Jack

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uma pessoa qualquer
Rascunho
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Jack

Postby uma pessoa qualquer » 18 Dec 2012 01:00

Bem, antes de mais é o meu primeiro post aqui. Como não vi nenhum forum para apresentações pulei logo para aqui. Comecei a escrever há uns meses, por hobby. Pretendo melhorar e talvez até escrever um livro, mas o feedback que tenho tido não é muito pois apenas publico no meu blog. Os meus amigos têm gostado, mas vamos a ver o que diz o resto das pessoas :)

Jack acordou numa manhã de um dia comum. Acordou cansado, mais cansado do que quando se tinha ido deitar na noite anterior. Parte do cansaço devia-se ao trabalho como advogado, que cada vez lhe exigia mais. Tinha um caso em mãos que lhe desafiava os próprios valores pessoais. Era nada mais nada menos que um assassínio, em que ele sabia quem era o culpado e tinha que o defender, incriminando um inocente. Ninguém entendia como um recém-formado aceitava um caso destes, mas poucos podiam compreender o poder de uma sentença de morte, embora muitos soubessem que a máfia possuía esse poder. Era o caso. Não é difícil de compreender a escolha de um novato para um caso destes. À medida que se sobe na pirâmide, as influencias relacionadas aumentam, começam-se a pisar calos que não se querem pisar. Pegar num advogado da base e testá-lo, fazê-lo mostrar que mereceu a nota máxima que teve tornava-se plausível. Todo o caso dava pesadelos a Jack, que não sabia por onde lhe pegar. Não havia por onde lhe pegar, pura e simplesmente e isto levava a que as olheiras crescem a um ritmo frenético de tantas as noites passadas sem dormir. Esta noite tinha sonhado com fogo, pânico, pessoas a correr. Sonhava com crimes, com mortes, com o próprio juízo a ser julgado.

Prosseguiu com a rotina matinal até que saiu de casa para um nevoeiro cerrado e gelado. Não era só nevoeiro, parecia uma mistura de nevoeiro e fumo. Agasalhou-se e preparou-se para a meia-hora de caminhada que o esperava até ao trabalho. Não tinha carro, pelo que não tinha alternativa. As dores de cabeça era notórias, mas não era nada que o café e um cigarro não ajudassem a aliviar. Ia a meio do caminho quando o telemóvel tocou. Bryan, um colega de trabalho era quem lhe ligava. Era cedo, não devia haver motivo para lhe ligar a esta hora. Atendeu.

- Sim?

- Jack, onde é que que estás?

- A caminho do trabalho, como é costume a esta hora.

- Onde é que estiveste esta noite?

- Desculpa?

- Onde estiveste esta noite? O teu escritório está em cinzas e um amigo na segurança confidenciou-me que tu estiveste lá esta noite. Está aqui a policia, estão os bombeiros e está um monte de gente a apreciar o aparato. Ninguém te viu a sair, toda a gente acha que tu estás no meio das cinzas, morto.

Jack não respondeu. Lembrou-se do sonho acerca do fogo. Seria possível? Não, era de loucos pensar que tinha ido ao escritório durante a noite e tinha-lhe pegado fogo. Não deixariam mais ninguém entrar enquanto ele estivesse lá e ninguém o tinha visto a sair pelo que qualquer suspeita incidiria nele. Apercebeu-se que ainda tinha o telemóvel ligado e estava a falar com Bryan, mas não ouvia o que ele dizia, não ouvia nada. Desligou-o. O coração martelava as costelas com um ritmo frenético. Era um homem morto. Para todos os efeitos era um homem morto. Era um homem morto porque não sabia como dar a volta ao caso e se com os documentos poderia ter uma remota hipótese, com os documentos reduzidos a cinzas não tinha hipótese nenhuma. A máfia já devia saber do fogo, devia estar apenas a espera de saber se ele tinha morrido ou não. Provavelmente já tinham enviado alguém para casa dele. Correu para casa. Entrou de rompante na porta, subiu as escadas e pegou no revolver que tinha comprado para sua protecção. Nunca pensou utilizá-lo para um fim que não fosse esse, mas as circunstâncias eram outras. Ia-se matar. Fisicamente, porque teoricamente já era um homem morto. Encostou o cano do revolver à cabeça e ouviu um estrondo. Não tinha sido ele a causa pelo que parou e procurou. Ouviu passos, havia ali mais alguém que não teve o cuidado de bater à porta. Esperou, de revolver na mão, encostado à parede do quarto. Não ia morrer ás mãos da máfia. Esperou até que alguém entrou e esse alguém entrou também de revolver nas mãos. Mirou à cabeça e disparou. Ouviu os passos acelerados a subir as escadas, havia mais uma pessoa. Esperou novamente e mais uma vez apontou à cabeça.

