Slaughterhouse Five (Kurt Vonnegut)

srd
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Slaughterhouse Five (Kurt Vonnegut)

Postby srd » 10 Jul 2009 17:38

Em português (a edição que li), o livro é "Matadouro Cinco ou a Cruzada das Crianças" - colecção de ficção cientifica da caminho.

Billy Pilgrim (o protagonista da história) foi um prisioneiro na 2ª Guerra, um dos poucos que sobreviveu ao bombardeio de Dresden. Regressa, casa e tem filhos. Já com os filhos adultos tem um acidente e decide revelar que em tempos foi raptado e que esteve numa jaula no planeta "Trafalmadore".

Embora esta seja a ordem dos acontecimentos a história não nos é contada com esta sequência, o autor optou por ir contando a história sem sequência no tempo, ora tão depressa estamos no passado e conhecemos Billy na infância ora estamos no presente e conhecemos um Billy idoso. Billy viaja no tempo e é assim que nos é contada a história de uma forma aleatória no tempo.

No início do livro o autor escreve:

"Um Americano-Alemão da 4ª geração agora a viver em circunstâncias agradáveis em Cape Cod (e a fumar demais), que, como batedor da infantaria americana, Hors de Combat, e prisioneiro de guerra, assistiu ao bombardeamento de Dresden, Alemanha, "A Florença do Elba", muitos anos atrás, e sobreviveu para contar a história.
Este é um romance um tanto esquizofrénico e telegráfico à maneira das histórias do planeta Tralfamadore, donde os discos voadores vêm. Paz."

Penso que não só é um bom resume, como esquizofrénico é talvez uma boa palavra para o descrever.

Pessoalmente eu não sou grande apreciadora da forma como o livro nos é contado – quando chega ao ponto alto da história Billy faz uma viagem para uma altura qualquer o se torna às vezes um pouco frustrante.

Como ponto alto do livro retenho o Bombardeio de Dresden, e especialmente numa passagem (muito utilizada em filmes) que é o retrocesso em câmara lenta dos acontecimentos... algo como "os bombardeiros abrem os compartimentos, recolhem as bombas e regressam a casa". – Gostei muito.

Para além da guerra (o meu ponto alto), o autor também refere a vida quotidiana da classe média (pela família de Billy), diálogos muito interessante com um escritor de ficção cientifica – Kilgore - sem sucesso (é um género menor) e a vida de Billy em Tralfamadore.

Este livro é uma das referências do séc. XX, e embora eu esperasse mais (muito mais), não deixa de ser um livro com muitas críticas positivas, uma referência de muitos.
Este livro é um protesto, uma crítica à estupidez (desde a guerra até ao dia-a-dia quotidiano), escrito por vezes com um humor negro e muita fantasia, em doses bem equilibradas.

(nota: andei à procura de um tópico a este livro mas não encontrei, uma falha imperdoável Samwise :whistling: - que frequentemente recomendas o livro - agora vou de fim-de-semana antes de ser dizimada :tongue: )

SD

Tzimbi
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Re: Slaughterhouse Five

Postby Tzimbi » 10 Jul 2009 21:46

Humm...não é realmente uma opinião tão entusiasta como eu estava à espera, srd.
Curioso que tenhas referido que não és "apreciadora" da forma como o livro é contado, porque esse é o meu problema com os livros do Vonnegut. Já li o Breakfast of Champions e o Jailbird, e mesmo reconhecendo-lhe a originalidade (especialmente ao BC), não consegui apreciar a escrita dele, a forma de contar a história. Mesmo o tom satírico dele não me agrada, é demasiado cru, demasiado exposto. Mas tenho mesmo de dar uma oportunidade ao Slaughterhouse Five, um dia destes.
Já agora, o Trout é uma figura recorrente nos livros dele, também aparece no BC e no Jailbird.

S.

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Re: Slaughterhouse Five

Postby virose_pt » 11 Jul 2009 16:27

Li esse livro no princípio do ano e adorei. Fiquei feliz, porque tinha acabado de encontrar mais um autor para a minha galeria.

