Mundos Paralelos

White_Lady
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Re: Mundos Paralelos

Postby White_Lady » 29 May 2006 22:58

Ele disse-me que parecia uma história para crianças (já não me lembro com qual história é que a comparou, creio que foi com o Hobbit, e disse que era ainda mais infantil :unsure: ) e também não gostou do estilo de escrita. Geralmente tenho a opinião de tal pessoa em grande conta, e como as outras pessoas, que como disse deram uma opinião positiva acerca do livro, não me souberam explicar melhor o porquê de ser tão interessante, sempre fiquei um pouco de pé atrás.

Agradeço o teu comentário pois, até agora, foi o que mais me entusiasmou. Quando tiver oportunidade tentarei então lê-los. ;)

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acrisalves
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Re: Mundos Paralelos

Postby acrisalves » 30 May 2006 15:00

Já ouvi falar muito desta trilogia e apesar de numa primeira vista parecer fantasia para jovens, muitos graúdos têm apreciado ... Mas fantasia vai ter sempre esse estigma por mais complexo que seja o livro.

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Agnor
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Re: Mundos Paralelos

Postby Agnor » 30 May 2006 18:16

Também não concordo muito com o rótulo de fantasia para crianças. Sinceramente não estou a imaginar alguém entre 10-14 anos a compreender na totalidade (ou mesmo metade) de toda a dimensão do livro.

Sinceramente, esta trilogia só se torna um verdadeiro clássico no seu último livro.
É difícil explicar-te o seu valor sem te revelar os momentos decisivos na história.
O meu conselho: lê os 3 livros, acredita que não perdes em nada, só tens a ganhar. Mas não vale leres apenas um ou dois, lê os três. Tens a minha garantia de satisfação :P

OFFTOPIC: Já agora com a nova teoria dos mundos paralelos (que está a ganhar cada vez mais peso entre a comunidade científica) poderá ser que os livros de fantasia sejam vistos com outros olhos... Sim, porque, segundo esta teoria, existe uma infinidade de universos paralelos ao nosso, em que cada um poderá diferir apenas na posição de um átomo, ou mesmo um universo em que nós não existamos. Com esta infinidade de universos, tudo o que de ficção foi escrito, aconteceu ou estará a acontecer... teoria interessante essa :blink:

EDIT:
"Mas fantasia vai ter sempre esse estigma por mais complexo que seja o livro"

Concordo contigo.... por exemplo, um dos maiores fenómenos da literatura portuguesa foi "Os Lusíadas".... ainda gostaria que me explicassem porque é que esta obra não está incluída no estilo de fantasia.....
EDIT2: Não só os Lusíadas, mas as epopeias antigas em geral

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acrisalves
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Re: Mundos Paralelos

Postby acrisalves » 31 May 2006 11:01

Agnor wrote:EDIT:
"Mas fantasia vai ter sempre esse estigma por mais complexo que seja o livro"

Concordo contigo.... por exemplo, um dos maiores fenómenos da literatura portuguesa foi "Os Lusíadas".... ainda gostaria que me explicassem porque é que esta obra não está incluída no estilo de fantasia.....
EDIT2: Não só os Lusíadas, mas as epopeias antigas em geral


Faço a mesma pergunta para Saramago ou outros... :devil:

Ludowig
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Re: Mundos Paralelos

Postby Ludowig » 02 Jun 2006 00:14

Hey!
Bem, já li estes livros há algum tempo, mas não são daqueles livros que se esquecem facilmente. Penso que o que me mais fascinou nestes livros foi o atrevimento (não foi bem atrevimento, afinal é um mundo livre=) ) de Pullman ao expôr todas estas teorias que se estão a desenvolver e que se estão a provar à medida que espreitamos cada vez mais longe no universo. Teorias da criação, universos paralelos, matéria criadora de tudo o resto: temas cada um mais complexo que o anterior e que nos transportam para um lugar nos nossos sonhos que é completa e absolutamente criado e descrito nestes livros.
A must read!


