Freaks - Tod Browning

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Bubbles » 16 Mar 2010 13:56

annawen wrote:
Bubbles wrote:Mas para isso porque a humanização dos freaks na primeira parte? Para aumentar o choque da segunda? E um bocado cruel.


Aqui já entram os interesses e as particularidades do imaginário do Todd Browning.


Certo. Tu que és informada sobre cinema, por acaso não encontraste nenhum material que referisse isso? Quando tiver um bocado tenho de ver se pesquiso um bocado sobre o assunto ;)

Anibunny wrote:
O que não vejo é que a apresentação de uma mulher toda desfigurada (em contraponto à "mulher-galinha") fosse "algo demasiado para a época"


Por isso mesmo :( Achei um pouco desenquadrado, supostamente um filme cheio de "freaks" e no fim uma mulher metade galinha, mas com a cara igual. Talvez haja também uma pressuposição para o humor ou para o ridículo, depois de um filme tão "pesado".


Eu também me ri nessa cena, mas agora que penso nisso melhor... Sera que fazia realmente sentido torna-la numa freak como todos os outros, real, quando ela se recusou a ser aceite na sociedade deles? Ou faz mais sentido torna-la em algo diferente deles? ;)
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 16 Mar 2010 15:05

Bubbles wrote:Certo. Tu que és informada sobre cinema, por acaso não encontraste nenhum material que referisse isso? Quando tiver um bocado tenho de ver se pesquiso um bocado sobre o assunto ;)


Bem, eu sei alguma coisa sobre algum cinema. No caso do Todd Browning, este foi o único filme dele (ainda estou a ver o "Unknown") por isso não tenho conhecimentos para falar sobre a estética dele. O que eu disse foi o que presumi dos comentários no DVD. Se tiveres o DVD, lê os comentários que te irão ajudar. Sei que ele fugiu de casa para se juntar a um circo. Talvez venha daí a fascinação por estas pessoas. E trabalhou com o Lon Chaney, um actor especialista em fazer personagens com algum tipo de deformidade. Se o Chaney não tivesse morrido entretanto, teria sido dele o papel de Drácula.

Eis o que diz o David Thomson sobre o realizador e "Freaks": [...] he returned to MGM to make his masterpiece, Freaks, an allegory on the antagonism between the beautiful and the damned, and an inexplicably harrowing insight from the studio of so much glamour. A commercial flop, and widely banned, Freaks now seems less a horror picture than an indictement of the cult of attrativeness.

Eu também me ri nessa cena, mas agora que penso nisso melhor... Sera que fazia realmente sentido torna-la numa freak como todos os outros, real, quando ela se recusou a ser aceite na sociedade deles? Ou faz mais sentido torna-la em algo diferente deles? ;)


Eles tornaram-na assim por vingança. É também um acto de ironia. Ela que gozava com eles, tornou-se um deles. Aliás, menos do que eles, porque ela se tornou uma imbecil. Numa das cenas que foram cortadas, uma das personagens diz para as outras, referindo-se à Cleópatra: "Ainda bem que ela não se apercebeu do que aconteceu". Enquanto que os outros sabem o que são, ela não. Deixou sequer de ser humana, pois perdeu completamente a identidade. Uma vingança terrível. Muito mais terrível se a tivessem desfigurado. Não vejo onde está o humor.

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Bubbles » 16 Mar 2010 16:27

annawen wrote:Bem, eu sei alguma coisa sobre algum cinema. No caso do Todd Browning, este foi o único filme dele (ainda estou a ver o "Unknown") por isso não tenho conhecimentos para falar sobre a estética dele. O que eu disse foi o que presumi dos comentários no DVD. Se tiveres o DVD, lê os comentários que te irão ajudar. Sei que ele fugiu de casa para se juntar a um circo. Talvez venha daí a fascinação por estas pessoas. E trabalhou com o Lon Chaney, um actor especialista em fazer personagens com algum tipo de deformidade. Se o Chaney não tivesse morrido entretanto, teria sido dele o papel de Drácula.

