Revista Bang!

O nome diz tudo, certo?
urukai
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Re: Revista Bang!

Postby urukai » 15 Feb 2012 10:11

Não,
quero com isto dizer que nem toda a gente sabe que há de haver é com h. ;)

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Bugman
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Re: Revista Bang!

Postby Bugman » 15 Feb 2012 11:30

urukai wrote:Não,
quero com isto dizer que nem toda a gente sabe que há de haver é com h. ;)


E lá vou eu prejudicar a minha produtividade... Novidades lá para as 14h00 (CET).
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O homem que obedece a Deus, não precisa de outra autoridade. Petr Chelčický
Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
Yes, I am a woman of the law. And there are lots of laws. But if they don't offer us justice, then they aren't laws! They are just lines drawn in the sand by men who would stand on your back for power and glory. Sartana
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Re: Revista Bang!

Postby Bugman » 22 Feb 2012 17:09

Bem depois das 14h00 prometidas, já percebi o que queres dizer. Nao discordando agora do parágrafo em sim, é lamentável que a ediçao da revista escolha aquele como parágrafo de destaque.

Agora falando de coisas sérias:
Entrei e saí de casa várias vezes. Mas o chão do hall estava sempre vazio.
Isto é que me tira do sério!

E com menos seriedade: para quem tem dificuldades em escrever uma frase o léxico está muito bem composto! :mrgreen:
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Re: Revista Bang!

Postby urukai » 22 Feb 2012 17:37

Bugman wrote:Bem depois das 14h00 prometidas, já percebi o que queres dizer. Nao discordando agora do parágrafo em sim, é lamentável que a ediçao da revista escolha aquele como parágrafo de destaque.

Agora falando de coisas sérias:
Entrei e saí de casa várias vezes. Mas o chão do hall estava sempre vazio.
Isto é que me tira do sério!

E com menos seriedade: para quem tem dificuldades em escrever uma frase o léxico está muito bem composto! :mrgreen:


Ok,
admito que a frase ficaria melhor sem o ponto final e como não tenho a fama/talento de um ALA/Saramago não posso alegar "subterfúgios estílisticos"...
Analisando agora posteriormente nem com esforço consigo arranjar justificação. Talvez tivesse tido a intenção de separar a acção da constatação mas nesse caso o "mas" reage antagonicamente a essa pretensão.

Quanto à frase em destaque não sei se foi propositado mas na verdade 4 pessoas (tu és a 4ª) mencionaram isso pelo que a mesma talvez tenha funcionado como um anti-chamariz que levou à leitura do conto para encontrar mais supostos erros como aquele!

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Re: Revista Bang!

Postby croquete » 22 Feb 2012 19:50

Agora vais ter de te auto-penitenciar e escrever 100 vezes o conto outra vez. :P

Já encontrei na FNAC uma contracapa onde faltava uma letra ao título com aproximadamente 8 cm de altura...

Ingenuamente disse à funcionária e acabaram por recolher o livro para a editora.
Digo ingenuamente porque ouvi dizer mais tarde que em certos círculos determinados livros são muito procurados :twisted: por coleccionadores exactamente porque têm gralhas e acabam por ser edições muito limitadas.

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Re: Revista Bang!

Postby Bugman » 22 Feb 2012 21:10

urukai wrote:Quanto à frase em destaque não sei se foi propositado mas na verdade 4 pessoas (tu és a 4ª) mencionaram isso pelo que a mesma talvez tenha funcionado como um anti-chamariz que levou à leitura do conto para encontrar mais supostos erros como aquele!


Confesso que se não fosses tu a empurrar-me para o conto, o anti-chamariz tinha funcionado como um repelente, pois eu nem o teria lido! ;)
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Re: Revista Bang!

Postby Thanatos » 09 Mar 2012 20:33

O #12 já tem capa e estará nas FNAC a partir do próximo dia 17.

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Re: Revista Bang!

