Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Todos os meses é proposto um novo autor para leitura e discussão pelos foristas.

Moderator: grayfox

User avatar
pageHunter
Edição Limitada
Posts: 1220
Joined: 28 May 2009 13:05
Location: Coimbra - Portugal
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby pageHunter » 18 Nov 2011 15:20

Eu cá também sou muito cuidadoso com os meus livros. Não os risco nem sublinho, quando necessito retiro notas para um papelinho ou um bloco de notas.
Read
Mataram o Sidónio!, Francisco Moita Flores
Different Seasons, Stephen king
The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Reading
Sunset Park, Paul Auster



Whatchlist2012@IMDB Watchlist2013@IMDB

User avatar
grayfox
Edição Única
Posts: 4203
Joined: 01 Jul 2008 16:20
Location: Braga
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby grayfox » 18 Nov 2011 16:20

eu nunca senti necessidade de tirar notas ou sublinhar, se calhar sou um leitor demasiado casual.
A melhor assinatura chinesa da actualidade.

User avatar
Bugman
Edição Única
Posts: 4349
Joined: 24 Jun 2009 17:47
Location: Almada Capital
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Bugman » 19 Nov 2011 00:02

Agora que a poeira começa a assentar e me posso encostar no sofá
(sabe bem encostar-me ao fim de uma semana esgotante)
a contemplar tudo o que aqui se diz.

Querer averiguar Lobo Antunes pela leitura de uma primeira página é tarefa ingrata, é ser formiga que leva uma migalha e pensa que ali está descrita a totalidade da fatia de pão que alimentará o formigueiro no Inverno
(analogias parvas pensarão alguns)
em que muitas morrem e apenas as mais fortes sobrevivem.

Agora sem idiotices. A minha primeira experiência com Lobo Antunes foi com o Auto dos Danados, um livro mais convencional na forma, mas a leitura seguinte, o Não entres..., foi totalmente avassalador. Só muitos anos mais tarde, com os Cavalos, recuperei.

E que belíssimo livro que é o Que Cavalos...! Todos os capítulos estão impregnados de uma musicalidade, de um certo embalar, uma cadência de rio que corre para um lago. Por defeito profissional do autor, vemos ali figuras humanas expostas até ao osso da sua psique. Não são camadas de adjectivação inútil, são sentimentos humanos escalpelizados. São as camadas da cebola do ser de uma pessoa.

Quando lá para trás digo que (re)li o primeiro capítulo do Não entres... o que quero dizer é isso mesmo: leia-se em capítulos, olhe-se para a parede de que o T falava, não para os tijolos.
A PENA online | O Bug Cultural

Normalcy was a majority concept, the standard of many and not the standard of just one man. Robert Neville
O homem que obedece a Deus, não precisa de outra autoridade. Petr Chelčický
Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
Yes, I am a woman of the law. And there are lots of laws. But if they don't offer us justice, then they aren't laws! They are just lines drawn in the sand by men who would stand on your back for power and glory. Sartana
"No, Señoría, no es lo mismo estar dormido que estar durmiendo, porque no es lo mismo estar jodido que estar jodiendo". Camilo Jose Cela

urukai
Edição Única
Posts: 3232
Joined: 07 Aug 2008 23:35
Location: Lisboa
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby urukai » 19 Nov 2011 00:06

já li mais duas páginas...

mas vou ficar caladinho... :X

User avatar
João Arctico
Dicionário
Posts: 537
Joined: 23 Oct 2009 23:16
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby João Arctico » 19 Nov 2011 18:23

O universo literário do ALA fascina-me. E uma coisa que gosto de fazer na net é (re)ver as suas entrevistas, com destaque para aquelas que são feitas pelo Mário Crespo onde eles criam uma empatia especial.

