O Doente Imaginário - Molière

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Sofiushka
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O Doente Imaginário - Molière

Postby Sofiushka » 01 Jul 2012 20:26

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Le Malade Imaginaire (1673)
Molière
Comédia
7 Junho a 1 Julho 2012 no Teatro Nacional de São João

Tive a feliz oportunidade de conseguir ir assistir a esta peça no último dia em cena. Há já muitos anos, era eu miudita, lembro-me de a ver, já não sei onde nem em que contexto, e recordo-me apenas de uma grande cama de quatro colunas no cenário. O enredo ficou-me também na memória e ficou-me desde então o desejo de rever a peça. Passados tantos anos, ia-me escapando esta oportunidade, mas fiquei felicíssima por ter podido ir assistir.

O enredo é muito simples: um velho rico, Argão, é hipocondríaco e venera os médicos e os boticários. Surge-lhe a oportunidade de casar a sua filha mais velha, Angélica, com o sobrinho do seu médico de eleição, que também é filho de outro médico e a caminho de se tornar médico ele próprio. Isto com o intuito de ter a facilidade de um médico na família, e, por isso, sempre à sua disposição. Mas Angélica pretende casar-se com Cleanto e, com a ajuda da criada Tonieta, tenta libertar-se do compromisso arranjado pelo pai. Junte-se um tio que critica acérrimamente os médicos e a própria Medicina, e uma esposa interesseira e está o caldo servido.

A obra ficou célebre por ter sido encenada com o próprio Moliére no papel de Argão, o qual, por se encontrar já muito debilitado pela tuberculose, colapsara em palco e acabaria por falecer em casa logo de seguida.

A encenação levada a cabo no TNSJ foi da autoria do grupo Ensemble - Sociedade de Actores, e contou com Jorge Pinto no papel de Argão e Emília Silvestre no papel de Tonieta. Esta dupla não poderia ter sido melhor escolhida - Jorge Pinto imprime a Argão a debilidade que o inválido imaginário julga sentir a todo o momento perfeitamente conjugada com a força e a teimosia que vem ao de cima na sua personalidade de patriarca inflexível; Emília Silvestre como criada atrevida tem um timing cómico afinadíssimo e uma química maravilhosa com Jorge Pinto. O restante elenco, a trabalhar lado a lado com a tour de force que são os outros dois, aguentou-se firmemente e destaco as prestações de Miguel Eloy como o desesperado Cleanto, Clara Nogueira como a falsa Belina e António Parra como o untuoso Tomás Diaforético. Não desfazendo os restantes, estes três tinham uma presença em palco que compunha na perfeição a personagem mesmo quando estavam relegados para o fundo do cenário. Em suma, se, por um lado, não me saíram goradas as espectativas, por outro ficou uma excelente impressão desta pequena companhia e a vontade de os voltar a ver em palco numa próxima oportunidade.



Encenação - Rogério de Carvalho e Emília Silvestre

Argão - Jorge Pinto
Tonieta - Emília Silvestre
Dr. Diaforético - António Durães
Belina - Clara Nogueira
Beraldo - Fernando Moreira
Dr. Purgário, Senhor Boafé - João Castro
Angélica - Vânia Mendes
Cleanto - Miguel Eloy
Tomás Diaforético - António Parra
Senhor Flatêncio - Ivo Luz
Luisinha - Marta Dias

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