Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Concluído]

Qual das seguintes imagens escolheriam para a capa de "Poesias Dispersas"?

Poll ended at 19 Dec 2013 16:25

Children in the forest, de Ivan Kramskoy
2
25%
Sunrise, Albert Bierstadt
0
No votes
Sunset in the Yosemite Valley, de Albert Bierstadt
3
38%
The Knight, Death and the Devil, de Albrecht Durer
3
38%
 
Total votes: 8

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vampiregrave
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Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Concluído]

Postby vampiregrave » 11 Nov 2013 10:59

Não existe (que seja do meu conhecimento) qualquer digitalização disponível da obra, pelo que vou ter de utilizar uma edição antiga da Lello Editores :mrgreen: Assim que tiver transcrito alguns dos poemas, coloco aqui para ajudar na escolha de imagens para a capa.

Alguns poemas para auxiliar na sugestão de imagens de capa:

CANÇÃO DE BATALHA

Que durmam, muito embora, os pálidos amantes,
Que andaram contemplando a lua branca e fria…
Levantai-vos, heróis, e despertai, gigantes!
Já canta pelo azul sereno a cotovia
E já rasga o arado as terras fumegantes…

Entra-nos pelo peito em borbotões joviais
Este sangue de luz que a madrugada entorna!
Poetas, que somo nós? Ferreiros d’arsenais;
É bater, é bater com alma na bigorna
As estrofes de bronze, as lanças e os punhais!

Acendei a fornalha enorme — a Inspiração.
Dai-lhe lenha — A Verdade, a Justiça, o Direito —
E harmonia e pureza, e febre, e indignação;
E pra que a lavareda que a labareda irrompa, abri o peito
E atirai ao braseiro, ardendo, o coração!

Há-de-nos devorar, talvez, o incêndio; embora!
O poeta é como o sol: o fogo que ele encerra
É quem espalha a luz nessa amplidão sonora...
Queimemo-nos a nós, iluminando a terra!
Somos lava, e a lava é quem produz a aurora!
_________________________________________________________
EVOLUÇÃO

Arde o corpo do sol, brotam feixes de luz:
O que é a luz?
Sol que morreu.

Dardeja a luz, dardeja e pulveriza a fraga:
Vai nesse pó, que há-de ser terra,
A luz extinta.

Gerou a terra a seara verde:
Hastes e folhas da seara verde
Comeram terra.

A seara é grada, o trigo é loiro:
Deu trigo loiro,
Morrendo ela.

O trigo é pão, é carne e é sangue:
Sangue vermelho, carne vermelha,
Trigo defunto.

Em carne e em sangue, eis o desejo:
Vive o desejo,
De carne morta.

Arde o desejo, eis o pecado:
Que são pecados?
Desejos mortos.

Queima o pecado o pecador:
Nasceu a dor; findou na dor
Pecado e morte.

A alma branca, iluminada,
Transfigurada pela dor,
Essa não vai à sepultura,
Porque é já Deus na criatura,
Porque é o Espírito, é o Amor.

Na vida vã da terra sepulcral
Só o amor é infinito e só ele é imortal.

Morreu a luz, pulverizando a fraga,
Morreu a poeira, alimentando a seara;
Morreu a seara, que gerou o trigo;
Morreu o trigo, que deu vida à carne;
Morreu a carne, que nutriu desejo;
Morreu desejo, que se fez pecado;
Morreu pecado, que floriu em dor;
Morreu a dor, para nascer o Amor!

E só o Amor na vida sepulcral
É infinito e é imortal!

_____________________________________________

Sugestões de imagem de capa:


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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Em Desenvolvimento

Postby vampiregrave » 05 Dec 2013 00:02

Conversão concluída. Vou tratar de alguns ajustes ainda, amanhã já devo ter um ficheiro EPUB perto da versão final.

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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Convertido]

Postby vampiregrave » 10 Dec 2013 18:36

Adicionei dois poemas ao post inicial, para auxiliar nas sugestões de imagem. Vou começar a pesquisar e assim que encontrar algo apropriado divulgo aqui.

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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Convertido]

Postby vampiregrave » 14 Dec 2013 23:11

Adicionei algumas imagens ao post original. Se não houver mais sugestões, dentro em breve abro a votação.


