Acordo/Reforma Ortográfica

Notícias sobre publicações, editoras, autores, convenções, feiras e outras relacionadas com o mundo do livro
User avatar
Cerridwen
Edição Única
Posts: 7357
Joined: 01 Jan 2005 13:17
Location: Torres Vedras
Contact:

Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Cerridwen » 15 Sep 2007 16:49

<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Caderno Educação - Desacordo ortográfico<!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->
por Manuel Carlos Chaparro


Na semana passada, soube-se que o Ministério da Educação decidiu que a próxima licitação de livros didáticos virá com a exigência da nova ortografia. Por aqui, portanto, a mudança ortográfica começa pelas escolas - como teria que ser, aliás. E no governo acredita-se que "quando a nova ortografia chegar às escolas, a sociedade se adequará" - e ponho aspas na frase porque ela foi dita pelo embaixador Lauro Moreira, em reportagem que a Folha de S.Paulo dedicou ao assunto, segunda-feira passada.

Se mesmo no Brasil há gente, e não é pouca, que discorda da uniformização ortográfica, por ver nela uma agressão à diversidade cultural dos povos de língua portuguesa, imagine-se quanto o novo acordo ortográfico contraria os portugueses!

Aliás, as mudanças atingem, principalmente, a ortografia usada em Portugal. Afinal, além da eliminação quase radical do trema, dos acentos diferenciais e do circunflexo, os portugueses teriam que se habituar ao desaparecimento do "c" e do "p" em palavras nas quais essas letras não são pronunciadas (acção, acto, adopção, óptimo, baptismo...). E como se isso fosse pouco, a alergia portuguesa a estrangeirismos seria exacerbada com o uso regular das letras "k", "w" e "y", que, pelo acordo passam a fazer parte do alfabeto.

Compreende-se, assim, que os portugueses alonguem a silenciosa resistência ao acordo ortográfico. E porque Portugal hesita, "o Brasil fica um pouco sozinho nessa história", admite o embaixador Lauro Moreira. Para acrescentar, em certo tom de lamentação: "A ortografia se torna mais simples, mas não cumpre o objetivo inicial de padronizar a língua".

Pelo andar da carruagem, o por enquanto desacordo ortográfico dificilmente se tornará acordo. Assim sendo, em vez de produzir convergências, acentuará divergências nos modos de escrever em português. O que talvez seja bom.

4/9/2007

Notícia Completa: Gazeta do Ribeirão


<!--sizeo:3-->[size=100]<!--/sizeo-->Brasil e Portugal estão de "acordo" na reforma ortográfica <!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

O embaixador de Portugal em Brasília, Francisco Seixas da Costa, afirmou hoje que o Brasil e Portugal defendem posições comuns sobre a necessidade de uma reforma ortográfica.

Num artigo intitulado "Estamos de Acordo!", publicado hoje no jornal O Estado de São Paulo, Seixas da Costa salientou, entretanto, que Portugal passa por um processo de reflexão sobre as mudanças a serem feitas.

"Gostava de deixar bem claro que Portugal defende, como sempre defendeu, a importância de se caminhar num processo de harmonização ortográfica, em especial pela dimensão estratégica desse passo na capacidade de afirmação da língua portuguesa no Mundo", afirmou.

Seixas da Costa salientou que, pela parte portuguesa, o acordo assinado em 1990 poderia ter entrado em vigor em 1994, "o que não aconteceu por razões a que Portugal foi então alheio".

"A circunstância de tal não ter ocorrido acabou por suscitar no meu país uma reflexão mais amadurecida sobre os efeitos, em especial editoriais, das mudanças que o acordo implicaria", disse.

Segundo o diplomata, o governo português não pode deixar de ser sensível a este debate, "tanto mais que as alterações que atingiriam a norma de Portugal são bem mais significativas que no Brasil".

"É do saldo final dessa reflexão, a qual deverá também atentar nos períodos de vigência dos manuais escolares, que vai depender a definição da posição portuguesa, que também tem de passar pelo necessário período de adaptação, antes da vinculação definitiva a uma futura norma comum", referiu.

