Expressões/termos em itálico

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Re: Expressões/termos em itálico

Postby vampiregrave » 15 Apr 2015 11:47

Vou então retomar este temático, com vista a redigir mais uma parte do nosso guia de edição. Como referência, deixo aqui o que consta no Guia do Tradutor:

1.13. Vocábulos em idiomas estrangeiros
1.13.1. Nomes comuns
O uso de vocábulos em idioma estrangeiro só é admissível quando não exista termo
correspondente na língua portuguesa ou se, na matéria em causa, não estiver
consagrada a sua utilização. Sempre que for necessário escrever uma palavra em
idioma estrangeiro deve ser utilizado o itálico:
swap, extract,
dossier, toilette,
per capita, mutatis mutandis, in situ.

Os nomes de unidades são exceções a esta regra:
byte, hertz, ohm, volt, watt;
N.B.: Os múltiplos e submúltiplos das unidades seguem as regras gerais das
palavras formadas por prefixação:
mega-hertz, mili-henry, milirroentgen, milissiemens.

1.13.2. Nomes próprios
Nos nomes próprios estrangeiros com tradução consagrada, utiliza-se o nome
português:
Pequim, Xangai, Cantão, Tóquio, Rangum, Nova Iorque, Genebra, Bordéus, Moscovo,
Chernobil, Gizé, Malaca, Taipé;
Isabel II, Luís XIV, Bento XVI;
Platão, Copérnico.
Nos nomes próprios estrangeiros sem tradução consagrada para português:
a) em línguas que usam alfabetos latinos, respeita-se a ortografia de origem, incluindo
os diacríticos, dos nomes próprios sem tradução consagrada:
Ján Fige , Dacian Ciolo , Cecilia Malmström, Maroš Šev ovi , Anders Jonas Ångström,
Internet, Web, Citroën;
N.B.: Opcionalmente, podem ignorar-se os diacríticos de nomes próprios em alfabetos latinos
que não correspondem às línguas oficiais da União Europeia (H Chí Minh ou Ho Chi Minh).

b) em línguas que usam outros sistemas de escrita, utiliza-se a
transliteração/transcrição para o alfabeto latino dos nomes próprios sem tradução
consagrada.
— Algumas dessas línguas adotaram sistemas oficiais de transliteração/transcrição
para o alfabeto latino (geralmente com base na prática ortográfica do inglês):
búlgaro — http://transliteration.mdaar.government.bg/trans.php
(mas: Sófia);
grego — http://www.passport.gov.gr/elot-743.html
(mas: Atenas, Cândia, Creta, Peloponeso);
chinês (República Popular da China) — sistema pinyin (com base na pronúncia
mandarim)
Heilongjiang, Guizhou
(mas: Pequim, Xangai, Cantão, Sinquião, Tibete);
chinês (Hong Kong, Taiwan) — sistemas de transcrição usados localmente
Hong Kong (e não: Xianggang, em pinyin), Taipé;
japonês — sistema de transcrição usado localmente
Yokohama, Takamatsu (mas: Tóquio, Quioto, Hiroxima, Nagasáqui, Nagoia);

— Para o árabe e o russo existem várias tradições de transliteração dependentes das
regras ortográficas das línguas de chegada (inglês, francês, alemão, espanhol). Essas
diferentes transliterações (geralmente para o inglês e o francês) têm sido utilizadas nos
textos portugueses.
N.B.: Exemplos de nomes próprios com diferentes grafias estrangeiras (geralmente inglesa e
francesa) nos textos portugueses da responsabilidade da Comissão Europeia:
Kuwait (en)
Al-Qaeda (en)
Sharm el-Sheikh (en)
Koweit (fr)
Al-Qaida (fr)
Charm el-Cheikh (fr)

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Re: Expressões/termos em itálico

Postby Bugman » 15 Apr 2015 22:15

Tudo muito bonito isso é o guia do tradutor mas pelo menos no caso das unidades há divergências no seio da comunidade científica sobre se as palavas ficam hifenadas ou não. Tomemos por exemplo o milissiemens. Se a ideia é ficar a soar ao "original" então dever-se-ia aceitar o milisiemens. Não me parece no entanto que venhamos a ter muitos destes casos.

