Biblioteca (Zoran Zivkovic)

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Cerridwen
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Biblioteca (Zoran Zivkovic)

Postby Cerridwen » 11 Dec 2005 20:16

Biblioteca
de Zoran Zivkovic

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Editora: Cavalo de Ferro
ISBN: 9728791836

Biblioteca é a primeira obra de Zoran Zivkovic traduzida para o português e que valeu ao seu autor um World Fantasy Award. Sendo constituída por seis pequenos contos que giram em torno dos livros.

É um livro que se lê facilmente, não só pelo seu pequeno número de páginas mas especialmente pela simplicidade e originalidade de cada conto.

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pco69
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Re: Biblioteca

Postby pco69 » 31 Oct 2009 23:12

Um livro imperdivel para quem gosta de fantasia.
Não da fantasia da magia e espadas no ar.
Mas da fantasia bem escrita e sobre coisas simples, como uma biblioteca.
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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acrisalves
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Re: Biblioteca

Postby acrisalves » 31 Oct 2009 23:15

Um dos melhores livros de contos que tive oportunidade de ler ! Entretanto li outros, em inglês, do mesmo autor... a opinião manteve-se mas fiquei com pena que não tenha sido publicado mais nada em português. Em inglês os livros são publicados principalmente por duas editoras - Aioe Ps Publishing. Em ambas são edições de capa dura, de luxo... mas não muito acessíveis ao bolso.

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Re: Biblioteca

Postby acrisalves » 01 Nov 2009 14:07

Deixo aqui o comentário feito há dois anos no blog:

Nascido em 1948 em Belgrado, Zoran Zivkovic formou-se em Teoria da Literatura, tendo-se dedicado de seguida a diversas actividades, entre as quais à escrita ficcional. Esteve recentemente em Portugal por ocasião do Fórum Fantástico, onde apresentou Biblioteca, obra contemplada com o 2003 World Fantasy Award para melhor novela (10 000 a 40 000 palavras).

Obra pequena, Biblioteca encontra-se dividida em 6 partes, cada uma representando uma biblioteca mais fantástica, impossível e deliciosa que a anterior: virtual, particular, nocturna, infernal, mínima e requintada. Sobre cada uma um pequeno conto que nos deixa um sorriso nos lábios, mas é impossível descrever as histórias sem entragar o prazer de o ler.

Posso dizer que gostei. Cada parte se nos apresenta como uma surpresa sumarenta, e o conjunto de contos é de todo obrigatório para todos aqueles, em cuja vida, os livros tenham um papel importante.

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Steerpike
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Re: Biblioteca

Postby Steerpike » 02 Nov 2009 21:31

E isto foi o que escrevi na Bang! há uns anos. Atenção, pode conter spoilers e coiso:

Para saborear, mastigar e digerir
Luís Rodrigues

Biblioteca
Zoran Živković

Tradução de Arijana Medvedec
Cavalo de Ferro — Maio de 2005
ISBN 972-8791-82-8

Zoran Živković é, quiçá, um nome ainda relativamente desconhecido para muitos portugueses, não obstante o autor orgulhar-se de um invejável currículo além-fronteiras, para não falar da fama que lhe é reconhecida no seu país natal, a Sérvia. Especialista em ficção científica, Živković muito contribuiu para o género com a escrita de numerosos ensaios académicos, a organização de uma enciclopédia em dois volumes e, através da sua editora Polaris, a publicação de mais de cem obras traduzidas. Em 1993, decidiu enveredar pela escrita de ficção com o monumental Četvrti krug («O quarto círculo»), actividade à qual se tem dedicado quase exclusivamente desde então.

Abraçando tão vasta experiência no campo editorial, da escrita à publicação, Živković encontra-se pois no seu elemento quando é hora de contemplar os livros que lhe são tão queridos. E é precisamente com Biblioteca, obra galardoada em 2003 com um World Fantasy Award — feito notável, diga-se de passagem, dado o anglofonocentrismo que por hábito rege estas atribuições — e uma nomeação para o International IMPAC Dublin Literary Award, que Živković surge agora no nosso país pela mão da tradutora Arijana Medvedec e dos editores da Cavalo de Ferro.

