Dune / Duna - Frank Herbert

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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Sharky » 01 Mar 2012 22:18

Thanatos wrote:
Rui Ramos wrote:Ainda não li Hyperion.


Estás à espera de quê? Que seja por cá editado? Puxa uma cadeira. :P Se quiseres acho que ainda tenho por ali uns exemplares que te posso emprestar.


Eu tenho a omnibus edition, são dois tijolos. Se calhar também alinho na leitura e depois trocamos uns galhardetes :tu:

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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Rui Ramos » 01 Mar 2012 23:08

Thanatos wrote:
Rui Ramos wrote:(snip, snip)
Pode ser da minha velhice, mas mesmo assim, não me lembro nada da temática "medo nuclear" ser abordada no Dune.


A minha memória também já não é o que era mas a bomba atómica não tinha sido banida para sempre do Império? Naturalmente que este medo não é o fulcro de Dune (esse continuo a pensar que é o fundamentalismo religioso, o monopolismo e o messianismo) mas que ele estará lá, penso que está, como aliás 95% dos romances de FC pós-Hiroxima.


Lá está, foi banida, assunto remoto, sem grande importância. Sem grande peso. Confesso que tenho mais presente os eventos da série da SCI-FI do que propriamente do livro e na série, se não estou em erro, nem se quer é referido.

Thanatos wrote:
Rui Ramos wrote:Para mim Book of the New Sun consegue superar Dune aos pontos. Ainda não li Hyperion.


Estás à espera de quê?


Estou à espera que terminar o Urth of the New Sun que parou um bocado por causa do Ted Chiang que se meteu pelo meio (em parte por culpa tua). ;)

Já agora obrigado pela oferta de empréstimo, mas vou querer comprar a edição OMNIBUS. Diz-me: se vale a pena o Endymion?

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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Thanatos » 01 Mar 2012 23:29

Culpa minha, é sempre tudo culpa minha. :(

Quanto à questão Endymion decerto já terás lido algures pela net que os terceiro e quarto livros não valem a pena, que não chegam aos calcanhares, que são medíocres, bla, bla, bla. A isso digo, batatas!

Na verdade o primeiro díptico está para o segundo como um Lamborghini está para um Porche. Ambos são de elevada cilindrada, ambos têm brutais performances. Apenas acontece que uns gostam das linhas italianas e outros gostam da tecnologia germânica.

Eu como sou um gajo aberto à multiculturalidade direi que aquilo que me agradou em Hyperion e Fall of Hyperion não encontrei em Endymion e Rise of Endymion.

Mas por outro lado o que me agradou em Endymion e RoE não aparecia em Hyperion e FoH.

Dizer que uns são superiores aos outros seria como pedirem-me para dizer qual dos meus dois filhos eu amo mais. É uma questão falsa. Não se ama mais um do que outro. Amam-se pelas suas particularidades.

Resumindo, se leres apenas os dois primeiros não ficarás a perder nada de essencial mas seria como ires ao Louvre só para ver a Mona Lisa (hoje ando muito dado a comparações e parábolas, deve ser do toque messiânico do tópico :P ).

Por fim, tanto quanto saiba não há omnibus dos quatro volumes. Há para ambos os dípticos.

Os três contos não são essenciais mas acrescentam algum background e pelo menos um deles é belíssimo, duma sensibilidade a toda a prova. Por mero acaso está praticamente todo reproduzido no Hyperion. ^_^
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Rui Ramos » 02 Mar 2012 01:49

Obrigado pelas parábolas foram bastante úteis.

Confirmaste as minhas suspeitas quanto aos dois OMNIBUS (Hyperion e Endymion) que tenho na minha wishlist.

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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Rui Ramos » 02 Mar 2012 02:48

urukai wrote:Vais obrigar-me a sustentar algo que não me apetecia nada sustentar... <_<


Hey! Tu é que começaste :D

urukai wrote:Mantenho-o, as ideias materializadas de Dune 1 (especiaria, ecologia, poder nuclear, religião) estão algo datadas e não encontro eco significativo das mesmas no que temos ou no que vamos ter no futuro.


Amigo, pensa o que quiseres.