Seixas da Costa salientou ainda que, nas relações luso-brasileiras, "parece por vezes existir um tropismo no sentido da dramatização das pequenas dissonâncias".

"A questão do acordo ortográfico parece estar a ser um desses temas, como se uns anos a mais ou a menos na conclusão de um texto trouxessem algum mal ao Mundo, que viveu sem ele até agora", afirmou.

O artigo lembra que o desejo "de caminhar para uma norma comum" para a língua portuguesa, conduziu, em 1990, à assinatura de um acordo ortográfico.

Esse acordo deveria ter entrado em vigor, para todos os então sete subscritores, em 1994, sendo ratificado por Portugal logo em 1991.

Dois protocolos modificativos foram, entretanto, assinados, sendo o primeiro, em 1998, eliminando a data de 1994 como limite para a entrada em vigor do acordo, "por se constatar a inexistência de ratificações suficientes até então".

Um segundo protocolo consagrou a entrada de Timor-Leste e determinou que o texto do acordo pudesse entrar em vigor com a ratificação por parte de apenas três países.

No fim de 2006, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe haviam ratificado esse segundo protocolo, "pelo que é entendido que o acordo pode entrar em vigor".

Seixas da Costa salientou, no entanto, que "algumas vozes consideram que, não obstante estes requisitos formais estarem preenchidos, seria importante que Portugal estivesse associado, desde o início, à entrada em vigor do novo acordo".

Pela aplicação das novas normas ortográficas, 1,6 por cento do total do vocabulário usado em Portugal (e nos restantes países que seguem a norma portuguesa) deverá sofrer adaptações.

No Brasil, por seu turno, essas mudanças abrangem apenas 0,5 por cento do total das palavras.

Na última quinta-feira, Seixas da Costa defendeu, durante encontro na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, que a reforma ortográfica seja feita em etapas.

"As consequências de natureza económica no campo editorial, decorrentes de uma futura entrada em vigor do acordo, têm naturalmente uma expressão diferenciada de país para país, o que impõe a necessidade de se encarar um faseamento no tempo de tais efeitos", salientou.

Seixas da Costa visitou a ABL ao lado de embaixadores de países de língua portuguesa acreditados no Brasil, nomeadamente Angola, Cabo Verde e Moçambique.

15/09/2007
Fonte: LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

User avatar
Cerridwen
Edição Única
Posts: 7357
Joined: 01 Jan 2005 13:17
Location: Torres Vedras
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Cerridwen » 15 Sep 2007 16:55

Pessoalmente acho isto uma parvoíce decorrente de sujeitos não têm mais que fazer.

<!--sizeo:1-->[size=50]<!--/sizeo--><!--coloro:#FFFACD--><!--/coloro-->Para não lhe chamar atentado à cultura.<!--colorc--><!--/colorc--> <!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->

User avatar
Riobaldo
Edição Limitada
Posts: 1099
Joined: 06 Feb 2005 15:14
Location: Lisboa
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Riobaldo » 16 Sep 2007 14:30

Cerridwen wrote:Pessoalmente acho isto uma parvoíce decorrente de sujeitos não têm mais que fazer.

<!--sizeo:1-->[size=50]<!--/sizeo--><!--coloro:#FFFACD--><!--/coloro-->Para não lhe chamar atentado à cultura.<!--colorc--><!--/colorc--> <!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->


Plenamente de acordo. Uma perda de tempo. E não me vejo a escrever coisas como "ótimo", "adotar" ou "ação". Até já me estou a ver velho, de bengala, a ser apelidado de antiquado pela malta nova, por escrever português arcaico :biggrin:
www.revistaantologia.com

User avatar
acrisalves
Edição Única
Posts: 3490
Joined: 29 Dec 2004 13:53
Location: In a florest mist
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby acrisalves » 16 Sep 2007 14:34

TRiiAd wrote:
Cerridwen wrote:Pessoalmente acho isto uma parvoíce decorrente de sujeitos não têm mais que fazer.