Note-se que o tema em questão também já não era inédito para o autor, uma vez que Biblioteca se materializa no seguimento de Knjiga («O livro»), um comentário bem-humorado sobre a nossa especial relação com os livros, e onde se reservam as mais duras críticas para a exploração comercial da literatura.

À semelhança de várias outras obras de Živković, como Nemogući susreti («Encontros impossíveis») ou Četiri priče do kraja («Quatro histórias para o fim»), Biblioteca pode ser considerada um romance em mosaicos, uma sequência de contos em torno de um tema comum, encerrados por uma narrativa que perspectiva todas as anteriores.

«Biblioteca Virtual», o conto que inaugura a colectânea, explora o potencial fantástico da Internet — espaço de inúmeras possibilidades — com uma versão digital da «Biblioteca de Babel» do argentino Jorge Luis Borges: um site que se gaba de conter todos os livros. Confrontado com tão singular anúncio, o escritor que narra a história resolve procurar as suas próprias obras na Biblioteca Virtual, ao que, com surpresa e horror, se depara com a sua bibliografia completa, presente e também futura.

Desencadeia-se uma furiosa troca de mensagens com os proprietários do site, ao fim da qual o escritor deixa de poder consultar a sua página. À indignação, segue-se a angústia, quando o protagonista se apercebe de ter desperdiçado um vislumbre precioso do futuro e, tão importante quanto isso, daquilo que poderá nunca vir a criar.

A miríade de caminhos bifurca-se exponencialmente, mas só um nos é permitido trilhar. Este potencial insondável, bem como as proporções astronómicas que a matemática combinatória permite descortinar, eram já temas recorrentes na obra de Borges, na qual Zoran Živković se inspira generosamente para nos oferecer as suas bibliotecas.

Em «Biblioteca Mínima», novo personagem vê-se a braços com o infinito, quando adquire (a um vendedor cego, nem mais!) um misterioso volume em tudo semelhante ao monstruoso «Livro de Areia» de Borges. Este protagonista, também ele escritor, constata que o livro exibe nas suas páginas uma obra literária diferente de cada vez que é aberto. No entanto…

«[…]depois de já ter levantado e baixado a capa pelo menos dez vezes, parei de repente a meio de um movimento. A questão que irrompeu à superfície da minha consciência de imediato transformou o meu deslumbramento em algo próximo da consternação. O que acontecia com uma obra depois de eu fechar o livro? Pelo que tinha compreendido, desaparecia sem deixar rasto. Isso significava que até então, com a minha precipitação infantil, tinha perdido para sempre mais de dez romances!» (74)

Seguem-se várias tentativas desesperadas (e infrutíferas) de recuperar ou preservar estas obras. O desassossego volta a imperar, de tal forma que o protagonista se vê impedido de «continuar a viver calmamente, fingindo que nada tinha acontecido.» (73) Mas ao invés de ceder ao desespero, o protagonista encontra uma solução simples, ainda que eticamente questionável.

Entre «Biblioteca Virtual» e «Biblioteca Mínima», outras situações, todas elas dignas de figurar como episódios da boa velha Twilight Zone, sucedem-se. Em «Biblioteca Particular», um homem recolhe compulsivamente os oito mil trezentos e cinco tomos da literatura universal que se materializam, como que por milagre, na sua caixa de correio; de tal forma que acaba por preencher todo um quarto de livros. À obsessão coleccionista, também ela fruto do confronto com uma totalidade irresistível, segue-se um remate mordaz: «Sentar-me-ia na entrada, junto da porta aberta do quarto, e estaria simplesmente a observar o tesouro amarelo-escuro diante de mim.» (34)

Logo a seguir, em «Biblioteca Nocturna», um indivíduo fechado acidentalmente numa biblioteca durante a noite, descobre que esta alberga minuciosas biografias de todas as pessoas que já existiram, incluindo a do próprio. Recusando-se a aceitar o que vê, o narrador racionaliza o insólito dos factos, assumindo que estas biografias não passam de dossiers organizados pelo regime ditatorial do seu país.

