O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby vampiregrave » 26 Sep 2014 08:38

Ora vamos lá então voltar a atacar a tradução. Recomeçamos na última sugestão que coloquei?

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Bugman » 26 Sep 2014 09:47

Sim. Acho que a última entrada foi a minha, onde tomei algumas liberdades. Se alguém se quiser chegar à frente com uma versão menos liberal que se sinta à vontade. Senão, siga para o próximo.
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O homem que obedece a Deus, não precisa de outra autoridade. Petr Chelčický
Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby vampiregrave » 26 Sep 2014 09:51

Bugman wrote:Sim. Acho que a última entrada foi a minha, onde tomei algumas liberdades. Se alguém se quiser chegar à frente com uma versão menos liberal que se sinta à vontade. Senão, siga para o próximo.


Acho que cada um dos três apresentou sugestão mas não chegámos a conjugar ideias.

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Bugman » 26 Sep 2014 11:20

Nop, tu e eu apresentámos, o Sam desviou a conversa para a caçarola. :mrgreen:
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Samwise » 28 Sep 2014 23:06

Bugman wrote:Nop, tu e eu apresentámos, o Sam desviou a conversa para a caçarola. :mrgreen:


Por esta altura o refogado, com tanto tempo de lume, já deve fazer parte integrante da peça, para todo o sempre... :P

Cá vai uma nova versão - aproveitando um pouco as vossas sugestões e modificando as partes que não me agradavam na minha (fui mais "liberal" do que o costume, desta vez):

With my aversion to this cat, however, its partiality for myself seemed to increase. It followed my footsteps with a pertinacity which it would be difficult to make the reader comprehend. Whenever I sat, it would crouch beneath my chair, or spring upon my knees, covering me with its loathsome caresses. If I arose to walk it would get between my feet and thus nearly throw me down, or, fastening its long and sharp claws in my dress, clamber, in this manner, to my breast. At such times, although I longed to destroy it with a blow, I was yet withheld from so doing, partly by a memory of my former crime, but chiefly—let me confess it at once—by absolute dread of the beast.


A afeição que o gato manifestava por mim parecia crescer na medida directa da minha aversão por ele, contudo. Seguia os meus passos com uma tenacidade que seria difícil de fazer perceber ao leitor. Sempre que eu me sentava, ele agachava-se debaixo da minha cadeira, ou pulava para o meu colo, enchendo-me de carícias repugnantes. Se eu me levantasse para caminhar, atravessava-se-me por entre os pés, fazendo-me quase tombar, ou trepava até ao meu peito, cravando–me na roupa garras longas e afiadas. Apesar de desejar intensamente desfazê-lo nessas alturas, retraía-me de o fazer, em parte devido à memória do meu anterior crime, mas sobretudo – devo confessá-lo de imediato - devido ao pavor absoluto da criatura.
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby vampiregrave » 07 Oct 2014 11:01

Vamos lá então organizar isto:

Original
With my aversion to this cat, however, its partiality for myself seemed to increase. It followed my footsteps with a pertinacity which it would be difficult to make the reader comprehend. Whenever I sat, it would crouch beneath my chair, or spring upon my knees, covering me with its loathsome caresses. If I arose to walk it would get between my feet and thus nearly throw me down, or, fastening its long and sharp claws in my dress, clamber, in this manner, to my breast. At such times, although I longed to destroy it with a blow, I was yet withheld from so doing, partly by a memory of my former crime, but chiefly—let me confess it at once—by absolute dread of the beast.


Samwise
A afeição que o gato manifestava por mim parecia crescer na medida directa da minha aversão por ele, contudo. Seguia os meus passos com uma tenacidade que seria difícil de fazer perceber ao leitor. Sempre que eu me sentava, ele agachava-se debaixo da minha cadeira, ou pulava para o meu colo, enchendo-me de carícias repugnantes. Se eu me levantasse para caminhar, atravessava-se-me por entre os pés, fazendo-me quase tombar, ou trepava até ao meu peito, cravando–me na roupa garras longas e afiadas. Apesar de desejar intensamente desfazê-lo nessas alturas, retraía-me de o fazer, em parte devido à memória do meu anterior crime, mas sobretudo – devo confessá-lo de imediato - devido ao pavor absoluto da criatura.


