A Saga das Pedras Mágicas (Sandra Carvalho)

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Lady Entropy
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Re: A Saga das Pedras Mágicas (Sandra Carvalho)

Postby Lady Entropy » 24 Apr 2011 12:28

Ya, mas o Filho de Odin rouba conceitos e descrições, mas mistura tudo numa (horrível) manta de retalhos, com uma história (horrível), mas nem por isso muito reconhecível (leia-se "é original do autor").

Esta rouba ideias, personagens, situações e desenvolvimento da história. Muito mais sério, muito mais plagiaristico. Temos que passar bocados do texto dela por aquele programa online que compara com outras fontes, para ver ser algo foi copiado ou "inspirado fortemente". Foi assim que apanharam a Christine Phoenix, e o seu "I will follow you".
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Re: A Saga das Pedras Mágicas (Sandra Carvalho)

Postby isabel » 26 May 2011 19:36

Aqui há uns dois anos, no final do meu secundário, ela foi ao Sá de Miranda lá apresentar a obra.
Não queria ser mal educada e pedir-lhe para ler o primeiro parágrafo da filha da floresta em voz alta, por isso perguntei-lhe quem eram as suas maiores influências. não referiu a Juliet. Mas é simpática e comunica bem com a audiência, dou-lhe esse mérito.
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Leo Turilli
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Re: A Saga das Pedras Mágicas (Sandra Carvalho)

Postby Leo Turilli » 27 May 2011 18:19

isabel wrote:Não queria ser mal educada e pedir-lhe para ler o primeiro parágrafo da filha da floresta em voz alta


Tive vontade de fazer isso na Feira do Livro, mas em vez disso evitei-a :P

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grayfox
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Re: A Saga das Pedras Mágicas (Sandra Carvalho)

Postby grayfox » 27 May 2011 23:31

isabel wrote:Aqui há uns dois anos, no final do meu secundário, ela foi ao Sá de Miranda lá apresentar a obra.
Não queria ser mal educada e pedir-lhe para ler o primeiro parágrafo da filha da floresta em voz alta, por isso perguntei-lhe quem eram as suas maiores influências. não referiu a Juliet. Mas é simpática e comunica bem com a audiência, dou-lhe esse mérito.

Sa de miranda em braga? Foi onde fiz o secundário! Velha, podre, cheia de animais embalsamados, adorei!
A melhor assinatura chinesa da actualidade.

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Re: A Saga das Pedras Mágicas (Sandra Carvalho)

Postby isabel » 27 May 2011 23:38

grayfox wrote:Sa de miranda em braga? Foi onde fiz o secundário! Nunca gostei tanto de uma escola a apodrecer

:cheers:
Agora já acabaram as obras, tenho de ir lá investigar quando tiver tempo e paciência, mas pelo o que tinha visto quando lá pus os pés há dois anos, :td:
Perdeu um pouco o charme. Não há nada como o risco de uma perna da cadeira enfiar-se num buraco do soalho, ou ter aulas com ratos a aparecer. Enfim, que se há de fazer?
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Re: A Saga das Pedras Mágicas (Sandra Carvalho)

Postby Leo Turilli » 22 Sep 2013 12:29

Os meus comentários aos outros livros da Saga que já li, copiado do meu Goodreads:

O Guerreiro-Lobo
Spoiler! :
Paixão, paixão e mais paixão. Ele gosta dela, ela gosta dele e primeiro que se decidam a assumir uma relação há tanto "oh mê deus, ele não gosta de mim. Ah, espera, afinal até gosta".
But wait, quando finalmente decidem consumar o seu amor, não podem porque ela tem de entregar o seu primogénito a um feiticeiro maldoso
Enfim, a acção do livro é demasiado lenta e pontuada com demasiado infodump (páginas e páginas de informação sobre a histórias dos viquingues, habitantes da Grande Ilha *cof cof Irlanda cof cof*, dragões e critais, pedras e mais paixão entre feiticeiros e humanos). Essa informação poderia ter sido dada "mais espaçada", ou seja, em comentários de personagens, conversas curtas que a Catelyn ouvisse e assimilasse ela própria a história. Na minha opinião, a informação é apresentada de uma maneira muito cansativa.
No entanto, este livro melhorou substancialmente em relação ao primeiro, principalmente porque se nota que a história é efectivamente original da autora (pelo menos parece-me), temos um desenvolvimento mais aprofundado das personagens, permitindo estabelecer uma ligação com elas (gostei principalmente da Ingrior) e, principalmente, a escrita da autora é cativante e competente, sendo que, apesar de a história não me ter atraído particularmente, não conseguia parar de ler (parece uma contradição, eu sei).
Seja como for, agora resta-me ler o restantes livros da Saga, pois, após ter verificado uma enorme melhoria neste volume em relação ao primeiro, fiquei com vontade de ler a saga toda (algo que não me tinha ocorrido após o término do primeiro livro)