Este cepticismo é uma atitude comum nos protagonistas de Živković, a fazer lembrar o conflito dos opostos blakeanos — a Razão, por um lado, e a Energia criativa, por outro — que estão no fulcro da existência humana. Porém, de uma forma ou de outra, todos os personagens acabam resignados à bizarria dos factos, concluindo que «às vezes é mais aconselhável e proveitoso aceitar coisas estranhas» (25) e notando como «o ser humano aceita com mais facilidade o impossível quando este deixa de o surpreender» (74). Živković, apesar de racionalista assumido, não tem quaisquer problemas em se entregar ao elemento fantástico dos seus contos. Trata-se, afinal de contas, de ficção.

Não obstante, os narradores expõem todas as suas dúvidas e inquietações numa abordagem que, conjugada com uma certa rigidez estilística por parte do autor, pode fazer as magras 96 páginas de Biblioteca parecerem mais longas do que na realidade o são. Por outro lado, a imaginação de Živković e o seu subtil sentido de humor chegarão para manter o interesse de quem lê.

Isto porque, à formalidade estilística do autor, contrapõe-se uma boa dose de irreverência e ironia. «Cada época tem o seu inferno. Nesta altura é uma biblioteca.» (57) Assim observa Živković os tempos modernos, ao mesmo tempo que responde à afirmação feita por Jorge Luis Borges de que «o paraíso seria uma espécie de biblioteca.» Mas paraíso, de acordo com a etimologia da palavra, é também um espaço fechado; e na Biblioteca de Živković, todos os protagonistas são feitos reféns dos livros que encontram.

Atinge-se enfim a sexta e derradeira narrativa, onde um coleccionador de grande requinte procura abolir da sua biblioteca os inestéticos volumes que correspondem aos cinco primeiros contos do livro. O número total de histórias não surge aqui por acaso, da mesma forma que poucos números surgem por acaso na obra de Živković: o seis remete de imediato para os famosos hexágonos da Biblioteca de Babel. Basta, também aqui, repetir a clássica sentença: «A Biblioteca é uma esfera cujo centro cabal é qualquer hexágono, e cuja circunferência é inacessível.»

Se os livros ofendem, se a bibliofilia se torna um suplício, é porque estes objectos nos recordam da nossa própria efemeridade. Não só a esperança de vida de um livro é consideravelmente superior à humana, como, pela sua profusão, a maioria das obras se apresenta inatingível. Com habitual silêncio, apertando as suas línguas de papel, os livros que nunca leremos zombam-nos do alto das prateleiras, enquanto agitamos um punho cerrado na sua direcção num gesto inútil de revolta e ameaça.

A única forma encontrada pelo coleccionador de exorcizar estes intrusos é levando à letra o conselho de Francis Bacon de que certos livros são para saborear, mastigar e digerir. Porque, como qualquer bibliófilo sabe, não há livro mais incómodo do que aquele que fica por ler. LR
The vorpal blade went snicker-snack!

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Re: Biblioteca

Postby nimzabo » 26 Nov 2009 23:34

É simples, original, engraçado e pequeno.
Nada de excepcional em termos de qualidade mas lê-se bem e depressa, em duas horas talvez.
Escrito com bom gosto. Uma lufada de ar fresco.
Fez-me lembrar os contos do Bertrand Russell.

