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Tambores na noite

Posted: 22 Jan 2011 01:59
by Pedro Farinha
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De Bertold Brecht
Encenação de Nuno Carinhas

Anna aguardou durante quatro longos anos pelo regresso do seu amado, Andreas Kragler, que partira para a Grande Guerra, mas ao fim desse tempo, pressionada pelos pais, decide a aceitar o noivado com Murk, um burguês que enriqueceu à conta do fabrico de munições.

Mas a guerra terminou, existem sublevações nos bairros operários controladas pelo movimento esparquista, e Andreas regressa à Alemanha, marcado pelos anos passados na prisão na Argélia, e encontra Anna noiva de Murk deixando os pais desta furiosos com o seu regresso.

A peça desenvolve-se entre este drama familiar e o colectivo da cidade em que explosões e o som da internacional funcionam como pano de fundo. Pelo meio ficam alguns momentos onde a narrativa se quebra e há um piscar de olho directo ao público, em que os actores encarnam esse papel, o de actores e se mostram enquanto tal à audiência.

Os momentos dramáticos intercalam-se com o humor, o amor com a raiva e a fraternidade com a tensão entre os personagens. Toda a peça vive destes contrastes.

Gostei muito. Achei as actuações e o entrosamento entre os actores fantástico, bem como o ritmo e o desenho de luzes e musical.

Re: Tambores na noite

Posted: 25 Jan 2011 18:06
by Samwise
Tudo bem que a peça original em que foi baseada esta interpretação pode ser muito importante, mas sem um conjunto de actores capazes de dar vida (e, mais do que isso, vivacidade) às personagens, nada feito.

É precisamente isso que acontece nesta encenação. Uma grande equipa de intérpretes, perfeitamente sincronizados e "encaixados" na trama narrativa, iluminam uma peça de Bertolt Brecht que remonta à realidade do pós-guerra de 1914-18 na Alemanha.

Não sou entendido em teatro, mas pareceu-me que houve um toque de modernismo a envolver a abordagem, não só na proximidade das personagens com a plateia em alguns momentos, como o Pedro referiu, mas também nos cenários, na expressão alternativa (ao teatro) de certos momentos, nos trechos musicais escolhidos (há a "Cavalgada das Valquírias" e a banda sonora de "Lawrence of Arabia" à mistura) e na radicalidade de algumas interpretações, com relevo para o papel principal, Andreas Kragler, a cargo de Paulo Freixinho.

Também gostei muito. Esteve perto da perfeição.

Ver um vídeo sobre a peça