Daqui o que deduzo é que não havendo alteração do valor das letras, não há problema em escrever estrangeirismos que caíram no uso corrente sem itálico. Exemplo, whisky sem itálico, toilette em itálico.
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Normalcy was a majority concept, the standard of many and not the standard of just one man. Robert Neville
O homem que obedece a Deus, não precisa de outra autoridade. Petr Chelčický
Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
Yes, I am a woman of the law. And there are lots of laws. But if they don't offer us justice, then they aren't laws! They are just lines drawn in the sand by men who would stand on your back for power and glory. Sartana
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Re: Expressões/termos em itálico

Postby vampiregrave » 15 Apr 2015 22:18

Bugman wrote:Daqui o que deduzo é que não havendo alteração do valor das letras, não há problema em escrever estrangeirismos que caíram no uso corrente sem itálico. Exemplo, whisky sem itálico, toilette em itálico.


O problema, no nosso caso, é apurar se eram de uso corrente na época em que foi escrita a obra em questão :rolleyes:

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Re: Expressões/termos em itálico

Postby Bugman » 16 Apr 2015 00:01

Bom, mas se estamos a actualizar, não nos deveríamos preocupar com a actualidade no momento em que escrevemos?
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Re: Expressões/termos em itálico

Postby vampiregrave » 16 Apr 2015 09:08

Bugman wrote:Bom, mas se estamos a actualizar, não nos deveríamos preocupar com a actualidade no momento em que escrevemos?


Depende do critério que adoptarmos. Se nos preocupássemos exclusivamente com as normas actuais, teríamos de modernizar a pontuação de todas as obras que temos vindo a tratar (o que não é o caso), e não estaríamos a debater a manutenção da grafia de certas palavras por motivos de ordem fonética.

Esta questão dos estrangeirismos, apesar de aparecer pontualmente, creio que merece alguma discussão, daí ter reavivado este tópico em vez de redigir logo o texto para o guia, como fiz nas semanas anteriores.

A questão ramifica-se em dois pontos: estilo e grafia.

Em termos de estilo, temos de decidir a aplicação do itálico. Nas edições críticas, regra geral, respeitam rigorosamente a formatação de origem, mesmo quando existem variações na aplicação do itálico para a mesma palavra.

Quanto à grafia, são comuns os casos em que esta caiu em desuso ou está mesmo incorrecta, pelo que teremos de decidir entre a manutenção da grafia presente no original, ou a correspondente actualização.

Por muito que tenhamos seguido a lição das edições críticas, creio que aqui se justifica debatermos critérios diferentes, para evitar uma certa estranheza que decerto o leitor sentiria ao ler algumas passagens, se nos limitássemos a seguir o original.

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Re: Expressões/termos em itálico

Postby Bugman » 16 Apr 2015 14:00

Acho que não adianta misturar aqui a pontuação, porque esta vai influenciar algo mais do que simplesmente a forma como escrevemos (caso do whisky: tanto faz escrever 'whisky' como whisky). Por acaso também me debative muito com a pontuação na Morgadinha e a quantidade de vígulas em falta e em excesso foram disso exemplo, mais devido aos dedos que mecanicamente batiam (ou não) na tecla, do que a acrescentos/subtracções voluntárias.

Na questão dos itálicos, acho que deviamos mesmo actualizar, mas isso implica que o estilo tem de ser tido em linha de conta. O que quero dizer com isto? Retorno com frequência ao caso do touristte que deu em turista. Se estivermos a tratar um texto de finais do séc. XIX, inicios do séc XX, será normal que o autor recorra ao itálico ou à expressão francesa. Só que isto terá um efeito diferente caso seja empregue em texto descritivo ("viajava como faz esse touristte pelos montes" - texto hipotético) ou em discurso directo ("Meu caro, estás feito um touristte").