<!--sizeo:1-->[size=50]<!--/sizeo--><!--coloro:#FFFACD--><!--/coloro-->Para não lhe chamar atentado à cultura.<!--colorc--><!--/colorc--> <!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->


Plenamente de acordo. Uma perda de tempo. E não me vejo a escrever coisas como "ótimo", "adotar" ou "ação". Até já me estou a ver velho, de bengala, a ser apelidado de antiquado pela malta nova, por escrever português arcaico :biggrin:


Oh - não é preciso. Basta hoje em dia escrever correctamente.
Quanto às alteracções... algumas são muito pouco lógicas, já que o som das letras que pretendem tirar existe nalgumas palavras...

User avatar
Steerpike
Edição Limitada
Posts: 1187
Joined: 07 Jan 2006 19:09
Location: Lisboa, Portugal
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Steerpike » 16 Sep 2007 15:46

TRiiAd wrote:Plenamente de acordo. Uma perda de tempo. E não me vejo a escrever coisas como "ótimo", "adotar" ou "ação". Até já me estou a ver velho, de bengala, a ser apelidado de antiquado pela malta nova, por escrever português arcaico :biggrin:


Por outras palavras, "kota".

Abraços,
Luís
The vorpal blade went snicker-snack!

User avatar
Riobaldo
Edição Limitada
Posts: 1099
Joined: 06 Feb 2005 15:14
Location: Lisboa
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Riobaldo » 16 Sep 2007 15:48

acrisalves wrote:
TRiiAd wrote:
Cerridwen wrote:Pessoalmente acho isto uma parvoíce decorrente de sujeitos não têm mais que fazer.

<!--sizeo:1-->[size=50]<!--/sizeo--><!--coloro:#FFFACD--><!--/coloro-->Para não lhe chamar atentado à cultura.<!--colorc--><!--/colorc--> <!--sizec-->[/color]<!--/sizec-->


Plenamente de acordo. Uma perda de tempo. E não me vejo a escrever coisas como "ótimo", "adotar" ou "ação". Até já me estou a ver velho, de bengala, a ser apelidado de antiquado pela malta nova, por escrever português arcaico :biggrin:


Oh - não é preciso. Basta hoje em dia escrever correctamente.
Quanto às alteracções... algumas são muito pouco lógicas, já que o som das letras que pretendem tirar existe nalgumas palavras...


Pois. Como em "abrupto". O "p" lê-se.

Além disso, os portugueses não sabem escrever português. Se agora se resolve mudar uma série de coisas, o caso ficará ainda pior. Só espero que esta ideia não vá para a frente.
www.revistaantologia.com

Wallace
Encadernado a Couro
Posts: 348
Joined: 02 Jan 2005 18:30
Location: Highlands of Scotland
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Wallace » 16 Sep 2007 19:57

alias, o português correcto (com 'C') é o nosso! no Brasil é que, provavelmente da analfabetização que ocorria no início da formação daquele país, muita coisa se foi escrevendo como se dizia, e acabou por ficar.
mas também acredito que lá nao queriam mudar tanto quanto nos nao queremos. por isso cá por mim que fique na mesma. nao vamos "uniformizar" para piorar.
In the year of our Lord 1314, patriots of Scotland, <br />starving and outnumbered, charged the fields at Bannockburn. <br />They fought like warrior poets. <br />They fought like Scotsmen. <br />And won their freedom.

User avatar
acrisalves
Edição Única
Posts: 3490
Joined: 29 Dec 2004 13:53
Location: In a florest mist
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby acrisalves » 16 Sep 2007 20:38

Eu acho sinceramente que é mais uma questão de evolução... 500 anos separados pelo mar e é normal que se desenvolvam expressões e pronúncias diferentes, do mesmo modo que ha palavras no Norte do nosso país muito diferentes das do Sul.
Além do mais, alguns textos de bons escritores brasileiros não são assim tão diferentes do nosso português.

Wallace
Encadernado a Couro
Posts: 348
Joined: 02 Jan 2005 18:30
Location: Highlands of Scotland
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Wallace » 16 Sep 2007 21:23

oh, uma coisa são vocábulos, outra coisa é ortografia. :smile:
In the year of our Lord 1314, patriots of Scotland, <br />starving and outnumbered, charged the fields at Bannockburn. <br />They fought like warrior poets. <br />They fought like Scotsmen. <br />And won their freedom.