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Re: Biblioteca

Postby urukai » 12 Oct 2010 12:30

A Biblioteca, Zoran Zivkovic

É um livro fino, pequeno, discreto. Talvez por isso se tenha imiscuído por entre os seus irmãos mais velhos, obesos, enormes que partilham habitação nas minhas prateleiras. Sorrateiramente, sem ter dado por isso colocou-se em primeiro lugar na fila de leitura. Peguei nele e, devido à minha preguiça literária, não o li num trago mas muitos de vocês não tinham conversado com ele mais do que uma tarde. Eu levei 3 semanas para ler os 6 contos que o constituem. Não viveu à altura do Hype que eu tinha acumulado sobre ele mas um livro tão pequeno dificilmente chega a uma altura qualquer. Contudo, foi muito acima da média durante os três primeiros contos: A Biblioteca Virtual, a Biblioteca Particular e a Biblioteca Nocturna. Foram três ideias magníficas (difícil de as descrever sem spoilar) que foram bem aproveitadas. Há um tom fantástico que nunca é assumido em toda a sua plenitude pelos narradores na 1ª pessoa (e naturalmente pelo escritor) mas que deixa um aroma exótico por todo o livro. Os três últimos contos, Biblioteca Infernal, Mínima e Requintada, não têm a pujança dos primeiros mas estão igualmente bem estruturados e bem escritos.
O final de cada um dos contos pareceu-me, em todos, abrupto e demasiado aberto como que se a ideia tivesse ficado suspensa no ar. É bom para o leitor imaginativo mas decepcionante para o leitor mais terra-à-terra.
O estilo do escritor é eficaz e directo contudo tem um pequeno pormenor que me irritou bastante. Por inúmeras vezes o autor usa a negação da negação. Por exemplo: “aquilo nunca era inadmissível”; “Ele não estava insatisfeito”. Ou seja, temos de dar uma dupla volta ao raciocínio e nalguns casos, para quem tem dificuldades em não ser ilógico :twisted: , a coisa custa a entender e corta o ritmo de leitura!
Mas esta obra, apesar do seu tamanho (ou talvez por causa dele) torna-se essencial em todas as bibliotecas, sejam elas virtuais, particulares, nocturnas, infernais, mínimas ou requintadas. Da minha tenho a certeza que nunca sairá.

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Re: Biblioteca

Postby Gaminha » 12 Jan 2011 15:24

Biblioteca

Autor: Zoran Zivkovic
Data de Publicação: 2010
Editora: Cavalo de Ferro
Páginas: 104
ISBN: 9789896231378


Sinopse
Livro vencedor do prestigiado World Fantasy Award, Biblioteca reúne seis histórias fantásticas ligadas à bibliofilia, fazendo-nos pensar em Jorge Luis Borges e na sua biblioteca infinita, mas também no universo de Kafka ou de Umberto Eco. No conto de abertura, um escritor descobre um site onde todos os seus livros, inclusive os que ainda não escreveu, se podem consultar; num outro, uma comum biblioteca transforma-se durante a noite num arquivo de almas; noutro, ainda, o Diabo decide estabelecer os níveis da literacia infernal...


A biblioteca virtual, A biblioteca particular, A biblioteca nocturna, A biblioteca infernal, A biblioteca minimal e A biblioteca requintada.

O que farias se descobrisses um estranho email que te publicitasse uma biblioteca virtual que tinha todos os livros do mundo? Ou se na tua caixa de correio aparecesse um volume da História universal de todas as vezes que abrias a caixa de correio? E uma biblioteca nocturna onde poderias requisitar os livros da vida? E se o inferno fosse uma biblioteca?


São estas algumas das histórias que constituem Biblioteca. Um livro pequeno e rápido de se ler, com seis histórias sobre bibliotecas e livros. Muito engraçadas e divertidas mas que não nos marcam, ou que facilmente esqueceremos. Algumas não conseguem satisfazer-nos pleanemante com o final, outras parecem um pouco apressadas. Achei o livro um pouco caro viste ter 100 páginas e ser pequeno.

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Re: Biblioteca

Postby annawen » 12 Jan 2011 16:54

Gaminha wrote:São estas algumas das histórias que constituem Biblioteca. Um livro pequeno e rápido de se ler, com seis histórias sobre bibliotecas e livros. Muito engraçadas e divertidas mas que não nos marcam, ou que facilmente esqueceremos. Algumas não conseguem satisfazer-nos pleanemante com o final, outras parecem um pouco apressadas.


