The Handmaid's Tale /História de Uma Serva - Margaret Atwood

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Bubbles
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The Handmaid's Tale /História de Uma Serva - Margaret Atwood

Postby Bubbles » 11 Sep 2011 13:27

The Handmaid's Tale
Margaret Atwood


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It is the world of the near future, and Offred is a Handmaid in the home of the Commander and his wife. She is allowed out once a day to the food market, she is not permitted to read, and she is hoping the Commander makes her pregnant, because she is only valued if her ovaries are viable. Offred can remember the years before, when she was an independent woman, had a job of her own, a husband and child. But all of that is gone now...everything has changed
In: Goodreads

Neste livro temos um regime religioso distopico, em que as mulheres apenas teem valor para procriar. E bastante assustador, principalmente quando nos apercebemos que a transiçao de uma sociedade bastante semelhante a nossa para a mostrada no livro foi levada a cabo de forma bastante rapida e engenhosa, sem grandes manifestaçoes por parte da populaçao.

Durante a primeira metade achei o livro bastante facil de ler, e tive dificuldades em larga-lo. Na verdade queria saber tudo o que se estava a passar e perceber todas as hierarquias e nuances do sistema. Mas a segunda metade e bem mais dificil, quando todas as ideias ja estao estabelecidas e nos falam da transiçao para este sistema. E ai que tudo se começa a tornar desesperante.

Foi um livro dificil de ler, e ha varios momentos que sao murros no estomago. Mas numa boa distopia e suposto isso acontecer. Tanto "1984" como "Never Let Me Go" (as minhas distopias favoritas) sao dificeis de ler em certos momentos e deixam-nos a pensar, tal como "The Handmaid's Tale".

Quero acrescentar que a achei a inclusao do capitulo final (Notas Historicas) um pouco estranho. Ajudou a perceber um pouco mais sobre o sistema, mas preferia que a historia tivesse acabado no ultimo capitulo da Offred.

E, finalmente, achei a escrita da Margaret Atwood muito boa. Todo o livro esta carregado de metaforas belissimas, e dei por mim a sublinhar paragrafos que nem uma louca. Deixo-vos com os meus dois favorito.

"I feel like cotton candy: sugar and air. Squeeze me and I'd turn into a small sickly damp wad of weeping pinky-red."

"We are two-legged wombs, that's all: sacred vessels, ambulatory chalices."
"Não sou obrigada a jurar obediência às palavras de qualquer mestre" Horácio
"Um coração saudável tem um comportamento caótico"
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Re: The Handmaid's Tale - Margaret Atwood

Postby Thanatos » 11 Sep 2011 13:34

Este é daqueles livros que os fanáticos de FC insistem em querer colocar nas listas dos «seus» melhores livros para dar um ar de pretensa intelectualidade, um bocado à semelhança do que fazem com o Nineteen Eighty-Four, o A Clockwork Orange e outros. O que faz com que fiquem imensamente chateados quando a senhora declara a voz solta que não escreve ficção científica. Bugger! :P
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!

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Re: The Handmaid's Tale - Margaret Atwood

Postby Bugman » 11 Sep 2011 13:48

Uma vez que não é ficção científica penso que vou comprar! :mrgreen: Nada me apraz mais do que ler bons livros.

De caminho, como não me considero como pertença do Círculo Fantástico posso gostar mesmo do 1984? :blush:
A PENA online | O Bug Cultural

Normalcy was a majority concept, the standard of many and not the standard of just one man. Robert Neville
O homem que obedece a Deus, não precisa de outra autoridade. Petr Chelčický
Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
Yes, I am a woman of the law. And there are lots of laws. But if they don't offer us justice, then they aren't laws! They are just lines drawn in the sand by men who would stand on your back for power and glory. Sartana
"No, Señoría, no es lo mismo estar dormido que estar durmiendo, porque no es lo mismo estar jodido que estar jodiendo". Camilo Jose Cela

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Re: The Handmaid's Tale - Margaret Atwood

Postby Bubbles » 11 Sep 2011 16:53

Essas guerrinhas de generos... enfim! E uma distopia, e muito boa. O resto sao pormenores :rolleyes:
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Re: The Handmaid's Tale - Margaret Atwood

Postby pco69 » 11 Sep 2011 17:27

Eu fiquei a meio da versão portuguesa..... :whistle:
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: The Handmaid's Tale - Margaret Atwood

Postby Bubbles » 11 Sep 2011 17:34

Pco, nao sabia que estava traduzido em portugues. O que achaste da traduçao?