Postby grayfox » 10 Mar 2012 09:52

é grátis mesmo para quem nunca comprou livros da Bang! ?
A melhor assinatura chinesa da actualidade.

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Re: Revista Bang!

Postby Sharky » 10 Mar 2012 11:52

grayfox wrote:é grátis mesmo para quem nunca comprou livros da Bang! ?


Sim.
A capa tá fixolas B)

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Re: Revista Bang!

Postby Bugman » 10 Mar 2012 12:11

grayfox wrote:é grátis mesmo para quem nunca comprou livros da Bang! ?

:rotfl:
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Re: Revista Bang!

Postby urukai » 07 Apr 2012 12:04


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Re: Revista Bang!

Postby Thanatos » 03 May 2012 12:53

A Revista inaugurou um novo site de atualizações ainda em fase experimental: http://www.scoop.it/t/revista-bang
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Re: Revista Bang!

Postby Thanatos » 08 May 2012 18:50

Já está disponível online o #12: http://www.saidadeemergencia.com/produt ... o12-ebook/

Já agora publico a resenha que coloquei no fórum Bang! com uma pequena edição:

Aproveitei uma ida à Feira do Livro de Lisboa ontem para me dedicar à leitura deste número e devo dizer que indo sensivelmente a meio da mesma este número ficará na história da revista (e quiçá nos anais das revistas nacionais dedicadas ao género) como o melhor e mais coeso de todos.

A primeira boa impressão surge logo na capa com a extraordinária e imaginativa "pintura" digital de José Alves da Silva. Mas os textos não lhe ficam atrás.

O número começa propriamente dito com a vinheta O Polvo de Rita Fernandes. Muito atmosférica, escrita num tom melancólico e poético agradou-me deveras. Uma autora a ter em consideração no futuro.

O artigo de David Soares, "Fantasia e Realidade - Anjos, Velhos e Novos" é um debunking duma lenda criada pelo ficcionista Machen. O artigo só peca pela parte final em que Soares se afasta do estilo didáctico e rigoroso para tecer algumas considerações mais pessoais sobre a sociedade atual que me soou mais a proselitismo em causa própria do que a uma conclusão de rigueur. Ainda assim de leitura obrigatória mais que não seja pelo rigor histórico que Soares sempre manifesta nos seus textos.

Segue-se mais um excerto da Enciclopédia da Estória Universal de Afonso cruz que pode servir de aperitivo para aqueles que ainda não lhe conheçam a obra. Apreciei a ironia da entrada "Opostos".

"Mais Alguns Livros Míticos e Vários outros (falsos ou não) [primeira parte]", é a continuação dum anterior texto de António Macedo publicado no número 7 da Bang!. Neste texto Macedo aborda no seu estilo inconfundível alguns livros ditos malditos e outros que o são por razões mais mundanos como sejam os mediáticos "Diários de Hitler", menção que teve o condão de me fazer recordar dessa fraude e da tinta que a mesma fez correr no meio jornalístico expondo as falhas éticas e deontológicas da profissão quando a mesma se arrasta para os terrenos perigosos do populismo mais néscio. Esperemos que a devida continuação num futuro número da Bang! Não se faça esperar, tal o interesse que a prosa lúcida de Macedo consegue despertar ao nos levar a (re)descobrir factos e acontecimentos e momentos marcantes dessa interminável história que é a da consagração em livro dos mais variados tipos de conhecimento humano.

João Lameiras chama-nos a atenção paras as várias adaptações de Ray Bradbury na BD com algum destaque para os trabalhos na EC Comics e com uma menção passageira ao trabalho dos lusos Daniel Torres e José Carlos Fernandes. É um artigo cujo principal interesse reside no facto de nos levar a perceber o interesse e vigor que a obra de Bardbury ainda comanda dentro do género se bem que seja perceptível que as adaptações se centram todas nos contos mais clássicos do autor ou nas suas obras-charneira.