Olhou para os dois corpos no chão e a descarga de adrenalina fê-lo pensar de maneira diferente. Revistou os bolsos e procurou por dinheiro. Chamou um táxi e deixou o telemóvel em cima da cama, juntamente com os documentos que tinha. Abriu as gavetas e procurou a identificação falsa que tinha criado em tempos. Desceu as escadas e entrou no táxi.

- Aeroporto, por favor.

Jack olhou para trás à medida que o táxi arrancava. Queria tentar certificar-se que ninguém se aproximava ou apercebia que ele estava lá dentro e que tinha deixado aquela casa para sempre, visto que mesmo que deixasse de ser perseguido não se livrava de ser um homicida. Passou a viagem a rever os últimos meses na própria cabeça. Saíra da universidade em Julho com a nota máxima e ironicamente acabara por não só não conseguir fazer cumprir a lei, como conseguiu violá-la. Pensou no emprego que conseguira e pensou no primeiro contacto com a máfia. Começara tudo com um envelope entregue na rua quase por acaso: um homem que caminhava atrás dele colou-lhe o envelope cheio ao peito e seguiu caminho num passo acelerado. Guardou a curiosidade até chegar a casa, onde o abriu e viu não só a descrição do caso, como as identidades de quem tinha de defender e quem tinha de culpar, apenas tinha que arranjar o meio. Acompanhando vinha uma folha repleta de dados pessoais de Jack, com a clara intenção de o fazer perceber que sabiam tudo sobre ele e que ele desapareceria se se recusasse a fazer isto. Vinha também uma morada, onde ele se deveria dirigir num determinado dia a uma determinada hora e onde ele esteve na data proposta. Era uma casa antiga, habitável mas desabitada. Onde falou durante meia-hora com um individuo sinistro que lhe explicou que um dos elementos tinha-se metido numa rixa num beco atrás de um bar e tinha acabado por matar outro homem. Haviam testemunhas que indicavam isso e não era fácil abafá-las todas, daí, isto ser um trabalho para ele. Pensou no inferno que aquilo lhe tinha trazido, nas noites no escritório, nas noites em casa sem dormir...

- ...lá dentro.

De tão pensativo que estava mal se apercebeu que o taxista falava com ele.

- Desculpe?

- Estava a comentar consigo o que deu agora na rádio. Parece que um gajo qualquer, um advogado lá do centro da cidade se meteu no escritório a meio da noite e pegou fogo àquilo tudo com ele lá dentro. Há com cada maluco...

"Com ele lá dentro?". Jack perguntou a si mesmo se não estaria a alucinar. Ele estava ali, por isso era impossível que tivessem encontrado o seu corpo lá dentro do escritório.

- Com o corpo lá dentro? Mas alguém viu ou foi a policia que encontrou o corpo?

- Eles disseram agora que a policia encontrou lá um corpo, supõe-se que seja o do gajo.

Não se entendia o propósito. Alguém tinha plantado um corpo lá mas era praticamente impossível forjar impressão digitais ou um registo dentário, portanto mais tarde ou mais cedo saber-se-ia que não foi ele quem morreu ali. Era tempo que precisavam, tempo para o fazer desaparecer e deixar toda a gente a pensar que foi por vontade prrópria. Provavelmente o aeroporto estaria cheio de gente e deveriam haver fotos dele nas noticias. Não queria chamar atenção desnecessária.

- Pare o táxi por favor, eu saio aqui.


Entretanto no escritório, Darius, o patrão de Jack sentava-se sozinho à secretária. Tinha de lidar com parte do andar em cinzas, o desaparecimento de um empregado e as perguntas da polícia. Era demais naquele momento. Tirou um tempo para pensar, sozinho. Fazia bastante tempo que andava desconfiado, tinha que haver um motivo para um novato aceitar um caso daqueles e não poderia ser um bom motivo. Alguém batera à porta. Ignorou. Bateram novamente e voltou a ignorar. Bateram novamente, levantou-se furioso e abriu a porta. Era Bryan.