Lágrimas do Sol e da Lua
Spoiler! :
Neste livro mudamos de perspectiva de personagem - deixamos de seguir Catelyn para seguir Edwina, a sua filha mais velha.
Mais uma vez, destaco a brilhante capacidade de escrita da Sandra Carvalho. Embora a história continue a não me cativar muito (principalmente com a dose de infodump que nos é apresentada em todos os livros), a sua escrita prende e dá vontade de ler mais.
Um ponto que considero negativo no livro: todos os filhos terem os nomes dos pais. Sinceramente, às tantas já não percebia quem era filho de quem, e quem casava com quem. Outra coisa: Não existe mais ninguém na Ilha dos Sonhos? Ninguém por quem os personagens se podem apaixonar? É que parece que apenas existem casais de primos com primos...
Outro ponto, não tão grave, apenas para mim que adoro cavalos: Como é que a rapariga está sentada na sela do cavalo e de repente "observa do topo da garupa"? Sentou-se nos quartos traseiros do animal? Um bocadinho de Cavalos 101 não fazia mal.
Ah, e mais uma vez, tal como no primeiro livro, a história termina a meio. Okay, a Edwina perde a virgindade com o marido e no climax grita o nome do primo Edwin (filho de Edwin, irmão da Catelyn... percebem o que digo?) e, claro, o marido fica lixado da vida... E termina! Bem, temos um epílogo com personagens que nos foram apresentadas no prólogo, mas no que diz respeito à Edwina, podiam ter metido um final. O que gosto nas sagas de livros de fantástico é cada volume ser "independente", ou seja, se terminar o livro 2, fico à espera do livro 3, mas ao menos sei que o 2 teve um príncipio, meio e fim. Como a saga desde o início estava planeada para ter uns sete livros, comete-se este erro.
Concluindo, kudos para uma grande capacidade de escrita e a capacidade de prender o leitor, mas com pontos negativos a nível de contadora de história


O Círculo do Medo
Spoiler! :
YES! Terminei o livro! Confesso que as últimas páginas já foram lidas um bocado na diagonal.

Como de costume, continuo a adorar a escrita da Sandra. É fluída e competente e é o que me faz querer continuar a ler a saga.
Neste livro continuamos a seguir a história da Edwina, que nos foi apresentada no "Lágrimas do Sol e da Lua". Se já no volume anterior não tinha gostado da personagem, neste ainda fiquei a destestar mais.
Porquê? Pelas razões que vou enumerar (razões que também me fizeram gostar menos deste livro que dos anteriores):

1º Okay, eu já percebi que a Edwina é a Guardiã da Lágrima do Sol/Rainha do Sol/Whatever, mas é mesmo preciso estarem sempre a chamarem-lhe isso? A rapariga tem um nome. Ela própria se trata na terceira pessoa como a Rainha do Sol (além de não deixar de se afirmar de que é filha do Throst e da Catelyn - a árvore genealógica no início esclarece-me, obrigada).
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Ela tem um nome, pessoal!

2º Porque é que ela pratica magia? Seriously, parece que a magia dela apenas serve para espiar as vidas dos outros ou para, e isto está mesmo escrito, deitar "vómitos de magia".
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Vómitos de magia?

3º É uma neurótica. Está sempre dividida entre os seus amores, irmãos, etc. E está sempre a meter-se na vida de toda a gente! Eu percebo que a autora queira que sintamos compaixão da personagem, mas tal não ocorre. Porra, Edwina, pára lá de ser racista por causa da Arte Obscura e aceita lá o rapazito teu primo de quem gostas. (Quantos mais casais de primos irão surgir até ao livro 8?). Depois de se aperceber que afinal tem de deixar o marido com a irmã e dedicar-se só à magia, encontra finalmente o primo (será agora? será?), dão um beijo e... ele rouba a lágrima do sol. Mas esperem, afinal era tudo um esquema e ele na realidade é bonzinho e tal. Quando se apercebe disso, a Edwina morre.
Wait... a Edwina morre!
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4º A Thora ou a Freya seriam personagens mais fixes para narrarem a história - pelo menos têm mais personalidade.
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Tem mais personalidade que a Edwina.


