Então sugeri colocar um pré-aviso de publicação, coisa que foi bem recebida na altura - mas parece que não está a funcionar lá muito bem.


Oh pá, se era por causa disso, fazíamos como nos jogos de futebol dos putos, eu dava um tempo de avanço. :devil:

O filme tem muitas particularidades relevantes, para além do seu valor global. De certo modo subverte algumas das regra do próprio noir-genre. Há mais uns três ou quatro filmes do Lang neste período - e neste género - que estão bem cotados...


Eu diria que todos os filmes do Lang estão bem cotados.


Acho que estás a precisar de ver o filme outra vez :mrgreen4nw: - desta feita pondo de parte que é um libelo anti-McCarthy. O filme vale muito mais do que essa simples alegoria - o Hawks e o Wayne, e para além do já referida militância pró-McCarthy, passaram-se os dois porque não gostaram de ver um Xerife a pedinchar por ajuda porta a porta, ainda para mais quando o assunto em questão era só com ele. Para eles, essa era uma demonstração de cobardia que não devia ser mostrada ao povo americano. Mais ainda quando essa suposta cobardia encontrava reciprocidade a cada renúncia que era dada a Cooper. E no final de contas a coragem do homem sobrepõe-se a isto tudo. É também interessante ver como o grande mito americano é desfeito pedaço a pedaço, com uma forte carga de desprezo ao longo de todo o filme. (também por isto vale a pena ver esta obra - que foi corajosa ao apresentar a provocação).

Mas há muito mais a ter em conta: o estilo minucioso e perfeccionista das filmagens; as soberbas interpretações, numa galeria de personagens inesquecível e com uma componente feminina muito sui generis; a dinâmica na construção do suspense - com a espera ao fora-da-lei que está para chegar no comboio do meio-dia em primeiro plano- e o deambular de Cooper, meio sem rumo, pela cidade; a gestão da noção de tempo, sempre pautada pelos planos dos relógios (o suspense adensa-se a cada um desses planos, à medida que a hora fatal se aproxima), e a forma como o "tempo da intriga" é praticamente o mesmo que o "tempo do espectador" - fazendo com que o desespero do Cooper seja sentido do lado de cá no ecrã. Esta vontade de "realismo" é acompanhado por pequenos pormenores que fazem toda a diferença: os grandes planos do rosto do Xerife, com o suor do medo bem visível; e as nódoas negras, o sangue, e os ossos magoados nas mão, sinais que persistem depois de uma luta de punhos.

A sério - tens mesmo de rever o filme com outros olhos. Pode ser que este intervalo tempo te faça mudar a ideia que tens.



Tudo razões mais que esmiuçadas pelos críticos deste filme. A cena do relógio, o tempo, o Gary Cooper sozinho, a construção do suspense, os grandes planos: tudo convencional. Será que um filme é mais realista, por ser mais lento? Ou mais profundo? (Uma falácia que em que muitos cineastas incorrem)? Para mostrar a passagem do tempo é necessário recorrer-se ao plano dos relógios. Não será isso uma solução óbvia e banal? Vê o início de "Era uma vez no Oeste" e as soluções que o Sergio Leone arranjou para criar suspense. Não têm nada a ver. Uma das razões porque não me apetece discutir o filme, é porque isto já foi feito, e refeito. Se pegares num "Cinéfilo" dos anos 60 vais ver as grandes discussões que este filme suscitou. Desculpa dizer-te isto Sam, mas este filme está para lá de desacreditado.

Em relação à suposta coragem da obra: Não a encontro, sinceramente. Por o Gary Cooper estar sozinho mas não encontrar nenhuma ajuda porque toda a gente está com medo? E depois? O que é que isto quer dizer? Que, no fundo, as pessoas estão sozinhas? Não será isto um lugar comum?

Um filme que é um ataque mortal à América no tempo de McCarthy é "Johnny Guitar". Neste não há concessões em parte alguma. Talvez por isso tenha sido um fracasso.

Quanto ao Howard Hawks: Até podes ter razão, em relação a ser de direita. Não sei. Sei quais as posições do John Wayne, mas não as do Howard Hawks. Mas não me custa a acreditar que fossem as mesmas. Reconheço que a personagem do Gary Cooper está a milhas dos homens hawksianos, mas quando a resposta é um filme como o "Rio Bravo", então... Pensando bem, aqui está uma qualidade de "O Comboio...", ter dado origem à obra-prima que é "Rio Bravo".

User avatar
Thanatos
Edição Única
Posts: 13870
Joined: 31 Dec 2004 22:36
Contact:

Re: Passatempo de Cinema - V

Postby Thanatos » 27 Mar 2009 20:06

annawen wrote:(...)