- É bom que tenhas um excelente motivo para me vir interromper.

- Tenho. O Jack está vivo, eu falei com ele esta manhã.

Darius olhou céptico para Bryan e mandou-o entrar, fechando a porta de seguida.

- Explica-te.

- O Jack está vivo, eu falei com ele esta manhã depois de chegar aqui. Ele não sabia o que se passava e não apareceu depois de eu lhe ter contado.

- Já disseste isso à policia?

- Não, decidi falar consigo primeiro. Não queria criar muito alarmismo para a firma.

- Fizeste bem. Agora sai e não fales disto à policia até eu dar ordem em contrário.

- E o que vai fazer?

- Sai.

Bryan saiu e Darius voltou a sentar-se. Não queria revelar isto a ninguém porque tinha receio acerca do futuro da firma se as suspeitas dele quanto ao caso estivessem correctas. Nada batia certo aqui, era tudo demasiado suspeito. Pegou no telefone e marcou um número que já lhe era familiar.


- Estou?
- Frank? Daqui fala o Darius, como estás?
- Ah, olá homem! Já há algum tempo que não me ligavas! Então, novidades?
- Preciso de um favor teu. Já deves ter ouvido falar no incêndio que houve num dos meus escritórios.
- Sim, sim, um dos teus empregados fechou-se lá dentro e pegou fogo àquilo não foi?
- Sim, ou pelo menos é a história que corre. O que acontece é que ele está vivo, ou pelo menos outro advogado diz ter falado com ele depois do incêndio.
- Mas não encontraram o corpo?
- Encontramos um corpo, mas pelos vistos não é dele. Isto é uma situação estranha e não te queria ter que explicar pelo telefone. Passando ao que realmente interessa, eu preciso que tu o encontres, que lhe sigas o rasto até o encontrares. Se ele está vivo, está em maus lençóis.
- Não te garanto que possa fazer muito nessas condições, mas vou ver o que consigo fazer.
- Optimo, obrigado.
Darius despediu-se e desligou o telefone. Confiava a tarefa a Frank porque sabia que ele era dos melhores que se podia encontrar para a mesma, dada a sua experiência a encontrar quem não queria ser encontrado.

Enquanto isso, Jack percorria o centro da cidade por ruas menos movimentadas, com vista a chegar a uma central de camionagem que havia ali perto. Tinha pensado no aeroporto, mas era um sitio demasiado movimentado para não ser reconhecido, para alem de que era um sitio demasiado óbvio para ele aparecer. Não podia aparecer lá, tinha que ser algo mais subtil. Chegou à central e verificou o primeiro autocarro que havia. Partia em 5 minutos com um destino a 130km dali, era óptimo. Pagou em dinheiro e iniciou a viagem num autocarro praticamente vazio, onde apesar de ter uma vontade enorme de dormir, não o fez. Não o fez naquela viagem e não sabia se o havia de fazer nos próximos dias. Sentia-se nervoso, inseguro como uma presa que sabe que vai ser caçada mas não sabe onde está o predador, ou como vai atacar, ou de onde vai atacar. Passou a viagem a pensar o que poderia fazer. Não sabia se já sabiam o que se tinha passado em sua casa, não sabia se tinha deixado algum rasto possível, não sabia nada. Sabia que tinha que correr e tinha que acabar por se esconder em algum lado. Deu-se grato por terem acabado as 3 horas de viagem quando saiu do autocarro, à medida que as pernas dormentes começavam a sentir o movimento. Saiu numa aldeia pequena, mas pelo menos uma pensão haveria de ter. Não quis perguntar a ninguém sob pena de ser reconhecido, mas encontrou e entrou num edifício de aspecto antigo, com a tinta vermelha da fachada lascada e um intenso cheiro a mofo no interior. Guiado pela recepcionista idosa, chegou ao quarto, entrou e fechou a porta e pôs-se a janela, à procura de algo suspeito que o pudesse ter seguido. Manteve-se ali por horas, sem que nada de mais acontecesse, até que se fartou e deitou-se na cama. Estaria a ser paranóico? Haveria alguma hipótese de ter sido seguido? Até agora não havia indícios disso, mas ninguém lhe garantia que não pudessem vir a haver. Acabou por ceder ao cansaço e adormecer.

