O Pêndulo de Foucault (Umberto Eco)

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Samwise
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Re: O Pêndulo de Foucault

Postby Samwise » 08 May 2008 13:15

Tzimbi wrote:Obrigadinha! :dry: Um diz Pêndulo, outro diz Baudolino. Grande ajuda a vossa... :smile:
Mas a minha tendência é mais para pegar no Baudolino do que no outro, aquele título provoca-me calafrios...Lembra-me logo aulas de Física... :shut: De qualquer forma, nem um nem outro tão depressa.


O Baudolino é algo mais leve do que o Pêndulo (se bem que "leve" não seja um adjectivo facilmente aplicável à escrita de Eco), e é levado muito mais na desportiva do que o outro, sempre a tentar explorar a comicidade das situações e das desventuras do personagem que dá o título ao livro (e nem vou mencionar o final...depois logo vês). Já o Pêndulo é mais sério e pesadão... (e daí que o Thanatos telvez tenha preferido os delírios histórico-sérios do autor às suas tiradas mais gozonas... não sei).

Sempre podes tentar ler os dois primeiros capítulos de cada um para avaliar (sendo que o início do Baudolino é... hmmm... como hei-de dizer... a gozar com a cara dos leitores...)

Em último caso, tens "O Pêndulo de Baudolino".... (*gasp* - dry one!)

Ps.: do Hammett há dois relativamente novos, Sam, A Chave de Cristal e O Homem Sombra. A qual te referias?


Ao da chave. O outro não sabia que também tinha sido lançado. Estou a ver que essa editora está apostada em colocar o Hammett todo cá fora (não que faltem muitos mais trabalhos...).

De qualquer forma, gostei MUITO MAIS do Falcão de Malta do que da Chave de Cristal. Isto para que não fiques com expectativas muito elevadas em relação e este "novo" livro.

Sam
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Re: O Pêndulo de Foucault

Postby roxinha » 28 Sep 2008 21:52

O livro afastou-me como uma conversa profunda mas maçuda e exaustiva. Bocejos e impaciência impediram-me mesmo de o acabar.
O Baudolino apeteceu-me bem mais, cheio de acção, mitos e longos diálogos sobre o vácuo. Além disso adorei o conceito do espertalhão inventor de Impérios e Lendas. Ressalto ainda a encarnação fantástica da mentalidade e estrutura de pensamento medieval. Muito bom.

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Re: O Pêndulo de Foucault

Postby Rekoa_Meton » 19 Dec 2008 22:24

Por acaso ninguém me sabe dizer quem é que era o filósofo de que Amparo falava no capítulo 23, o "que falava dos gatos pretos, e dos cornos de coral, e disse «não é verdade, mas acredito»"? A curiosidade está a matar-me.
<!--sizeo:2--><span style="font-size:10pt;line-height:100%"><!--/sizeo-->«Nat achava-se superior às outras pessoas. Lia livros, e coisas assim.»<!--sizec--></span><!--/sizec--> <!--sizeo:1--><span style="font-size:8pt;line-height:100%"><!--/sizeo-->em<!--sizec--></span><!--/sizec--> "<!--sizeo:1--><span style="font-size:8pt;line-height:100%"><!--/sizeo-->Os Pássaros", de Daphne Du Maurier<!--sizec--></span><!--/sizec-->

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Re: O Pêndulo de Foucault

Postby vampiregrave » 24 Jan 2011 19:49

A minha opinião sobre esta enciclopédia :P:

“Assim desapareceram os cavaleiros do Templo com o seu segredo, na sombra do qual palpitava uma bela esperança da cidade terrestre. Mas o Abstracto a que estava preso o seu esforço prosseguia em regiões desconhecidas a sua vida inacessível... e mais de uma vez, no decorrer dos tempos, deixou fluir a sua inspiração nos espíritos capazes de acolhê-lo.”
(Victor Emile Michelet, Le secret de la Chevalerie, 1930)


Ao longo do séc. XX, assim como do presente século, as teorias da conspiração serviram de base a diversas obras de ficção, desde os filmes e séries televisivas à literatura, algumas delas com bastante sucesso, como a série Ficheiros Secretos e o fenómeno de vendas de Dan Brown com o seu livro Código Da Vinci. A obra de Umberto Eco encontra-se, no entanto, num patamar de erudição bem acima da média, algo que o escritor italiano não deixa de demonstrar em O Pêndulo de Foucault, onde se verifica como este é capaz de gerir uma quantidade de informação atípica em trabalhos ficcionais.