5º Sempre que há um acontecimento novo, todos os outros perdem importância. Agora foi a Thora e o Ivarr que me trairam, logo não vou pensar nos Vândalos. Agora foram os Vândalos que fizeram não sei o quê, não vou pensar no que se passa no Norte. Etc.


Estou muito desiludida com a história deste livro, o plot estava bem mais fraco que os anteriores. Se continuar a decair desta maneira, não sei se consigo terminar a saga.
Again, 2 estrelas porque ela escreve bem e, admito, adorava ter esse talento para escrever. Como alguém já disse aqui no goodreads: "Sandra Carvalho é uma boa escritora, mas não é uma boa contadora de histórias".

PS: Comecei a ler os Três Reinos e afinal a Edwina não morreu - continua a ser a personagem principal.
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Re: A Saga das Pedras Mágicas (Sandra Carvalho)

Postby Thanatos » 22 Sep 2013 12:36

Então e o pastiche à Marillier? Já é menos evidente?
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!

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Re: A Saga das Pedras Mágicas (Sandra Carvalho)

Postby Leo Turilli » 22 Sep 2013 16:01

Thanatos wrote:Então e o pastiche à Marillier? Já é menos evidente?

Pelo que me parece, sim. A Juliet nunca escreveria uma história tão panhonhas onde chegas à conclusão que se a personagem principal não existisse a história seria exactamente igual.
Uma amiga minha que é amiga da Sandra Carvalho disse-me que "A Sandra autoriza fan fictions da sua obra desde que o refiram no início do texto onde se basearam" e eu respondi "Ela se calhar devia ter feito isso no primeiro livro dela, não?"

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Re: A Saga das Pedras Mágicas (Sandra Carvalho)

Postby Leo Turilli » 09 Oct 2013 17:49

Os Três Reinos

Spoiler! :
Eu queria! Eu juro que queria dar 4 estrelas a este livro!
Primeiro, porque depois de 2 livros onde não aconteceu rigorosamente nada e a protagonista só dava vontade de dar um estoiro e dizer "ACORDA! PÁRA DE SER CURSCA", finalmente temos acção! E temos a Edwina a fazer alguma coisa sem ser espiar a vida dos outros - embora isso continue a acontecer, claro.
Also, o final estava muito bem escrito, gostei do "sentimento" que deixou! :)

Mas não posso. Para mim, este livro peca porque os momentos de climax (aka morte da Gwendalin, da Aesa e do Esteban) passam-se, cada um, num número pequeno de páginas, quase sem se desenvolver. Quero dizer, tantos livros a dizerem como eles são maus e tinham de lutar para os matar quando só a morte da Gwendalin foi provocada por um dos "vinquingues" (pelo próprio filho, mas só sabemos o que aconteceu quando a Edwina acorda de um desmaio). Tanto a Aesa como o Esteban morreram sem intervenção dos vinquingues, aliás, o Esteban morreu por intervenção divina de Deus (Hallelujah, praise the Lord!). E estes momentos ocorrem a meio do livro, tudo o resto é à volta de grávidas, bebés, famílias, casamentos, e duas mortes "surpresa" para terminar o livro com uma lágrima no canto do olho.

Portanto, gostei de finalmente haver acção e de ver a Edwina a reagir, mas não consigo dar 4 estrelas ainda. Mas já estou a ler a Sacerdotisa dos Penhascos, parece que a Kelda já tem mais garra :D

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Re: A Saga das Pedras Mágicas (Sandra Carvalho)

