Trilogia do Mal (Ricardo Menéndez Salmón)

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Trilogia do Mal (Ricardo Menéndez Salmón)

Postby Cerridwen » 01 Mar 2009 17:55

A Ofensa
Ricardo Menéndez Salmón


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Editora: Porto Editora
ISBN-13: 978-972-0-04502-7
N.º de Páginas: 128

Se o corpo é a fronteira entre cada um de nós e o mundo, como pode o corpo defender-nos do horror? Quanta dor pode um homem suportar? Pode o amor salvar aquele que perdeu a esperança? São estas algumas das perguntas implícitas em A Ofensa, a história de Kurt Crüwell, um jovem alfaiate alemão empurrado pelo nazismo para o vórtice de uma experiência radical e insólita.

Metáfora de um século trágico, viagem vertiginosa às raízes do Mal, A Ofensa afirmou Ricardo Menéndez Salmón como um dos grandes nomes da jovem ficção espanhola.

A Ofensa foi finalista do Prémio Salambó e do Prémio Nacional da Crítica, além de ter sido considerado por vários órgãos da comunicação social o melhor romance publicado em Espanha em 2007.

Primeiras páginas do livro: A Ofensa

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Re: A Ofensa (Ricardo Menéndez Salmón)

Postby Cerridwen » 13 Jun 2009 11:42

«Em “A Ofensa” - considerado por alguns media espanhóis como “o melhor romance publicado em Espanha em 2007″ -, Kurt Cruwell é um jovem alfaiate alemão destacado para a II Guerra Mundial. Antes de partir, o pai diz-lhe estas palavras: “Procura manter-te sempre na retaguarda. O heroísmo foi inventado para os que carecem de futuro.”

No livro, Kurt Cruwell acaba por não suportar a realidade da guerra. A determinada altura, aquilo que vê e que faz entra em conflito com a sua sensibilidade e a personagem rompe as amarras com a realidade. Para Ricardo Menéndez Salmón, Kurt pode ser visto como “uma metáfora”. Desde que Hitler chegou ao poder e o início da II Guerra Mundial passaram-se seis anos. “Nesses anos, Hitler foi dando provas do que era realmente e na Europa ninguém moveu um dedo para evitar que o seu poder aumentasse. Isto é uma constante na História. Gerámos monstros, deixámo-los crescer e quando esses monstros se começam a movimentar, muitas vezes, viramos a cara para olharmos para outro lado.”

Ricardo Menéndez Salmón publicou o seu primeiro livro aos 27 anos. Nasceu em 1971, pertence à primeira geração que em Espanha escreve em liberdade. A sua grande influência são os romances do século XIX. E Dostoievski, Herman Melville, a literatura de vanguarda, Juan Carlos Onetti, Kafka, Conrad estão entre os seus autores preferidos.»

«Para este escritor espanhol o mal é um tema inesgotável, independentemente do momento histórico escolhido. “Kurt podia ser um soldado norte-americano no Iraque”, diz.

Optou por situar a sua história durante a II Guerra Mundial porque é um tema que sempre o interessou. Foi o último grande conflito em que praticamente o mundo inteiro se viu envolvido e o fenómeno do nazismo tem uma pergunta a que é impossível responder. “Licenciei-me em filosofia e todos os grandes nomes da filosofia moderna são alemães. De Kant até aqui, a Alemanha construiu as grandes formas de pensamento do mundo europeu. A música clássica é alemã, têm artistas maravilhosos… E surge então a pergunta óbvia: como é possível que o país que deu frutos intelectuais extraordinários tenha sido, ao mesmo tempo, aquele onde se incubou ‘o ovo da serpente’ (citando o filme de Bergman)? Essa pergunta continua sem resposta porque certamente é impossível responder. É a pergunta da modernidade. E é nela que a minha literatura se move.”»

«“A Ofensa” foi um romance de “escrita lenta”, foram precisos quase três anos de trabalho para que o escritor terminasse um “livro muito pequeno”. Foi escrito sequencialmente, apesar das três partes do romance terem um estilo muito diferente. “A primeira parte começa com tom quase realista de reportagem de guerra e a última termina com um tom simbolista, surrealista, quase de filme de David Lynch. A segunda parte é mais filosófica, mais conceptual, quase um tratado do amor, um tratado do corpo. Cada parte, embora o narrador seja omnisciente, exigia um tom e uma aproximação distinta”, conta.

No trabalho de um escritor há zonas de obscuridade. Ricardo não sabe muito bem por que é que toma certas decisões. Diz que há muito de intuição na literatura. “Do ponto de vista da escrita o mais difícil foi o final de ‘A Ofensa’. Para mim era claro desde o início que Kurt devia morrer para recuperar a sua humanidade. Como se houvesse uma espécie de paradoxo em que só no momento da morte Kurt voltasse a recuperar essa unidade perdida. Como se só a morte lhe devolvesse o sentido.”

