Perdido Street Station (China Mieville)

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pco69
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Perdido Street Station (China Mieville)

Postby pco69 » 20 Dec 2009 19:27

Na realidade, quando se falava de SteamPunk, tinha uma vaga ideia do que seria. Após ler este livro, confirmei e aprofundei essa ideia.

Naquela palavra, o que interessa mesmo é o termo 'steam'- vapor. China Miélvile criou uma cidade movida a vapor com dirigíveis, pistolas do sec XVII, computadores, (chamados de máquinas analíticas), movidas a vapor e programadas com cartões perfurados, e ao mesmo tempo, uma capacidade enorme de modificação corporal. A criação dos Remades, (Refeitos?)seres que são modificados à vontade do criador ou do comprador. Com cabeça virada a 180 graus, bois que são Remade ficando apenas com as patas de trás para que possam puxar carros em ruas estreitas e com esquinas apertadas. Brços com pinças nas pontas em vez de mãos.

A história desenrola-se em New Corbuzon. e tem como a sua maior personagem, um cientista daqueles que gosta de trabalhar sozinho. E que além de gostar de trabalhar sozinho, tem como amante uma

Image,

uma espécie de mulher, com cabeça de escaravelho.

Sendo um cientista fora do convencional, as suas capacidades chegam até ao outro lado do mundo de onde chega um Garuda, uma espécie de homem pássaro a quem cortaram as asas, que atravessa meio mundo para pedir ao cientista que crie uma forma de ele poder voltar a voar

Image

Na busca de que forma conseguiria criar asas ou criar algo para voltar a devover o voo ao Garuda, Isacc, o cientista, adquire tudo o que que voe para que possa estaudar as formas das asas. Junto com os vários bichos voadores, vem um zzzzzz que acaba por se tranformar num Slake-Moth.

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Um bicho que vive de devorar as mentes de raças sencientes de Bas-Lag (O planeta onde se situa NewCorbuzon)

O livro segue então as várias demandas do cientista e de alguns dos seus amigos, incluindo do Garuda sem asas, para livrar a cidade dos bichos em questão. Para além de terem de lutar contra os Slake-Moths (são cinco, já agora...), ainda tem que lutar contra a milícia (á a policia lá do sitio) e contra Motley, (é o KingPin, grande mandão do crime lá do sítio).

Muitas peripécias, muitas raças maradas, muitas invenções estranhas, tais como a máquina da crise, que obtém energia a partir de uma crise e quanto maior é a crise, mais energia tem(*) e no final, uma decisão...um bocado fora dos cânones habituais.

A maior dificuldade que tive, foi imaginar as várias raças xenianas que iam surgindo. Já de si são estranhas e são descritas em inglês, que não é a minha língua mãe e onde só comecei a ler fluentemente à relativamente poucos livros. Mas a Internet é uma maravilha moderna e veio em meu auxilio, como confirmam ao longo do texto.

Resumidamente, gostei



(*) dava tanto jeito para Portugal uma máquina destas :whistling:
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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acrisalves
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Re: Perdido Street Station

Postby acrisalves » 20 Dec 2009 19:36

Bahhhh confirma-se . Quero ler este livro. Tenho de o por mais visível para quando terminar a leitura actual não me esquecer de lhe pegar...

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Re: Perdido Street Station

Postby Steerpike » 28 Dec 2009 21:33

Agora que me lembram o livro, uma versão abreviada deste meu texto (ghostwritten para o João Barreiros) apareceu numa edição da LER há uns anos. Talvez hoje não fosse tããããão generoso, mas de qualquer forma aqui vai:

Se há coisa de cinco anos tivessem perguntado por China Miéville numa livraria inglesa, decerto ninguém saberia de quem se tratava. China Miéville ainda mal “existia”, tendo até aí surgido com um conto e um poema em 1986, com treze anos apenas, numa antologia semi-obscura de jovens talentos editada pela Macmillan. Em 1998, o seu primeiro romance King Rat apareceu nos escaparates para delícia e aprovação de muitos, mas foi o segundo livro Perdido Street Station que de facto catapultou o jovem autor londrino para o sucesso, tendo-lhe valido inúmeras nomeações para prémios literários, para não falar do prestigiado Arthur C. Clarke Award em 2001.