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Re: Slaughterhouse Five

Postby acrisalves » 12 Jul 2009 00:10

Hum... eu gostei imenso do livro.. .vou deixar aqui o meu comentário ao livro

___________________________

This is a novel somewhat in the telegraphic schizophrenic manner of tales of the planet Tralfamadore, where the flying saucers come from. Peace.
Depois de ler Cat’s Cradle, de Kurt Vonnegut, fiquei curiosa em relação aos restantes livros do autor, mais especificamente, em relação a Slaughterhouse Five. Ainda que Cat’s Cradle seja baseado nalgumas experiências pessoais de Kurt Vonnegut enquanto jornalista, Slaughterhouse Five é uma obra quase auto biográgica, em que o autor utiliza a sua vivência enquanto soldado na Segunda Guerra Mundial. Ainda que não seja continuamente referido, um dos acontecimentos fulcrais do livro é o bombardeamento de Dresden, uma chacina de civis, o qual Kurt Vonnegut terá presenciado enquanto prisioneiro de guerra da cidade.

Slaughterhouse five é considerado um livro anti-guerra, não porque apresente visivelmente argumentos contra a guerra, mas pela forma como nos apresenta a guerra – sem exacerbar feitos heróicos, retratando os soldados como jovens imberbes, que pouco ou nada sabem da vida, com corpos imperfeitos, e que sem saberem muito bem como, se encontram nas trincheiras.

Billy é o exemplo perfeito de um soldado que é uma criança crescida, que carece de destreza ou de vontade de combater e de viver, mas que é continuamente arrastado pelos colegas. Billy é um idiota. Ou pelo menos age como tal – não demonstrando grande vontade ou opinião, um cobarde que desiste muitas vezes de continuar em frente. Mas o que ninguém sabe é que Billy tem a capacidade de viajar no tempo, mais especificamente entre momentos futuros ou passados da sua própria vida.

He is in a constant state of stage fright, he says, because he never knows what part of his life he is going to have to act in next.


Para além disto, Billy é raptado por extra-terrestres, Trafamadorianos que vivem numa realidade de quatro dimensões, em que o tempo, como o conhecemos, não existe – o passado, o presente e o futuro são simultâneos. Desta forma, olhando-se para uma pessoa, não se vêm duas pernas, mas várias – as de uma criança, as de um adulto e as de um velho – as das várias fases da vida. Durante algum tempo vive num zoo, numa casa construída pelos extraterrestres, onde tem uma mulher e um filho.

Na terra, a sua vida continua normalmente, já que, segundo os parâmetros humanos, é devolvido no mesmo segundo em que é raptado.

Das várias frases chave que fazem parte do livro, So it goes será daqueles que se destaca por ser um género de ponto parágrafo … da vida. So it goes. Outra, é o lema de vida de Billy, uma frase que vai sendo desmistificada com o desenrolar da história:

God grant me the serenity to accept the things I cannot change, courage to change the things I can, and wisdom to always tell the difference.
Tal como em Cat’s Cradle, Slaughterhouse five encontra-se impregnado de passagens fatalistas, irónicas e sarcásticas, frases sublimes que marcam ou resumem as situações de forma inesperada, ou que, inclusivamente, nos relatam a vida crua, sem artifícios:

But the Gospels actually taught this:
Before you kill somebody, make absolutely sure he isn’t well connected. So it goes.

An American near Billy wailed that he had excreted everything but his brains. Moments later he said, ‘There they go, there they go.’ He meant his brains.


Um livro sobre a guerra, sobre a capacidade de tentar reconstruir a vida depois de presenciadas mortes e chacinas, depois assistir a episódios irracionais de violência que se tornam estranhamente irónicos e até cómicos, se se isolarem do horror que rodeia a cena.

Decididamente um dos melhores livros que li ultimamente, no qual se conseguem sempre descobrir novas camadas e novos sentidos.

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Re: Slaughterhouse Five

Postby Samwise » 13 Jul 2009 10:20

srd wrote:(nota: andei à procura de um tópico a este livro mas não encontrei, uma falha imperdoável Samwise :whistling: - que frequentemente recomendas o livro - agora vou de fim-de-semana antes de ser dizimada :tongue: )


Deveras imperdoável. Não tenho andado com a mesma paciência para escrever opiniões sobre livros como já tive noutros tempos. E um livro como o S.5 não é daqueles sobre os quais se possa escrever "gostei, foi fixe" e deixar as coisas por aí.

Continuo a pensar que foi a melhor coisa que li em 2008, de entre todos os livros que li. É desconcertante encontrar tanto sumo por debaixo de um trabalho escrito de forma gramaticalmente simplista, despido quase de artifícios e engenhos semânticos (embora não literários).