“Mas então esta história continua até ao infinito?”
“Assim é. E é a astúcia dos Senhores.”
“Mas o que querem que a gente saiba?”
“Que há um segredo. Senão para quê viver, se tudo fosse como parece ser?”
“O que as religiões reveladas não souberam dizer. O segredo está para além disso.”


Casaubon, o narrador, é um estudante que se encontra a trabalhar na sua tese de doutoramento acerca dos Templários, ordem extinta após o seu Grão-Mestre ter sido condenado à morte no séc. XIV, embora existam, ainda hoje, lendas acerca da sua preservação até aos tempos modernos, apontando para uma existência rodeada de mistérios. Em Milão conhece os editores Jacopo Belbo e Diotallevi, dos quais não só se tornará colega de trabalho, mas também na peça central que permite ao trio desenvolver uma intrincada teoria da conspiração, denominada de Plano, que atravessa diversos séculos, culturas e organizações, em que conjugam factos históricos com especulações baseadas nas ciências do oculto.

“Você tinha razão. Qualquer dado se torna importante se for ligado a outro. A conexão altera a perspectiva. Induz a pensar que todos os indícios, todos os boatos, todas as palavras escritas ou faladas não têm o sentido que parecem ter, mas que se está a falar de um Segredo. O critério é simples: suspeitar, suspeitar sempre. Pode-se ler nas entrelinhas até de uma placa de sentido proibido.”


De mero passatempo, a constituição do Plano passa a ocupar plenamente a vida dos protagonistas, que apresentam uma cadeia de associações de ideias deveras impressionante, desencobrindo obscuras simbologias onde aparentemente o significado se revela simples e claro. Esta complexidade, que resulta em longos períodos de exposição de informação, torna-se ainda mais surpreendente quando o autor, sem piedade, destrói a elaborada estrutura do Plano, construída ao longo de centenas de páginas.

“O vosso plano não é poético. É grotesco. Ninguém se lembra de voltar a incendiar Tróia só porque leu Homero. Com ele o incêndio de Tróia tornou-se uma coisa que nunca existiu, que nunca existirá e no entanto existira sempre. Tem muitos sentidos porque é tudo claro, tudo límpido. Os teus manifestos dos Rosas-Cruzes não eram claros nem límpidos, eram um borborigmo e prometiam um segredo. Por isso tantos procuraram fazer com que se tornassem verdadeiros, e cada um descobriu o que lhe apeteceu. Em Homero não há nenhum segredo. O vosso plano está cheio de segredos porque está cheio de contradições. Larguem isso tudo. Homero não fingiu. Vocês fingiram. Ai de quem finge, todos acreditam nele.”


O Pêndulo de Foucault é, como refere Anthony Burgess, um triunfo intelectual, um livro que comprova o poder do conhecimento, mas que também torna visíveis os seus perigos. Uma crítica à busca por segredos que não existem, à manipulação de factos concretos para construir hipóteses sem fundamento, alimentando uma fome impossível por satisfazer: a fome do desconhecido, a ânsia por alcançar uma verdade intocada, que perigosamente dilui a barreira que separa a ilusão da realidade.

