Freaks - Tod Browning

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annawen
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 11 Mar 2010 14:20

Samwise wrote:O actor chama-se Harry Earles.

Que segundo percebi pelo comentário, também é um dos anões do "feiticeiro de Oz". Os da "Lollipop Guild".

Annawen, só de digo uma coisa: faz com que os próximos filmes que vejas sejam este e o The Unknown. Não te vais arrepender. Até estou com curiosidade para ver o que fazes deles. Ouvimos falar tanto do Browning por causa do Dracula e do Freaks, mas depois há outras pérolas que ficam votadas ao esquecimento, infelizmente. Tu ainda por cima gostas do Lon Chaney... ^_^


Está em andamento, Sam. Está em andamento. ;)

O fixe destes ciclos é que estou a ver filmes novos.

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Samwise
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Samwise » 11 Mar 2010 15:39

annawen wrote:O fixe destes ciclos é que estou a ver filmes novos.


Ora.

(e alguns deles até passam por bons... :mrgreen: )

Annawen, só de digo uma coisa: faz com que os próximos filmes que vejas sejam este e o The Unknown. Não te vais arrepender. Até estou com curiosidade para ver o que fazes deles. Ouvimos falar tanto do Browning por causa do Dracula e do Freaks, mas depois há outras pérolas que ficam votadas ao esquecimento, infelizmente. Tu ainda por cima gostas do Lon Chaney... ^_^


Está em andamento, Sam. Está em andamento. ;)


Há imagens e rostos que depois dificilmente esquecerás...

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Ainda estou meio perturbado pelo que vi no The Unknown. Consegue se mais demente que o Freaks na transmissão da mensagem: "a verdadeira aberração está no intelecto". Há diálogos (mostrados por texto, já que o filme é mudo) e momentos que passam tangentes à loucura.

O outro é bastante mais leve. Um misto de heist-movie com melodrama, com muito humor pelo meio... ^_^
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 11 Mar 2010 23:06

Bem, já acabei de ver o comentário e fiquei a saber algumas coisas interessantes:

1. A censura queria cortar o plano em que se vê a Cleo pôr o veneno na garrafa de champanhe. Motivo: os espectadores ficavam assim a saber como se envenena uma pessoa. (e há o pormenor dela ter começado a envenená-lo antes da noite de núpcias).

2. Os "monstros" ficaram hospedados num dos melhores hotéis da cidade, mas não puderam, com excepção dos anões, comer juntamente com o resto do pessoal do estúdio. A MGM mandou montar uma tenda à entrada e era nessa tenda que eles comiam. Há um conto do Scott Fitzgerald (na altura ele era argumentista em Hollywood) que se refere aos "freaks". O escritor, mais tarde, disse que tinha vomitado quando viu as gémeas siamesas a comer.

3. Afinal não estava muito errada por referir a Diane Arbus. O historiador disse que ela viu "Freaks" no início da carreira e que o filme a inspirou para tirar fotografias a marginais e aberrações.

Uma coisa que o filme não é: não tenta ter piedade dos "monstros". Não existe aqui o sentimentalismo do coitadinho, a piedade hipócrita que disfarça o preconceito atrás de supostos bons sentimentos. Nesse pecado o Browning não caiu. Estas pessoas sabem safar-se muito bem sozinhas como o filme mostra.

A cena da perseguição é fantástica. Os "monstros" a olharem, debaixo das carroças. A arrastarem-se pela lama. Uma coisa muito feérica. Deixo 3 fotogramas:

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Thanatos » 11 Mar 2010 23:35

annawen wrote:(...)
2. Os "monstros" ficaram hospedados num dos melhores hotéis da cidade, mas não puderam, com excepção dos anões, comer juntamente com o resto do pessoal do estúdio. A MGM mandou montar uma tenda à entrada e era nessa tenda que eles comiam. Há um conto do Scott Fitzgerald (na altura ele era argumentista em Hollywood) que se refere aos "freaks". O escritor, mais tarde, disse que tinha vomitado quando viu as gémeas siamesas a comer.
(...)



Eu bem tinha a ideia que o Fitzgerald era uma flor-de-estufa. <_<

Mas em certa medida até o compreendo. Ver este filme provoca algum desconforto. Se isso varia de pessoa em pessoa é bem provável. A minha vaga sensação de repulsa (e note-se que esta já deve ser a terceira ou quarta vez que vejo o filme) de certa forma é algo que me desgosta mas que sinto ao mesmo tempo que me é inerente. E fico a pensar se não seria essa uma das intenções de Browning. Fazer descobrir em nós até que ponto somos ou não tolerantes. Veja-se por exemplo uma das cenas iniciais em que os pinheads se divertem na propriedade dum latifundiário... o diálogo entre ele e o capataz é interessante por apresentar uma perspectiva não esclarecida e uma um pouco mais bem informada. Pelo meu lado eu pendo para a «pouco mais informada» tendo perfeita noção que muito provavelmente teria a mesma reacção que Fitzgerald.
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 12 Mar 2010 00:26

Esta é a 3ª vez que vejo o filme e já não sinto grande desconforto. Não sinto nenhum, para ser sincera. Isso não quer dizer que não sentiria se visse estas pessoas ao vivo. Se bem que as siamesas não sejam das mais "extraordinárias". A primeira vez que vi senti um misto de fascínio e desconforto, mas este desconforto nasceu do facto de estar a ver pessoas reais, com deformidades reais. Quer dizer pus-me a pensar se realmente seria ético da minha parte estar tão fascinada por ver deformidades. O filme obriga a reflectir sobre o nosso próprio olhar, como disse anteriormente.