Neste ponto em particular não concordo contigo. Eu acho este livro um pouco sobrevalorizado demais mas tem um ou dos contos de que não me esqueci. Há um em particular que fala de um livro que me dava muito jeito tê-lo.

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Gaminha
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Re: Biblioteca

Postby Gaminha » 12 Jan 2011 17:13

annawen wrote:
Gaminha wrote:São estas algumas das histórias que constituem Biblioteca. Um livro pequeno e rápido de se ler, com seis histórias sobre bibliotecas e livros. Muito engraçadas e divertidas mas que não nos marcam, ou que facilmente esqueceremos. Algumas não conseguem satisfazer-nos pleanemante com o final, outras parecem um pouco apressadas.


Neste ponto em particular não concordo contigo. Eu acho este livro um pouco sobrevalorizado demais mas tem um ou dos contos de que não me esqueci. Há um em particular que fala de um livro que me dava muito jeito tê-lo.


Terminei o livro ontem e obviamente ainda me lembro dos contos, mas não marcam. Não ficamos a pensar nas "historias", nem a prolongar a acção nos nossos sonhos como algumas historias conseguem faze-lo. Para mim claramente um livro sobrevalorizado, contudo um livro bastante... "giro", engraçado... ^_^

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Re: Biblioteca

Postby srd » 27 Jan 2011 15:09

Isto foi o que escrevi na altura em que li o livro (no final do ano passado):

Vencedor do World Fantasy Award, a biblioteca é um livro de 6 contos:

- A biblioteca virtual - E se recebesses um e-mail com um link para uma biblioteca virtual cujo o slogan é "Nós temos tudo!", irias espreitar? o protagonista deste conto é um autor, e ele foi lá dar uma espreitadela ....

- A biblioteca particular - E se na tua caixa de correio estivesse sempre a surgir um livro ... que tal te parece? sempre que abres a caixa lá está, fechas voltas a abrir e lá está outro... o que fazias? reorganizavas a casa? não voltavas a abrir a caixa de correio? procuravas a câmara do apanhados?

- A biblioteca nocturna - E se as bibliotecas estivessem abertas à noite, parece bem, não é? mas e se os livros a requisitar não forem os mesmos da biblioteca durante o dia?

- A biblioteca infernal - e se o inferno for uma biblioteca ...

- A biblioteca minimal - este talvez seria a melhor invenção de todas, e se sempre que abrirmos um livro surge uma história diferente ... mas tem um senão ...

- A biblioteca requintada - e se surgir um livro de bolso (que horror!) numa biblioteca requintada :P ...

Penso que fui o suficientemente vaga para não vos estragar o prazer de ler o livro mas não tão vaga que o livro vos seja indiferente.

Eu fui agradavelmente surpreendida pelo livro ... sabia que era um livro de contos, sabia que era um livro sobre livros, sabia que o livro tinha ganho o prémio e pouco mais sabia do livro, ao cria-lo no GR, e porque nem sempre é um processo célere, comecei a ler o início do 1º conto ... já não consegui parar ... esperava um livro que numa frase estivessem 2 metáforas, 1 hipérbole, ... não podia estar mais longe da realidade, não só acabou por ser uma belíssima surpresa como me deu imenso prazer ler.

Este livro é um bom cartão de visita para o autor, quando terminei de ler o livro fui logo pesquisar se existia mais livros dele traduzidos para PT, infelizmente não encontrei nada :-/ ... é sem dúvida um autor a que irei estar muito atenta e espero sinceramente que sejam traduzidos mais livros, pois eu irei certamente lê-los. :)

É um Pequeno Grande Livro :worship: :worship:


O penúltimo parágrafo está desactualizado, pois pelo que sei a Cavalo de Ferro irá lançar em Fevereiro deste ano "O último livro" deste autor, o que para mim é uma excelente notícia.