Eis o que diz o David Thomson sobre o realizador e "Freaks": [...] he returned to MGM to make his masterpiece, Freaks, an allegory on the antagonism between the beautiful and the damned, and an inexplicably harrowing insight from the studio of so much glamour. A commercial flop, and widely banned, Freaks now seems less a horror picture than an indictement of the cult of attrativeness.


Pois, não tenho o DVD... os comentários ajudam sempre a entender a obra melhor. Tenho de ver se arranjo o Unknown para ter uma noção melhor dele.


annawen wrote:Eles tornaram-na assim por vingança. É também um acto de ironia. Ela que gozava com eles, tornou-se um deles. Aliás, menos do que eles, porque ela se tornou uma imbecil. Numa das cenas que foram cortadas, uma das personagens diz para as outras, referindo-se à Cleópatra: "Ainda bem que ela não se apercebeu do que aconteceu". Enquanto que os outros sabem o que são, ela não. Deixou sequer de ser humana, pois perdeu completamente a identidade. Uma vingança terrível. Muito mais terrível se a tivessem desfigurado. Não vejo onde está o humor.


Exacto! Eles não a tornaram num freak, tornaram-na em algo menos porque lhe tiraram a humanidade que os freaks sempre tiveram. Um destino bem terrível. Mas isso demorou-me um bocado a perceber, a minha primeira reacção foi rir porque não era de todo o que eu estava a espera.
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Samwise » 16 Mar 2010 16:45

annawen wrote:Eles tornaram-na assim por vingança. É também um acto de ironia. Ela que gozava com eles, tornou-se um deles. Aliás, menos do que eles, porque ela se tornou uma imbecil. Numa das cenas que foram cortadas, uma das personagens diz para as outras, referindo-se à Cleópatra: "Ainda bem que ela não se apercebeu do que aconteceu". Enquanto que os outros sabem o que são, ela não. Deixou sequer de ser humana, pois perdeu completamente a identidade. Uma vingança terrível. Muito mais terrível se a tivessem desfigurado. Não vejo onde está o humor.


O humor nesta cena (e mantenho a convicção de que foi feita com esse propósito) advém de uma particularidade que não mencionas nesta explicação - e que transporta a recém imposta condição de aberração de Cleópatra para terrenos ficcionais. Enquanto todas as outras deformidades são reais, a de Cleópatra não é: o que nos é mostrado não é apenas uma mulher desfigurada, mutilada e sem noção da realidade, o que nos é mostrado é uma mulher galinha, com penas e asas e que até cacareja. É daqui quem vem o humor. Torno a dizer - é um ténue equilíbrio delicado que está a ser ensaiado e que nos confunde as emoções - será que é para rir ou não?

Se bem se recordam, numa cena passada anteriormente também ouvíamos uma galinha a cacarejar - na cena em que o palhaço ensaia uma martelada que lhe faz desaparecer a cabeça e que é uma encenação de um gag humorístico que ocorre dentro da narrativa. Até diria que há algo junta estas duas sequências uma à outra...
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 16 Mar 2010 17:28

Samwise wrote:Torno a dizer - é um ténue equilíbrio delicado que está a ser ensaiado e que nos confunde as emoções - será que é para rir ou não?


É precisamente o facto do filme pedir ao espectador uma reflexão sobre o seu próprio olhar que o torna tão interessante.

O humor nesta cena (e mantenho a convicção de que foi feita com esse propósito) advém de uma particularidade que não mencionas nesta explicação - e que transporta a recém imposta condição de aberração de Cleópatra para terrenos ficcionais. Enquanto todas as outras deformidades são reais, a de Cleópatra não é: o que nos é mostrado não é apenas uma mulher desfigurada, mutilada e sem noção da realidade, o que nos é mostrado é uma mulher galinha, com penas e asas e que até cacareja.


Se a mulher-galinha fosse real e não uma actriz maquilhada, o filme entraria no território do obsceno, na minha opinião. A posição da câmara é claramente uma posição voyeurística (o ponto de vista é o mesmo das pessoas que olham para a mulher), só possível de se suportar por mostrar uma ficção. Não temos planos daqueles em relação às outras personagens.