Ainda me lembro de quando peguei nele para começar. Li três vezes as 10 primeiras páginas, sempre com uma sensação de estranheza, como que a pensar "mas que raio é isto?", "quem é que escreve uma coisa destas?", "isto é que é o grande S.5?"

Quando acabei, estava como o Virose, contente por ter encontrado um novo (para mim) autor de calibre.

O Cat's Cradle também é muito bom. Não tão bom, mas à mesma muito bom. :tongue:

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Re: Slaughterhouse Five

Postby androvski » 13 Jul 2009 15:42

O que achaste da tradução, srd?

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Re: Slaughterhouse Five

Postby Aignes » 13 Jul 2009 20:37

Deste livro só ouvi falar da célebre frase "So it goes". Aparece assim tantas vezes?
«The force that through the green fuse drives the flower
Drives my green age; that blasts the roots of trees
Is my destroyer.
And I am dumb to tell the crooked rose
My youth is bent by the same wintry fever.»

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Re: Slaughterhouse Five

Postby Samwise » 13 Jul 2009 23:12

Aignes wrote:Deste livro só ouvi falar da célebre frase "So it goes". Aparece assim tantas vezes?


Sempre que morre alguém.

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Re: Slaughterhouse Five

Postby srd » 14 Jul 2009 09:53

Tzimbi wrote:Humm...não é realmente uma opinião tão entusiasta como eu estava à espera, srd.

Comecei o livro com a expectativa muito alta, a pensar que ia ler O livro de 2009.
O facto de eu estar à espera de mais pode ter contribuído um pouco para a minha opinião, mas a forma como a história é contada contribuiu muito mais, que como disse anteriormente chegou mesmo a ser frustrante em algumas partes, porque queria mesmo seguir determinado acontecimento e depois Billy ia para um sitio qualquer.
Não fiques com a ideia que é um mau livro (porque não é verdade), eu gostei do livro, só não foi Mesmo muito. :wink:
E sim, dá uma oportunidade ao S5, é um livro a ler. :smile:

virose_pt wrote:Li esse livro no princípio do ano e adorei. Fiquei feliz, porque tinha acabado de encontrar mais um autor para a minha galeria.

acrisalves wrote:Hum... eu gostei imenso do livro.. .vou deixar aqui o meu comentário ao livro

Samwise wrote:Continuo a pensar que foi a melhor coisa que li em 2008, de entre todos os livros que li. É desconcertante encontrar tanto sumo por debaixo de um trabalho escrito de forma gramaticalmente simplista, despido quase de artifícios e engenhos semânticos (embora não literários).

Pois eu sei que as opiniões - a esmagadora maioria - são muito boas em relação ao livro (daí o meu receio em ser dizimada :laugh: ), e eu percebo porquê, é um bom livros, mas...

androvski wrote:O que achaste da tradução, srd?

A tradução é de Paula Reis. Não me pareceu má (em todo o livro) que como o Sam referiu o autor utilizou uma linguagem simples, deixo um excerto do início do IIº capítulo (o Iº capítulo é genial e infelizmente não é representativo do livro), para poderem ver.

“Billy Pilgrim has come unstuck in time.

Billy has gone to sleep a senile widower and awakened on his wedding day. He has walked through a door in 1955 and come out another one in 1941. He has gone back through that door to find himself in 1963. He has seen his birth and death many times, he says, and pays random visits to all the events in between.

He says.

Billy is spastic in time, has no control over where he is going next, and the trips aren't necessarily fun. He is 'm a constant state of stage fright, he says, because he never knows what part of his life he is going to have to act in next.

Billy was bon in 1922 in Ilium, New York, the only child of a barber there. He was a funny-looking child who became a funny-looking youth-tall and weak, and shaped like a bottle of Coca-Cola. He graduated from Ilium High School in the upper third of his class, and attended night sessions at the Ilium School of Optometry for one semester before being drafted for military service in the Second World War. His father died in a hunting accident during the war. So it goes.”




“O Billy Pilgrim descarrilou-se no tempo.

Billy deitou-se a dormir quando era um viúvo senil e acordou no dia do seu casamento. Entrou por uma porta em 1955 e saiu por outra em 1941. Voltou a sair por essa porta e descobriu que estava em 1963. Viu o seu nascimento e morte, muitas vezes, diz ele, e faz visitas fortuitas a todos os acontecimentos entre ambos.

Diz ele.