Segue-se a tradução de “The Things” de Peter Watts. Sendo um apreciador incondicional da obra do senhor desde que fiquei siderado com “Blindsight”, romance que já merecia uma edição nacional, foi com grato prazer que vi que a SdE aposta numa diversificação da oferta a nível de género trazendo-nos este conto premiado que tanto serve como apresentação dum autor importante no contexto contemporâneo da literatura de género com serve para fazer uma pausa na omnipresente fantasia de contornos pseudo-medievais ou paranormais. Uma óptima escolha da editora e mais um motivo para este número ficar nos anais da nossa (pequena) história.

O artigo, penso que aqui publicado na íntegra, de João Seixas que enquadra a recente edição do clássico de Edgar Rice Burroughs, John Carter, tradução de A Princess of Mars, “Os autores de ouro da literatura fantástica – Burroughs e Marte: A geografia da imaginação”, é, como não podia deixar de ser com Seixas, um artigo vasto, denso, polvilhado de referências para leituras paralelas, cheio do habitual eruditismo do autor que aqui nos mostra a sua paixão pela FC e pelo Fantástico mais vintage traçando o percurso numa quase biografia de Burroughs desde o seu começo nos pulps até à constituição empresarial. Curioso o apontamento acerca das várias referências de Burroughs a locais e assuntos nacionais. É uma leitura a considerar se bem que talvez rebuscada, na minha opinião, mas não menos interessante precisamente por isso.

Este extenso artigo, a par do anterior de Macedo, conseguem por si sós elevar esta revista a um nível nunca antes atingido por nenhuma outra publicação nacional dentro da área. Só tenho pena de não termos aqui a presença ainda de um dos esclarecidos e sempre interessantes artigos de Pedro Marques acerca dos designs e grafismos da literatura mas não se pode ter tudo sempre. Esta trilogia de autores é imbatível a nível de conhecimentos e da forma de os transmitir, sem condescendências a um mínimo denominador comum, mas também com uma prosa agradável, arejada e que duma forma acessível transporta o leitor interessado para patamares de descoberta e abre-lhe novas perspectivas, algo que tanta falta faz junto das novas gerações alimentadas a twitters e facebook que, não poucas vezes, se ficam pela superfície das coisas sem possibilidades de entendimento aprofundado e sem um mapa que as oriente para novas buscas e para desbravar de outras vias.

Mas como se tudo isto não bastasse segue-se um extenso artigo assinado por João Monteiro, um dos mentores do MOTELx, que se debruça sobre o casamento da música com o cinema de terror, desconstruindo a habitual ideia do “acasalamento” desse cinema com a música de vertente hard rock/heavy metal. “A (verdadeira) música do Diabo” é assim um artigo que nos leva a conhecer outras fontes de inspiração, outros sons, capazes também eles de instituir um clima de tensão, de terror, uma sublimação dos sentidos que é afinal um dos principais objectivos do cinema de terror. Tive pena que o artigo falhasse em dedicar um pequeno espaço aos Goblin, banda italiana de rock progressivo, que trabalhou muito estreitamente com Dario Argento mas penso que o foco não seria necessariamento nesse tipo de partituras musicais mas antes na apropriação de géneros musicais pelos realizadores de cinema de terror. Seja como for, embora incompleto, este artigo é de longe muito superior a um outro dedicado à mesma temática da autoria de Fernando Ribeiro publicado na Bang! #11.

Fica a ideia que este é, de longe, o melhor número de sempre da Bang! e que fico com curiosidade de ver como conseguirá a editora superar-se em futuros números. Para bem do género nacional a fasquia ficou agora colocada a uma altura olímpica. Imprescindível a leitura da Bang! #12.

Ao contrário do que possa parecer o pior que se pode fazer a um criador não é uma má crítica mas antes é uma de outras duas coisas: uma crítica injusta e/ou injustificada e a indiferença.

Nenhuma arte sobrevive num vácuo de feedback. A arte é uma forma de comunicação e como qualquer comunicação precisa do feedback para poder aferir se está a conseguir fazer passar corretamente a mensagem.