Se bem se recordam, numa cena passada anteriormente também ouvíamos uma galinha a cacarejar - na cena em que o palhaço ensaia uma martelada que lhe faz desaparecer a cabeça e que é uma encenação de um gag humorístico que ocorre dentro da narrativa. Até diria que há algo junta estas duas sequências uma à outra...


Não me lembro. Tenho que rever. Mas o comentador disse que o Todd Browning tinha uma obsessão pela ligação homem/animal. Há muitas associações ou referências directas a isso ao longo do filme: a mulher-galinha; a "turtle-girl"; várias pessoas assemelham-se a pássaros; a mulher-pássaro que dança em cima da mesa, na noite de núpcias; o Hércules chama ao Hans de insecto, etc.

Na cena do banquete há uma personagem que se chama Alonzo, numa piscadela ao "Unknown". Não sei é se é o homem que engole as espadas, se o que cospe fogo.

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Samwise » 16 Mar 2010 17:55

annawen wrote:Na cena do banquete há uma personagem que se chama Alonzo, numa piscadela ao "Unknown". Não sei é se é o homem que engole as espadas, se o que cospe fogo.


Depois de ver o filme, fiquei com uma perspectiva bem diferente do Browning. O Freaks é um obra perfeitamente enquadrada numa temática que lhe é familiar, até por efeitos da sua vida pessoal, tal como o The Unknown.

Essa do Alonzo é interessante... ^_^

O tipo de engole espadas também entra no The Unholy Three.
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 17 Mar 2010 01:30

Acabei de ver "The Unknown". Uau, a premissa do filme é mesmo doentia. A cena dos cavalos está demais. Deixou-me a gritar para o ecrã.
Grande performance do Lon Chaney. Em especial na cena em que ele descobre que tirou os braços em vão. É de enlouquecer qualquer um.

Quando a Joan Crawford abraça o Alonzo, depois da operação, fiquei, por um momento, com a sensação que ela sabia, desde o início, que o Alonzo tinha braços.

Tinhas razão, Sam. Há caras que não esquecem.

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Samwise » 17 Mar 2010 01:48

annawen wrote:Acabei de ver "The Unknown". Uau, a premissa do filme é mesmo doentia. A cena dos cavalos está demais. Deixou-me a gritar para o ecrã.
Grande performance do Lon Chaney. Em especial na cena em que ele descobre que tirou os braços em vão. É de enlouquecer qualquer um.

Quando a Joan Crawford abraça o Alonzo, depois da operação, fiquei, por um momento, com a sensação que ela sabia, desde o início, que o Alonzo tinha braços.

Tinhas razão, Sam. Há caras que não esquecem.


:mrgreen:

A sequência que me impressionou mais foi mesmo a do teatro, quando ele vai à procurar da Nanon depois da operação. O diálogo, de tal maneira trabalhado e manipulado que está, é de tirar o juízo a qualquer pessoa sã. E o riso de loucura, atormentado e angustiante do Alonzo no final dessa cena... :stars:

Há uma série de caras que o Chaney faz onde tem de aparentar que está a sorrir de contentamento e ao mesmo tempo dar a perceber ao espectador que o sorriso é amarelo - são expressões muito bem encenadas.

É um filme singular (mesmo!) que dá um forte safanão em qualquer espírito mais desprevenido. :devil:

Reparaste naquele efeito de "sarapilheira" que é colocado como um véu sobre a câmara nas cenas com a Nanon e o Hércules?

Um dos paralelos que estabelecem entre o The Unknowne o Freaks é o triângulo amoroso entre um homem deformado, uma mulher "normal" e um "hércules" - todos artistas de circo.
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 17 Mar 2010 02:24

Eu digo-te, a imaginação do Browning é completamente demencial. E esta palavra ganha um novo sentido depois do Alonzo tirar os braços. O filme é que aquece a partir daí.
Ainda estou na fase do Uau!

