Heart of Darkness (Joseph Conrad)

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nimzabo
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Re: Heart of Darkness

Postby nimzabo » 28 Feb 2011 13:30

Sim, porque lhe reconheço alguma qualidade na escrita.
O Ilusões Perdidas do Balzac também não me encantou por aí além e levou 9. Achei que o Balzac tem uma visão muito 'social' da realidade mas é um romance enorme e bastante bom. 700 páginas divididas em 3 partes, sem capítulos e sem quebras entre linhas é dose! é sempre texto e mais texto.
O Moby Dick, tens algumas partes muito chatas, descrições muito chatas sobre baleias, e levou 9 também. É muito exaustivo com a história das baleias, chega a falar de rochas e nuvens que se assemelham a baleias. Noutras alturas é genial.
Mas são casos completamente diferentes uns dos outros.
Dar notas a livros tem esse problema, pois dá-se um mesmo valor a coisas completamente diferentes e além disso são critérios muito pessoais.

Rui Ramos
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Re: Heart of Darkness

Postby Rui Ramos » 02 Mar 2011 15:45

Heart of Darkness foi dos poucos livros que li duas vezes (uma em inglês e outra em português). Adorei-o pela sua intensidade e pelo que não é dito. Muitas vezes a sugestão é mais poderosa que a descrição.

Heart of Darkness é uma lição de como com tão poucas páginas se pode dizer muito.

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Bugman
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Re: Heart of Darkness (Joseph Conrad)

Postby Bugman » 07 May 2014 16:18

Primeiro o apontamento histórico. Não se sabe quantos congoleses o Leopoldo matou directamente, mas sabendo que foi ele o responsável por criar as etnis Tutsis e Hutus, já temos números para o genocídio do Ruanda. Tudo o resto é a somar.

(The End a tocar.)

Ora vamos lá ressuscitar isto :

Fui reler este livro por causa da série de clássicos do Guardian. O móvel para a minha curiosidade foi mesmo a referência a ser a base do Apocalypse Now e após a releitura não percebo como não vi logo o paralelismo entre as obras. Caramba, o nome do personagem perdido na selva, a sua dimensão de semi-deus, o ataque ao barco pelos índigenas e o mítico "The Horror! The Horror!". Não será abuso nenhum dizer que é uma adaptação fiel sem ser literal.

Claro que tendo lido a tradução que a malta da QuidNovi fez para a Biblioteca de Verão DN/JN 2010 não ajuda a grandes apreciações sobre a escrita. As gralhas frequentes e as pontuações trocadas tornam a experiência de leitura um sofrimento atroz. Quem é pois esse misterioso Kurtz, homem feito para falar e não para escrever, homem de recursos que atemorizam esse administrador da Companhia que lhe paga, esse semi-deus para os nativos, quem é? Porque só convivemos com ele durante cerca de 10% da obra e no entanto ele está derramado sobre todas as frases e pensamentos?

O que sabemos é que o Kurtz abandonou a sua missão de civilizar os selvagens e tornou-se um deles. Não um deles, um superior deles. Divindade encarnada no corpo do demónio branco, onde a selva é demasiado cerrada. Confesso que me custa a perceber as acusações de racismo. O que me parece exposto não é uma apologia do homem europeu como civilizado, provavelmente o contrário, parece ficar claro que há em todo o comportamento dos tripulantes do barco um comportamento bem mais selvagem do que aquele que vemos dos "selvagens". Isto ainda antes de verificarmos como o administrador da Companhia critica os métodos do Kurtz, mas apenas por na lógica dele ainda ser demasiado cedo para os usar.

No geral fiquei com curiosidade de meter as minhas mãos numa edição original da coisa e apreciar melhor "the horror! The Horror!".
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