Um filme que é um ataque mortal à América no tempo de McCarthy é "Johnny Guitar". Neste não há concessões em parte alguma. Talvez por isso tenha sido um fracasso.
(...)



Com um bocadinho de jeito a outra face da medalha seria o Invasion of the Body Snatchers do Don Siegel, que parece defender os ideais anti-comunas do McCarthy.

E agora estou a ver: vocês deixaram de discutir no outro tópico e passaram-se para este aqui. :tongue:
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!

User avatar
annawen
Livro Raro
Posts: 1953
Joined: 18 Jan 2006 11:34
Location: Gaia
Contact:

Re: Passatempo de Cinema - V

Postby annawen » 27 Mar 2009 20:30

Thanatos wrote:Com um bocadinho de jeito a outra face da medalha seria o Invasion of the Body Snatchers do Don Siegel, que parece defender os ideais anti-comunas do McCarthy.


Adoro esse filme. Bem melhor do que os remakes.

E agora estou a ver: vocês deixaram de discutir no outro tópico e passaram-se para este aqui. :tongue:


Lol! Convém ir mudando de lugar :biggrin:

User avatar
azert
Edição Única
Posts: 2705
Joined: 14 Sep 2007 12:30
Location: Braga
Contact:

Re: Passatempo de Cinema - V

Postby azert » 27 Mar 2009 21:41

Thanatos wrote:Com um bocadinho de jeito a outra face da medalha seria o Invasion of the Body Snatchers do Don Siegel, que parece defender os ideais anti-comunas do McCarthy.


Lembro-me dum filme bem antiguinho em que os extra-terrestres se apoderavam dos corpos dos humanos e a raça ia sendo, pouco a pouco, substituída (algo não necessariamente negativo :rolleyes: :mrgreen4nw: ). Na altura (na minha pré-adolescência), fartei-me de ter pesadelos com isso! :blush:
Image Image

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14973
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: Passatempo de Cinema - V

Postby Samwise » 27 Mar 2009 22:11

annawen wrote:Tudo razões mais que esmiuçadas pelos críticos deste filme. A cena do relógio, o tempo, o Gary Cooper sozinho, a construção do suspense, os grandes planos: tudo convencional.


É natural que estas razões apareçam mais que esmiuçadas em tudo o que seja referências ao filme, porque, para bem ou para mal, para quem tenha adorado ou para quem tenha detestado, são a essência do filme.

Não concordo nada com essa do "tudo convencional". Nada, mas absolutamente nada, é convencional neste filme - antes pelo contrário, é um western completamente anti-convenções, apesar do tom propositadamente low-key com que nos é apresentado. Nem sequer entendo como é que alguém acusa o filme de estar construído numa base de mecanismos convencionais. Cheira-me que isso é uma crítica facilitista e pouco cuidada.

Será que um filme é mais realista, por ser mais lento? Ou mais profundo? (Uma falácia que em que muitos cineastas incorrem)? Para mostrar a passagem do tempo é necessário recorrer-se ao plano dos relógios. Não será isso uma solução óbvia e banal?
Não é realista por ser mais lento (ou mais profundo). Aproxima-se é do espectador por fazer coincidir o passar do tempo de narração com o passar do tempo real. A noção de realismo temporal, aqui, é levada ao extremo no que concerne a criar tensão e apreensão no espectador, que vê o tempo a passar ao ritmo a que está normalmente habituado.

Por outro lado, o realista a que me referia era o caso do registo do medo na pele do homem. Até o próprio medo sentido pelo herói é, de certa forma, um sentimento mais realista de alguém que está naquelas condições, ao contrário dos personagens normalmente interpretadas pelo Wayne, que não vacilam perante nada. Há até uma das linhas do filme em que perguntam ao Cooper se ele está com medo, e ele responde que sim! :laugh:


Para mostrar a passagem do tempo é necessário recorrer-se ao plano dos relógios. Não será isso uma solução óbvia e banal?Vê o início de "Era uma vez no Oeste" e as soluções que o Sergio Leone arranjou para criar suspense. Não têm nada a ver.


O "não têm nada a ver" aplica-se bem à situação, uma vez que no início do Aconteceu no Oeste o que estava a ser filmado era um genérico, e não um filme de uma hora e meia. Mais, penso que esse genérico podia até ser uma homenagem à forma como o High Noon está construído - temos três homens à espera de um comboio que teima em não aparecer.