O engraçado é a opinião que estas pessoas tiveram do filme. Por exemplo a mulher-barbada e o anão que vê a Cleo colocar o veneno acharam o filme uma exploração. Enquanto que o rapaz que não tem pernas gostou da experiência e do filme. Isto segundo o historiador. Não acho que o filme tenha a intenção de explorar estas pessoas da mesma forma que um "Circo de Horrores", por exemplo. Mas, por causa da câmara, é um filme que levanta alguns problemas, como já disse. De qualquer forma, todas estas pessoas trabalhavam em circos e viviam da exposição das suas deformidades. Só que, neste caso, tiveram muita publicidade. E alguma dela não muito agradável. Havia jornais que lhes chamavam sub-humanos e coisas desse género.

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Samwise » 12 Mar 2010 12:00

annawen wrote:Uma coisa que o filme não é: não tenta ter piedade dos "monstros". Não existe aqui o sentimentalismo do coitadinho, a piedade hipócrita que disfarça o preconceito atrás de supostos bons sentimentos. Nesse pecado o Browning não caiu. Estas pessoas sabem safar-se muito bem sozinhas como o filme mostra.


Não sei se concordo muito com isto...

Todo o texto inicial, embora não seja propriamente sentimentalista, apela um pouco à "empatia para com a desgraça" - e aquela "musiquinha" que o acompanha ajuda a criar esse ambiente.

E a tal cena do proprietário do terreno também vai pelo mesmo caminho: as palavras da senhora, "eles são como crianças (alguns deles nunca deixarão de ser crianças)", e o abraço que eles criam à sua volta dão a intender que são indefesos e que necessitam de orientação e compreensão.

Claro que isto contrasta fortemente com o que se passa a partir do banquete de casamento. Uma das mesmas "crianças" que vimos a abraçar a velha no início é a mesma que aparece nas imagens que colocaste, de faca não mão, pronta para a matança...

A cena da perseguição é fantástica. Os "monstros" a olharem, debaixo das carroças. A arrastarem-se pela lama. Uma coisa muito feérica.


Acho que aí dão todo o sentido à palavra "monstros" - os seres que vivem na obscuridade, "debaixo das coisas", no submundo, e que de vez em quando sobem à superfície para castigar os humanos.
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 12 Mar 2010 16:54

Samwise wrote:Todo o texto inicial, embora não seja propriamente sentimentalista, apela um pouco à "empatia para com a desgraça" - e aquela "musiquinha" que o acompanha ajuda a criar esse ambiente.


Isto já tem a ver com pontos de vista. Não acho que o filme apele à empatia para com a desgraça. O que acontece, pelo menos comigo, é que uma pessoa se põe a pensar como seria viver assim... sem pernas, etc. Por exemplo, como é viver sem pernas e sem braços, como o caso do "homem-tronco"? Como se consegue ter uma vida que possua alguma normalidade? E no entanto, fiquei a saber no comentário que o "homem-tronco" (que nasceu mesmo sem pernas e braços) tinha mulher e filhos. Foram este tipo de perplexidades que me passaram pela cabeça quando vi o filme pela 1ª vez. E claro que fiquei impressionada pelos "pin-heads", mas porque as deficiências mentais sempre me impressionam muito.

E a tal cena do proprietário do terreno também vai pelo mesmo caminho: as palavras da senhora, "eles são como crianças (alguns deles nunca deixarão de ser crianças)", e o abraço que eles criam à sua volta dão a intender que são indefesos e que necessitam de orientação e compreensão.


Eu penso que ele se está a referir aos "pin-heads" em particular, não aos "freaks" todos.

Claro que isto contrasta fortemente com o que se passa a partir do banquete de casamento. Uma das mesmas "crianças" que vimos a abraçar a velha no início é a mesma que aparece nas imagens que colocaste, de faca não mão, pronta para a matança...


Daí ser uma imagem tão forte.

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Anibunny » 12 Mar 2010 17:26

Acabei de ver agora :) Vocês metem-se para aí a falar e a gente fica intimidada :( Gostei muito do filme, achei-o bonito e concordo com a annawen: sentimo-nos divididos. Não sinto que aquelas pessoas eram coitadinhas, mas sim singulares. A verdadeira freak é a Cleo, que não só é pérfida como hipócrita e falsa. A cena da perseguição é arrepiante :) mas no bom sentido.