Postby Leo Turilli » 27 Jan 2014 15:25

A Sacerdotisa dos Penhascos

Spoiler! :
Este é o primeiro livro da Sandra ao qual dou quatro estrelas, e não me arrependo. Quando me perguntaram o que estava a achar deste livro (depois de lerem as minhas críticas, ficaram curiosos) e eu disse que estava a gostar, ficaram espantados. Uma pessoa perguntou-me "Então achas que era melhor se não tivesses lido os anteriores?", e eu não soube o que responder. Claro que é importante saber o que se passa para trás da história, mas comecei a questionar-me se realmente eram necessários cinco livros para descrever o que se passsou, principalmente quando desses cinco, três eram à volta da chata da Edwina.
A primeira personagem, a Catelyn, era corajosa mas deixava-se ir demasiado pelos sentimentos do coração. A Edwina nem vale a pena falar, basta ir ler o que escrevi dos outros livros. E por fim temos a Kelda, filha da Edwina, Guardiã da Lágrima do Sol, e Edwin, Guadião da Lágrima da Lua. Aos nove anos viu o seu irmão gémeo Halvard, destinado a cumprir a profecia do Filho do Dragão, ser raptado pelo feiticeiro Sigarr. Ao verem isto, os pais da Kelda mandam-na para a Ilha dos Penhascos, para que a filha fique em segurança. Mas Kelda não tem o feito "panhonhas" dos pais, pelo contrário - dentro dela, a Arte Luminosa e a Arte Obscura estão em constante luta, e essa dualidade faz dela uma personagem forte e determinada. Mas, para Kelda, os pais limitaram-se a abandoná-la porque não tinha magia no seu corpo e porque tinham medo que ele ficasse como o irmão, e deixaram-na num local que ela odeia, onde sofre constantemente bullying.
Surge também neste livro em grande destaque Lysander, príncipe da Gente Bela, que Kelda ajuda no seu ritual de iniciação (era isto? não tenho o livro comigo) e que se torna seu mentor, afastando-a da Ilha dos Penhascos que tanto odeia. Segue-se um pequeno momento Catelyn e Thorst, com tanto "ela gosta dele, ele gosta dela, mas não podem ficar juntos".
Temos, novamente, um final em aberto, mas é um final bem feito que deixa vontade de ler mais. Apesar de tudo, no final ficamos com a sensação que o livro terminou e que o que se segue é uma aventura bastante diferente.
Finalmente um livro com uma personagem com carácter! Well done!


As Sombras da Noite Branca e comentário geral à saga

Spoiler! :
NOTA: As estrelas não são para o livro em si, mas para a saga, e o Goodreads não deixa meter 3,5 portanto fica assim. Este livro não merece tanto.
NOTA 2: Sei que não tenho nenhum livro publicado, nem tenho intenções disso, mas a crítica que faço não é por inveja, é mesmo porque acho que tenho de ser sincera.

