As singularidades astrofísicas do Verso

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João P Ferreira
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As singularidades astrofísicas do Verso

Postby João P Ferreira » 15 Mar 2012 12:30

Deixo-vos aqui meus caros, quatro oitavas sebastiânicas, em rima que fiz há pouco no Martinho da Arcada

Aguardo veementemente críticas/comentários

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As singularidades astrofísicas do Verso

Se sou a singularidade astrofísica por desvendar
Apenas um fator periódico mundial e milenar,
as partículas do cosmos incutem-me o verbo Amar
e cada batalha feroz é um gesto, um zumbido ou um olhar
A cada letra sei que escrever é cada vez mais premente
É com a chama do caracter que apodrecem as algemas da mão
percorro a cada dia, os labirínticos trilhos da mente
Leio Pessoa; aguardo serenamente El-Rei Dom Sebastião

Porque a Mensagem que nos deixou é Profecia
É a Mensagem que o Infante iniciou, é Maresia
Escrevendo escreverei o que mais ninguém diria
É a Mensagem indelével do Mensageiro: É Poesia
E no dia-a-dia, faço cálculo combinatório e integral
Derivo e resulto na magna singularidade que represento
A cada jorna, sinto a impetuosa lascívia racional
É só sal de Adamastor. É só tormento!

Deus é Grande e o Homem soube-O sonhar
em cada átomo, em cada astro a gravitar
em cada ave dos céus, flor do jardim, ou peixe do mar
em cada mulher com os fartos seios por mostrar
em cada homem que a ama sem cessar
em cada Templo infindável do Amor por edificar
em cada onda eletromagnética que se propaga pelo ar
Em cada gesto teu, no teu sorriso, no teu olhar

Numa equação algébrica vejo a Análise Divina
em cada integral revejo a serpente de Adão
Se não tivesse a bíblica Eva como prima
dir-me-ia que uso apenas e somente a mão
Vejo Deus nosso Senhor em cada face feminina
Falta-me compreender a Sua magna Perfeição
Procuro de entre as partículas do cosmos a minha sina
Dai-me Senhor os Mistérios d’El-Rei Dom Sebastião
João Pimentel Ferreira
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Re: As singularidades astrofísicas do Verso

Postby Rui Ramos » 15 Mar 2012 13:35

Não sou perito em poesia, logo, não posso fazer-te uma análise construtiva, o que as minhas humildes capacidades permitem é dizer que gostei do que li.

Também sou fã de pessoa e agrada-me que navegues pelo mesmo imaginário pessoano.

Gostei particularmente da frase: "percorro a cada dia, os labirínticos trilhos da mente"

É daquelas frases que colocam os átomos da minha imaginação a vibrar! :tu:

Curiosamente, hoje no chuveiro, tive uma ideia parecida para uma história. Sempre tive um fascínio por labirintos.

João P Ferreira
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Re: As singularidades astrofísicas do Verso

Postby João P Ferreira » 15 Mar 2012 15:07

Perfeito :)

A criação artística tem normalmente sempre a génese nos labirínticos trilhos do subconsciente: frustrações, paixões, desilusões, agressões.

Não as sentimos conscientemente, mas extravasam através da escrita e da arte

Saudações literárias caro Rui
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João Arctico
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Re: As singularidades astrofísicas do Verso

Postby João Arctico » 03 Apr 2012 00:46

Como comentário posso dizer que gostei quer pela temática quer pela forma e conteúdo. Acho que está muito bem conseguido :tu:

Como crítica direi que acabaste por cair na rima fácil em determinados momentos (vide 3ª oitava), onde te refugiste na primeira conjugação (_ar) e substantativos afins - que por si só não seria crítica - mas que contraria a complexidade que pretendeste imprimir ao texto. Por outro lado, quando à estrutura das rimas misturaste cruzadas (ABAB) com "corridas" (AAAA) e pelo meio uma "prima" que ficou sózinha :devil:
"É isto o que, de todo em todo, pretendia o autor? Não sei; é a opinião do leitor que eu dou." Jean-Paul Sartre
"Mas mesmo aquilo que a gente não se lembra de ter visto um dia, talvez se possa ver depois de algum viés da lembrança" Chico Buarque in Estorvo

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Re: As singularidades astrofísicas do Verso

Postby João P Ferreira » 03 Apr 2012 10:43

Muito obrigado meu caro por essa análise crítica ao poema

Realmente eu por norma não opto por uma rima dita fácil, prefiro as mais complexas, no entanto, mudei um pouco o estilo nestes versos para que a escrita fluísse melhor :)

E a prima não ficou sozinha, há uma certa similitude sonora entre "a prima" e "a Divina" :)
João Pimentel Ferreira
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