User avatar
Steerpike
Edição Limitada
Posts: 1187
Joined: 07 Jan 2006 19:09
Location: Lisboa, Portugal
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Steerpike » 16 Sep 2007 23:02

Wallace wrote:alias, o português correcto (com 'C') é o nosso!


Na verdade, não há *um* português correcto se olhares para as coisas em termos universais. O "portuguez" de Portugal que se escrevia há 150 anos é tão diferente do nosso quanto o brasileiro: seja pela profusão de acentos, pelos apóstrofos, pelos zz e pelos ph, pelas locuções que hoje soam arcaicas. Por essa ordem de raciocínio, o português correcto seria a ur-linguagem que está na origem de todos os idiomas. Seja como for, é precisamente devido à evolução da língua que o acordo ortográfico é uma imbecilidade colossal e uma perda de tempo: daqui a 50 ou 100 anos teremos alterações suficientes ao português para destroçar a uniformização da língua. Será que isso compensa o esforço? O custo de adopção, reeducação da sociedade e correcção de todo o tipo de livros, manuais e documentos? Isto assumindo que o português continua em uso e não acabamos todos a falar inglês ou mandarim, claro . . .

Abraços,
Luís
The vorpal blade went snicker-snack!

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14973
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Samwise » 16 Sep 2007 23:48

Steerpike wrote:Seja como for, é precisamente devido à evolução da língua que o acordo ortográfico é uma imbecilidade colossal e uma perda de tempo: daqui a 50 ou 100 anos teremos alterações suficientes ao português para destroçar a uniformização da língua. Será que isso compensa o esforço? O custo de adopção, reeducação da sociedade e correcção de todo o tipo de livros, manuais e documentos? Isto assumindo que o português continua em uso e não acabamos todos a falar inglês ou mandarim, claro . . .


É aqui que não estou de acordo contigo.

Parece-me, e estou a falar de cor aqui, uma vez que não conheço a pretensões futuras de tal acordo, que a lógica das coisas é ir acompanhando e corrigindo as possíveis mudanças entre as varias "línguas" portuguesas daqui para a frente, de modo a fazê-las convergir para a unidade. Imbecil seria não pensar nessa mais que provável eventualidade e não fazer nada para a eliminar.

Eu, por mim, não sou a favor do acordo. Não porque ache que seja uma perda de tempo, ou porque de futuro terá sido uma perda de tempo, mas por causa da tal questão da identidade dos povos. Portugueses e brasileiros falam uma língua semelhante, com diferenças muito mais significativas do que a simples pronunciação das palavras. Cada povo deve ser fiel à sua cultura, sendo que a língua faz parte dela.
E há a questão da elegância, também. Acho o português de Portugal muito mais elegante, graficamente falando, do que o português do Brasil, português esse, aliás, que se devia chamar brasileiro, para não haver confusões.

"Gostava de deixar bem claro que Portugal defende, como sempre defendeu, a importância de se caminhar num processo de harmonização ortográfica, em especial pela dimensão estratégica desse passo na capacidade de afirmação da língua portuguesa no Mundo", afirmou.


O que eu gostava, nesta matéria, era de de saber exactamente a percentagem de portugueses (de Portugal) que estariam de facto a favor da convergência nesta altura. Parece-me que esse senhor está a falar sem ter a mínima noção de tais valores.

Só me apetece dizer: olhem para o caso espanhol e vejam lá se eles anda preocupados em reunir os povos todos das ex-colónias a falar a mesma língua. Nem dentro do próprio país, quanto mais...

Sam
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

User avatar
Steerpike
Edição Limitada
Posts: 1187
Joined: 07 Jan 2006 19:09
Location: Lisboa, Portugal
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Steerpike » 17 Sep 2007 04:26

Samwise wrote:É aqui que não estou de acordo contigo.