Mesmo com os erros se aprende. Curiosamente no outro dia li uma daquelas pérolas do conhecimento oriental em que um executivo médio duma empresa, após reconhecer o seu erro, pretendia demitir-se. Um executivo mais elevado na hierarquia disse-lhe então que demitir-se seria negar por absoluto o valor de aprendizagem dos erros. Seria desistir.

Se pensarmos aturadamente isto é uma verdade insofismável! Sem reconhecermos onde errámos e sem sabermos reagir a esses erros como poderemos evoluir? Paralelamente é sabendo onde acertámos que podemos orientar-nos para o sucesso.

Mas nada disto acontecerá se se trabalhar num vácuo imenso. Sem opiniões que vão além da mera constatação dum “está bom” ou de um “está mau” pouco se sabe, pouco se retira da experiência e, consequentemente, a continuar é como na parábola dos quatro cegos que apalpam o elefante. Falta o todo para conhecer as partes.

Assim penso que, mesmo que não todos mas alguns dos que usufruem do trabalho dos outros, neste caso da Safaa, e de todos os vários colaboradores da revista e por fim da SdE, puderem vir aqui deixar a sua opinião mais elaborada sobre o que mais gostaram ou menos gostaram em cada número da Bang! temos todos a ganhar. Uns porque têm o feedback e o reconhecimento de que não trabalham num vazio, outros porque burilam o seu espírito crítico e no fim todos os curiosos que ainda estão indecisos em dar uma chance à revista e graças ao avolumar das opiniões poderão sentir-se mais inclinados para não a deixar passar em branco.

Mas voltemos à revista. Depois do que acima escrevi e na continuação da leitura descobri que ainda havia mais e melhores motivos de afirmar categoricamente que este número é histórico. Senão repare-se.

Grata surpresa tive na página 19 quando reparei que tinha perante mim as 10 melhores mini-ficções do concurso anual de mini-contos organizado pelo Instituto Superior Técnico e a Simetria, com o apoio do Grupo SdE. É que, embora desconheça os outros concorrentes, esta10 mini-ficções são mesmo do melhor que já li nos últimos tempos escrito na língua materna. Atrevo-me até a comparar alguns com o mestre do mini-conto, Bruce Holland Rogers, sendo que em muito pouco lhe ficam atrás. Destaco, quer pela ironia, quer pelo humor, quer até pela criatividade, as mini-ficções de António Nunes de Almeida com “Nascimento do Logaritmo”; Rui Monteiro com “A crise da Crise”; Pedro Martins com “Fado do Entusiasmo” e H.S. Coelho com “Oroboro”. Mas as que não menciono não se pense que é por serem inferiores. Pelo contrário, a mim não me tocaram sobremaneira mas reconheço a mestria de em poucas palavras contar ou evocar uma história ou ambiente. Magistral iniciativa que muito me agradou pelo inesperado.

Inês Botelho apresenta a série de TV Fringe definindo em traços largos o começo, o desenvolvimento e o possível futuro. Para quem não conhecesse a série herdeira quase direta dos malogrados Ficheiros Secretos é uma oportunidade de despertar o interesse.

Segue-se a tradução de “Fear the Darkness”, conto de Sherrilyn Kenyon datado de 2007 e que tanto quanto saiba apenas estava disponível no idioma original em formato ebook ou audiobook. Confesso que não sou grande adepto do paranormal, e desconheço por completo os universos dos Dream Hunters e Dark Hunters da autora, que tanto quanto percebi, se intersectam neste conto. No entanto entendo que com o grande número de fãs nacionais da autora este conto seja uma prenda de reconhecimento da SdE ao apoio dado pelos mesmos à edição das outras obras. Passado na Nova Orleães de 2007, dois anos após o Katrina, conta o regresso atribulado a casa de Nick Gautier.