China Miéville inspira-se generosamente em dois grandes vultos da literatura fantástica anglófona — Mervyn Peake e M. John Harrison —, e ainda no trabalho do surrealista Max Ernst, para erguer das páginas deste livro um universo pulsante de vida e complexidade. Bem-vindos à industrial e labiríntica metrópole de New Crobuzon, recortada por um lado da vivência de Miéville em Londres e no Cairo, e por outro da inescrutável Viriconium de Harrison e da decadência Gormenghastiana de Peake. Em New Crobuzon, onde a altura dos edifícios é comparável apenas à baixeza dos seus habitantes, Miéville (um activista de esquerda) encontra terreno fértil para apontar fortes críticas a injustiças sociais mais verídicas que as que seriam de esperar de um cenário fantástico.

Numa linguagem simultaneamente despudorada e atirando ao primor literário de M. John Harrison e Mervyn Peake, Perdido Street Station narra o pesadelo da vida de um cientista que inadvertidamente liberta sobre a cidade uma hoste de terríveis insectos gigantes, cauchemars salteadores de mentes, na tentativa de ajudar um estranho homem-pássaro a recuperar o dom do voo. Daqui e ao longo de 700 páginas se vão desprendendo extensas descrições e narrativas tangenciais que, se bem que supérfluas, são mesmo assim arrebatadoras e um autêntico regalo para o leitor em estilo e em conteúdo.

O protagonista acaba perseguido por uma milícia corrupta de um lado, por criminosos vingativos do outro, despertando pelo caminho duas entidades alienígenas e completamente imprevisíveis, tudo enquanto se vê obrigado a remediar o seu erro por força das circunstâncias. O desfecho de Perdido Street Station só é possível graças à aliança de três forças, quase da mesma forma que o romance em si é uma fusão de três géneros: a Ficção Científica, a Fantasia e o Horror.

É esta fusão que China Miéville denomina weird fiction — ficção estranha —, na tradição dos autores reunidos no início do século passado em torno da revista Weird Tales. De realçar que a tendência têm sido reavivada em anos recentes por outros escritores de grande talento, em paralelo ou como consequência de Perdido Street Station. Resta apenas descobrir se a próxima década será marcada por esta FC weird.

O ilusório futuro o dirá. LR


Abraços,
Luís
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Re: Perdido Street Station

Postby grayfox » 28 Dec 2009 21:39

este livro foi oferecido em pdf pela suvudu ha uns meses atras, acho que o tenho por aqui.
A melhor assinatura chinesa da actualidade.

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Re: Perdido Street Station

Postby Sharky » 28 Dec 2009 21:54

" Muitas peripécias, muitas raças maradas, muitas invenções estranhas, tais como a máquina da crise, que obtém energia a partir de uma crise e quanto maior é a crise, mais energia tem(*) e no final, uma decisão...um bocado fora dos cânones habituais. "

Algo me diz que vou gostar deste livro, mas ainda tenho que o adquirir.

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acrisalves
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Re: Perdido Street Station

Postby acrisalves » 31 Dec 2009 17:05

Finalmente, deu-me para pegar no livro.

