Poema dadaísta ao automóvel

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João P Ferreira
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Poema dadaísta ao automóvel

Postby João P Ferreira » 05 Dec 2012 01:39

Boas minha gente, um tipo amigo meu escreveu este texto e pareceu-me bem declamá-lo...

digam de v/ justiça... considerem que o estilo é dadaísta, ou seja, não há regras, nem formas ordenadas por cumprir, sendo que o objetivo é a liberdade, sem critérios ou estética padronizada



Muito obrigado

Saudações literárias
João Pimentel Ferreira
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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby Bugman » 16 Dec 2012 00:36

De minha justiça é muito simples: 3 minutos. Depois tive de ir dar uma volta de bicicleta... :td:
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Normalcy was a majority concept, the standard of many and not the standard of just one man. Robert Neville
O homem que obedece a Deus, não precisa de outra autoridade. Petr Chelčický
Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
Yes, I am a woman of the law. And there are lots of laws. But if they don't offer us justice, then they aren't laws! They are just lines drawn in the sand by men who would stand on your back for power and glory. Sartana
"No, Señoría, no es lo mismo estar dormido que estar durmiendo, porque no es lo mismo estar jodido que estar jodiendo". Camilo Jose Cela

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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby João P Ferreira » 16 Dec 2012 02:42

Deves ser também Fanático dos Popós :)
ou então simplesmente tens aversão ao sotaque PT-BR :rotfl:
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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby Bugman » 16 Dec 2012 17:57

Torna-se difícil dizer por onde começar. Pode ser pelo facto de o insulto gratuito puro e simples não me dizer nada ou pode ser por a récita ser desprovida de qualquer sentimento (poético?). Não está fora de hipótese que a segunda seja uma consequência da primeira...
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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby João P Ferreira » 16 Dec 2012 21:04

:)

Incorre meu caro num erro de análise literária. Permita-me por favor que use da dialética.

A ofensa existe, não o nego, mas poderá ser tudo, menos gratuita. A ofensa assenta os seus fundamentos numa critica à política pública da hegemonia do automóvel e da sua sacralização por parte dos meios de comunicação social, publicitários e culturais, com as consequências trágicas para uma nação onde 1/4 das importações são carros e combustíveis. Assim a ofensa assenta os seus princípios numa sátira de índole política que visa unicamente o melhoramento da qualidade de vida e dos índices económicos em Portugal.

Em relação à putativa carência de sentimentos patentes no poema pergunto apenas: não implica ofensa, sentimentos? por muito primários que sejam...

Atentamente
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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby Samwise » 17 Dec 2012 12:45

Devo ter visto/ouvido perto de 15 dos 20 minutos que dura a declamação (sem andar para a frente).

Reconheço-te mérito no esfoço, quer quanto à extensão propriamente dita do "poema", quer quanto à capacidade oral (no pun intended) e empenho na sua apresentação/representação.

Quanto ao conteúdo, não o apreciei por aí além - ou não o apreciei de todo. A ofensa que o Bugman refere creio que terá a ver o modo como a mulher portuguesa e brasileira é "epitetada" e "generalizada". Começar uma crítica à indústria automóvel por esse caminho é colocar logo um travão à nossa eventual boa vontade em aceitar o resto (e acredita que no meu caso, esse travão é mais eficaz que os de um Ferrari FF), para além de traçar uma série de paralelos infelizes com outra parte do poema apresentada mais tarde e que fala precisamente dos melhores momentos que podemos passar dentro de um carro. :angel:

Mas adiante. O problema deste género de abordagem mais "chocante" a uma qualquer temática assenta na mais que provável perda da mensagem em atingir o alvo, porque a atenção do ouvinte acaba por ficar presa na camada estilística de mau gosto. Ou seja, "a ofensa assenta os seus fundamentos numa critica à política pública da hegemonia do automóvel e da sua sacralização por parte dos meios de comunicação social, publicitários e culturais, com as consequências trágicas para uma nação onde 1/4 das importações são carros e combustíveis", mas o nível da sua aplicação é de tal forma radical que não passamos mesmo daí - o conteúdo perde-se na impossibilidade de nos abstraírmos do resto. É quase como passar uma mensagem ecológica no meio de um filme pornográfico.

Àparte disto, fiquei com uma dúvida sobre um pormenor em particular: num poema com esta "abertura linguística" toda, por que razão estão as imagens pornográficas censuradas, nomeadamente os fellatios?

-

Antes que perguntes ou apontes, não sou fanático dos popós. Mas já sou fanático da sua "utilização útil" - daquela que serve para simplificar/facilitar a vida das pessoas numa metróloe moderna, ainda que a troco de uma soma monetária.
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby João P Ferreira » 17 Dec 2012 13:18

Olá

Muito obrigado pelo comentário

Percebo que a mensagem talvez tenha sido demasiado "chocante" e também temo, que as pessoas se cinjam ao estilo, perdendo a vertente racional e política do poema.

A crítica às mulheres portuguesas e brasileiras, não é uma crítica de facto, foi apenas um epíteto metafórico para criticar a cultura da sacralização do automóvel (princípios sacros importados dos E.U.A.), que associa indelevelmente o automóvel à virilidade, ao sucesso profissional e ao sucesso com as mulheres. Nas mulheres a cultura do carro está associada à emancipação feminina e à liberdade de géneros (assim como estava o tabaco a partir dos anos 20).

O poema não é "sexista" é antes "sexuado", pois apesar dos sentimentos primários estarem imbuídos, não é de todo uma crítica de índole machista, aliás vários homens são criticados no poema, entre os quais o destinatário principal, o tal CB, presidente do CPA! Assim, o objetivo primário é apenas satirizar a cultura do automóvel, nas suas diversas frontes: cultural, social, cinematográfica, espaço urbano, mobilidade, etc.