Esse compasso de espera está notável no que concerne a marcar o momento de tensão (e de alívio dela), é certo, mas a cena dura cinco minutos, se tanto. Usares do Leone para desacreditar o Zinnemann não é boa ideia - o cinema de ambos anda em polos opostos no que toca a abordagem ao género.

Os relógios serão uma solução óbvia e banal? A questão é que sem recorreres aos relógios não poderias, de forma alguma, aproximar os dois espaços temporais - o da intriga e o do espectador. Nesse sentido, não vejo nada de banal. E talvez também que desde então para cá muitos outros filmes tenham contribudo para banalizar esse mecanismo. O facto é que os relógios são emblemáticos neste filme.

Uma das razões porque não me apetece discutir o filme, é porque isto já foi feito, e refeito. Se pegares num "Cinéfilo" dos anos 60 vais ver as grandes discussões que este filme suscitou.
Esta ordem de ideias aplica-se a tudo o que é filme polémico. Já foram para lá de discutidos. Mas o que é que nos impede a nós de o discutir à nossa maneira, segundo os nossos pontos de vista, aqui no fórum? Não me interessa muito o que se tenha passado nessas outras discussões - há-de ter havido os defensores e os detractores, como em tudo o que é polémico, mas o que mais me interessa é o que eu achei do filme e o que tu achaste do filme (e o que outros frequentadores do fórum possam ter achado, já agora). O resto é conversa de fundo...

Desculpa dizer-te isto Sam, mas este filme está para lá de desacreditado.

É estranho então que continue a aparecer na lista do AFI em segundo lugar no género western e que continue a ser aclamado, por gente creditada, como um dos melhores westerns de sempre.
Claro que foi desacreditado - por quem não gostou dele. :mrgreen4nw:
E foi aclamado, e continua a ser, por todos os que gostaram.

Em relação à suposta coragem da obra: Não a encontro, sinceramente.
Coragem na abordagem, porque corria o risco de ser recebida da maneira que acabou por ser, por exemplo, por parte do Wayne e do Hawks, ainda por cima no clima frio da caça às bruxas. Também por encenar um oeste americano descontextualizado daquilo que os americanos estavam habituados a ver, em que o medo acaba por ser um dos pilares que permite separar heróis de cobardes, mesmo que há custa de um agonizante processo de "examinação" interior.

Por o Gary Cooper estar sozinho mas não encontrar nenhuma ajuda porque toda a gente está com medo? E depois? O que é que isto quer dizer? Que, no fundo, as pessoas estão sozinhas? Não será isto um lugar comum?


Não vejo as coisas dessa forma. Não é que as pessoas, no fundo, estão sozinhas, é antes que as pessoas, quando confrontadas com situações extremas acabam por conseguir distinguir quem são os amigos verdadeiros e quem são os falsos, e conseguem por à prova os seus próprios valores, porventura de maneira transparente.

Um filme que é um ataque mortal à América no tempo de McCarthy é "Johnny Guitar". Neste não há concessões em parte alguma. Talvez por isso tenha sido um fracasso.
Não vi. Está na pilha... :smile:

Reconheço que a personagem do Gary Cooper está a milhas dos homens hawksianos, mas quando a resposta é um filme como o "Rio Bravo", então... Pensando bem, aqui está uma qualidade de "O Comboio...", ter dado origem à obra-prima que é "Rio Bravo".


Este já vi, e posso comentar. Alguém lhe chamou o "Rolls Royce" dos westerns, algo com o qual até concordo, mas não acho justo colocares o High Noon como relevante apenas porque permitiu originar o Rio Bravo. Mesmo sendo uma resposta do Hawks, os filmes não têm nada em comum.

Acho que estás um bocado presa àquilo que leste de algumas pessoas que não gostarm do filme. Não perdes nada em o voltar a ver, pelo menos tendo em conta que já foi há um tempo. Se voltares a não gostar, não te chateio mais (scout's honour :mrgreen4nw:). Há sequências inesquecíveis que não consigo tirar da cabeça - acho que neste momento é o meu western de eleição, passando por cima dos do Leone.

Já mencionei que achei o High Noon um filme perfeito? :devil:

E ainda acrescento: ver a Grace Kelly neste filme é melhor do que ver a Ingrid Bergman no Casablanca... :joker: :hypocrite:


Thanatos wrote:E agora estou a ver: vocês deixaram de discutir no outro tópico e passaram-se para este aqui. :tongue:


Assim é que é! Pega-se num detalhe e discute-se à exaustão. E acaba por não ser off-topic em nenhum dos lados.

Sam
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -


Return to “Fotogramas”




  Who is online

Users browsing this forum: Bing [Bot] and 2 guests

cron