Não sei se este livro está sobrevalorizado como referem, pois quando comecei a ler não tinha a noção disso, aliás pouco sabia a seu respeito mas eu sou fã deste livrinho, e claro está o tema para mim tem um papel fundamental, eu gosto de ler livros sobre livros (um gosto recente acho que influenciado pela Tzimbi :P ). Eu gostei muito de ler o livro, deu-me imenso prazer, sim não é um livro que requer uma meditação enorme após cada conto (aliás quando eu leio contos normalmente depois de terminar um não consigo ler outro de seguida, isso não se passou com este livro muito devido à sua simplicidade) mas ainda hoje me recordo de todos os contos e do humor em cada um deles ... como disse deu-me imenso prazer e por isso gostei muito do livro.

SD

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Re: Biblioteca

Postby pco69 » 27 Jan 2011 15:13

srd wrote:(...)
como disse deu-me imenso prazer e por isso gostei muito do livro.

SD

Experimenta ler o Pequenos Mistérios do Bruce Holland Rogers.
Não é um livro sobre livors, mas são contos.
Curtinhos, curtinhos e muito bons :bye:
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Re: Biblioteca

Postby srd » 27 Jan 2011 15:41

pco69 wrote:
srd wrote:(...)
como disse deu-me imenso prazer e por isso gostei muito do livro.

SD

Experimenta ler o Pequenos Mistérios do Bruce Holland Rogers.
Não é um livro sobre livors, mas são contos.
Curtinhos, curtinhos e muito bons :bye:

Já li e a minha opinião está algures por aqui. Gostei muito do livro, mas esse é dos tais que referi no post anterior que quando acabava um conto só conseguia ler o outro no mínimo no dia a seguir.
SD

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Re: Biblioteca (Zoran Zivkovic)

Postby Samwise » 12 Apr 2011 13:24

Talvez sofrendo a vertigem do "horizonte demasiado elevado" que a Tzimbi apontou ao Pedro no tópico d' A Laranja Mecânica (e recordo as palavras do Steerpike, ao referir que o prémio atribuído a este autor representou um feito notável), talvez como resultado da pouca bagagem que tenho a ler ficção curta - como os seis mini-contos que constituem est' A Biblioteca - a leitura ficou aquém das expectativas.

Revejo-me em muitos dos comentários escritos neste tópico: os finais abruptos que deixam um sabor a amargo na boca (ou, pelo menos, a frustração de um desejo de "saber mais" que ficou subitamente gorado), a simplicidade narrativa e estilística que se resiste conscientemente a subir a parada embora meios para o fazer não faltem ao autor, e, no final, a sensação de que esta foi mais uma leitura "interessante" e "agradável" ( :mrgreen: :angel: ) mas que rapidamente escorregará para o baú do esquecimento - a lembrança ficará refém de eventuais solicitações exteriores ("Leste A Biblioteca, do Živković?").

Por outro lado, é inegável o talento do autor, a criatividade e imaginação que formaram as ideias centrais de cada conto, o gozo tremendo que são as homenagens e pequenas paródias ao universo ficcional literário de Borges (ver, mais uma vez, o artigo do Steerpike), actualizadas que foram no tempo para incorporarem a era digital em que vivemos (até no Inferno há um computador), e cuidadosa estruturação, na prosa, de factos narrativos, pormenores do quotidiano (que funcionam aqui como estranhas ancoras à realidade) e apontamentos humorísticos que apelam à faceta de "amante da literatura" que há em cada um de nós - uma estruturação que segue sempre um fio narrativo central, coerentemente explorando e desenvolvendo um raciocínio lógico estabelecido pelo narrador (1ª pessoa) nos primeiros parágrafos de cada conto, e como resposta a um acontecimento fantástico/inexplicável segundo as regras da nossa realidade.

No final: 8/10 (síntese: a não perder, mas não levem expectativas demasiado altas).
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