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Re: Perdido Street Station

Postby Rekoa_Meton » 02 Jan 2010 01:05

O livro está traduzido para português ou esta é uma daquelas perguntas que vão arrancar gargalhadas e "sim, pois, espera por essa"?
<!--sizeo:2--><span style="font-size:10pt;line-height:100%"><!--/sizeo-->«Nat achava-se superior às outras pessoas. Lia livros, e coisas assim.»<!--sizec--></span><!--/sizec--> <!--sizeo:1--><span style="font-size:8pt;line-height:100%"><!--/sizeo-->em<!--sizec--></span><!--/sizec--> "<!--sizeo:1--><span style="font-size:8pt;line-height:100%"><!--/sizeo-->Os Pássaros", de Daphne Du Maurier<!--sizec--></span><!--/sizec-->

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Re: Perdido Street Station

Postby Steerpike » 02 Jan 2010 01:50

Rekoa Meton wrote:O livro está traduzido para português ou esta é uma daquelas perguntas que vão arrancar gargalhadas e "sim, pois, espera por essa"?


É mais o "espera por essa", sim.

Abraços,
Luís
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Re: Perdido Street Station

Postby pco69 » 17 Jan 2010 17:35

acrisalves wrote:Bahhhh confirma-se . Quero ler este livro. Tenho de o por mais visível para quando terminar a leitura actual não me esquecer de lhe pegar...

Tenho estado à espera de uma critica tua ao livro. :pipoca:
Nem aqui nem no teu blog.
Deixaste de criticar os livros que lês? :o
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

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Re: Perdido Street Station

Postby acrisalves » 17 Jan 2010 18:32

LOL tens pontaria - estou a escrevê-la agora. Deve sair segunda ou terça.
Não deixei de comentar os livros que leio, mas neste momento tenho, para além deste, 4 livros para comentar. Com um possível quinto quando terminar hoje o que estou a ler.

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Re: Perdido Street Station

Postby acrisalves » 18 Jan 2010 02:24

E já lá está - meia noite de segunda feira , novo post --> Perdido Street Station. Espero terminar o post sobre Imaginarios 2 ainda esta semana.

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Re: Perdido Street Station

Postby Sharky » 18 Jan 2010 02:37

Quero ver se pego nesse tijolo ainda este ano, está na fila :tu:

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Re: Perdido Street Station

Postby Bubbles » 18 Jan 2010 22:49

E só acabar os que estou a ler... agora fiquei ainda mais curiosa :)
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Re: Perdido Street Station

Postby acrisalves » 19 Feb 2010 16:50

Deixo aqui o meu comentário à obra

___________________________________

Jeff Vandermeer, John Harrison ou Mark Z. Danieleewski são alguns dos autores com obras enquadradas no género fantástico New Weird, onde vulgarmente se destaca Perdido Street Station, um dos livros mais referenciados de China Miéville. Do autor conhecia Iron Council (um livro que decorre no mesmo mundo) e The City & The City ( livro engraçado mas longe de brilhante, onde duas cidades existem no mesmo espaço e tempo), mas nenhum deles me preparou para Perdido Street Station.

Esta foi sem dúvida uma das obras mais estranhas que já tive oportunidade de ler. Integrando várias listas dos melhores no género fantástico, a acção em Perdido Street Station ocorre num mundo distinto do nosso, na cidade de New Crobuzon, onde coexistem várias espécies inteligentes, de morfologia tão distinta quanto os seus hábitos: espécies cujas fêmeas possuem corpos humanos com cabeça e asas de insecto, homens cacto de grandes corpos rígidos, espécies voadoras que se assemelham a águias no seu porte orgulhoso.

Isaac é um cientista nesta terra estranha, capaz de cruzar diferentes ramos da ciência, o que o distingue dos colegas. Por essa razão, é muitas vezes contratado para solucionar problemas que, para outros, seriam impossíveis. Mas Isaac não é invulgar apenas pela polivalência, mas também por manter um romance secreto e proibido com Lin, uma fêmea de outra espécie, Khepri, com cabeça e asas de insecto, que ganha a vida como artista. A vida profissional de ambos sofre uma reviravolta ao aceitarem os últimos trabalhos que lhes propuseram: Isaac aceita restaurar a capacidade de voo a um Garuda a quem foram retiradas as asas, e Lin trabalha para o maior mafioso da cidade na construção de uma estátua.

