Revista Bang!

O nome diz tudo, certo?
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Re: Revista Bang!

Postby Anibunny » 06 Dec 2011 00:24

Thanatos wrote:
Anibunny wrote:"A gente" tenta ser fofinha e depois dá nisso :bbde:



Não ligues. Hoje estou em modo embirrento. :(

Não te esqueças é que também prometeste dizer algo sobre a estreia do urukai na Bang! ;)


Doçura da minha alma neste momento estou a escrever uma fundamentação pedagógica onde defendo com unhas e dentes a análise da introdução do Vindication of the rights of woman na minha aula do 12º ano. Até segunda não pego em nada que não seja faculdade ou escola :( Mas o conto está na minha secretária :angel:

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Re: Revista Bang!

Postby urukai » 06 Dec 2011 17:21

Muito obrigado Thanatos!

Vou maturar nas respostas e depois tentar responder! :tu:

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Re: Revista Bang!

Postby Thanatos » 06 Dec 2011 17:24

urukai wrote:Muito obrigado Thanatos!

Vou maturar nas respostas e depois tentar responder! :tu:

So no BBdE é que um gajo diz mal a torto e a direito e ainda lhe agradecem! :friends: Tens noção, claro, que é a minha opinião ao texto e nada tem de pessoal.

Acho que a melhor resposta seria outro texto publicado lá em que me mostrasses o teu verdadeiro potencial. :tu:
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Re: Revista Bang!

Postby urukai » 06 Dec 2011 17:29

Agradeço porque vê-se que tiveste trabalho/dedicação/preocupação em ler e analisar devidamente o texto.

É mt preferível algo assim que um passar a mão pelo pêlo e dizer que está ok ou menos bom.

Para além disso, estive a ler e concordo/reconheço algumas das críticas. Outras nem tanto e são essas que vou tentar responder/comentar/rebater.

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Re: Revista Bang!

Postby Thanatos » 06 Dec 2011 23:43

Voltando uma última vez ao #11 para dizer que recomendo a leitura do artigo de Pedro Marques sobre a New Worlds. Embora compreensívelmente curto traça uma visão da revista duma perspectiva estética. Para complementar deve ainda consultar-se o blogue do autor para a entrevista a Michael Moorcock.

É por artigos como este e ainda anteriores da pena de António de Macedo que a Bang! revista é já uma referência no atual panorama do fantástico.

De salientar ainda o reprint de Cordwainer Smith do conto The Game of Rat and Dragon. Admito que não li a tradução, algo que tenho vindo a abster-me de fazer em relação à ficção não lusófona desde que li a sofrível tradução dum conto do Martin uns números atrás, mas para quem não conheça o autor e tenha dificuldades com a língua inglesa será uma das raras oportunidades de ler este importante autor.
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Re: Revista Bang!

Postby Bugman » 06 Dec 2011 23:53

Mas conheces o original do conto do Martin? Eu li um conto e nao achei mau...
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Re: Revista Bang!

Postby Thanatos » 06 Dec 2011 23:57

Bugman wrote:Mas conheces o original do conto do Martin? Eu li um conto e nao achei mau...



Conheço. Está no Dreamsongs. Digamos que o original é mais lírico e sensível. Mas também como se costuma dizer a cavalo dado não se olha o dente por isso acho que é escusado falar do nível das traduções. O pessoal faz o melhor que sabe com o que lhe dão.
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Re: Revista Bang!

Postby urukai » 07 Dec 2011 18:17

Antes de mais uma pequena contextualização.

Este conto surgiu de uma ideia: "O que aconteceria se alguém distante da escrita fosse obrigado a escrever?"
Decidi por isso inspirar-me na estrutura de uma conto do Lawrence Block e utilizar uma enredo que me permitisse desenvolver a ideia. Para além disso, necessitei de introduzir uma componente fantástica que coincidisse com o objectivo de publicação na BANG!.

Na minha cabeça as coisas eram mais fáceis e quando passei para o papel tive bastantes dificuldades e penso que acabei por fazer algo que o Stephen King avisa diversas que nunca deve acontecer: forcei a narrativa de modo a chegar ao meu objectivo. Desta forma, percebo que mtas das críticas sejam no sentido de se terem encontrado pequenos pedaços (ou grandes, como o caso do final) que fazem alguma comichão. Admito a falha mas, como disse, sem mexer nas variáveis estrutura e conceito base (para além do número limite de palavras) não consegui efectivamente dar melhor volta ao texto.

Posto isto vamos às tentativas de resposta:

Thanatos wrote:Para começar não gostei do alicate de picar bilhetes do revisor do metro. Não sei em que ano se situa o conto mas eu já ando de metro desde a década de 80 e já nessa altura não havia alicates.


O revisor (também chamado de pica!) faz parte do meu imaginário/vivências enquanto criança nos anos 80. Não me recordo se no metro haveria mas na carris e rodoviária havia de certeza. Quanto à altura em que se passa o conto penso que os anos 80 se adequam perfeitamente.

Thanatos wrote:que a personagem veste um pijama, um robe gasto e dois pares de meias. Mais à frente acorda com um barulho estranho e quando dá o primeiro passo vidros entrerram-se na carne nua do pé.


O homem descalçou as meias antes de se ir deitar e já agora posso acrescentar que também despiu o robe. Na cama não precisa de tanta roupa pois tens cobertores. Daí estar descalço quando se levanta a meio da noite.

Thanatos wrote:Mais à frente embirrei com a ideia de que alguém só por ter a quarta classe leria devagar «com a dificuldade de uma juventude com poucos estudos.»