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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Convertido]

Postby vampiregrave » 15 Dec 2013 16:32

Votação aberta. A última imagem deve-se a este poema:

DÍSTICO

(Por baixo do Cavalo da Morte de Albrecht Dürer)

O Cavalo da Morte avança a passo lento
Com o pajem sinistro e o fúnebre mastim:
Batalhador, chegou o teu último momento!
Morre cantando! Solta o derradeiro alento,
Com a espada na mão, num golpe de clarim!...

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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Convertido]

Postby MAGG » 15 Dec 2013 21:25

Done :).

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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Convertido]

Postby pco69 » 15 Dec 2013 22:24

Eu cá, gostei do cavalo. Em poema e na imagem :bye:
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Convertido]

Postby vampiregrave » 15 Dec 2013 22:30

pco69 wrote:Eu cá, gostei do cavalo. Em poema e na imagem :bye:


Presumi que a imagem referenciada fosse aquela, mas não tenho a certeza :whistle:

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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Convertido]

Postby Samwise » 16 Dec 2013 13:52

Estou com alguma dificuldade em votar, e ainda por cima não tenho um conjunto de finalistas - são as quatro imagens candidatas válidas quase em pé de igualdade.

Se por um lado a gravura do Durer seria para descartar à partida, por se tratar de uma associação muito ténue em relação ao conjunto de poemas contidos na colectânea, por outro permitiria uma abordagem diferente para uma capa no Adamastor.

Quanto às outras três, vou ter de ler tudo até ao fim e meditar sobre os sentimentos/temas dominantes, e depois distanciar-me o suficiente do processo de revisão, que estranhamente não me deixa ficar com a fotografia panorâmica do conjunto...
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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Convertido]

Postby Samwise » 18 Dec 2013 12:27

Votei na gravura do Durer. O tema da morte acaba por estar presente numa variedade de poemas da colectânea, embora o Durer só seja mencionado pelo nome uma vez (supostamente a propósito do trabalho referido).

Um outro tema dominante é a família, e o amor que o autor tem pela mulher e pela filha, pelo que a primeira ilustração também é uma boa escolha.
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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Convertido]

Postby vampiregrave » 18 Dec 2013 12:36

Escolhi a primeira essencialmente por passagens como esta:

Crianças, vinde rir, brincar, saltar, voar!
Abri o firmamento azul do vosso olhar
Onde cantam não sei que aves do paraíso…
O aroma do lilás transforma-se em sorriso
Nessas bocas em flor, cuja alegria pura
Borboleteia em nós, como o sol na verdura!
Para vos ver passar pelo caminho agreste,
Abre a pervinca em flor o seu olhar celeste…
Duma risada vossa, ó crianças vermelhas,
Fez Deus no mês de Abril asas para as abelhas!
Desprendei a correr os cabelos dourados,
Rasgai os aventais nas sebes dos valados,
Encharcai-vos d’orvalho, estrelai-vos d’amoras,
Perpassai, colibris! Iluminai, auroras!
Sede um enxame d’oiro a rir pelos caminhos,
Tendes berço, poupai por conseguinte os ninhos!
Mas, como os Anjos são em Abril salteadores,
Anjos, colhei, cortai aos braçados as flores
Com que o Amor enfeitou as várzeas e as campinas!
As rosas fê-las Deus para as mãos pequeninas.

E vós, noivas gentis, noivas de loiras tranças,
Virgens que já corais e que inda sois crianças,
Pombas em cujo seio o amor vai despontar
Como um lírio d’aurora em urnas de luar,
Vinde, correi também pelas profundas naves
Deste templo de Deus onde cantam as aves
E vestidas de branco e de graça inocente,
Pombas, deixai cair religiosamente
A bênção patriarcal dos ramos da floresta
No divino esplendor da vossa fronte honesta!...

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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Convertido]

Postby vampiregrave » 19 Dec 2013 22:48

Pelos vistos temos empate...

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Anibunny
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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Convertido]

Postby Anibunny » 19 Dec 2013 23:13

"Abiso" já, que se sair o do Duhrer, vou colorir a imagem e irá demorar um bocado mais que o normal :)

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Re: Poesias Dispersas - Guerra Junqueiro [Convertido]

Postby vampiregrave » 19 Dec 2013 23:26

Assim sendo, desempato eu: avançamos com The Knight, Death and the Devil, de Albrecht Durer. Temos vindo a manter o design, mas parece-me interessante ir tentando coisas novas a nível de imagem de capa.


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