A meu ver a essência de Dune passou-te completamente ao lado uma vez que está a agarrar-te a aspectos secundários. Dune é sobre engenharia genética. É sobre a supremacia do Homem sobre a máquina, tanto é que quase que nem dás pela tecnologia. Em 2001 a Odisseia no Espaço, é igual. Só quando o Homem desliga a máquina e passa a depender apenas das suas capacidades consegue fazer a atravessia para o outro mundo (realidade/plano existencial) e ascender a uma nova etapa evolutiva (a criança cósmica) (estou a falar do filme pois nunca li o livro que está para ali a olhar para mim). Paul Atreides passa pelo mesmo. É o resultado de gerações e gerações de cruzamentos e aperfeiçoamento genético. Nasceu para ser o Messias, um ser humano superior. Está um grau acima na cadeia evolutiva.

Em Dune, existem homens treinados para serem computadores humanos! No Futuro longínquo já não dependemos dos computadores para pensar nem viajar no espaço. Isto, meu irmão é FC pura e dura.

Falas que está desactualizado porque usam especiarias. Ora a especiaria é fundamental para os tipos que pilotam as naves, logo é o mesmo que petróleo. Será que tenho que dizer que: a luta pelo monopólio dos recursos energéticos há-de ser sempre actual?

Falas que os conceitos de ecologia estão desactualizados. Quando vejo documentários sobre uma eventual colonização de Marte, ouço falar de assuntos abordados por Herbert. Quando vejo notícias de tempestades de areia devido ao desflorestamento maciço na China, lembro-me que Herbert apresentava a solução há umas décadas atrás... Enfim, podia continuar.

Poder nuclear continua a ser uma fonte de receio, ainda o ano passado o Japão sofreu na pele (mais uma vez) os efeitos do medo causado pelo Poder Nuclear. Isto para não falar do receio de armas nucleares irem parar à mão de terroristas fanáticos religiosos. Outro motivo de receito, o que é que é feito ao resido radioactivo produzido nas centrais nucleares? Já te ocorreu?

E a religião ainda é motivo de aceso debate. Ainda move muito "boa" gente para o bem e para o mal (ou para lado nenhum). E agora em tempo de crise, toda a gente em apuros vai ficar mais religiosa. Duvidas? Acreditas mesmo que a religião vai desaparecer?

urukai wrote: Claro que opressão de povos, luta pelo poder, hegemonia económica são temas tão abrangentes que não representam em si um conceito/ideia inovador e fracturante que me faça ficar de queixo caído.


Acho que estavas demasiado preocupado a olhar para determinados aspectos que achaste maus e não reparaste na história que estava a decorrer ;)

urukai wrote:Por exemplo, acho este exemplo mt puxado e não o consigo encaixar em Dune:

Se não fosse assim, jamais conseguiria explicar Duna como a história de uma família de origem grega (Atreides) a lutar pela independência económica/territorial (a exploração da especiaria mélange) que se encontra ameaçada por uma coligação de forças externas (Casa Harkonnen/Corte Imperial).


Aqui está a prova que me leva a questionar se leste a mesma versão que a maioria ;)

O exemplo que citas, pode não ser a interpretação que mais favoreça o livro, mas de uma forma bastante sucinta, sem revelar muito, resume-o bem. Não percebo qual é o teu problema, muito sinceramente.

urukai wrote:Esperem por isso um post meu mais extenso daqui por uns dias pois vou ter de maturar nestas coisas com mais cuidado.


Acho que fazes bem. :tu:

Nota: não tenho problema nenhum que não tenhas gostado do livro (volto a repetir). Só acho a tua interpretação desajustada daquilo que me lembro de ter lido.

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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby pco69 » 02 Mar 2012 11:55

Thanatos wrote:Culpa minha, é sempre tudo culpa minha. :(

Tadinho :P

Thanatos wrote:Quanto à questão Endymion decerto já terás lido algures pela net que os terceiro e quarto livros não valem a pena, que não chegam aos calcanhares, que são medíocres, bla, bla, bla. A isso digo, batatas!

