O teu Rosto Será o Último - João Ricardo Pedro

urukai
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Re: O teu Rosto Será o Último - João Ricardo Pedro

Postby urukai » 28 Aug 2012 20:17

Thanatos wrote:
urukai wrote:Relativamente ao JRP já acreditei mais em Fadas! :whistle:

Conto de fadas à séria foi este caso:

http://www.publico.pt/Cultura/romance-i ... is-1519977

Andou comigo na faculdade e o homem desistiu de quase tudo pelas artes.
Escrevia peças e lá ia sobrevivendo com dificuldades pelo que os 25.000 euros de prémio que ganhou foram um balão de oxigénio no seu orçamento anual e felizmente permitem-lhe continuar a escrever e a actuar.


Retirado na notícia do link acima:
Na acta do júri, presidido pelo escritor Vasco Graça Moura, a que a Lusa teve acesso, salientam-se “as qualidades de escrita reportadas à dureza de um universo infantil numa aldeia de Trás-os-Montes e à maneira como o estilo narrativo encontra uma sugestiva economia na expressão e comportamentos das personagens”.


Alguém me diz, sem rodriguinhos, o que raio quer aquilo dizer em concreto? :blink:


Não sei. Até porque não li o livro e já decidi que, a partir de agora, só vou ler coisas que me interessem, independentemente de terem ganho prémios ou serem clássicos ou altamente recomendados...

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Manuel Alves
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Re: O teu Rosto Será o Último - João Ricardo Pedro

Postby Manuel Alves » 29 Aug 2012 21:12

Apesar do que já disse aqui (baseado no excerto que li), o autor não deverá ser o pior escritor a escrever em português, em Portugal. Suponho que qualquer um aqui poderia facilmente enumerar meia dúzia de autores portugueses inacreditavelmente bem sucedidos para a quantidade de excremento que produzem nos seus escritos. :mrgreen:

Ah, e a propósito dos estilos característicos e únicos de certos escritores (Anibunny ;) ), a quem interessar: https://www.facebook.com/EscreverSemNome

Talvez queiram ajudar no pequeno desafio literário proposto na página (para a qual, por acaso... só por acaso, fui eu que criei o logo e o banner :mrgreen: ).
blheck!

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Re: O teu Rosto Será o Último - João Ricardo Pedro

Postby Anibunny » 29 Aug 2012 23:11

O do valter hugo mãe é canja =( Nunca li Gonçalo M. Tavares (mea culpa)

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Manuel Alves
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Re: O teu Rosto Será o Último - João Ricardo Pedro

Postby Manuel Alves » 30 Aug 2012 17:49

Anibunny wrote:O do valter hugo mãe é canja =( Nunca li Gonçalo M. Tavares (mea culpa)


Suponho que uns estilos são mais imediatamente identificáveis do que outros (isto é, partindo do princípio que realmente acertaste :mrgreen: , pois não referiste o número do texto que lhe atribuíste).

E para isto não ser um completo off-topic (se calhar, crio um tópico só para isto :D ), renovo os meus votos de boa sorte para a carreira literária do autor falado neste tópico. :mrgreen:
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Re: O teu Rosto Será o Último - João Ricardo Pedro

Postby nimzabo » 17 Oct 2013 09:12

Este tópico já vai na terceira página e se bem o li na diagonal a unica pessoa que o leu foi a anibunny que não gostou do livro.
Eu lembro-me de numa feira do livro de Lisboa, provavelmente na de 2011, ver um enorme destaque dado a este livro, sendo publicitado que tinha ganho um prémio literário, o Leya. Na altura não liguei muito apesar de também na imprensa o livro ter sido bastante falado. Nunca mais pensei nele.
Há coisa de uma semana uma amiga devolveu-me, devido a insistência minha, por correio um livro que lhe havia emprestado há alguns anos e junto meteu como oferta o livro de que se fala neste tópico.