O fim (quando se vê em que Cleo se transformou) é estúpido... estúpido não no sentido prejurativo mas sim non-sense. Não fiquei chocada por vê-la metade galinha com cabeça de mulher. Pensei que ia vê-la toda desfigurada, mas isso talvez fosse demasiado para a época. Em 2010 dá vontade de rir. :pipoca:

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 13 Mar 2010 14:17

Anibunny wrote:Não fiquei chocada por vê-la metade galinha com cabeça de mulher. Pensei que ia vê-la toda desfigurada, mas isso talvez fosse demasiado para a época. Em 2010 dá vontade de rir. :pipoca:


:see_stars: Pode ser de mim, mas rir da mulher foi uma coisa que nunca me passou pela cabeça.

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Bubbles » 15 Mar 2010 01:11

Ok, demorei um bocado a conseguir digerir este filme, porque me pareceu que as duas partes principais - a vida diária dos freaks e o ataque a Cleo - se contradiziam.

Se por um lado na parte da vida diária os freaks eram retratados como pessoas comuns, e temos vários momentos em que isso e bem frisado, o ataque a Cleo foi filmado de forma a parece muito mais animalesco que humano. Nao estou a dizer que uma pessoa dita normal não seria capaz de fazer o mesmo que os freaks fizeram, mas a forma como foi filmado pareceu-me apontar muito mais para o instinto animal - o rastejar na lama, as expressões faciais...

Ainda estou a tentar perceber porque esta mudança súbita de visão :unsure:

Tive muita pena que o filme tivesse sido retalhado. A narrativa não e realmente tão fluida com os cortes. Quando acabei de ver senti a distinta sensação que ficou muita coisa por contar.
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 15 Mar 2010 01:31

Bubbles wrote:Ainda estou a tentar perceber porque esta mudança súbita de visão :unsure:


Talvez o facto do filme ter sido considerado, e promovido, como um filme de terror, tenha alguma coisa a ver com isso. A MGM quis responder ao sucesso que a Universal estava a ter com os filmes de terror, produzindo um. Para isso foi buscar o realizador de "Drácula", Todd Browning. O produtor responsável foi o Irving Thalberg, um dos produtores mais influentes na altura.

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Bubbles » 15 Mar 2010 01:38

annawen wrote:
Bubbles wrote:Ainda estou a tentar perceber porque esta mudança súbita de visão :unsure:


Talvez o facto do filme ter sido considerado, e promovido, como um filme de terror, tenha alguma coisa a ver com isso. A MGM quis responder ao sucesso que a Universal estava a ter com os filmes de terror, produzindo um. Para isso foi buscar o realizador de "Drácula", Todd Browning. O produtor responsável foi o Irving Thalberg, um dos produtores mais influentes na altura.


Mas para isso porque a humanização dos freaks na primeira parte? Para aumentar o choque da segunda? E um bocado cruel.
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 15 Mar 2010 13:02

Bubbles wrote:Mas para isso porque a humanização dos freaks na primeira parte? Para aumentar o choque da segunda? E um bocado cruel.


Aqui já entram os interesses e as particularidades do imaginário do Todd Browning.

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Samwise » 15 Mar 2010 14:18

Anibunny wrote: Vocês metem-se para aí a falar e a gente fica intimidada :(


Não é razão para tanto. Intimidada com o quê? Com não haver consenso ou concordância com aquilo que dizem? Mas essa é uma das vias para gerar uma boa discussão - o haver vários pontos de vista sobre os assuntos, ou sobre a valia dos filmes.

Agora fiquei a imaginar o urukai escondido atrás da porta, a tremer de medo em vir aqui dizer que detestou o filme... :mrgreen:


annawen wrote:
Anibunny wrote:Não fiquei chocada por vê-la metade galinha com cabeça de mulher. Pensei que ia vê-la toda desfigurada, mas isso talvez fosse demasiado para a época. Em 2010 dá vontade de rir. :pipoca:


:see_stars: Pode ser de mim, mas rir da mulher foi uma coisa que nunca me passou pela cabeça.


A mim teve o efeito que teve como a Ani, deu-me vontade de rir. Considerei a cena como mais um gag - um que é inserido directamente no culminar fase mais soturna do filme e que à conta dessa particularidade resulta quase como uma crueldade para o espectador - tipo: rio-me ou não?

O que não vejo é que a apresentação de uma mulher toda desfigurada (em contraponto à "mulher-galinha") fosse "algo demasiado para a época", já que o filme todo faz questão de esfregar bem na cara dessa época uma série de deformações físicas arrepiantes.
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Anibunny » 16 Mar 2010 01:47

O que não vejo é que a apresentação de uma mulher toda desfigurada (em contraponto à "mulher-galinha") fosse "algo demasiado para a época"


Por isso mesmo :( Achei um pouco desenquadrado, supostamente um filme cheio de "freaks" e no fim uma mulher metade galinha, mas com a cara igual. Talvez haja também uma pressuposição para o humor ou para o ridículo, depois de um filme tão "pesado".


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