Procura aqui pelo BBDE que deves encontrar algumas opiniões. Pelo menos, a minha deves encontrar. :P

Os dois Hyperion iniciais, são melhores que os dois Endymion. :whistle: Mas, sendo eu um adepto de ler as séries na sua totalidade, digo que também o deves fazer ;)

Em relação ao Dune/Duna....
Li a versões L.Brasil à mais de 30 anos e não me lembro o suficiente para argumentar muito. Tenho a versão SdE nas prateleiras para ler/reler :P .
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Rui Ramos » 02 Mar 2012 12:18

pco69 wrote:
Thanatos wrote:Culpa minha, é sempre tudo culpa minha. :(

Tadinho :P

Thanatos wrote:Quanto à questão Endymion decerto já terás lido algures pela net que os terceiro e quarto livros não valem a pena, que não chegam aos calcanhares, que são medíocres, bla, bla, bla. A isso digo, batatas!

Procura aqui pelo BBDE que deves encontrar algumas opiniões. Pelo menos, a minha deves encontrar. :P

Os dois Hyperion iniciais, são melhores que os dois Endymion. :whistle: Mas, sendo eu um adepto de ler as séries na sua totalidade, digo que também o deves fazer ;)


Tenho os dois na lista de compras próximas. Quando os preços baixarem um pouco mais, compro-os.

Thanatos wrote:Em relação ao Dune/Duna....
Li a versões L.Brasil à mais de 30 anos e não me lembro o suficiente para argumentar muito. Tenho a versão SdE nas prateleiras para ler/reler :P .


Essas edições :D Quando era miúdo o meu irmão disse-me que ainda era cedo para as ler (e dou-lhe) razão. Li-o já com vinte e em inglês.

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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Samwise » 02 Mar 2012 15:08

Rui Ramos wrote:
Amigo, pensa o que quiseres.

A meu ver a essência de Dune passou-te completamente ao lado uma vez que está a agarrar-te a aspectos secundários. Dune é sobre engenharia genética. É sobre a supremacia do Homem sobre a máquina, tanto é que quase que nem dás pela tecnologia. Em 2001 a Odisseia no Espaço, é igual. Só quando o Homem desliga a máquina e passa a depender apenas das suas capacidades consegue fazer a atravessia para o outro mundo (realidade/plano existencial) e ascender a uma nova etapa evolutiva (a criança cósmica) (estou a falar do filme pois nunca li o livro que está para ali a olhar para mim). Paul Atreides passa pelo mesmo. É o resultado de gerações e gerações de cruzamentos e aperfeiçoamento genético. Nasceu para ser o Messias, um ser humano superior. Está um grau acima na cadeia evolutiva.


Por acaso acho que o Dune aborda uma série de vertentes e essa até é uma das menos importantes para o resultado final (pelo menos no primeiro capítulo). Mais à frente falas do Petróleo, e aí já concordo contigo quanto à actualidade da obra (sem deixar, contudo, de entender que o urukai tem razão quanto aos aspectos que mencionou como datados) - para mim a essência da obra é mesmo o Spice/Petróleo e o enorme conflito de interesses que o seu controlo determina. À volta desta "particularidade" gira tudo o resto, incluindo a política (e os maravilhosos diálogos e jogos de bastidores de diplomacia), a religião, a biologia, a genética e até a guerra "pura e dura".

Mas ó Rui, tu não consegues debater um assunto sem deitar abaixo por uma vez que seja os outros intervenientes? <_<
Parece que só tu é que entendeste a obra e que só há essa maneira de olhar para ela.
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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Sharky » 02 Mar 2012 15:53

Rui Ramos wrote:Confirmaste as minhas suspeitas quanto aos dois OMNIBUS (Hyperion e Endymion) que tenho na minha wishlist.


Tens aqui as versões diferentes de (Hyperion e Endymion) e as Omnibus que referi acima, dois tijolos simpáticos :D

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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Bugman » 02 Mar 2012 16:10

Rui Ramos wrote:(...) o que é que é feito ao resido radioactivo produzido nas centrais nucleares? Já te ocorreu?