A questão é como distinguir e aqui ficará ao critério, primeiro do conversor, depois do editor. Por mim pegava nas orientações dadas e acrescentava uma linha de exepção ao ponto 1.13.1 que dissesse algo como "exepto em situações que ocorram alterações de estilo significativas ao discurso".
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Re: Expressões/termos em itálico

Postby vampiregrave » 16 Apr 2015 14:04

Vou ter o que disseste em conta quando redigir esta secção para o guia. Se tiveres exemplos do Júlio Dinis, depois partilha, que é sempre mais fácil debater exemplos em concreto (para além de serem também necessários para tornar o guia mais claro). Talvez encontre alguma coisa nas obras que estou agora a tratar («O Que Fazem Mulheres», «Frei Luís de Sousa» e «O Que Há-de Ser o Mundo no Ano Três Mil»).

As possíveis excepções aplicadas à poesia, vou deixar para o fim, numa secção própria.

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Re: Expressões/termos em itálico

Postby Bugman » 16 Apr 2015 14:06

Xii. poesia e teatro quase que pedem um guia só deles.

Assim que o laboratório me der um tempo de descanso volto ao ficheiro do JD, e começo à procura do Crime do Padre Amaro.
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Re: Expressões/termos em itálico

Postby vampiregrave » 16 Apr 2015 14:11

Bugman wrote:Xii. poesia e teatro quase que pedem um guia só deles.

Assim que o laboratório me der um tempo de descanso volto ao ficheiro do JD, e começo à procura do Crime do Padre Amaro.


Hmmm, eu de poesia creio que terei maior facilidade em encontrar exemplos, e os critérios em si não deverão ser difíceis de explicar dado que se regem todos pela preservação da vontade do poeta, existindo portanto muito menos desvios relativamente ao original do que na prosa.

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Re: Expressões/termos em itálico

Postby Bugman » 16 Apr 2015 14:15

vampiregrave wrote:Hmmm, eu de poesia creio que terei maior facilidade em encontrar exemplos, e os critérios em si não deverão ser difíceis de explicar dado que se regem todos pela preservação da vontade do poeta, existindo portanto muito menos desvios relativamente ao original do que na prosa.


Por isso mesmo cada um deles pedirem um guia quase exclusivo. Na poesia, por motivos de métrica, no teatro por motivos de respiração, a forma como as palavras estão escritas é de vital importância. No texto em prosa há maior liberdade para o leitor dar a entoação que quiser aos vocábulos. Daí eu dizer que aquelas duas formas de texto quase que mereciam um guia só delas, não por uma qualquer dificuldade acrescida.
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Re: Expressões/termos em itálico

Postby vampiregrave » 16 Apr 2015 14:22

Bugman wrote:
vampiregrave wrote:Hmmm, eu de poesia creio que terei maior facilidade em encontrar exemplos, e os critérios em si não deverão ser difíceis de explicar dado que se regem todos pela preservação da vontade do poeta, existindo portanto muito menos desvios relativamente ao original do que na prosa.


Por isso mesmo cada um deles pedirem um guia quase exclusivo. Na poesia, por motivos de métrica, no teatro por motivos de respiração, a forma como as palavras estão escritas é de vital importância. No texto em prosa há maior liberdade para o leitor dar a entoação que quiser aos vocábulos. Daí eu dizer que aquelas duas formas de texto quase que mereciam um guia só delas, não por uma qualquer dificuldade acrescida.


Sim, compreendo. Eu vou condensar o essencial em secções próprias; primeiramente apenas para a poesia, dado que ainda há muito em aberto quanto a obras de teatro, género em que só agora nos estamos a iniciar.

Bem, assim que tiver redigido a secção sobre estrangeirismos, em parte com base no excerto que aqui partilhei do Guia do Tradutor, e com alguns exemplos ilustrativos, coloco aqui para vossa apreciação.


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