Pois a realidade não quer saber do que pensas. A evolução da linguagem é um fenómeno cultural distribuído, quase democrático até, não pode ser domado como estes senhores pretendem. É o proverbial "herding cats in a house on fire". A imprensa ajudou a retardar a mutação da linguagem, porque antes bastavam poucos anos e quilómetros para transformar uma língua, mas ninguém pode dizer que a cristalizou, porque o que se imprimia no tempo do Gutenberg não tem nada a ver com o que se imprime hoje em dia. Se daqui a 50 anos os portugueses escreverem todos como se estivessem no IRC (lagarto, lagarto, lagarto), acredita que pelo menos algumas alterações terão de ocorrer nesse sentido, independentemente dos estragos que provoque à uniformização e do que uma minoria de lexicógrafos possa achar.

Além disso, o acordo ortográfico também nunca poderá eliminar a adopção, evolução e eliminação de expressões idiomáticas e regionalismos vários. Por isso uma pessoa pergunta-se: qual é a vantagem de escrevermos da mesma maneira se vamos continuar a ter dúvidas (poucas, como sempre foram) em relação ao que o outro está a dizer? Um facto pode ser um fato, mas poderá um fato ser terno? Em que medida é que um acordo ortográfico realmente aproxima os vários países lusófonos? Afinal ainda nos entendemos bastante bem, não se dá o caso de precisarmos de intérprete para falar uns com os outros.

E quanto custará a substituição generalizada de dicionários e livros escolares, quando o regresso à escola é sempre uma dor de cabeça para os paizinhos deste nosso país da treta? Quantos professores, escritores, editores, jornalistas, tradutores e revisores vão ter de andar a bater com a cabeça nas paredes durante a eventual transição para a nova ortografia? Enquanto isso, temos o efeito amnésico de ajudarmos a criar uma nova geração separada pela escrita daquilo que se publicou antes. Isto não é mais do que uma brincadeira mentecapta para ocupar políticos e académicos, ainda estou para descobrir quem foi o génio que teve esta ideia.

Samwise wrote:E há a questão da elegância, também. Acho o português de Portugal muito mais elegante, graficamente falando


Eu cá acho que o português tem a elegância e eufonia de uma máquina de escrever embrulhada em folha de alumínio e atirada por um lanço de escadas abaixo. Mas é a minha opinião, outros poderão discordar. :wink:

Abraços,
Luís
The vorpal blade went snicker-snack!

User avatar
Dharma
Enciclopédia
Posts: 782
Joined: 02 Aug 2007 12:13
Location: Vialonga
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Dharma » 17 Sep 2007 09:47

Eu sou a favor da alteração per se, não pela uniformização com o português do Brasil. Acho que a língua tem de evoluir e não vejo razão para que não sigamos as alterações.

Sinceramente é muito cedo para dissertar mais sobre o assunto, mas de maneira geral é esta a minha opinião.

Dharma
"The mind is its own place, and in it self
Can make a heaven of hell, a hell of heaven."

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14973
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Samwise » 17 Sep 2007 10:42

Steerpike wrote:
Samwise wrote:É aqui que não estou de acordo contigo.


Pois a realidade não quer saber do que pensas. A evolução da linguagem é um fenómeno cultural distribuído, quase democrático até, não pode ser domado como estes senhores pretendem. É o proverbial "herding cats in a house on fire". A imprensa ajudou a retardar a mutação da linguagem, porque antes bastavam poucos anos e quilómetros para transformar uma língua, mas ninguém pode dizer que a cristalizou, porque o que se imprimia no tempo do Gutenberg não tem nada a ver com o que se imprime hoje em dia. Se daqui a 50 anos os portugueses escreverem todos como se estivessem no IRC (lagarto, lagarto, lagarto), acredita que pelo menos algumas alterações terão de ocorrer nesse sentido, independentemente dos estragos que provoque à uniformização e do que uma minoria de lexicógrafos possa achar.

Além disso, o acordo ortográfico também nunca poderá eliminar a adopção, evolução e eliminação de expressões idiomáticas e regionalismos vários. Por isso uma pessoa pergunta-se: qual é a vantagem de escrevermos da mesma maneira se vamos continuar a ter dúvidas (poucas, como sempre foram) em relação ao que o outro está a dizer? Um facto pode ser um fato, mas poderá um fato ser terno? Em que medida é que um acordo ortográfico realmente aproxima os vários países lusófonos? Afinal ainda nos entendemos bastante bem, não se dá o caso de precisarmos de intérprete para falar uns com os outros.