Ruizinho, tem lá calma, respira fundo e vai editar o texto... Tem tantas gralhas que percebo claramente as partes em que se viam as veias a latejar.

Quanto aos resíduos radioactivos produzidos nas centrais gostava que me dissesses o que se faz deles...
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O homem que obedece a Deus, não precisa de outra autoridade. Petr Chelčický
Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
Yes, I am a woman of the law. And there are lots of laws. But if they don't offer us justice, then they aren't laws! They are just lines drawn in the sand by men who would stand on your back for power and glory. Sartana
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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Rui Ramos » 02 Mar 2012 17:06

Samwise wrote:
Rui Ramos wrote:
Mas ó Rui, tu não consegues debater um assunto sem deitar abaixo por uma vez que seja os outros intervenientes? <_<


Fica anotado. Para aproxima refreio o entusiasmo.

Bugman wrote:
Rui Ramos wrote:(...) o que é que é feito ao resido radioactivo produzido nas centrais nucleares? Já te ocorreu?


Ruizinho, tem lá calma, respira fundo e vai editar o texto... Tem tantas gralhas que percebo claramente as partes em que se viam as veias a latejar.


Estive sempre entusiasmado no bom sentido, sem estar zangado com nenhum ponto de vista. Se feri os sentimentos de alguém, mil perdões. E só porque me trataste por Ruizinho toma lá um :hug: :D

Quanto às gralhas deixas lá estar. Servem para me lembrar para aproxima não me deixar apaixonar tanto pela argumentação.

Bugman wrote: Quanto aos resíduos radioactivos produzidos nas centrais gostava que me dissesses o que se faz deles...


Pode faz-se muita coisa mas como em tudo, opta-se pela menos ecológica.

Uma das hipóteses que vi num doc é armazená-los em bunkers enterrados bastantes metros debaixo da Terra. Mas isso tem custos e pelo que pesquisei, é (ou foi) mais frequente atirá-los ao mar (o que é completamente ilegal e prejudicial). Há organizações criminosas que são pagas para se livrarem dos resíduos, enviando-os para países como a Somália, ou explodindo com navios carregados deles.

Já vi notícias de contentores com resíduo radioactivo disperso pelos montes, sem qualquer espécie de protecção, sujeitos aos elementos e à curiosidade de quem passa (crianças por exemplo). Imagina a combinação contentor aberto+água da chuva+lixiviação+intoxicação das águas subterrâneas e do ecossistema que delas depende. Facilmente chegas à conclusão porque motivo as couves da avó Maria brilham no escuro ;)

Se as gerações actuais não têm medo do "Poder Nuclear" é porque estão inconscientes dos seus riscos e da corrupção que anda por aí. Até sinto um arrepio na espinha quando ouço alguém defender a energia nuclear cá para Portugal.

Mais info sobre resíduos nucleares aqui:
http://en.wikipedia.org/wiki/Radioactive_waste

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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Bugman » 02 Mar 2012 18:16

Pois... Trabalhando no complexo de um reactor nuclear dificilmente me encontrarás nas fileiras do anti. Aliás, quanto mais tempo aqui passo, mais pró nuclear sou e considero os anti nucleares hoje em dia o equivalente dos macacos que criticavam os que cozinhavam a comida com fogo. Podemos continuar esta conversa noutro lado se o quiseres.
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Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Thanatos » 02 Mar 2012 18:48

Bugman wrote:Pois... Trabalhando no complexo de um reactor nuclear dificilmente me encontrarás nas fileiras do anti. Aliás, quanto mais tempo aqui passo, mais pró nuclear sou e considero os anti nucleares hoje em dia o equivalente dos macacos que criticavam os que cozinhavam a comida com fogo. Podemos continuar esta conversa noutro lado se o quiseres.


Bugman, esta foi abaixo da cintura! Quer dizer, primeiro fazes uma pergunta aparentemente inocente. Depois largas a bomba (pun intended :P )

Meramente por acaso até acho que a temática nuclear, já que foi aqui abordada, seria interessante debater, ainda mais quando temos vários pontos de vista, desde o leigo (como eu) ao perito.
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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby Rui Ramos » 02 Mar 2012 18:52

Vou tentar ser calminho e bem comportado.