E ja agora, explica la porque e que ficaste a meio :mrgreen:
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Re: The Handmaid's Tale - Margaret Atwood

Postby pco69 » 11 Sep 2011 20:49

Bubbles wrote:Pco, nao sabia que estava traduzido em portugues. O que achaste da traduçao?

E ja agora, explica la porque e que ficaste a meio :mrgreen:


Foi editado na colecção Nébula da Europa América

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Tentei lê-lo à muitos muitos anos. E não me lembro exactamente da razão de ter parado, mas creio que terá a ver com o tipo de escrita. A história também não me puxou. Mas é um dos livros que ainda anda cá por casa e que talvez tente ler de novo. :whistle:
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Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: The Handmaid's Tale /História de Uma Serva - Margaret At

Postby Cerridwen » 24 Jul 2013 12:02

Em Agosto, será lançada pela Bertrand uma nova edição desta conhecida obra de Margaret Atwood. Aproveito também para deixar informação sobre a versão da Europa-América.

Edição Bertrand
Título: A História de Uma Serva
Tradução: ?
ISBN: 9789722525770
Data de edição: 2013
Páginas: 320
Preço de venda: 17,70€

Sinopse: «Uma visão marcante da nossa sociedade radicalmente transformada por uma revolução teocrática. A História de Uma Serva tornou-se um dos livros mais influentes e mais lidos do nosso tempo.

Extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril.

Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder tudo, incluindo o nome. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.»

Edição Europa-América
Título: Crónica de Uma Serva
Tradução: A. Martins Lopes
ISBN: 9789721005525
Data da edição: 1982
Colecção: Nébula
Páginas: 252
Preço de venda: 16,65€

Sinopse: «Defred é uma serva: ovários viáveis tornaram-na um objecto precioso na República de Gilead, onde o índice de natalidade caíra para níveis perigosos. Atribuída a um comandante cuja mulher é infértil, o objectivo de Defred é simples: procriar.

Vestida de encarnado desde o véu aos sapatos, com excepção das asas brancas que lhe encobrem o rosto, Defred passa diariamente em silêncio pelos Guardiões da Fé, que controlam cada barreira. Troca senhas por comida. Visita a Muralha, onde traidores ao género e criminosos de guerra são enforcados por atrocidades, outrora legais, cometidas noutros tempos.

À noite, no seu quarto nu, Defred recorda: hábitos curiosos e ultrapassados, como tagarelar, usar papel-moeda, correr. Coisas ilegais: mulheres empregadas, ler, o seu nome verdadeiro, amor. O amor era fundamental para tudo. Agora é irrelevante.
Através dos olhos de Defred são-nos mostrados os recantos negros por detrás da fachada calma da República de Gilead: um regime que toma o Livro de Génesis absolutamente à letra, com consequências bizarras para as mulheres, assim como para os homens.

Brilhantemente concebida e executada, esta poderosa evocação da América do século XXI, sob o poder totalitário pós-feminista, solta as rédeas à ironia devastadora, ao espírito e à perspicácia de Margaret Atwood. Crónica de Uma Serva confirma à sua reputação de notável romancista.»

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acrisalves
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Re: The Handmaid's Tale /História de Uma Serva - Margaret At

Postby acrisalves » 02 Jan 2015 20:30

Aproveito para deixar a minha opinião
(Também no blog, com imagens)


Aqui está um livro cuja leitura ando a adiar há muitos anos. Talvez por conta das curtas descrições que fui lendo, talvez por conta da elevada expectativa. Este livro aparece sempre referenciado como uma leitura obrigatória, intemporal e imprescindível, tanto em listas de leituras distópicas como em listas mais generalistas. Finalmente, li. Apesar de não conseguir colocá-lo no top de favoritos, apresenta uma história brutal, exacerbada pela forma simples e até domesticada como é contada.

Esqueçam os nomes. Pelo menos para as parideiras. Estas mulheres limpas de personalidade, objectivos ou conhecimento têm como único objectivo engravidarem dos maridos das outras – são meros ventres reprodutivos, substituíveis, que nunca poderão exercer o papel de mãe. Até porque o seu valor se resume aos óvulos que transportam, e à sua capacidade reprodutiva. Capacidade que as mantém longe dos campos de trabalho forçados. Por enquanto.

Mas nem sempre foi assim. A história é contada sob a forma de diário pela personagem principal, uma mulher que relembra uma realidade anterior, onde vivia pacificamente com o marido e a filha. Antes da queda brutal da fertilidade e da tomada de poder de um grupo extremista que impôs limitações existenciais a todos os seres humanos. Não são só as mulheres que estão limitadas, ainda que sejam a origem de todo o pecado e, em última análise, as eternas culpadas.