É curioso porque foi precisamente essa última parte que foi lida de maneiras muito diferentes. Há quem diga ao escritor que a última parte deste livro é “um romance de fantasmas”. Outros dizem-lhe que tem um tom de Grand Guignol, quase de “mascarada”, como se fosse um jogo de máscaras. Outros insistem nos aspectos oníricos.

A história foi levando o escritor nessa direcção e o romance foi ganhando simbolismo porque, acredita Ricardo, a personagem já se tinha convertido num símbolo. “Kurt no centro do romance converte-se numa metáfora, já não é só ele, representa muitas outras coisas”, diz, e é uma personagem cuja história nos acompanha depois de encerrado o livro.»

O mal é um tema inesgotável, Isabel Coutinho: Leitura do texto completo

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Postby Cerridwen » 23 Jan 2010 14:39

Derrocada
Ricardo Menéndez Salmón


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Editora: Porto Editora
Tradução: Helena Pitta
ISBN: 978-972-0-04511-9
Páginas: 176
Classificação: Romance
Data de publicação: 28 de Janeiro/2010

Da sinopse: «Derrocada é o segundo volume da Trilogia do Mal, de Ricardo Menéndez Salmón, iniciada com a obra A Ofensa, que a Porto Editora já publicou.

Uma terrível ameaça recai sobre Promenadia, uma pacata cidade costeira. O Mal irrompe sob a forma de um assassino em série, que seduz vítimas e verdugos, actores e espectadores, transformando-se na sombra da comunidade.
Os pilares de uma sociedade de escassos valores são infectados pela chaga do Terror - um prenúncio da derrocada - a que ninguém, nem mesmo Manila, o cismático polícia encarregado da investigação dos vários crimes, fica imune.

Um homem perverso que não tem nada a perder; duas famílias que crêem ter perdido tudo; três jovens que encontram na violência uma forma de expulsar o tédio. Em Derrocada, a única justiça é o horror, a única vocação é a atracção pelo Mal.»

Leitura de um excerto do livro

Ricardo Menéndez Salmón é licenciado em Filosofia pela Universidade de Oviedo e autor de diversas obras.

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Re: Trilogia do Mal

Postby Cerridwen » 26 Apr 2010 13:17


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Re: Trilogia do Mal

Postby Cerridwen » 05 Feb 2011 19:45

O Revisor
Ricardo Menéndez Salmón


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Editor: Porto Editora
Tradutor: Helena Pitta
ISBN: 978-972-0-04317-7
Páginas: 128

Sinopse: «Em 11 de Março de 2004, a história de um país denominado Espanha sofreu uma mudança irreversível. Este romance fala-nos desse dia terrível e, mais tarde, da sua reconstituição por um revisor de provas. Um revisor que é obrigado a corrigir os erros dos outros e que, naquele dia, tropeça numa errata incorrigível escrita no livro da realidade.

Concebido como o testemunho de um cidadão comum, mas sobretudo como uma confissão de amor, O Revisor é uma homenagem àqueles que nos permitem manter o bom senso nos tempos de incerteza e um testemunho impressionante acerca do poder do amor nas suas diversas formas - a amizade, a paternidade, a sexualidade - como abrigo contra a inclemência da vida e contra as mentiras do Poder.

Assim, se A Ofensa indagava a Segunda Guerra Mundial num cenário de História lida e interpretada, se Derrocada se interrogava, a propósito dos nossos medos, através da História intuída ou imaginada, O Revisor aproxima-se, sem rodeios, através do narrador implacável, da História vivida e protagonizada na primeira pessoa.

Com este romance, Ricardo Menéndez Salmón termina a Trilogia do Mal que o guindou a um lugar cimeiro na literatura espanhola.»

Leitura de um excerto do livro: http://recursos.portoeditora.pt/recurso?&id=2374933

Crítica: http://daliteratura.blogspot.com/2011/01/ricardo-menendez-salmon.html

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Re: Trilogia do Mal (Ricardo Menéndez Salmón)

Postby Cerridwen » 09 Mar 2013 18:53

(...)com A Ofensa, de Ricardo Menéndez-Salmón que, sendo espanhol, também recorda numa certa secura as obras de Tavares e de autores alemães, húngaros ou polacos. Kurt, o protagonista, seria o herdeiro do negócio de alfaiataria da família se a guerra não tivesse eclodido (falo da Segunda Guerra Mundial), levando-o para longe de casa e de uma namorada que não voltará a ver, porque é judia – e, aos judeus, sabemos o que aconteceu nessa época. Muito contido e brilhantemente escrito, este é um romance sobre como pode a visão do horror afectar o corpo de um soldado que, de repente, deixa de entender a própria língua e a vê como idioma hostil e ininteligível. Excelente para umas horas livres (é um texto curto), deixa-nos a pensar durante muito tempo.
- Maria do Rosário Pedreira, no seu blogue Horas Extraordinárias

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Re: Trilogia do Mal (Ricardo Menéndez Salmón)

Postby MAGG » 10 Mar 2013 17:50

Tenho este cá em casa. Já me tinha-me esquecido que o tinha. A ver se o passo para a lista de leitura para mais breve :blush:


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