Samwise wrote:
Rui Ramos wrote:
Dune é sobre engenharia genética.


Por acaso acho que o Dune aborda uma série de vertentes e essa até é uma das menos importantes para o resultado final (pelo menos no primeiro capítulo).


Estamos de acordo, no que diz respeito aos multifacetados aspectos abordados em Dune. São vários que dão azo a múltiplas interpretações. A piada de Dune é mesmo essa.

Para mim, e com toda a humildade e sem me achar superior a ninguém, não concordo com o teu menosprezo com o papel desempenhado pela engenharia genética no primeiro livro da Saga Dune.

Paul é o culminar de gerações e gerações de procriação meticulosamente planeada com o objectivo de melhorar geneticamente a raça humana. Sem este planeamento simplesmente não haveria história, uma vez que não haveria herói.

Este tipo de ciência, a meu ver, é a espinha dorsal de Dune: a busca pelo Homem Perfeito! E a piada da saga é que esse homem perfeito, acaba por se tornar naquilo que ele veio destruir. Isso é genial.

As histórias imortais, falam sempre de uma coisa: Evolução do Homem e a sua caminhada rumo a um estado superior, mais nobre. Existem vários exemplos: Guilgamesh, Odisseia, Rei Artur, etc. Dune segue esta tradição milenar, daí receber o carimbo de "MELHOR" obra de FC (discutível, eu sei) . O livro é tão abrangente e aborda temáticas tão incutidas no nosso subconsciente colectivo que os leitores quando o lêem não querem saber se é FC, romance histórico ou fantasia. Até podia passar-se na Terra na idade média que ninguém ia notar a diferença. Por algum motivo, gente que não gosta de FC, gosta tanto de Dune. Foi Dune que me resgatou de volta à FC (em miúdo, detestava o género, achava-o datado ;) com sexo e drogas a mais e batalhas espaciais a menos).

Mas voltando a Dune e a minha interpretação: história-imortal-sobre-a-evolução-do-homem-a uma-condição-superior-HOMEM/DEUS.

Sam, Bug e Urukai, se tenho discordado tão apaixonadamente da interpretação do nosso amigo urukai, foi porque em lado nenhum sugeriu ter chegado a este ponto que para mim é fundamental em Dune (e digo isto a respirar muito calmamente, com a corrente sanguínea bastante regular). Acho que não deitei ninguém abaixo, quanto muito discordei de algumas opiniões. Paz!

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Re: Dune / Duna - Frank Herbert

Postby urukai » 02 Mar 2012 19:06

Bem,
tive aqui uma aberta e vamos começar por pontos:

1) Escrita

Dune é um livro bem escrito. O Sam já o disse e eu concordo. É uma escrita fluída, eficiente e clara. É concisa onde tem de ser e um pouco mais expansiva (sempre com alguma contenção) quando assim é exigido. Não fossem os inúmeros "Presently" e diria que o escritor tinha acertado em cheio neste item.

2) Enredo e Narrativa

Como já disse antes o enredo teve momentos altos e momentos baixos. A primeira parte é mt boa e odiamos os Harkonnen e queremos que os Atreides vinguem. Depois temos a imbecilidade do mentat dos Atreides (se aquilo é melhor que um computador vou ali e já venho) a partir daí é sempre a cair e achei que tudo entre a morte do Duke e a vitória de Paul é uma tremenda seca com apenas alguns momentos interessantes. O final é abrupto e como já disse antes faz-me confusão que um império caia em 30 minutos. A inexistência de um confronto entre Paul e o Barão também foi algo que me enervou sobejamente.