As felações estão censuradas por questões do conteúdo de imagens. Vídeos com cenas sexualmente explícitas podem ser banidos do Youtube! Já no que concerne à oralidade o YouTube é muito mais liberal, ainda para mais em línguas diferentes da inglesa.

Em relação à política da hegemonia automóvel, recomendo-te vivamente que leias este texto que em tempos escrevi:
http://www.veraveritas.eu/2012/08/o-processo-coletivo-e-psicanalitico-da.html

Atentamente
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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby croquete » 17 Dec 2012 14:19

Olá,
Também não consegui ver até ao fim.
Do que vi só registei insultos gratuitos.
Digo gratuitos porque, infelizmente, acredito numa norma formal, primeiro fundamento os meus argumentos, e só depois é que chamo filho da p... a alguém.
:bye:

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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby João P Ferreira » 17 Dec 2012 15:45

croquete wrote:Digo gratuitos porque, infelizmente, acredito numa norma formal, primeiro fundamento os meus argumentos, e só depois é que chamo filho da p... a alguém.

Mas isso não é arte!!! Quanto muito é um tratado filosófico!

Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas têm reinado:

Dido foi puta, e puta dum soldado;
Cleópatra por puta alcança a c'roa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Rússia imperatriz famosa,
Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques, pois, oh Nise, duvidosa
Que isto de virgo e honra é tudo peta.


                     Manuel Maria Barbosa du Bocage
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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby croquete » 17 Dec 2012 16:05

Certíssimo.
Provavelmente a diferença de opinião é sobre isso mesmo.

Bocage não é qualquer coisa que esteja habituado a ler nas portas das casas de banho, num muro ou nas paredes de uma casa abandonada. A diferença estará na vulgaridade. E esta diferença encontro-a eu por isso é um problema meu.

Admito com toda a tolerância que outros vejam arte onde eu veja gratuitidade.
Se concordarmos sobre a tolerância concordaremos também que existem diferenças de opinião sobre a exposição "artística/não artística" em causa.

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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby João P Ferreira » 17 Dec 2012 16:26

croquete wrote:Bocage não é qualquer coisa que esteja habituado a ler nas portas das casas de banho, num muro ou nas paredes de uma casa abandonada. A diferença estará na vulgaridade. E esta diferença encontro-a eu por isso é um problema meu.


Bem, não sei onde lê Bocage, mas por certo não será em nenhum local longínquo e recondito longe da civilização! E não percebi a analogia confesso, pois o poema em apreço que declamei, também não está "nas portas das casas de banho, num muro ou nas paredes de uma casa abandonada". Está num fórum de literatura!

croquete wrote:Admito com toda a tolerância que outros vejam arte onde eu veja gratuitidade.
Se concordarmos sobre a tolerância concordaremos também que existem diferenças de opinião sobre a exposição "artística/não artística" em causa.


Não houve alguém que expôs um urinol numa galeria de arte e foi um sucesso? O conceito de arte e respetiva exposição é muito difícil de estabelecer, mas o séc. XX demonstrou-nos que esse conceito é muitíssimo vasto.

O que me indigna neste paradigma (e olhe que apesar de cristão não sou católico fervoroso) é que certo tipo de arte anti-clerical por exemplo é muito bem vista e aceite (por muito verdadeiramente ofensiva e gratuita que seja) pela crítica! Lembro-da da sátira à eucaristia que Herman José fez em tempos, ou das críticas que o Estado de Graça faz aos padres, ou mesmo do afamado "Evangelho segundo Jesus Cristo" de Saramago! Quando a sátira é contra os costumes e o sacral da sociedade ocidental contemporânea, tal já é inaceitável!

Acho então que não é correto, estabelecermos, o que é aceite, ou que não é aceite!
Como dizia Tristan Tzara, fundador do Dadaísmo, a melhor poesia é a que vem da boca

Atentamente
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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby croquete » 17 Dec 2012 16:39

João P Ferreira wrote:Acho então que não é correto, estabelecermos, o que é aceite, ou que não é aceite!


Concordo com a afirmação.
Daí reservar para mim, aceitar ou não aceitar o que bem entender.
Fundamentando mas não impondo ( nem saberia como fazê-lo) as minhas opiniões.

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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby Thanatos » 17 Dec 2012 16:41

Bom, para aqueles que se chocaram a ouvir esta declamação nunca recomendarei Mário Cesariny de Vasconcelos.
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!

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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby croquete » 17 Dec 2012 17:16

Da minha parte não há choque nenhum.
Apenas nenhuma vontade de ver a declamação até ao fim.
De qualquer forma, obrigado pela dica. :tu:

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Re: Poema dadaísta ao automóvel

Postby João P Ferreira » 17 Dec 2012 17:27

Thanatos wrote:Bom, para aqueles que se chocaram a ouvir esta declamação nunca recomendarei Mário Cesariny de Vasconcelos.

ou Ary dos Santos, que como Cesariny, erão homossexuais! Grandes homens da Poesia lusitana, que muito aprecio!

Acho que na verdadeira poesia LIVRE, podemos falar mal de pretos, homossexuais, das mulheres, de Salazar, de Mário Soares, Álvaro Cunhal, do Primeiro Ministro, do Rei, do Papa, do Clero, dos agiotas, de Cavaco Silva, ou tão-somente da hegemonia automóvel. Alías há variada jurisprudência, que reiteradamente iliba, os autores, de eventual "calúnia" quando se trata de obra artística. O próprio Mozart, referia que através da ópera, "o que não se podia dizer, cantava-se!"

Atentamente
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