Billy é espasmódico em relação ao tempo, não possui controlo sobre o local onde vai a seguir, e as deslocações não são obrigatoriamente divertidas. Está numa constante situação de medo do palco, diz ele. Porque nunca sabe em que parte da sua vida vai ter de actuar a seguir.

Billy nasceu em 1922, em Ilium, Nova Iorque, e era o filho único de um barbeiro dali. Tratava-se de uma criança com um ar esquisito, que se tornou num adulto com um ar esquisito – alto e fracote, com o fornato de uma garrafa de coca-cola. Obteve um diploma no liceu de Ilium, ficando situado no terço superior da sua classe, e frequentou aulas nocturnas da School of Optometry de Ilium, durante um semestre, antes de ser recrutado para o serviço militar, na Segunda Guerra Mundial. O pai morreu-lhe num acidente de caça no tempo da guerra. Assim foi.”





Samwise wrote:
Aignes wrote:Deste livro só ouvi falar da célebre frase "So it goes". Aparece assim tantas vezes?

Sempre que morre alguém.
Sam

E não só. Aparece constantemente, quando alguém morre, quando uma acção fica concluída, quando um relato acaba ..... não estive a contar mas a ideia que tenho é que não li 3 páginas sem que "So it goes" ou "Assim foi" não tenha aparecido no mínimo uma vez.

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Re: Slaughterhouse Five

Postby Samwise » 14 Jul 2009 11:33

srd wrote:
Samwise wrote:
Aignes wrote:Deste livro só ouvi falar da célebre frase "So it goes". Aparece assim tantas vezes?

Sempre que morre alguém.
Sam

E não só. Aparece constantemente, quando alguém morre, quando uma acção fica concluída, quando um relato acaba ..... não estive a contar mas a ideia que tenho é que não li 3 páginas sem que "So it goes" ou "Assim foi" não tenha aparecido no mínimo uma vez.
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Tenho ideia de que até é dada uma explicação explícita sobre o uso da expressão, mas já não me recordo bem. Tenho de ir procurar.

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Re: Slaughterhouse Five

Postby srd » 14 Jul 2009 12:20

Samwise wrote:Tenho ideia que até é dada uma explicação explícita sobre o uso da expressão, mas já não me recordo bem. Tenho de ir procurar.
Sam

Hmmm, não me recordo :sad:
Recordo da explicação do título "A cruzada das crianças", mas não para a expressão, no entanto, vejo-a de 2 formas: por um lado para reforçar a morte, por outro como Comic Relief.

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Re: Slaughterhouse Five

Postby pco69 » 01 Nov 2010 21:42

Li o referido livro no sábado. É relativamente pequeno e se o comparar-mos com as séries infindáveis de fantasia que pululam por aí, então temos de considerar que o autor é um génio em ter conseguido contar uma história da vida de um homem, desde o seu nascimento até à sua morte num livro tão pequeno. So it goes.

Pelo que já tinha lido das críticas/opiniões sobre a coisa, estava à espera de um manifesto anti-guerra. Até é um manifesto anti guerra, mas simplesmente porque a apresenta vista do lado de um soldado que foi sempre empurrado para as várias situações sem se esforçar nem para sair delas nem para as acabar nem para nada. Deixa-se ir. So it goes.

O centro do livro é o bombardeamento aliado à cidade de Dresden*, o qual terá sido testemunhado pelo autor enquanto era prisioneiro de guerra nessa mesma cidade. E estava prisioneiro exactamente no Matadouro número 5 - (Slaughterhouse 5), derivando daí o titulo do livro. Tal como o autor, também a personagem principal observou e sobreviveu ao bombardeamento na segurança do matadouro 5. So it goes.

A forma como é contada a história é divertida. A personagem salta entre vários episódios da sua vida de forma não controlada. No entanto terminei o livro sem ter a certeza de que ele realmente viajava ou se simplesmente sonhava essas situações. So it goes.

E porquê terminar os meus parágrafos com so it goes? Porque é o termo fatalistas que dá a cor ao livro. Por cada acontecimento, seja morte, seja viagem em vagões de gado, seja quase outra coisa qualquer, o autor termina o texto com o termo. So it goes.

Uma nota) no livro é referido que o bombardeamento ocorreu numa noite (creio que a data apontada é 13 de Fevereiro) e eu tinha ideia que o bombardeamento tinha ocorrido durante uma semana, sendo bombardeada à noite pela RAF e durante o dia pela USAF. Segundo a Wikipédia, foram três dias. De qualquer forma, não foi apenas um dia, como é referido no livro. A não ser que a história se passe num universo alternativo, onde aí sim, terá sido apenas um dia. So it goes.