Em termos de narrativa, adorei o inicio com aquele estilo alternado de apresentação dos personagens mas detestei os avanços na acção com omissão de importantes momentos do plot, como por exemplo o que aconteceu ao Kynes entre deixar Paul e ser abandonado no deserto ou aquele enorme salto narrativo em que o Paul é um puto xarila de 15 anos e depois já é pai e o messias supremo de um povo de largos milhões... :rolleyes:

3) Ideias e Conceitos

Poder Atómico
O poder atómico (e o medo dele) está presente do primeiro ao último capítulo. Aliás havia uma lei imperial que impedia o uso de poder atómico entre as familias imperiais. O Paul ganha a batalha final recorrendo a esse poder atómico. Há aqui claramente um efeito hiroshima e guerra fria. Algo que me soa a datado e não tem eco nos tempos actuais. Acredito que quem tenha vivido com uma ogiva russa ou americana sempre pronta a rebentar se reveja neste tema mas eu actualmente penso mais no desemprego que no nuclear. Aliás, até nos davam jeito umas centrais em Portugal.

Ecologia
Aqui sim, acredito e consigo perceber que isto foi um conceito muito inovador e com impacto nos dias de hoje. Mas a aplicação que o Fran Herbert lhe deu é exactamente o contrário daquilo que nós vivemos hoje. Em Dune, a seca, o deserto, as dificeis condições ambientais não foram provocadas pelo homem. São um fenómeno natural (como o são o deserto do Sahara ou o deserto afegão) e os fremen aprenderam a viver com ele. Aliás, evoluiram por causa dessa mesma ecologia. Os próprios Fremen nunca quiseram mudar o deserto, foi o Kynes (um gajo externo a Arrakis) que lhes meteu a ideia na cabeça. Ora isto é antagónico ao que nós vivemos. Somos nós que estamos a provocar problemas ecológicos e não vão necessariamente no sentido do deserto e seca mas sim aumento dos níveis do mar e etc...
Contudo, admito que é um conceito admirável e que a questão de aproveitar toda a água do corpo é interessante mas completamente impossível sem sistemas computadorizados. Aliás isso no livro penso que nunca seja abordado. Os gajos mijavam para o fato e este transformava aquilo num liquido bebível.... :rolleyes:

Poder
Este sim, parece-me um tema central e bem desenhado. Há claramente um jogo de poderes entre todos mas não é nada diferente do que se vê em tantas outras obras. Não há inovação aqui, pelo menos lendo aos dias de hoje. George Martin dá uns 15 a 0 neste campo.

Especiaria
Todos vocês vêm um paralelismo entre especiaria e petróleo. Eu não, para mim a especiaria é claramente um símbolo para droga (substâncias químicas) como o futuro do homem! A vertente económica é também explorada mas a especiaria constituia um desbloqueador do potencial humano (para os bene gessirit; para os fremen que ficava mais prescientes e especialmente para os navegadores da guild que só assim conseguiam guiar). O petróleo não desbloqueia o potencial do homem, a especiaria sim, sendo que um dos efeitos é viajar entre planetas, mas a restante população usufrui de outros efeitos que não esse. Assim sendo, a especiaria é mt mais que petróleo, é um elemento ímpar que mudaria o curso da história da humanidade.
Se juntarmos isto com aquilo que o Rui disse:

Rui Ramos wrote:É sobre a supremacia do Homem sobre a máquina, tanto é que quase que nem dás pela tecnologia. Em 2001 a Odisseia no Espaço, é igual. Só quando o Homem desliga a máquina e passa a depender apenas das suas capacidades consegue fazer a atravessia para o outro mundo (realidade/plano existencial) e ascender a uma nova etapa evolutiva (a criança cósmica) (estou a falar do filme pois nunca li o livro que está para ali a olhar para mim). Paul Atreides passa pelo mesmo. É o resultado de gerações e gerações de cruzamentos e aperfeiçoamento genético. Nasceu para ser o Messias, um ser humano superior. Está um grau acima na cadeia evolutiva.
Em Dune, existem homens treinados para serem computadores humanos! No Futuro longínquo já não dependemos dos computadores para pensar nem viajar no espaço. Isto, meu irmão é FC pura e dura.


(que, ironicamente acaba por ser o meu melhor argumento) vemos que a única forma de o homem ser melhor que a máquina é tomando drogas (especiaria e o veneno dos vermes o Paul e Sapho Juice os Mentats). Ou seja, o conceito é audaz sem dúvida e acredito que em pleno boom das drogas alucinogénicas (o próprio filho do Frank Herbert disse em entrevista que o pai tomou drogas) fizesse algum sentido. As substâncias químicas desbloqueariam o poder da mente e não necessitaríamos das máquinas. Mas hoje em 2012 não podemos deixar de sorrir ao ver o que o futuro nos trouxe. Cada vez dependemos mais das máquinas e a química sintética está num beco sem saída.