Ludowig


PS- penso que "Os Lusíadas" não está incluído na fantasia porque já tem um tema que o caracteriza perfeitamente, "Obras magnificas, intocaveis e absolutamente geniais." hehe =)
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Re: Mundos Paralelos

Postby Samwise » 02 Jun 2006 10:14

I like your Avatar, Mr. Ludowig.

Esses "seres" são uma das coisas mais enigmáticas e espectaculares do filme!

Sam
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Re: Mundos Paralelos

Postby Ludowig » 02 Jun 2006 21:53

Um filme espectacular e sublime só por si...Já a viagem de chihiro é outro... ainda não vi foi o howls moving castle... Decerto também um must see! =)

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Re: Mundos Paralelos

Postby Cerridwen » 06 Jun 2006 10:43

ThUnDDeR wrote:desculpa estar a ser um pouco crítico, mas já havia um tópico a falar desta trilogia, postado pelo nightcrawl se não me engano.

Tópicos juntos, questão resolvida. :)

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Re: Mundos Paralelos

Postby bella_L » 20 Oct 2007 16:38

Reli a trilogia recentemente por causa do filme que vai sair... Gosto de me lembrar dos livros para poder criticar o filme.
Não gostei muito do primeiro livro. Concordo que demora muito tempo a arrancar: deixei-o a ganhar pó na estante até começar a ler mais do que uma página seguida sem me fartar. Mas valeu a pena.
O melhor dos três é sem dúvida o 3º: toda a relação Lyra-Will, a inocência e o Pó, Deus... Tem umas ideias muito inovadoras´e geralmente muito criticadas, mas acho que é isso mesmo que dá força à trilogia.
Não é uma trilogia exatamente para crianças, mas depende da maturidade de cada um. Li-a quando tinha 13 anos (eu sei, não há muita diferença :biggrin:) mas penso que já nessa altura compreendi perfeitamente toda a mensagem do livro.

Uma coisa que não percebo (e era por isso que não reconhecia o nome sempre que me deparava com ele na internet): Mundos Paralelos = His Dark Materials? Porquê a tradução tão diferente? :|
<!--fonto:Century Gothic--><span style="font-family:Century Gothic"><!--/fonto-->"When life offers you a dream so far beyond any of your expectations, it's not reasonable to grieve when it comes to an end" <i>Bella</i><br /><!--fontc--></span><!--/fontc-->

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Re: Mundos Paralelos

Postby Rekoa_Meton » 26 Dec 2007 17:52

No que me diz respeito, tudo o que tem à ver com esta trilogia é muito confuso. Não o conteúdo do livro em si, mas todo o percurso editorial (e a forma como cheguei até ele). Primeiro, as traduções, que são, sem dúvida, imensamente literais; problema agravado ainda porque parece que não foi só em Portugal que isso aconteceu, pelo que, por sinal para agradar ao público dos EUA, o filme chega cá com o nome de "Bússola Dourada". Segundo, as capas: agora já não são duas, mas três; as primeiras, mais infantis, pertenciam à colecção "Estrela do Mar" (a mesma em que o Harry Potter foi publicado), mas acho que o conteúdo era exactamente o mesmo, embora não o jure a pés juntos, depois os livros foram reeditados na colecção "Via Láctea" com as capas que estão no primeiro tópico, e recentemente fizeram edições com imagens dos filmes, que custam a módica quantia de 18€ (eu comprei-os com as 2ªs capas por 11€20 na fnac, e 12€30 na bertrand). Eu cá, sinceramente, até gosto mais das primeiras capas. As outras são demasiado reluzentes para a minha mania da originalidade.
Também ao contrário das restantes opiniões, eu achei bastante gira as primeiras partes dos "Reinos do Norte" - a descrição de Lyra e da sua vida em Oxford está genial. "A Torre dos Anjos" é o meu livro da série preferido, talvez por causa que foi o primeiro, talvez porque é o que mais mete ficção científica, que é a parte que eu mais gostei, a possibilidade dos mundos paralelos. No "Teloscópio de Âmbar" parece-me que o autor já estava cansado daquilo e queria mas é despachar: muitas possibilidades "científicas" que foram mal exploradas ou simplesmente esquecidas, "rabos por esfolar", acontecimentos dos outros livros que podiam ter sido aproveitados e não foram... não deixa de ser um bom livro, mas não gostei tanto dele como dos outros dois.
<!--sizeo:2--><span style="font-size:10pt;line-height:100%"><!--/sizeo-->«Nat achava-se superior às outras pessoas. Lia livros, e coisas assim.»<!--sizec--></span><!--/sizec--> <!--sizeo:1--><span style="font-size:8pt;line-height:100%"><!--/sizeo-->em<!--sizec--></span><!--/sizec--> "<!--sizeo:1--><span style="font-size:8pt;line-height:100%"><!--/sizeo-->Os Pássaros", de Daphne Du Maurier<!--sizec--></span><!--/sizec-->