Mesmo numa situação de "apanhado", ele consegue manter o seu elevado nível e sentido de humor:
"É isto o que, de todo em todo, pretendia o autor? Não sei; é a opinião do leitor que eu dou." Jean-Paul Sartre
"Mas mesmo aquilo que a gente não se lembra de ter visto um dia, talvez se possa ver depois de algum viés da lembrança" Chico Buarque in Estorvo

User avatar
pageHunter
Edição Limitada
Posts: 1220
Joined: 28 May 2009 13:05
Location: Coimbra - Portugal
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby pageHunter » 19 Nov 2011 20:09

Estou neste momento a meio dos Cus de Judas, o meu primeiro livro do autor. Até agora a minha opinião sobre o livro e o autor é :bow: :bow: :bow: :bow: :bow:
Read
Mataram o Sidónio!, Francisco Moita Flores
Different Seasons, Stephen king
The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Reading
Sunset Park, Paul Auster



Whatchlist2012@IMDB Watchlist2013@IMDB

Pedro Farinha
Edição Única
Posts: 3298
Joined: 03 Apr 2005 00:07
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Pedro Farinha » 20 Nov 2011 02:40

Acabei o Auto dos danados.

Pus os meus comentários aqui : http://www.bbde.org/viewtopic.php?f=153&p=116963#p116963

User avatar
Bubbles
Livro Raro
Posts: 1994
Joined: 29 Dec 2004 18:33
Location: Halifax
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Bubbles » 20 Nov 2011 03:29

Samwise wrote:Como prometido, aqui fica um excerto do Explicação dos Pássaros. Diria que é bastante representativo do estilo de escrita neste livro, apesar de haver algumas variações agudas aqui e ali ao longo da narrativa (até ao ponto onde estou, pelo menos). Está recheado de características que são típicas a este autor, embora aqui apresentadas de uma forma algo serena e espaçada (lê-se com fluidez e consegue-se apreciar sem sobressaltos) para aquilo que lhe conheço. Notem como começa algumas frases na terceira pessoa para logo depois mudar abruptamente para primeira...

«
Levantou-se duas vezes de noite, agoniado e convulso, para vomitar aos arrancos, inclinado para a frente, pedaços semidesfeitos de iscas na retrete, tão tonto, tão pálido, tão maldisposto que pensou, aterrorizado, Vou morrer, enquanto a mulher se voltava para um lado e para o outro, porque a luz, os passos, os ruídos de aflição da minha garganta deviam invadir desagradavelmente o seu sono, como a campainha do despertador, na mesa de cabeceira quase encostada à bochecha, se enterra de manhã à laia de um estilete pelo ouvido dentro. Deviam ser cinco ou seis horas, a alma saía-lhe em pedaços gelatinosos pela boca murcha, e acabei por sentar-me em cuecas na cadeira verde junto à janela, a olhar pelos intervalos da persiana metálica a noite moribunda da ria, atravessada de viés por fiapos de claridade turva que pareciam nascer nos novelos de sombra dos pinheiros ou do basalto confuso, sobreposto, das nuvens. O estômago assemelhava-se a um polvo esbranquiçado de azia, retraindo-se e inchando no meu ventre, e cujos tentáculos de ácido deslizavam, ao longo das veias, na direcção das mãos. Devia ter febre porque sentia como que um fio de gripe no corpo apesar de ter vestido a camisola sobre a pele: as cerdas das pernas, espetadas, nasciam de conezinhos transidos, os testículos sumiam-se na mata roxa do púbis. A torneira aberta do lavatório ou do bidé jorrava a sua zanga lá no fundo, no cubo reverbante de azulejos em que me esvaziava de mim mesmo, como na tarde em que te acompanhei à parteira, embaraçado de timidez, para afogarmos o peixe que se alargava, curvo, no teu útero. Agora que dormes, incólume à cerveja e às iscas, e distingo, sob a colcha, a forma aproximada do teu corpo na aurora suja de Aveiro, agora que vou morrer de indigestão, de colite, de um estoiro de tripas definitivo e derradeiro, agora que as gengivas me sabem a molho podre e a tremoços estragados, e se calhar, ao acordares, me encontrarás de bruços no rebordo da banheira, mirando numa careta vítrea o meu próprio reflexo contorcido, lembro-me da tarde em que desci contigo do autocarro, perto do Príncipe Real, a caminho da parteira, cheio de medo, de culpabilidade, de remorsos. Nem sequer discutimos, quase nem sequer conversámos, avisaste-me ao princípio de morarmos juntos Não quero filhos, e nunca me atrevi a perguntar porquê, de receio que mudasses de ideias: os dois da Tucha e mais um ou dois teus seriam uma ninhada impossível para mim, uma mensalidade impossível para mim, uma preocupação impossível para mim, quatro crianças a ganirem à minha volta, a transformarem-se, a crescerem, havia um cubículo repleto de caixotes e jornais na Azedo Gneco, poeirento, húmido, esconso, A miúda (nunca me passou a ideia de um rapaz pela cabeça) e já lhe inventara o som da voz, o riso, a maneira de chorar, a cor do cabelo, o nome, o jeito reboludo das ancas, pensava Pomos o berço da miúda ali e nunca falava nisso contigo, escutava-lha as gargalhadas inaudíveis ao jantar e sorria no interior de mim mesmo ou por detrás do caldo knorr. Anunciaste Não quero filhos e tu sabias que eu sabia que o dizias por mim, pelo meu estúpido pavor de um neto de um guarda-republicano de palito na boca, porque não conseguia despir-me do meu pai, da minha mãe. da terrina da Companhia das Índias em que me embalaram. De maneira que quando me explicaste
- Não me vem a menstruação há dois meses, tenho uma morada de confiança na Praça das flores
continuei a ler, na cadeira de lona, a mesma revista indiferente, sob o candeeiro cromado, horrível, aparatoso, que desencantaste uma tarde num ferro-velho qualquer e instalaste triunfalmente na sala, no meio do lixo confuso em que vivíamos. E se eu tivesse dito na altura, Marília, Não, se eu tivesse dito, Marília, quero a criança, alguma coisa se alteraria entre nós?
»