Genética
Esta é a minha derivação mais forçada, mas penso que Frank Herbert uniu dois conceitos, o da propagação da espécie e influência do meio e a pouca informação sobre genética da altura e aplicou isso no
desenvolvimento por exemplo dos sardaukar, fremen e até de Paul (com o tal plano das bene gessirit). Penso que lhe saiu bem mas é uma abordagem mt pela rama e pouco explicada fundamentada (o cruzamento tendo em vista a melhorar uma espécie é complicado e gera mutações negativas, que o digam as biólogas aqui do BBdE). Hoje em dia o conceito utilizado pelo Frank Herbert é mt básico comparado com o que já se avançou e descobriu por isso soa-me a yesterday news e não lhe consigo dar a relevância dada pelo Rui Ramos.

Religião
Por último temos a religião. Parece-me uma temática mal explorada. A jihad do Paul cai ali de páraquedas e penso que terei de ler o volume 2 e 3 para ver isto melhor explorado.
De qualquer maneira parece-me mais culto que religião e apesar de termos o Islamismo extremista nos dias de hoje vejo poucas semelhanças entre as duas abordagens.

Por último, um disclaimer relativo à minha contextualização do livro. Cada pessoa tem as suas vivências e experiências e gostos e motivações e limitações. Só pelo facto de o Rui Ramos ser geólogo e eu ser farmacêutico já há uma cisão profunda na abordagem há obra. O que ele dará mais valor, a questão da ecologia e da transformação da paisagem de um planeta, eu meto à beirinha do prato e, alternativamente, acho piada a alguém conseguir conscientemente manipular moléculas externas com o corpo (como fazem as reverend mother). O ponto essencial no meio disto tudo passa muito pelo que o Sam disse, as ideias e conceitos do livro não tiveram um impacto mt por aí além em mim que o li quase 50 anos depois de ter sido escrito. Reconheço-lhe valor e admito que pertença aos canónes da FC mas em termos pessoais não vou mais longe e isto chocou com as expectativas que tinha criado (por exemplo, de ser o senhor dos anéis da FC que é uma das obras de referência da minha vida).
Relembro que tudo começou por uma liberdade metafórica num texto de opinião. No entanto, quero agradecer ao Rui Ramos e aos restantes pela troca de ideias que é sempre bem vinda. Para além do mais isto é o que eu ia dizer na tertúlia da Bertrand de hoje mas como vou ver os Harkonen Benfiquistas contra os Atreides Portistas não vou poder ir à sessão. :(

Por último, apenas uma nota relativa a isto:

Rui Ramos wrote:
urukai wrote:Por exemplo, acho este exemplo mt puxado e não o consigo encaixar em Dune:

Se não fosse assim, jamais conseguiria explicar Duna como a história de uma família de origem grega (Atreides) a lutar pela independência económica/territorial (a exploração da especiaria mélange) que se encontra ameaçada por uma coligação de forças externas (Casa Harkonnen/Corte Imperial).


Aqui está a prova que me leva a questionar se leste a mesma versão que a maioria ;)

O exemplo que citas, pode não ser a interpretação que mais favoreça o livro, mas de uma forma bastante sucinta, sem revelar muito, resume-o bem. Não percebo qual é o teu problema, muito sinceramente.


Para mim é forçado e seria o mesmo que dizer que o Tolkien se inspirou nos Descobrimentos Portugueses porque um povo muito pequeno (hobbits) numa época de trevas (Sauron Rising) deu novos mundos ao mundo (destruiu o anel e salvou a Terra Média).

A Europa está a tentar ajudar a Grécia e ninguém mandou os Gregos para a Grécia, eles já lá estavam a fazerem greguices e a destruir especiaria muito antes do Império Europeu os querer salvar. :twisted:
Last edited by urukai on 02 Mar 2012 19:12, edited 1 time in total.


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