Durante os estudos sobre o voo, Isaac contacta um mediador criminoso e propõe-se a comprar todos os espécimes voadores que lhe arranjem, ou até larvas que possam originar animais capazes de voar. Entre os animais recebidos encontra-se uma larva que se alimenta apenas de Dreamshit, uma droga alucinogénia. Alimentada, constrói o casulo e induz em Isaac estranhos e perturbantes sonhos eróticos. O animal em que se transforma não é um insecto normal, antes um predador implacável de almas, um ser irracional mas multidimensional que hipnotiza qualquer espécie biológica pensante. Este monstro liberta outros da sua espécie, o que instaura o terror na cidade: de noite todos os habitantes são atormentados por sonhos pavorosos e nenhum ser racional é capaz de capturar e matar sozinho estes enormes insectos devoradores de almas (que a certa altura me recordam, por alguma razão, os alienígenas retratados em Alien).

Com cerca de 600 páginas, o início do livro é uma lenta introdução à vida na cidade de New Crobuzon, apresentando-nos de forma enquadrada, as várias espécies, as suas crenças e costumes : os valores diferem e alguns são mais tradicionalistas que outros, isolando-se em guetos. Mas não se ilude quem inicie o livro, postas as peças no tabuleiro, a acção torna-se quase frenética o que impulsiona o leitor a virar rapidamente as páginas, até ao fim.

Cativante, viciante e sólido – estes são apenas três adjectivos que caracterizam Perdido Street Station: a história é bem contada, de vocabulário rico, carregada de detalhes que integram de forma natural as próprias personagem, sem paternalismo para com os leitores – em momento algum o autor poupa as personagens para sacrificar o desenrolar lógico dos acontecimentos. A conjunção de todos estes elementos faz de Perdido Street Station um dos melhores livros que já li do género fantástico.

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Re: Perdido Street Station

Postby Bubbles » 16 Nov 2010 15:05

"Perdido Street Station" e um dos títulos incontornáveis quando se fala de fantasia, em especial de Steampunk. Agora percebo perfeitamente porquê.

Este não e todo um livro fácil de ler, mas vale a pena o esforço. Grande parte da primeira parte e usada para descrever New Crobuzon, onde se passa a historia, e toda a miríade de espécies semi-humanas que a habitam. Apesar de ser extremamente interessante, e por vezes fascinante, e uma introdução bastante lenta que me levou um pouco a arrastar a leitura. Mas assim que me entrosei no imaginário do livro tudo começou a fluir mais facilmente. E a partir desse momento e impossível deixar de pensar na cidade como se ela fosse uma personagem em si.

A historia em si pode ser dividida em duas partes bastante contrastantes, que não vou aprofundar de forma a não estragar o prazer de quem ainda não leu. A primeira parte não e muito movimentada mas e extremamente necessária para percebermos quem são as personagens, o que as motiva e como estão interligadas. Quando todas essas peças estão no lugar, um acontecimento despoleta a segunda parte da historia, muito mais movimentada e cativante.

Enquanto que na primeira parte não tive grandes problemas em simplesmente ir lendo, com um ritmo bastante lento, na segunda parte tive sérios problemas em pousar o livro. E quando cheguei ao desenlace da segunda parte e me deparei com umas boas trinta paginas por ler... não resisti e tive de acabar o livro nessa mesma noite. O desenlace da segunda parte da historia foi muito bem construído e extremamente cativante. Mas o final do livro foi um murro no estômago, não estava nada desse desenlace.

Este e um excelente livro. So tenho pena que tenha demorado tanto a tempo a lê-lo. A linguagem por vezes nao e simples, especialmente com todos os termos tipicamente deste universo, e na verdade depois de um dia de trabalho em que so oiço inglês, e na maioria das vezes inglês técnico, não conseguia entrar no ritmo necessário para apreciar esta obra. Mas hei-de no futuro voltar ao universo de New Crobuzon, sem duvida alguma. Como se costuma dizer, estranha-se mas depois entranha-se ;)
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