O diálogo, de tal maneira trabalhado e manipulado que está, é de tirar o juízo a qualquer pessoa sã.

Nanon: "You are thinner, Alonzo! Have you been sick?"
Alonzo: "No not sick... but I have lost some flesh."

E quando ele descobre que a Manon vai casar com o Malabar.

Alonzo: "It just something in here [apontando para o coração] that stung like the lash of a whip."

Reparaste naquele efeito de "sarapilheira" que é colocado como um véu sobre a câmara nas cenas com a Nanon e o Hércules?

Reparei, mas não sei se foi propositado ou se é do desgaste da película. Presumo que seja propositado por só acontecer nas cenas com os dois, mas não sei muito bem qual o significado.

Um dos paralelos que estabelecem entre o The Unknown e o Freaks é o triângulo amoroso entre um homem deformado, uma mulher "normal" e um "hércules" - todos artistas de circo.


A diferença é que ele não era deformado no início, pelo menos não fisicamente.

Adorei a música. Acompanhava mesmo bem a história. A da minha versão é de 1997. Não sei se é a mesma da tua.

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Samwise » 17 Mar 2010 10:46

annawen wrote:Eu digo-te, a imaginação do Browning é completamente demencial. E esta palavra ganha um novo sentido depois do Alonzo tirar os braços. O filme é que aquece a partir daí.
Ainda estou na fase do Uau!


É... depois do filme há uma fase dessas - de UAU! What the hell just happened????

Reparaste naquele efeito de "sarapilheira" que é colocado como um véu sobre a câmara nas cenas com a Nanon e o Hércules?

Reparei, mas não sei se foi propositado ou se é do desgaste da película. Presumo que seja propositado por só acontecer nas cenas com os dois, mas não sei muito bem qual o significado.


É mesmo propositado. O significado também não sei, mas suspeito que seja um efeito estilístico para olharmos para aquele romance como se fosse por de trás de uma cortina, uma espécie de suave invólucro voyeurista, o termos a possibilidade de espreitar a intimidade daquele casal - um contraste com a forte brutalidade com que olhamos para o próprio Alonzo.

A propósito disto, há uma cena que merece uma referência particular: a altura em que o cojo ajuda o Alonzo a tirar o espartilho, lentamente, e em que ficamos na expectativa do choque de olharmos para as cicatrizes e para a deformação. Realmente apanhamos um choque, mas é por uma razão completamente diferente. Está genial!

Adorei a música. Acompanhava mesmo bem a história. A da minha versão é de 1997. Não sei se é a mesma da tua.


Não sei, mas deve ser a mesma que a tua. A música acompanha a acção muito de perto. Inclusivamente há uns efeitos sonoros meio macabros lá para o meio... :mrgreen:
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 17 Mar 2010 21:54

Samwise wrote:É mesmo propositado. O significado também não sei, mas suspeito que seja um efeito estilístico para olharmos para aquele romance como se fosse por de trás de uma cortina, uma espécie de suave invólucro voyeurista, o termos a possibilidade de espreitar a intimidade daquele casal - um contraste com a forte brutalidade com que olhamos para o próprio Alonzo.


Bem visto. Faz sentido.

A propósito disto, há uma cena que merece uma referência particular: a altura em que o cojo ajuda o Alonzo a tirar o espartilho, lentamente, e em que ficamos na expectativa do choque de olharmos para as cicatrizes e para a deformação. Realmente apanhamos um choque, mas é por uma razão completamente diferente. Está genial!


Comigo não aconteceu assim porque já sabia que ele tinha braços, o que não pensei é que tivesse os braços tão musculados. E também não estava a contar com o polegar.

A data da música (do score) vem no genérico final.

Inclusivamente há uns efeitos sonoros meio macabros lá para o meio... :mrgreen:


Yep. Muito boa.

Uma curiosidade: o verdadeiro nome do Lon Chaney era Alonso Chaney.