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Re: Mundos Paralelos

Postby jeffer » 02 Feb 2008 18:04

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O livro A Bússola de Ouro foi publicado pela primeira vez em 1995 e faz parte da trilogia Fronteiras do Universo, do escritor britânico Philip Pullman. O segundo livro da saga chama-se A Faca Sutil e o terceiro A Luneta Âmbar.

A Bússola de Ouro mostra o início da aventura de uma órfã de 12 anos de idade, Lyra Belacqua, em um universo paralelo ao nosso. Nesse universo existem bruxas boas, ursos guerreiros, instituições que querem dominar o mundo e o papa se chama Calvino. Há também os dimons (daemons), que são as "almas" dos humanos separadas de seus corpos e assumem a forma de animais falantes. Os dimons das crianças mudam de formas, os dos adultos não. O dimon de Lyra chama-se Pantalaimon e sua forma mais comum é a de um arminho. Lyra é sobrinha de Lorde Asriel e vive na cidade catedrática de Oxford, entre brincadeiras não tão inocentes nos telhados e catacumbas da cidade, guerreando com os garotos gypcios e não obedecendo aos seus tutores, até perceber que várias crianças começam a sumir raptadas pelos Globbers. Depois que seu amigo Roger é raptado, Lyra passa a ser criada pela Sra. Coulter, e descobrindo alguns de seus segredos, foge com os gypcios para o Norte. Conhece o urso polar Iorek Byrnison. Ajuda-o por duas vezes e é ajudada por ele. Parte para Bolvangar para libertar seu amigo Roger e outras crianças, que sofrem experiências fatais de separação de dimons. Lembre-se que os dimons são as "almas" delas. Aqui começam as críticas do autor à Igreja, pois os Globbers não são outros senão as autoridades religiosas, incluindo a Sra. Coulter.

Nesta aventura toda, Lyra utiliza-se do aletiômetro, uma bússola dourada capaz de responder a qualquer pergunta. E também descobre sobre o Pó, que apesar de no livro não ficar claro o que é, no filme é definido como livre-arbítrio (free will). Este Pó tem relação direta com a maldição bíblica de Gênesis - tu és pó e ao pó voltarás - e é considerado pelos vilões da trama como o mal universal. O que faz Lyra concluir exatamente o contrário sobre ele. A crítica à Igreja (e de certa forma à Ciência) se fazem presentes novamente, como se o livre-arbítrio fosse domesticado ou até anulado pela Igreja. Como o Pó aparece em crianças e mais abundantemente em adolescentes (idade em que se começam a tomar decisões por conta própria), estes são as cobaias favoritas da Igreja. A relação com a pedofilia e com a bitolação mental infantil também não são mera coincidência. No final, o livro traz uma reviravolta já prevista por uma das bruxas: Lyra será traída por alguém próximo antes de continuar sua jornada.