Vampiregrave
Com a minha aversão ao gato, contudo, a sua afeição por mim parecia aumentar. Seguia os meus passos com uma tenacidade que seria difícil o leitor compreender. Sempre que me sentava, enroscava-se debaixo da minha cadeira ou saltava para o meu colo, cobrindo-me com as suas odiosas carícias. Se me levantasse para caminhar, atravessava-se por entre os meus pés quase me derrubando, ou, cravando as suas garras longas e afiadas na minha roupa, trepava até ao meu peito. Nessas alturas, apesar de desejar matá-lo com uma pancada, era impedido de o fazer, em parte pela memória do meu anterior crime, mas principalmente, permitam-me que o confesse de imediato, por um pavor absoluto do animal.


Bugman
Aconteceu com este gato que a sua afeição a mim crescia com a minha aversão. Seguia as minhas pisadas com uma tenacidade que seria difícil transmitir de forma perceptível ao leitor. Sempre que me sentava, ele repousava debaixo da minha cadeira ou saltava para o meu colo, cobrindo-me com as suas odiosas carícias. Se calhava levantar-me para caminhar, ele começava a passar por entre os meus pés, desse modo quase me fazendo tropeçar, ou, enfiando as suas longas e afiadas garras na minha roupa, amaranhava até ao meu peito. Nessas alturas, apesar de me apetecer desfazê-lo com uma pancada, sentia-me reticente em o fazer, em parte por uma memória do meu anterior crime, mas principalmente, há que confessá-lo de vez, por um pavor absoluto do animal.


Sam, segundo dizes, a tua sugestão já teve em conta tanto a minha tradução como a do Bugman, correcto?

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Samwise » 07 Oct 2014 18:24

vampiregrave wrote:Sam, segundo dizes, a tua sugestão já teve em conta tanto a minha tradução como a do Bugman, correcto?


Sim. Aproveitei algumas das vossas ideias para incluir na última versão que partilhei. Ainda assim, acrescentei novas possibilidades (como a primeira frase, que foi onde me "estiquei mais"), para podermos ter mais alternativas por onde escolher.
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Bugman » 10 Oct 2014 14:13

Por acaso não gosto dessa primeira frase, e ela ressoa-me de tal forma que sinto a necessidade de desabafar antes de continuar a leitura. :devil:

Há três questões... bom, duas e meia, que me fazem espécie. A mais evidente é o "contudo" no final. Penso que a frase ficava a ganhar se fosse colocado no início. A segunda é o uso da "medida directa". Querendo fugir ao advérbio "proporcionalmente" acho que uma expressão melhor, sem alterar muito as palavras empregues, seria "parecia crescer à medida que a minha aversão por ele aumentava". A embirração prende-se mesmo com o uso de "directa" por achar que (esta é a meia razão) representa uma quebra de estilo.

O uso da expressão "proporção directa" remete para um discurso que me parece quase formal, um pouco longe do registo intimista com que o autor trata o leitor.

Claro que estes sentimentos podem todos mudar numa releitura final... ;)
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby vampiregrave » 13 Oct 2014 12:32

Ok, nova sugestão:

Contudo, a afeição que o gato manifestava por mim parecia crescer à medida que a minha aversão por ele aumentava. Seguia os meus passos com uma tenacidade que seria difícil explicar ao leitor. Sempre que me sentava, agachava-se debaixo da minha cadeira ou saltava para o meu colo, cobrindo-me com as suas odiosas carícias. Se me levantasse para caminhar, atravessava-se por entre os meus pés, quase me derrubando, ou, cravando as suas garras longas e afiadas na minha roupa, trepava até ao meu peito. Nessas alturas, apesar de me apetecer desfazê-lo com uma pancada, retraía-me de o fazer, em parte devido à memória do meu anterior crime, mas sobretudo, permitam-me que o confesse de imediato, por um pavor absoluto do animal.