Enquanto isso, Bryan irrompeu pelo escritório de Darius.
- Encontrei-o. Encontrei o Jack. - disse - Vem comigo ter com ele?
- Onde é? E como é que o encontraste?
- Não interessa isso agora, venha comigo, ela precisa certamente de ajuda.
- Claro, claro. Vamos os dois no meu carro.
- Não, não é possível, eu tenho que fazer uma passagem breve por um cliente que não me atende o telemóvel a desmarcar uma reunião para hoje. Espere por mim na morada indicada.

Desceram ambos apressados as escadas e Bryan entregou o papel com a morada a Darius e ambos partiram em busca de Jack. Darius mostrava-se apreensivo com a celeridade com que Bryan descobriu onde estava Jack. Era extremamente provável que estivesse errado, mas não podia correr o risco de não estar.

Jack dormiu por horas e apenas acordou com alguém a bater-lhe com insistência à porta do quarto. Levantou-se a pensar que razão teria a recepcionista para tanta urgência e abriu a porta. Preparava-se para ser directo e mostrar-se incomodado, mas acabou por se conter ao perceber que apenas uma pessoa se encontrava lá e que não era a recepcionista, nem a policia, nem alguém que ele conhecesse da máfia.

Era Bryan, provavelmente a última pessoa que esperava ver naquele momento.
- "I see dead people" - disse Bryan. - Que sitio é este?
- O que é que estás a aqui a fazer? Como é que chegaste aqui? - Perguntou Jack.
- Para além de ter as minhas fontes, tu não te escondes lá muito bem para quem anda a fugir e tem meio
mundo a pensar que és um cadáver.
Jack puxou Bryan para dentro e fechou a porta. Encostou-o á parede, tirou a arma do bolso e apontou-lha á cara.
- Como é que me encontraste?
- Ei, então, acalma-te, acho que não é preciso isto!
Jack não cedeu.
- Como é que me encontraste?
- Fui deduzindo para onde podias ter vindo, dada a hora a que te liguei. Os teus vizinhos viram um táxi e pensei para onde poderias ter ido. O aeroporto era demasiado óbvio, não te via a ir para lá de cabeça quente. Arrisquei num autocarro, ou melhor, em três. Parece que há terceira e com algumas perguntas tive sorte.
Jack largou-o e olhou pela janela como que a verificar se havia ali mais alguém. A rua estava deserta como sempre. Voltou-se novamente para Bryan.
- Veio alguém contigo?
- Não, só eu.
- Ótimo.
Virou-se para trás novamente e começou a recolher tudo o que tinha.
- Sabes uma coisa? - Disse Bryan enquanto se aproximava - Espanta-me a tua coragem em ficar tão perto para ver o que acontece. Uma pessoa normal teria ido para longe, teria apanhado um avião ou algo que a levasse para uma distância enorme.
- Talvez seja a próxima coisa que eu faça. - Disse Jack, ainda de costas, enquanto metia a arma no bolso - Só sei que aqui não posso continuar. Da mesma maneira que tu me encontraste, mais gente me pode encontrar e não vou arriscar mais isso. Vou sair daqui, agora.
- Sim, vais. - Bryan esticou a mão e tirou a arma do bolso de Jack - Mas não é agora.
Jack olhou para Bryan e para a arma que este lhe apontava agora á cabeça. Não era possível. Não era possível que fosse assim, não aceitava que Bryan fosse um infiltrado, que fora encontrado precisamente por aqueles de quem andava a fugir.
- Sou um bom ator não sou? - Disse Bryan, seguido de uma gargalhada sonora - Não tão bom como tu pelos vistos, que foste capaz de arrumar com os dois gajos que mandamos para tua casa. Pelos vistos por baixo do véu de menino bem comportado temos um monstro. Eras bom para trabalhar connosco.
Jack não disse nada, não conseguia pensar sequer. Era tudo tão repentino que nem sabia como reagir. Não sabia se ia morrer ali ou não, mas de certeza que não ia durar muito tempo. Já estaria morto se fosse para o fazer ali, Bryan estava a espera de algo.
- Como é que me encontraste?
- Os contactos certos aqui e ali dão-me esse poder. Bastou-me saber que apanhaste um táxi e uma arma apontada á cabeça do taxista fez o resto. Uma rapidez suficientemente grande e nem precisei que o Darius me viesse dizer onde estavas. Ainda bem que assim foi.
- O que é que o Darius tem a ver com isto?