E quanto custará a substituição generalizada de dicionários e livros escolares, quando o regresso à escola é sempre uma dor de cabeça para os paizinhos deste nosso país da treta? Quantos professores, escritores, editores, jornalistas, tradutores e revisores vão ter de andar a bater com a cabeça nas paredes durante a eventual transição para a nova ortografia? Enquanto isso, temos o efeito amnésico de ajudarmos a criar uma nova geração separada pela escrita daquilo que se publicou antes. Isto não é mais do que uma brincadeira mentecapta para ocupar políticos e académicos, ainda estou para descobrir quem foi o génio que teve esta ideia.



Tu és perito em pegar em expressões das outras pessoas e mudar-lhes o contexto de acordo com as tuas pretenções.
Pois é claro que a realidade evolutiva não quer saber do que eu penso para nada. Pois claro que daqui a 50 anos haverá uma diferença na linguagem em relação à que já há hoje, e que esse fosso de diferenças se continuará a alargar indefinidamente até que todo o globo fale inglês ou mandarim ou "espanhol".

Não é aí que discordo contigo.

Discordo contigo quanto a essa ser a razão para o acordo ser uma imbecilidade colossal.
E de qualquer modo, a aproximação que o acordo prevê nunca pode ir para além de deteminados ajustes (como o da eliminação das tais letras mortas), nunca no que respeita a expressões idiomáticas e afins.

Sim, concordo contigo quando perguntas "qual é a vantagem de escrevermos da mesma maneira se vamos continuar a ter dúvidas (poucas, como sempre foram) em relação ao que o outro está a dizer? "

É que às tantas estou a ler o que tu dizes e estou a concordar com tudo, porque tu partiste de uma distorção a minha ideia inicial.

Samwise wrote:E há a questão da elegância, também. Acho o português de Portugal muito mais elegante, graficamente falando

Eu cá acho que o português tem a elegância e eufonia de uma máquina de escrever embrulhada em folha de alumínio e atirada por um lanço de escadas abaixo. Mas é a minha opinião, outros poderão discordar. :wink:


Tens razão. É uma questão de opinião. Gostaria, no entanto, de ressalvar que falei em elegância num contexto comparativo. Ou se calhar vais-me dizer que gostas mais da elegância escrita do português do Brasil (ver duas primeiras frases deste parágrafo)...

Sam
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

User avatar
Steerpike
Edição Limitada
Posts: 1187
Joined: 07 Jan 2006 19:09
Location: Lisboa, Portugal
Contact:

Re: Acordo/Reforma Ortográfica

Postby Steerpike » 17 Sep 2007 20:13

Samwise wrote:Tu és perito em pegar em expressões das outras pessoas e mudar-lhes o contexto de acordo com as tuas pretenções.

Discordo contigo quanto a essa ser a razão para o acordo ser uma imbecilidade colossal.


Não mudei o contexto de expressão nenhuma. Relê o que escrevi e verás que expliquei que o acordo ortográfico é uma imbecilidade colossal porque equivale a remar contra a maré (evolução e tal) numa tentativa de resolver um "problema" que na realidade não existe (compreensão e tal). Não é estúpido por uma única razão, até porque nunca afirmei tal coisa; é, sim, estúpido por *várias* razões.

Samwise wrote:E de qualquer modo, a aproximação que o acordo prevê nunca pode ir para além de deteminados ajustes (como o da eliminação das tais letras mortas), nunca no que respeita a expressões idiomáticas e afins.


O que o torna perfeitamente inútil para os efeitos esperados.

Samwise wrote:É que às tantas estou a ler o que tu dizes e estou a concordar com tudo, porque tu partiste de uma distorção a minha ideia inicial.


À tua ideia inicial respondi logo, e nunca mais lhe toquei, isso já era o desvelar dos meus ódios de estimação em relação a esta história. ;P

Abraços,
Luís
The vorpal blade went snicker-snack!


Return to “Notícias Literárias”




  Who is online

Users browsing this forum: No registered users and 2 guests

cron