Aqui não concordo contigo. Alguém com a quarta classe nos anos 80 e que tenha cerca de 50/60 anos é porque a tirou nos anos 30 e depois de uma vida de pobreza e sem exercitar o que aprendeu é perfeitamente natural que tenha dificuldades de leitura e escrita. Tenho, aliás, alguns exemplos na minha vida família. Não me parece por isso uma incongruência.

Sr. Júlio


Quanto à questão do Sr. Júlio, acho muito interessante falarem nisso pois foi algo que me intrigou e obrigou a uma cuidada ponderação durante a escrita. Cheguei à conclusão que o Sr. Júlio é o típico mafioso de bairro e que os demais vizinhos o temem e respeitam em doses quase iguais. Este "senhor" pretende portanto emular um pouco o "Don" que era sempre utilizado nas audiências do Vito Corleone.
Já a questão da dívida e a excessiva violência foram as tais situações em que dobrei demais a narrativa para acomodar a ideia e acabaram por se formar rachas.

Descrição excessiva


Esta questão foi apontada pelos Editores da revista que me levou a fazer uma revisão do conto. Contudo, admito que é uma falha minha que advém da minha postura como leitor. Não gosto de coisas subentendidas por isso talvez tenha a tendência para, quando escrevo, descrever em demasia.
Por outro lado, essa descrição excessiva está mais presente no início do conto e tinha o intuito de transmitir a ideia da rotina fatigante e monótona que era a vida do protagonista. Reconheço que talvez não tenha funcionado como eu pretendia.

Dissociação narrador vs personagem


Esta foi outra situação apontada pelos editores mas desta feita fiz algum finca pé pois eu pretendia que o protagonista demonstrasse (enquanto narrador) uma evolução nas estruturas frásicas e vocabulário usados. Muito pobres no início mas que iam evoluindo a cada tarefa de escrita, culminando naquela última noite na pensão onde figuras de estilo e palavras complexas são utilizadas. Isto serviria para demonstrar que a escrita se melhora com o treino e prática.
Uma situação que não consegui resolver e que transparece é o timing da narração. Depois do desfecho como pode o protagonista estar a narrar? Há duas explicações minimamente lógicas:
1º Há vida depois da morte.
2º No derradeiro momento da morte, quando se vê a vida a passar à frente dos olhos, este conto constitui os pensamentos do protagonista referentes aqueles últimos dias.
Bem sei que não são soluções elegantes mas é o que há...

Posto isto, resta-me agradecer análise e críticas feitas, não só pelo Thanatos como também por todos os que leram o meu conto.
Obrigado.
Pedro

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Re: Revista Bang!

Postby Thanatos » 08 Feb 2012 14:48

A editora da revista, Safaa Dib, anunciou a nova periodicidade como quadrimestral.

Mais info aqui: http://bang.saidadeemergencia.com/index ... #msg238762
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Re: Revista Bang!

Postby Bugman » 08 Feb 2012 17:21

Pois, é sempre o mesmo, aposto que daqui a um ano passa a semestral, nunca ninguém liga a isto, nem aos catálogos. Onde anda o fandom hein? ^_^

:pipoca:
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Re: Revista Bang!

Postby urukai » 08 Feb 2012 17:37

Por acaso aqui não concordo.

Desde que acompanho este tipo de publicações, se há revista que se tem mantido é a Bang! e a Nanozine (se bem que esta ainda está na adolescência), todas as outras têm encalhado ou demorado tanto tempo que quase parecem números únicos e algumas teimam mesmo em nem sequer sair (e sim, I am talking about you trëma girl!) :twisted:

Quanto às revistas do passado desconheço se houve alguma que se tenha aguentado tanto tempo como a Bang que já tem para aí uns 5 anos (quando saiu o primeiro número?)

Se se tiver de comprometer um número anual para manter os restantes números não vem por aí mal ao mundo.
Para além disso sobra mais tempo para submissões e revisões, o que é sempre uma coisa boa (principalmente para quem não cumpre prazos!) :whistle:

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Re: Revista Bang!

Postby Anibunny » 08 Feb 2012 20:35

Ando ás voltas com o publisher e o kindle na Nanozine :(
Quanto à BANG! Não me importo de esperar 4 meses (acho que a Nanozine vai pelo mesmo caminho)

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Re: Revista Bang!

Postby Bugman » 08 Feb 2012 21:38

Isto anda demasiado civilizado... Quero sangue! The horror. The horror.

Hum... Vamos tentar de outra forma: a Bang cheira a chulé! :whistle:
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Re: Revista Bang!

Postby vampiregrave » 08 Feb 2012 21:47

Bugman wrote:Isto anda demasiado civilizado... Quero sangue! The horror. The horror.

Hum... Vamos tentar de outra forma: a Bang cheira a chulé! :whistle:


Fraquinho, assim não vamos lá :pipoca:

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Re: Revista Bang!

Postby Thanatos » 08 Feb 2012 21:52

vampiregrave wrote:
Bugman wrote:Isto anda demasiado civilizado... Quero sangue! The horror. The horror.

Hum... Vamos tentar de outra forma: a Bang cheira a chulé! :whistle:


Fraquinho, assim não vamos lá :pipoca:


Daqui a mais uns dias teremos tanto a Bang! como a Antologia Fantas para poder descascar, esmiuçar, arrastar pelo lodo, injetar veneno e, duma forma geral, causar sangue nas hostes circulares do Fantástico tuguês. Como afirmava o graffiti, uma pancada nos olhos faz ver.
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