“Arquivo Morto” é uma série de terror em forma de BD a preto-e-branco de Gilmar Fraga (desenhos) e Paulo Stenzel (argumento) que surge neste número em estreia com duas pranchas que evocam na perfeição o espírito tresloucado e maníaco dos melhores tempos da EC Comics. Não sendo a Bang! uma revista por definição de BD é sempre bom ver que nas suas páginas a 9.ª Arte tem espaço para ser apresentada, quer na forma pictórica, como este Arquivo Morto, quer na forma dos textos de Lameiras. Os apreciadores agradecem.

A rubrica “Os livros da minha vida” é neste número assinada por Luís Filipe Silva que logo começa por subverter o título da mesma (se quiserem saber como terão de ler a revista) e que depois se presta a uma série de apontamentos numerados onde revela subrepticiamente quais os livros que o marcaram/marcam, quer por pequenas alusões, quer por passagens citadas, quer enfim, pelo próprio jogo metaficcional que assume-se completo no apontamento 13. (e penso que LFS não terá inocentemente escolhido este número). Enfim, como ele próprio remata, “Está tudo aqui, tudo aqui.” E é bem verdade. Um texto para iniciados mas que decerto tem também bastante para oferecer a quem queira desvendar os seus mistérios. Sem mapa, sem Norte. Sem facilidades. Extraordinária subversão. Mais do que conhecer, fica o compreender embalado no hermetismo referencial.

“As portas do Diabo” é uma brevíssima antevisão de “Compêndio de Segredos Sombrios e Factos Arrepiantes” da autoria de David Soares, mesmo a tempo do seu lançamento e apresentação oficial na Feira do Livro de Lisboa no próximo dia 12 pelas 16h30, no auditório da APEL. No seu estilo inconfundível Soares leva-nos a meditar sobre as expressões de uso popular e vai mais longe no desmontar dessas mesmas expressões como é o caso desta antevisão em que nos fala das chamadas pontes do Diabo e de como as mesmas surgiram no imaginário coletivo, finalizando com o mito sobre as portas da fachada Oeste da Notre-Dame. A propósito deste texto ocorre-me uma outra expressão de uso popular: food for thought.

Este extraordinário número encerra com o conto de J.B. Machado, “Entre Lolita e Margarita” que com toques de humor subtil (e não é sempre esse o melhor humor?) nos descreve um bloqueio de escrita em grau último, causado pela infidelidade imaginada (ou talvez não!) do “potencial” escritor. Cheio de jogos de espelhos, double entendres, e outros malabarismos ficcionais é um texto que, embora não tenha apreciado tanto como o de Rita Fernandes, que abre a revista, mesmo assim deixou-me encantado pela descoberta de mais um novo nome, aqui na sua estreia portuguesa a acreditar na mini-biografia.

Assim, em traços largos, posso dizer que desde que acompanho a revista Bang! (e acompanho-a desde o número 0) nunca tinha tido o prazer de folhear um número tão coeso, tão completo, tão maduro, tão estimulante. Está a editora Safaa de parabéns, está a SdE de parabéns, estão os vários colaboradores de parabéns. E estão os leitores mais ricos por haver quem deseje singrar num deserto onde poucos incentivos aparecem para que se justifique uma publicação com esta qualidade. Mas, para terminar, lanço mão de duas outras expressões de uso popular: dos fracos não reza a história e para bom entendedor meia palavra basta.
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

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Re: Revista Bang!

Postby Anibunny » 08 May 2012 21:55

Bring my T back :bbde: Está visto que irei ter de arranjar um coelho para a capa, és do piorio! (BTW o meu homem também adorou o trabalho do José Alves, ficou tipo "ai que giro" e depois viu que era tuga e ficou tipo wow? Ele é português? e isto dito por um home que aprecia bastante modelismo e artes gráficas)

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Re: Revista Bang!

Postby Samwise » 09 May 2012 12:52

Ando sem grande paciência para ler (sem ser Roth, não tenho pegado em mais nada) e ainda só passei a Bang! na diagonal, mas este artigo do Thanatos está :bow: .
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

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