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 20 Mar 2010 22:14

Acabei de ver o "The Unholy Three". É um filme bem mais convencional do que os outros dois. Tem duas sequências de suspense que o Hitchcock não desdenharia: a das jóias no elefante e a do papel no tribunal. Mas a coisa que mais gostei foi da interpretação do Lon Chaney como velha. Está excelente. Cheio de pormenores: a colocação das mãos, o arranjar do xaile, o mexer nos óculos, o andar meio encurvado. Perfeito. E da primeira vez que o vi pensei que fosse mesmo uma mulher.
Adorei aquela velha, embora não a quisesse ter como avó. :mrgreen:

Também gostei da solução dos balões de banda desenhada quando a "velha" fala com os papagaios.

E, para não variar, também temos um Hércules neste filme.

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Samwise » 21 Mar 2010 11:59

Sim, bem mais convencional do que os outros dois, sem dúvida, mas ainda assim é um filme que salta fora do "normal convencionalismo" :mrgreen: Digamos que o factor comparativo, neste caso, estava fortemente condicionado. ;)

Mesmo assim o Browning ainda arranjou espaço para fazer das suas - olha por exemplo o aproveitamento que ele fez do gorila... :stars:

É um filme muito conseguido, a meu ver - junta ali uma série de ideias e géneros que não se atropelam uns ao outros.
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Re: Freaks - Tod Browning

Postby annawen » 22 Mar 2010 02:02

Entretanto vi o "Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus" (2006), de Steven Shainberg, com a Nicole Kidman e o Robert Downey Jr. E gostei muito. É uma viagem, meio imaginada, meio realista, pela história da fotógrafa Diane Arbus. Mais especificamente, sobre o momento chave em que ela encontra a sua voz criativa. É um filme muito onírico e poético, que evoca a atmosfera da "Alice do País das Maravilhas" (aliás há mesmo uma referência directa ao livro) e de vários contos de fadas. Diane Arbus é uma Alice que descobre o mundo mágico dos seres marginais e, pelo caminho, descobre-se a si mesma.

O filme tem algumas referências a "Freaks" mas o tratamento que é dado a estas personagens (anões, siameses, mulheres sem braços, etc) é muito diferente do filme do Browning. Em "Fur", os "freaks" são introduzidos como pessoas e o olhar sobre eles não é tão problemático como em "Freaks". Mas também eles não ocupam uma parte importante do filme. São mais personagens secundárias. Não sei se o realizador quis fugir ao problema e terá optado jogar pelo seguro. A verdade é que estava à espera que essas pessoas tivessem uma participação maior na história maior. O meu único senão é talvez faltar-lhe um pouco mais de assombro. Explorar um pouco mais a personalidade da Diane Arbus e a sua sensibilidade tão peculiar. Por vezes o bom gosto é um entrave.

Na realidade, a haver uma afinidade com algum filme, esse seria "A Bela e o Monstro" do Jean Cocteau, uma vez que aqui também se trata de uma história de amor entre um "freak" e a Diane Arbus. Uma história de amor imaginada que é o catalisador da mudança de vida da fotógrafa. E claro, uma história de amor trágica. E muito bonita.

A Nicole Kidman está excelente. Ela é sempre melhor quando o material sai fora das normas. E o filme é todo dela. O Downey Jr, também na mesma onda. São dois actores de que gosto muito porque são actores que não têm medo de arriscar.

O filme tem uma história "old fashioned" mas filmada de uma forma muito interessante: poética e mágica ao mesmo tempo. Este filme faz parte do restrito grupo de filmes especiais que apesar de operarem num mundo realista, evocam a atmosfera dos contos de fadas. Eu acho sempre muito mais interessante quando o fantástico se integra no real, do que quando existe sozinho.

Altamente recomendado. É um excelente complemento ao ciclo.

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Re: Freaks - Tod Browning

Postby Thanatos » 22 Mar 2010 11:59

Vi o Fur há muitos anos e pouco ou nada me recordo do filme além de uma mera sensação de apatia. Lembro que na altura apenas o fui ver porque sou apreciador da obra de Arbus mas se bem me lembro nunca encontrei relação com o Freaks. Agora com a tua leitura paralelista, annawen, terei de o rever com essa postura.
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!


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