“Veja bem, Casaubon, até o Pêndulo é também um falso profeta. Você olha para ele, julga que é o único ponto imóvel no cosmos, mas se o tirar da abóbada do Conservatoire e o for pendurar num bordel funciona à mesma. Há outros pêndulos, um está em New York no palácio da ONU, outro em San Francisco no museu da ciência, e sabe-se lá quantos mais há. O pêndulo de Foucault está parado com a Terra a girar por baixo dele seja onde for que se encontre. Cada ponto do universo é um ponto imóvel, basta prender-lhe o Pêndulo.”
“Deus está em toda a parte?”
“Num certo sentido sim. É por isso que o Pêndulo me perturba. Promete-me o infinito, mas deixa-me a mim a responsabilidade de decidir onde é que quero tê-lo. Assim não basta adorar o Pêndulo onde ele está, é preciso tomar de novo uma decisão, e procurar o ponto melhor.”

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Re: O Pêndulo de Foucault

Postby Samwise » 25 Jan 2011 16:47

Vampiregrave,já leste mais alguma coisa do Eco?

(e gostaste deste livro? - pela crítica, pareceu-me que sim, mas não consigo avaliar a quantidade desse gosto. :P )
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Re: O Pêndulo de Foucault

Postby vampiregrave » 25 Jan 2011 16:57

Samwise wrote:Vampiregrave,já leste mais alguma coisa do Eco?

(e gostaste deste livro? - pela crítica, pareceu-me que sim, mas não consigo avaliar a quantidade desse gosto. :P )


Foi o primeiro. Fiquei um pouco dividido, porque se torna mais um jogo literário do que um romance. É preciso ter persistência para prosseguir, e a tua experiência de leitura será sempre comprometida pelo teu conhecimento dos temas tratados. É uma sátira inteligente mas tremendamente exaustiva. Gostei porque desafia o leitor, mas compreendo perfeitamente que não seja um livro para todos. Para a semana vou ler o Em Nome da Rosa.

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Re: O Pêndulo de Foucault

Postby Samwise » 25 Jan 2011 17:15

vampiregrave wrote:Foi o primeiro. Fiquei um pouco dividido, porque se torna mais um jogo literário do que um romance. É preciso ter persistência para prosseguir, e a tua experiência de leitura será sempre comprometida pelo teu conhecimento dos temas tratados. É uma sátira inteligente mas tremendamente exaustiva. Gostei porque desafia o leitor, mas compreendo perfeitamente que não seja um livro para todos.


Devem contar-se pelos dedos de uma mão a quantidade de pessoas que tem conhecimentos suficientes para não se sentir afogado na teia de pormenores histórico-sociais que o Eco aborda. Da forma que aborda. ;)

Ainda hoje estou na dúvida de a maior parte dos factos e nomes evocados não terão sido inventados propositadamente para aprimorar o alcance da sátira - colocando assim algumas eruditas personalidades às voltas para tentarem encontrar o fio à meada. :P

Para a semana vou ler o O Nome da Rosa.


Dele, foi o livro de que gostei mais. É bastante mais narrativo que o Pêndulo, mas o nível de erudição e densidade da prosa são semelhantes.
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Re: O Pêndulo de Foucault

Postby vampiregrave » 25 Jan 2011 17:43

Para a semana vou ler o O Nome da Rosa.


Dele, foi o livro de que gostei mais. É bastante mais narrativo que o Pêndulo, mas o nível de erudição e densidade da prosa são semelhantes.[/quote]

Acho que a principal barreira é no Pêndulo é mesmo essa, a predominância da exposição de informação sobre a narrativa, que ocupa um lugar secundário.

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Re: O Pêndulo de Foucault (Umberto Eco)

Postby Forbidden » 25 Mar 2014 20:34

O tema deste livro e bastante interessante (o oculto, teorias da conspiraçao), mas nao sei se nao sera demasiado complexo pra minha cabeça :rolleyes: ainda pra mais nunca li nada do autor. Mas o tema e interessante...

O vocabulario e muito dificil? Nao deve ser mais que o dos Maias, penso eu, que em todas as paginas tem palavras que nao sei o significado <_<
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Re: O Pêndulo de Foucault (Umberto Eco)

Postby vampiregrave » 26 Mar 2014 00:17

Forbidden wrote:O tema deste livro e bastante interessante (o oculto, teorias da conspiraçao), mas nao sei se nao sera demasiado complexo pra minha cabeça :rolleyes: ainda pra mais nunca li nada do autor. Mas o tema e interessante...