Philip Pullman segue uma grande escola de escritores britânicos que escrevem sobre mundos fantásticos: C. S. Lewis (As Crônicas de Nárnia), J. R. R. Tolkien (O Senhor dos Anéis), Terry Pratchett (Discworld), Douglas Adams (O Guia do Mochileiro das Galáxias) e J. K. Roling (Harry Potter). Mas ao contrário dos outros, Pullman é o primeiro destes a considerar a Religião como um mal e a criticá-la abertamente. Se bem que eu, particularmente, não acho que a crítica de Pullman seja tão sem sentido ou mordaz. Ele só mostra algo que está visível a todos. Vê quem quer. Sente-se ofendido aqueles em quem a carapuça servir. Documentários como Zeitgeistsão bem mais ácidos.

É dito que o título da série em inglês His dark materials é baseado na obra de John Milton, O Paraíso Perdido, que diz: His dark materials to create more worlds, ou Seus materias escuros foram usados para criar outros mundos. Parece que a idéia sobre o Pó também foi retirada do mesmo livro.

Como não poderia fugir à regra, o filme é inferior ao livro. Corta partes importantes, muda as seqüências dos acontecimentos e o torna mais leve, deixando de mostrar as críticas à Igreja e as mortes infantis. O nome da instituição dominante é trocado de Igreja para Magistério. Uma das cenas fora de ordem é a entre a Estação Experimental (Bolvangar) e a Fortaleza dos Ursos (Svalbard). Várias coisas que Lyra faz em Bolvangar não são narradas. O filme também acrescenta o personagem malévolo Fra Pavel que nem existe no livro.

A estória deixa de ser adolescente-adulta para comprimir-se no formato infanto-juvenil. Altera-se de uma experiência racional crítica para uma puramente visual. O filme empobrece uma estória muito bem articulada de crítica moderna. Como o filme termina antes que o livro, para quem leu, fica a impressão de que cortaram os últimos 5 minutos do filme. Uma sensação realmente frustrante. Para os que somente assistiram ao filme, algumas partes ficam sem sentido, sem nexo, sem história. Muitos detalhes visuais, pouco enredo.

A capa da 2ª edição do livro já vem baseada no cartaz do filme que estreou em dezembro de 2007, pela New Line. Além de criticar a Religião, a estória traz também conceitos de metafísica, física quântica, filosofia e simbologia bíblica. O livro vale a pena ser lido, já o filme... vale a pena procurar algo mais inteligente para fazer.


Fonte: http://www.jefferson.blog.br
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Re: Mundos Paralelos

Postby jeffer » 02 Feb 2008 18:11

Resenhei o primeiro livro da trilogia aqui mesmo no BBDE. Se quiserem conferir, está aqui.
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Re: Mundos Paralelos

Postby jeffer » 05 Feb 2008 19:35

bella_L wrote:Uma coisa que não percebo (e era por isso que não reconhecia o nome sempre que me deparava com ele na internet): Mundos Paralelos = His Dark Materials? Porquê a tradução tão diferente? :|

Se em Portugal é Mundos Paralelos, imagina aqui no Brasil que é Fronteiras do Universo! Acho que a tradução soa muito parecida com a dos títulos de filmes, que muitas vezes são basicamente uma questão mercadológica.

Quanto ao His Dark Materials, a Wikipédia informa que trata-se de uma referência à uma sentença de John Milton, em Paraíso Perdido:

"His dark materials to create more worlds"

1 abraço.
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Re: Mundos Paralelos

Postby Cassiopeia » 26 Feb 2008 22:21

Terminei há pouco tempo o The amber spyglass e gostei bastante. Penso que esta trilogia tem ideias bastante originais e que fazem pensar. Entre elas as mais peculiares ligam-se à ideia de Deus, à de livre arbítrio, ao crescimento pessoal do ser humano, à forma como tudo está interligado (e neste ponto a ideia de morte fascinou-me) e à divisão do ser humano em três partes (alma/espírito/corpo).
A ideia de daemon está muito interessante, gostava bastante de conhecer a forma do meu :smile:

Não concordo com o rótulo de "Literatura para crianças". Para compreender os temas a que se refere penso que é precisa uma certa maturidade de pensamento. Não deixem de ler: é encantador!

Boas Leituras!
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