Até parece fácil... :D


E com este excerto "Explicaçao dos Passaros" entrou para um lugar cimeiro na minha wishlist! :bow: :bow: :bow:
"Não sou obrigada a jurar obediência às palavras de qualquer mestre" Horácio
"Um coração saudável tem um comportamento caótico"
Joana Augusto's Flick Photostream *** The Ground Beneath My Feet

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14974
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Samwise » 21 Nov 2011 11:56

Estou a
Bubbles wrote:E com este excerto "Explicaçao dos Passaros" entrou para um lugar cimeiro na minha wishlist!


Estou a gostar muito do livro. Mesmo muito. :bow:

Apesar do excerto ser representativo, há ainda assim uma certa irregularidade no estilo e no tom ao longo da leitura, como se o Lobo Antunes tivesse demorado, a início, a habituar-se ao seu ritmo ideal de escrita. O primeiro terço do livro é mais convulso e violento, ainda com resquícios e tiques das características de Conhecimento do Inferno, se assim podemos dizer, mas a partir daí parece que entrou na "suavidade certa" - o que dá em páginas e páginas seguidas onde podemos encontrar uma fluidez como a da citação.
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

urukai
Edição Única
Posts: 3232
Joined: 07 Aug 2008 23:35
Location: Lisboa
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby urukai » 22 Nov 2011 23:56

Vou já a 1/5 do livro e já tenho uma opinião mais formada:

1) Não devia ter começado pelo Memória de Elefante. (hoje estive na Fnac a passar tempo e a ler as primeiras páginas de vários livros dele e gostei mt mais que a primeira página do Memória de Elefante)
2) O António Lobo Antunes é um escritor fenomenal.
3) O António Lobo Antunes não é um bom narrador.

Depois elaboro mais mas tenho uma mão a abarrotar de frases para transcrever para aqui...

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14974
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Samwise » 23 Nov 2011 12:41

urukai wrote:Vou já a 1/5 do livro e já tenho uma opinião mais formada:

1) Não devia ter começado pelo Memória de Elefante. (hoje estive na Fnac a passar tempo e a ler as primeiras páginas de vários livros dele e gostei mt mais que a primeira página do Memória de Elefante)
2) O António Lobo Antunes é um escritor fenomenal.
3) O António Lobo Antunes não é um bom narrador.

Depois elaboro mais mas tenho uma mão a abarrotar de frases para transcrever para aqui...