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Samwise » 13 Oct 2014 13:48

Concordo na generalidade com os apontamentos do Bug. Nada de significativo a assinalar quanto a esta nova versão.

Por mim, passamos ao trecho seguinte. :)
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Bugman » 13 Oct 2014 14:09

Sim venha o próximo que o resto são questões de estilo a resolver no final.
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby vampiregrave » 13 Oct 2014 14:17

Este é grandito:

This dread was not exactly a dread of physical evil—and yet I should be at a loss how otherwise to define it. I am almost ashamed to own—yes, even in this felon's cell, I am almost ashamed to own—that the terror and horror with which the animal inspired me, had been heightened by one of the merest chimaeras it would be possible to conceive. My wife had called my attention, more than once, to the character of the mark of white hair, of which I have spoken, and which constituted the sole visible difference between the strange beast and the one I had destroyed. The reader will remember that this mark, although large, had been originally very indefinite; but, by slow degrees—degrees nearly imperceptible, and which for a long time my Reason struggled to reject as fanciful—it had, at length, assumed a rigorous distinctness of outline. It was now the representation of an object that I shudder to name—and for this, above all, I loathed, and dreaded, and would have rid myself of the monster had I dared—it was now, I say, the image of a hideous—of a ghastly thing—of the GALLOWS!—oh, mournful and terrible engine of Horror and of Crime—of Agony and of Death!

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Samwise » 13 Oct 2014 17:02

oh, não... o terror e o horror... juntos na mesma frase... :o :mrgreen:
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby vampiregrave » 13 Oct 2014 17:27

Samwise wrote:oh, não... o terror e o horror... juntos na mesma frase... :o :mrgreen:


Modo Artur Albarran ON :ph34r:

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby vampiregrave » 14 Oct 2014 12:13

Primeira sugestão, tem de ser trabalhado porque fica um pouco fraca em termos estilísticos, e também um bocado confusa:

This dread was not exactly a dread of physical evil—and yet I should be at a loss how otherwise to define it. I am almost ashamed to own—yes, even in this felon's cell, I am almost ashamed to own—that the terror and horror with which the animal inspired me, had been heightened by one of the merest chimaeras it would be possible to conceive. My wife had called my attention, more than once, to the character of the mark of white hair, of which I have spoken, and which constituted the sole visible difference between the strange beast and the one I had destroyed. The reader will remember that this mark, although large, had been originally very indefinite; but, by slow degrees—degrees nearly imperceptible, and which for a long time my Reason struggled to reject as fanciful—it had, at length, assumed a rigorous distinctness of outline. It was now the representation of an object that I shudder to name—and for this, above all, I loathed, and dreaded, and would have rid myself of the monster had I dared—it was now, I say, the image of a hideous—of a ghastly thing—of the GALLOWS!—oh, mournful and terrible engine of Horror and of Crime—of Agony and of Death!

Este pavor não era exactamente um pavor do mal físico, no entanto, não saberia como defini-lo de outra forma. Quase tenho vergonha de reconhecer, sim, mesmo nesta cela de criminoso, quase tenho vergonha de reconhecer que o terror e o horror que o animal me inspirava, haviam aumentado graças a uma das mais simples quimeras que seria possível conceber. Por mais de uma vez, a minha mulher chamara-me a atenção para a natureza da mancha de pêlo branco de que falei, que constituía a única diferença visível entre o estranho animal e aquele que eu havia matado. O leitor recordar-se-á que esta mancha, embora grande, fora originalmente bastante indefinida; mas, de forma gradual, gradual ao ponto de ser quase imperceptível, e apesar de, por muito tempo, a minha Razão se ter debatido por rejeitar como fantasiosa, acabou por assumir uma rigorosa distinção de contorno. Era agora a representação de um objecto que tremo ao nomear, e por isto, acima de tudo, abominava e temia o monstro, e ter-me-ia livrado dele se tivesse ousado. Era agora, digo, a imagem de uma coisa hedionda, de uma coisa pavorosa dos PATÍBULOS! Oh, terrível e fúnebre motor de Horror e de Crime, de Agonia e de Morte!


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