Esqueçam as pessoas multi-facetadas que cumprem vários papéis, enquanto esposas e mães, enquanto trabalhadoras e mais tarde enquanto tias reformadas e avós. Cada mulher tem um único papel bem definido e limitado. Existem as esposas, responsáveis pela gestão do lar e das possíveis crianças, as empregadas que se dedicam às tarefas domésticas, as parideiras e as tias educadoras – forma benévola de tratar as que comandam os campos de re-educação e com poder suficiente para castigar as restantes.

Em qualquer uma destas facetas as mulheres são mantidas na ignorância e estupidez – a leitura ou a escrita é-lhes proibida, as saídas e confraternizações são controladas por detalhes rituais, e toda a sua existência é limitada ao papel que cumprem – papéis incapacitantes e, em última análise ridículos, que parecem ter saído de uma mente retrógada e medieva. Não é só a percepção intelectual que é limitada, também a sua indivualidade. As roupas são estandardizadas ao mínimo detalhe e desenhadas para que os rostos não se vejam numa tentativa de apagar qualquer resto de qualquer percepção particular.

Mas nesta sociedade extremamente ritualista, não são só as mulheres que se encontram limitadas. Apenas os homens que se encontrem em elevados cargos podem ter contacto com mulheres (ainda que bastante controlado) pois há que ter bastante dinheiro para se conseguir sustentar tanta mulher inútil. Desta forma também os homens se vêem limitados nos seus papéis, enquanto soldados e empregados, sem que possam contactar com mulheres.

Em todo a história existem dois conceitos que se propagam inconscientemente: Esqueçam e Limitem-se. Esqueçam a realidade que conheciam até então, esqueçam a liberdade e subjuguem-se às novas regras e rituais detalhados. Limitem-se aos vossos papéis e tarefas, limitem-se enquanto seres humanos pensantes e capazes, abstenham-se de dialogar porque até as palavras que irão proferir terão de ser as correctamente previstas para todas as situações.

Mas, como em qualquer sociedade, o ser humano arranja sempre forma de dar corpo às suas vontades. E aqui reside a esperança.

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Re: The Handmaid's Tale /História de Uma Serva - Margaret Atwood

Postby Bugman » 23 Aug 2016 13:21

Direitinho para a lista dos meus preferidos, é difícil dizer porquê sem apelar a um certo masoquismo. A atmosfera de Gilead é pesada, mesmo não se sendo uma mulher, e a autora consegue passar isso de uma forma maravilhosa para um leitor. A prosa é elegante, desprovida de gorduras narrativas, sem descrições pesadas e conseguindo fazer com que aqueles anos pareçam decorrer no espaço de semanas. Um bálsamo para os momentos em que lemos e lemos e lemos e tudo nos parece o mesmo. Aqui não.

Apesar dos trinta anos que passaram, é fácil encontrar no dia de hoje reverberações da narrativa. É fácil abrir um jornal e pensar "isto poderia ser tirado do Handmaid's Tale". É-o de uma forma assustadora. É-o porque, até ao capítulo final, a autora se amarrou a usar dispositvos conhecidos. Tudo o que é narrado pode ser encontrado num ponto ou outro da história da humanidade. Isso faz com que a capacidade de identificação, com que a forma como vemos a História a repetir-se, seja quase tangível. Numa era de extremar de posições, a leitura desta obra assume um carácter quase profético.

No entanto dificilmente tudo são rosas. O capítulo final, a conferência, estraga o clima geral. Chamem-lhe preferência pessoal, mas gostava mais de uma edição que terminasse com a carrinha. Essa entrada na escuridão. Essa fuga para a luz. A dúvida sobre o futuro, sobre como as coisas chegaram até nós. É um artifício interessante, o recurso à conferência histórica como forma de enquadramento, mas cai no problema das inspirações futuristas. As referência são quase todas pré o período estudado, como se entre o período em estudo e o período em que se estuda, nada se tivesse passado, não houvessem autores de referência, as histórias não assumissem novos contornos.

Sendo verdade que as cassetes deste Handmaid's Tale são uma espécie de pergaminhos do Mar Morto do séc. XXII, não é menos verdade que essa revelação é um verdadeiro balde de água fria. Que não deve no entanto esfriar o interesse para a obra, nem diminui a qualidade de tudo o que o antecede.
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