Há livros em que uma pessoa vê logo ao fim de uma página ou duas se vai gostar ou não e penso que é o caso deste livro.
Não que se adivinhe como será a história mas a qualidade da escrita já lá está.
Penso que todo o burburinho que se fez à volta deste livro é perfeitamente justificado e não me importava de saber escrever assim.
Achei o livro surpreendente, original, criativo, bastante bem escrito, cómico e unico.
A história acaba por se revelar um bocado para o surreal, o mesmo é dizer que se chega ao fim e não se percebe a relação entre vários dos episódios que acontecem na história. Aliás não se percebe a inclusão de algumas partes (eu pelo menos não percebo e suponho que seja assim com a maioria das pessoas).
O livro vai contando episódios disconexos de 3 gerações de uma familia portuguesa do sec. XX e é aqui e ali nesses contos que vão surgindo referências à nossa história recente. Penso que no fundo o livro é um mosaico de contos que tem como massa de contacto a mesma familia.
No fim senti a desilusão de ver que vários elementos da história não encaixam (ou pelo menos eu não percebi a sua razão de ser). Não percebi em particular tudo o que tem a ver com o quadro da mulher de muletas. Essa parte passou-me completamente ao lado.
Da escrita, da imaginação, de alguns contos gostei imenso.
Não digo como obra literária mas como exercicio de escrita criativa a nota para mim seria um 10/10.
Last edited by nimzabo on 02 Nov 2013 16:45, edited 1 time in total.

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Re: O teu Rosto Será o Último - João Ricardo Pedro

Postby Bugman » 18 Oct 2013 17:14

nimzabo wrote:No fim senti a desilusão de ver que vários elementos da história não encaixam (ou pelo menos eu não percebi a sua razão de ser). Não percebi em particular tudo o que tem a ver com o quadro da mulher de muletas. Essa parte passou-me completamente ao lado.
Da escrita, da imaginação, de alguns contos gostei imenso.
Não digo como obra literária mas como exercicio de escrita criativa a nota para mim seria um 10/10.


Mas será que uma amálgama de ingredientes que não sabem bem a nada, com travos de desagradável, fazem de um prato um bom prato de cozinha criativa? Infelizmente se não é um livro de contos mas antes uma amálgama de contos, acaba por cair na maior parte do que é dito e que me tem afastado dele (e me levam a duvidar de um prémio com nome de grupo livreiro).

Confesso que tenho alguma dificuldade em lidar com o 10/10 em escrita criativa que não é extensível a obra literária. Podias aprofundar com exemplos?
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Re: O teu Rosto Será o Último - João Ricardo Pedro

Postby nimzabo » 18 Oct 2013 19:12

Não, mas posso tentar explicar melhor.
Por obra literária quis dizer um livro mais no sentido clássico, com uma narrativa linear ou com personagens desenvolvidos, por exemplo, ou com um estilo de escrita que se mantém ao longo do livro.
Por escrita criativa entendo mais como se fosse um improviso. Uma pessoa sentar-se e tentar escrever algo. Não tanto uma arte solidificada e consistente e por exemplo um conhecimento profundo da natureza humana ou focalizado num determinado aspecto dela mas usar a imaginação mais do que qualquer outra coisa. Inventar. Até com estilos que variam de capitulo para capitulo. Até com alguns deles copiados ou inspirados em outros escritores.

Quanto aos ingredientes a mim sabem-me bem e muitos achei agradáveis.
Uma amalgama também não me parece. Falta-lhe um fecho, uma realidade que integre todos os elementos.
Alguns elementos pareceram-me no final estranhos à história, quase como se a história fosse surreal, como já escrevi antes.
Mas também pode ser que seja eu que não tenha compreendido a intencionalidade do escritor (se é incapacidade minha ou culpa dele, não sei).
Ainda assim a relação à mesma familia está patente em (quase) todos os capitulos. Há uma âncora que ata (quase) todos os capitulos.
Comparando à pintura onde há muitos estilos e géneros, penso que também se pode escrever um livro em que nem todas as partes encaixam no todo. É legitimo. Principalmente se quase todas as partes são bens escritas e eu penso que é o caso.
Ao contrário da Anibunny não aprecio muito asneiras ou calão mas também não me parece que o seu uso seja excessivo.

Eu li as duas primeiras páginas aos meus pais em voz alta porque acho que estão engraçadas. Penso que gostaram.
Sugiro que, se têm alguma curiosidade em relação a este livro, façam o mesmo em qualquer livraria.
Ler o principio. A mim parece-me engraçado e bastante bem escrito.
Se gostarem podem continuar, senão lêem outra coisa qualquer.
Mas para ter uma opinião mais fundamentada só mesmo lendo o livro todo.
Dizer que o livro é bom porque foi premiado ou que não deve ser bom pela mesma razão não me parece válido.

Mais do que a opinião que possa ter em relação ao livro, o que me apetece mais afirmar é que o autor tem talento.
Na minha opinião ele escreve bem.


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