- Com este caso em particular, nada. Mas acho que ele sempre te viu com um simbolo de esperança.
- Esperança?
- Sim. Quando ele era policia meteu o nariz onde não devia e acabamos por lhe tirar a mulher e a filha. Desde então que tenta de tudo para se vingar, mas sabe que não pode fazer muito porque já estamos de olho nele, tenho a certeza que ele desconfiava que havia alguém infiltrado no escritório mas nunca percebeu que era eu. Quando lhe disse que te encontrei foi demasiado crédulo para seguir a pista que lhe dei e estar longe, muito longe daqui. Onde tu felizmente não estás, porque também não és muito inteligente.
A esperança que Jack sentiu ao saber que Darius se preocupava desapareceu com saber que ele não estava ali, nem perto. Não sabia o que esperar. O telemóvel de Bryan tocou e ele pegou-lhe com a mão que tinha livre. Poucas palavras e apenas uma conclusão.
- Darius está morto. - Disse Bryan.
- E vais-me matar também? - Respondeu Jack.
- Tu não estás morto já? Pensei que estavas em cinzas no teu escritório - Bryan soltou mais uma gargalhada fria - Não, eu não te vou matar, a minha missão não é essa. Ou pelo menos não é a menos que tu a faças ser.
- Então qual é a tua missão?
- Levar-te a uns conhecidos meus. Ah, tu também já tiveste uma conversa com eles, portanto é um bocado rude referir-me a eles como conhecidos meus. São uns conhecidos nossos que vão decidir o que fazer contigo.
- Porque é que não me mataram logo?
- Porque dava demasiado nas vistas. Era mais plausível o facto de um advogado jovem ter dado em louco com a pressão de um caso importante e ter pegado fogo ao próprio escritório do que ele desaparecer de repente. Bastou arranjar outro gajo para arder e pagar o suficiente aos seguranças para te verem a entrar lá a meio da noite. Ganhamos tempo e espaço de manobra. É uma maneira inteligente de fazer as coisas.
O telemóvel de Bryan voltou a tocar e este afastou-se em direção á janela. Jack ouvira barulhos de um carro ou uma carrinha a travar. Era o que Bryan estava a espera. Ouviu as portas abrirem-se e ouviu passos rápidos nos corredores até que a porta do quarto se abriu e 4 homens entraram. Bryan falou com um deles, algemou Jack e desceu com ele e mais um dos homens. Não havia ninguém na recepção e a rua encontrava-se também deserta, com a excepção de uma carrinha parecida com uma carrinha prisional. Entraram os três para a parte de trás e Bryan fez sinal ao motorista para arrancar. Após um bocado Jack já tinha perdido a conta ao tempo que já tinha passado. Ninguém falava, o ambiente era tenso. Bryan olhava para o relógio e não parecia muito satisfeito, provavelmente já era mais tarde que aquilo que ele esperava e mostrava-se impaciente. A carrinha finalmente parou e Jack foi quem saiu primeiro. Não sabia o que esperava ver mas não era certamente aquele cenário: a carrinha encontrava-se numa floresta com pouco ou nada para ver á volta para além de árvores e terra. Não era o único surpreendido ali, Bryan parecia furioso e dirigia-se para o motorista mas deteve-se quando a porta abriu e viu alguém a sair de lá com uma caçadeira na mão. Bryan não teve tempo de reagir e foi projetado para trás com o disparo. O outro homem acabou por se atrapalhar e teve o mesmo destino. Jack preparava-se para enfrentar uma morte certa quando reparou que o mesmo homem baixava agora a arma e parou, fazendo apenas sinal para Jack entrar na carrinha novamente, desta vez na parte da frente, no lugar de passageiro.
- O meu nome é Frank. - Disse o homem - Sou amigo do Darius e vou-te levar até ele.
- Darius não está morto?
- Se está, o céu tem excelentes linhas telefónicas, dado que ele acabou de me ligar. Ele não era assim tão estúpido para cair numa armadilha tão mal montada.
Passou mais uma hora de silencio enquanto Frank conduzia e acabaram no aeroporto. Jack saiu e encaminhou-se para o terminal que Frank lhe indicara e onde viu Darius á espera. Aproximou-se e cumprimentou-o.
- Vamos viajar? - Perguntou Jack.
- Vamos desaparecer. - respondeu Darius.

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