Omertà - Mario Puzo

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Omertà - Mario Puzo

Postby ApoK » 19 Feb 2005 04:28

Título: Omertà
Autor: Mario Puzo
ISBN: 9725644468
Editora: Quetzal Editores
Edição: 2000
Páginas: 267
Dimensões: 23x15 cm
Colecção: Serpente Emplumada

Com Omertà, Mario Puzo termina a sua trilogia sobre a Máfia. Seguindo o mesmo fio condutor do seu predecessor, O Último dos Padrinhos, somos novamente regalados com um romance sobre o corrupto mundo do crime moderno nos EUA.

A história centra-se em Don Raymonde Aprile, um velho e respeitado Don de Nova Iorque, que tenta graciosamente fazer a sua retirada final após uma longa vida de crime organizado passada nos meandros da corrupção, traição e honra. Don Aprile tem três filhos, os quais criou e tratou de forma a que se tornassem personagens respeitadas da sociedade civil evitando de todas as maneiras que alguma vez tomassem conhecimento do seu arriscado estilo de vida. De maneira a assegurar a protecção dos seus filhos e garantir a chefia e gestão da sua cadeia de bancos internacionais, Don Aprile educa em segredo o seu sobrinho adoptado, Astorre Viola, segundo os valores da velha tradição Siciliana, a Omertà.

A retirada de Don Aprile é vista com maus olhos e de forma suspeita por Kurt Cilke, um agente especial do FBI responsável por grandes golpes infligidos nas organizações mafiosas durante o final da década de 80 e começo dos anos 90. Cilke atingira todo o seu sucesso arranjando maneira de quebrar os laços de segredo que uniam todas as famílias da Máfia. A troco de avultadas quantias de dinheiro e com a necessária garantia de protecção policial, vários membros das organizações haviam quebrado a Omertà - o código Italiano de silêncio que proibia os seus homens de revelarem qualquer segredo das operações efectuadas às autoridades, fornecendo assim uma protecção recíproca contra a investigação criminal.

Uma série de acontecimentos catalizam a entrada de Astorre na vida da família e no assumir das mais altas e importantes funções no seio da mesma. Juntamente com os seus primos, Astorre Viola vê-se envolvido numa contenda final contra as acções de Cilke e do FBI, que têm como intuito dar o golpe final na Máfia Americana que dava, até então, o aspecto de ter perdido toda a sua tradição e poder.

Um pouco em contraste com a minha opinião expressa na crítica ao segundo livro desta saga, O Último dos Padrinhos, há uma série de aspectos menos positivos nesta obra que não posso deixar de apontar, mesmo que tal me custe, por ser um admirador incondicional de Mario Puzo. Em Omertà, o leitor poderá ter a leve sensação de um pouco "mais do mesmo" do que já lhe tinha sido apresentado nos dois primeiros volumes. Em nenhum dos anteriores livros tinha sido apresentado um leque tão vasto de personagens, tal facto pode tornar-se bastante confuso se desde o início não se prestar atenção a todos os pormenores que nos vão sendo apresentados, tive de recorrer diversas vezes às minhas notas para não me perder. Para além disso, exceptuando três ou quatro casos, o número de personagens com antepassados sicilianos é extremamente reduzido, sendo que grande parte delas são indivíduos ligados a outras áreas do crime organizado e a vários departamentos policiais o que pode defraudar algumas expectativas de encontrar o clássico romance sobre a Máfia Siciliana. No entanto, apesar de alguns "senão" o livro mantém o nível de qualidade que era exigido e oferece uma série de novas situações e ambientes interessantes.

Omertà não conseguiu atingir o elevado patamar de genialidade de O Padrinho e O Último dos Padrinhos, mas anda lá perto e não deixa de ser um livro de elevada qualidade repleto de casos trepidantes e das clássicas vendettas que só Mario Puzo consegue criar e transportar para os seus romances e que eu não posso deixar de recomendar, mesmo que não tenha lido as obras anteriores. A capacidade de escrita de Puzo é notável e repleta de segredos, na medida em que nos levamos a questionar durante o livro quem realmente é o "mau" e o "bom" surgindo diversas vezes algumas reviravoltas deliciosas.

Escrita durante os últimos anos da sua vida, esta obra acaba por ser o final ideal para esta trilogia, inserindo uma série de novos enredos evitando perigosas repetições de temas, sem nunca perder o sentido e a linha directiva de toda a saga, a Máfia.

Mais uma vez, a tradução de Mário Dias Correia para a Quetzal Editores, revela uma grande qualidade. As variadas notas de rodapé enriquecem a tradução dissipando possíveis dúvidas que possam surgir com a leitura. É bom saber e ter a sensação de que se está a ler algo de acordo com a obra original.

Crítica por: José Carvalho (ApoK)
<b>"Deixem-me ouvir, uma vez mais, esses sons que foram, durante tanto tempo, a minha consolação e alegria."</b><br />W. A. Mozart - December 5th, 1791

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