O vocabulario e muito dificil? Nao deve ser mais que o dos Maias, penso eu, que em todas as paginas tem palavras que nao sei o significado <_<


É bastante mais complexo do que Os Maias, não tanto pelo vocabulário, mas pelas múltiplas referências a temas que à partida não são do conhecimento geral, ao intrincado enredo e à grande quantidade de informação que é necessário assimilar para acompanhar o mesmo.

Edit: Se fosse a ti, lia primeiro O Nome da Rosa. Se sobreviveres, logo tentas este :mrgreen:

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Re: O Pêndulo de Foucault (Umberto Eco)

Postby Thanatos » 26 Mar 2014 14:17

Também aconselho e dou o selo na Misteriosa Chama da Rainha Loana. Para quem gosta de pulp fiction do tipo Rider Haggard é um must.
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

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Re: O Pêndulo de Foucault (Umberto Eco)

Postby Forbidden » 26 Mar 2014 19:52

vampiregrave wrote:
Forbidden wrote:O tema deste livro e bastante interessante (o oculto, teorias da conspiraçao), mas nao sei se nao sera demasiado complexo pra minha cabeça :rolleyes: ainda pra mais nunca li nada do autor. Mas o tema e interessante...

O vocabulario e muito dificil? Nao deve ser mais que o dos Maias, penso eu, que em todas as paginas tem palavras que nao sei o significado <_<


É bastante mais complexo do que Os Maias, não tanto pelo vocabulário, mas pelas múltiplas referências a temas que à partida não são do conhecimento geral, ao intrincado enredo e à grande quantidade de informação que é necessário assimilar para acompanhar o mesmo.

Edit: Se fosse a ti, lia primeiro O Nome da Rosa. Se sobreviveres, logo tentas este :mrgreen:


Obrigado pela dica. Eu ja vi o filme do Nome da Rosa, ha bastante tempo, e na altura gostei. Acho que vou ler esse apos os Maias :bbde:
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Re: O Pêndulo de Foucault (Umberto Eco)

Postby Samwise » 26 Mar 2014 21:40

Forbidden wrote:Obrigado pela dica. Eu ja vi o filme do Nome da Rosa, ha bastante tempo, e na altura gostei. Acho que vou ler esse apos os Maias :bbde:


O filme é uma versão bastante soft do livro, não em termos de violência física e psicológica, mas em termos de "carga literária" - como se só tivessem sobrado os eventos narrativos, com pouca ou nenhuma descrição à mistura. Se o filme fosse um outro livro baseado no livro original, seria a versão literatura light do romance do Eco. :mrgreen:

A leitura de Os Maias é como uma faca incandescente a trespassar manteiga ao pé de O Nome da Rosa e de O Pêndulo de Foucault... :whistle:
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Re: O Pêndulo de Foucault (Umberto Eco)

Postby vampiregrave » 27 Mar 2014 10:01

Ao menos depois de ler Umberto Eco, já pode dizer que Os Maias é para meninos. :mrgreen:

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Re: O Pêndulo de Foucault (Umberto Eco)

Postby Forbidden » 27 Mar 2014 20:37

Samwise wrote:
Forbidden wrote:Obrigado pela dica. Eu ja vi o filme do Nome da Rosa, ha bastante tempo, e na altura gostei. Acho que vou ler esse apos os Maias :bbde:


O filme é uma versão bastante soft do livro, não em termos de violência física e psicológica, mas em termos de "carga literária" - como se só tivessem sobrado os eventos narrativos, com pouca ou nenhuma descrição à mistura. Se o filme fosse um outro livro baseado no livro original, seria a versão literatura light do romance do Eco. :mrgreen:

A leitura de Os Maias é como uma faca incandescente a trespassar manteiga ao pé de O Nome da Rosa e de O Pêndulo de Foucault... :whistle:


Voces estao me a assustar :td:

Vamos la a ver como corre, tambem se nao perceber nada nao o acabo :whistle:
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