As coisas começam a compor-se. :P

Ficaste com os nomes dos livros em que gostaste da primeira página?
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

User avatar
Bugman
Edição Única
Posts: 4349
Joined: 24 Jun 2009 17:47
Location: Almada Capital
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Bugman » 23 Nov 2011 13:47

Concordo plenamente com o argumento do narrador.

O que há em ALA nao se passa tanto ao nível da narraçao mas de um desabafo. A minha experiência com ALA nao tem sido uma experiência de ir ler histórias, mas antes a de as histórias virem ter comigo, servidas em fatias da alma das personagens. Aquilo que se passa nos livros dele poderia passar-se perfeitamente numa consulta, num confessionário, no leito da morte...
A PENA online | O Bug Cultural

Normalcy was a majority concept, the standard of many and not the standard of just one man. Robert Neville
O homem que obedece a Deus, não precisa de outra autoridade. Petr Chelčický
Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
Yes, I am a woman of the law. And there are lots of laws. But if they don't offer us justice, then they aren't laws! They are just lines drawn in the sand by men who would stand on your back for power and glory. Sartana
"No, Señoría, no es lo mismo estar dormido que estar durmiendo, porque no es lo mismo estar jodido que estar jodiendo". Camilo Jose Cela

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14974
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Samwise » 23 Nov 2011 14:17

Bugman wrote:O que há em ALA nao se passa tanto ao nível da narraçao mas de um desabafo. A minha experiência com ALA nao tem sido uma experiência de ir ler histórias, mas antes a de as histórias virem ter comigo, servidas em fatias da alma das personagens. Aquilo que se passa nos livros dele poderia passar-se perfeitamente numa consulta, num confessionário, no leito da morte...


Esta ideia, ainda que efectiva, é redutora na abrangência daquilo que se passa numa "narrativa" à Lobo Antunes. Não sendo um "narrativa" nos moldes convencionais - porque evita todas as suas características definidoras - é muito mais do que um "simples" desabafo. São pensamentos (sobretudo), sensações, sentidos, recordações, sonhos, memórias, num emaranhado gramatical em que qualquer palavra pode servir de ponto de intersecção entre os conjuntos. Aquilo que se passa nos livros dele passa-se a todo o momento nos nossos fluxos de pensamento - por vezes com metáforas e tudo. :mrgreen:
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

Pedro Farinha
Edição Única
Posts: 3298
Joined: 03 Apr 2005 00:07
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby Pedro Farinha » 24 Nov 2011 01:24

É muito raro aparecerem bons romances antes dos trinta anos, muito raro. Um tipo só pode fazer uma coisa de jeito depois de ter passado pelas coisas. Se não viveu, os livros até podem estar «tecnologicamente» correctos, mas não há ali mais nada. A experiência de vida cada vez mais me parece fundamental.

Entrevista à Ler em 1997


Acho que esta frase dele responde um pouco a isso. É uma narrativa, é ficcional, mas é ao mesmo tempo um entrelaçar de memórias, de vivências e da sua perspectiva de vida. De alguém que põe tudo em causa, como ele diz aqui:

Eu penso que aquilo que faz com que nós continuemos vivos e capazes de criar é isso mesmo, uma inquietação constante. Sem ela não pode haver criação, quem não põe sempre tudo em causa, arrisca-se a ter uma vida interior de três assoalhadas, num bairro económico.


Por isso, eu não utilizaria a palavra desabafo, mas acho que na verdade a escrita dele vem muito de dentro, que ele escreve com as entranhas.

urukai
Edição Única
Posts: 3232
Joined: 07 Aug 2008 23:35
Location: Lisboa
Contact:

Re: Dezembro 2011 / António Lobo Antunes

Postby urukai » 24 Nov 2011 01:36

E o problema, para mim claro, é que não é isso que eu procuro num livro.

Contudo, tenho de me render ao poder das suas frases. Ainda ando a saborear uma do Memória de Elefante sobre os pés a repousarem no escuro do mar que é diferente do escuro da terra. E a verdade é que são mesmo dois tipos diferentes de escuro. :bow:


Return to “Autor do Mês”




  Who is online

Users browsing this forum: No registered users and 3 guests

cron