*Bombardeamento de Dresden
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeamento_de_Dresden
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Dresden após o ataque aéreo

O Bombardeamento de Dresden foi um bombardeio militar efetuado durante a Segunda Guerra Mundial pelos aliados da Força Aérea Real (RAF) e a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos da América (USAAF) entre 13 e 15 de fevereiro de 1945. Em quatro ataques-surpresa, 1,300 bombardeiros pesados lançaram mais de 3,900 toneladas de dispositivos incendiários e bombas altamente explosivas na cidade, a capital Barroca do estado alemão de Saxônia. A tempestade de fogo resultante destruiu 39 quilômetros quadrados do centro da cidade.[1][2]

Um relatório da Força Aérea dos Estados Unidos escrito em 1953 por Joseph W. Angell defendeu a operação como o bombardeamento justificado de um alvo militar, industrial e centro importante de transportes e comunicação, sediando 110 fábricas e 50,000 trabalhadores em apoio aos esforços nazistas. Em contrapartida, diversos pesquisadores argumentaram que nem toda a infrainstrutura comunicacional, como pontes, foram de fato alvo do bombardeio, assim como extensas áreas industriais distantes do centro da cidade. Alega-se que Dresden era um marco cultural de pouca ou nenhuma significância militar, uma "Florença do Elba", como era conhecida, e que os ataques foram um bombardeio indiscriminado e desproporcional aos comensuráveis ganhos militares.[3][4]

Nas primeiras décadas após a guerra, estimativas de mortos chegavam a 250,000, número atualmente considerado absurdo. Uma investigação independente encomendada pelo conselho municipal de Dresden em 2010 chegou a um total mínimo de 22,700 vítimas, com um número máximo de mortos em torno de 25,000 pessoas.[5]

Em comparação direta com o bombardeio de Hamburgo em 1943, que criou uma das maiores tempestades de fogo provocadas pela RAF e a Força Aérea dos Estados Unidos, matando aproximadamente 50,000 civis e destruíndo praticamente toda a cidade, e o bombardeio de Pforzheim em 1945, que matou aproximadamente 18,000 civis, os ataques aéreos contra Dresden não podem ser considerados os mais graves da Segunda Guerra Mundial. No entanto, eles continuam conhecidos como um dos piores exemplos de sacrifício civil provocado por bombardeio estratégico, ocupando lugar de destaqe entre as causes célèbres morais da Segunda Guerra. Discussões pós-guerra, lendas populares, revisionismo histórico e propagandismo da Guerra Fria levantaram debates entre comentaristas, oficiais e historiadores a respeito da fundamentação ou não do bombardeio, e se sua realização teria constituído um crime de guerra.[6][7][8]
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: Slaughterhouse Five

Postby Thanatos » 02 Nov 2010 09:09

Sim, pco69, passa-se numa realidade alternativa daí nem todos os acontecimentos terem obrigatoriamente de seguir a nossa linha temporal.
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!

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Re: Slaughterhouse Five

Postby Samwise » 02 Nov 2010 12:59

Agora estou mesmo determinado... vou à procura do livro (e no livro) para ver se encontro a explicação da utilização da expressão "So it goes." Tenho quase a certeza de que só é usada depois de narrada uma morte e não a torto e a direito, depois de "cada acontecimento". (se bem que a maior parte dos acontecimentos terminem em morte... :mrgreen: )
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

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Re: Slaughterhouse Five

Postby pco69 » 02 Nov 2010 14:57

Samwise wrote:Agora estou mesmo determinado... vou à procura do livro (e no livro) para ver se encontro a explicação da utilização da expressão "So it goes." Tenho quase a certeza de que só é usada depois de narrada uma morte e não a torto e a direito, depois de "cada acontecimento". (se bem que a maior parte dos acontecimentos terminem em morte... :mrgreen: )


http://en.wikipedia.org/wiki/Slaughterhouse-Five
(...)
The story continually employs the refrain "So it goes." when death, dying, and mortality occur, as a narrative transition to another subject, as a memento mori, as comic relief, and to explain the unexplained. It appears one hundred and six times.
(...)
:mrgreen:

Já agora, como curiosidade:
http://www.contrariwise.org/tag/so-it-goes/
Image
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...


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