Cara Sandra Carvalho,
Em menos de 6 meses li todos os livros da Saga das Pedras Mágicas. Aliás, já tinha lido o primeiro há uns anos atrás, mas fiquei tão chateada com o plágio do Filha da Floresta que decidi colocar os teus livros de lado até a Ana me os emprestar e convencer a ler. E assim foi.
Não preciso de repetir tudo o que comentei até agora dos livros anteriores. A Catelyn tinha a sua personalidade, mas sem o seu "homem" não conseguia fazer nada de especial. A Edwina só servia para espiar a vida dos outros, mas não vale a pena mandar mais implicações contra a personagem.
E, no A Sacerdotisa dos Penhascos, surgiu a Kelda. E uma saga que até agora me tinha parecido apenas mediana tomou um novo rumo. A Kelda tinha garra, tinha poder, desafiava as autoridades e tinha a particularidade de ter a Arte Luminosa e a Arte Obscura a coexistirem dentro do seu corpo. Fantástico!
A sua determinação prolongou-se para O Filho do Dragão, no qual ela acredita que ainda consegue recuperar a alma do irmão gémeo (antes de descobrir que este já se encontrava completamente corrompido e que já não havia nada a fazer). E, mesmo arriscando a sua vida, insiste em enganar o irmão provando que é fiel a ele, mesmo que isso a faça perder o respeito da família e do seu amado Lysander. Gostei bastante deste plot, achei que os sentimentos da Kelda estavam bastante bem descritos - não é uma personagem plana, mas sim uma personagem tridimensional, capaz de pensar pela própria cabeça e com sentimentos credíveis (a dúvida, o medo, a vitória, etc).
E assim cheguei ao Sombras da Noite Branca com enormes expectativas. A cotação dos leitores no Goodreads também ajudou, principalmente com muitas pessoas a dizerem que este era o melhor livro da saga. E assim começou a minha leitura.
Temos um prólogo bastante sangrento e chocante. Gostei disso, dá logo ritmo à história - até porque, sendo parte de uma saga, é natural que começe na acção onde o outro terminou, sem rodeios. Well done.
A partir daí começou a desilusão. A primeira grande, e desculpa a palavra, parvoíce, é a paixão da Kelda pelo Sigarr. Ora bem, eu até acredito que as pessoas mudem, e acredito que o Sigarr tenha mudado por paixão à Kelda, mas como é que a Kelda consegue esquecer tudo o que ele fez no passado? Como é que ela perdoa a violação da sua avó Catelyn, a tortura do seu pai Edwin, todo o tormento que o feiticeiro tem imposto à família? Ora bem, sabemos que em tempos, o Sigarr esteve apaixonado pela Aranwen, a criadora das Pedras Mágicas e a trisavó da Kelda, e mais de uma vez é referido que ela é igual à trisavó. O que quer dizer que o Sigarr sente-se atraído pela Kelda por ela ser parecia com a Aranwen. E ela aceita que ele mudou e que está apaixonado por ela. E que, provavelmente, até corresponde. Porquê? Porque ele é um feiticeiro lindo e jovem, de olhos azuis e cabelos louros...
Temos igualmente o momento de obcessão do Halvard pela sua irmã, limitando-lhe a libertade e impondo a sua autoridade, acreditando que ela é fiel. Vá, todos sabemos que ele é doido - tivemos muitos momentos que o provavam no livro anterior - e isso talvez (talvez!) justifique o facto de ele estar apaixonado pela irmã e a tentar violar mais de uma vez (três, para ser mais concreta). Ora, isto não seria tão grave se... ele não fosse a centésima pessoa a apaixonar-se pela Kelda. Digam-me, o que é que ela tem que faz com que os Homens não lhe consigam resistir, sejam feiticeiros de 300 anos com aparência jovem ou o próprio irmão gémeo (a juntar ao primo, ao Lysander, e penso que ainda existiam outros)?
E, a partir deste momento, perdemos a personagem da Kelda. De uma personagem com as suas fraquezas e dúvidas passamos a ter uma Mary Sue. A Kelda é linda e todos se apaixonam por ela. A Kelda é fantástica e consegue reunir a magia de várias entidades (incluindo das Pedras Mágicas - porque é que nunca ninguém antes o tinha conseguido?). A Kelda é invencível. A Kelda é a maior, vamos todos idolatrar a Kelda.
Até ela morrer, claro. No climax da história, após conseguir derrotar o irmão na Noite Branca, é trespassada pelo corno de Deimos (assim a modos que um demónio, pertencente ao Povo do Fogo). E, aí, temos um limbo que, admito, li um pouco na diagonal, no qual ela observa a família toda a chorar a sua morte a depositá-la na Montanha Sagrada, esperando que ressuscite. E tal acontece sim, mas fica na gruta. Nessa parte, ocorre o que para mim é um dos melhores momentos do livro - a tristeza da Kelda pela morte do irmão. Apesar de ele ser o maior vilão à face da Terra e de lhe ter tanto mal, não deixa de ser para ela o irmão com quem brincava em pequena, e isso deixa-a a triste, arrependida por não o ter conseguido salvar.
Kelda pensa que esteve apenas umas semanas na Montanha mas, quando sai da gruta da Montanha, descobre que se passaram 10 anos, que os seus primos entretanto casaram-se e tiveram filhos, que os seus pais tiveram mais uma irmãzinha, e que Lysander também desapareceu porque não aguentou a ausência da Kelda (vamos depois descobrir que também ele andou a dormir uma série de anos sem se aperceber). Como é óbvio, temos um reencontro romântico entre os dois e termina o livro - Paz no Mundo, todos apaixonados, o vilão morreu, vamos celebrar.
E agora eu pergunto: Porquê Sandra? Porque é que transformaste a Kelda numa personagem tão plana? Porquê? Deixou-me tão desiludida esta mudança que sinto que, se os "defeitos" que falei acima não tivessem sido descritos, o livro levaria 4 estrelas ou mais. Mas isto é apenas a minha opinião.
Concluo por aqui a saga, dando-lhe os parabéns pela escrita competente e pela determinação e paciência para escrever uma saga. Desejo-lhe muito sucesso na sua escrita no futuro. Gostava de a ver escrever num registo diferente do fantástico!


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