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Drops
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Postby Drops » 23 Aug 2005 09:47

O que é que tu fazes quando não consegues dormir?

Qual é o remédio para conseguires obter o que hoje me parece ser o único remédio para esta agonia? Usei a táctica da música, e não resultou… vi filmes para rir, chatos, românticos, e… nada! Quer dizer, uma grande dose de vazio dentro da minha cabeça.

Dúvidas, flashes de dias que nunca deviam ter existido, incertezas de um futuro que já devia ter chegado, ou que talvez não devesse chegar nunca… paranóias das horas que passam sem que os olhos se fechem.

O sol subiu, e eu sem dormir. E não choro, porque chorar seria admitir que algo está errado… seria vitimizar-me, recusar-me a assumir os meus erros, dar a entender que era um outro alguém que estava errado. E não, não é nada disso. Eu quero apenas que me deixem ir, não me condenem. Os erros foram causados pelas noites que ficaram por dormir, não teria coragem de rasgar a minha folha de papel para não escrever nela mais palavras ignorantes… sendo que essa folha de papel, é apenas a última página de um capítulo deste livro que é a minha vida… não, não a iria rasgar. Vão haver mais uns capítulos, mais umas páginas, parágrafos, pontos, vírgulas… erros ortográficos, riscos, rabiscos. Vai haver tudo isso e não mais serei um borrão de tinta em capítulos de livros em que não me querem… ou em que eu não me quero. Saio sem que seja preciso mandarem-me embora com um mata-borrão. No teu livro, ficarei para sempre escondida, se mo permitires. Serei aquelas reticências, que seguem o “Era uma vez” do dia em que descobrires que és feliz.

O que é que tu fizeste para voltares a dormir?

Porque eu dormia sem ter sono, e hoje, mesmo depois de ultrapassar todas as barreiras de um cansaço inexplicável, não há sono que permaneça… nem há sonhos… nem há nada…

Umas asas que ninguém vê, feridas por facas que não existem. Dores fingidas lágrimas forçadas… mentiras, só mentiras e fingimentos para que tenhas pena… se tu ao menos soubesses, que as asas me foram arrancadas a sangue frio, por um cão raivoso, que as facas eram dentes, que morderam, e morderam, e rasgaram-me a carne em farrapos tão pequenos, que ninguém os vê. E as dores, doeram tanto, que o corpo entrou em colapso e deixou de sentir, e as lágrimas uniram-se, e formaram aquele rio, que corre algures escondido no meio da floresta.

E tu, que nunca irás ler isto, nunca irás ter pena, porque para ti, eu direi sempre que está tudo bem, e é a ti, que eu pergunto o que fazer quando não consigo adormecer, que eu apresento a solução para me ajudares a dormir… é aquele pedido que eu nunca te vou fazer, porque as noites escuras, passadas em branco, ainda me deixam o discernimento para saber que é melhor assim… hoje, hoje peço-te, o que nunca te vou pedir…

[size=50]Contas-me uma história, e ajudas-me a dormir?[/color]

23/08/2005
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Re: ịňşỚņĭẳ

Postby Maloveci » 23 Aug 2005 23:15

O que eu faço quando não consigo dormir é perguntar às estrelas (quando o tempo me permite vê-las claro) o porquê de o céu ainda não me ter chamado .

Um não conseguir dormir nos últimos tempos apenas tem uma razão, mas tu sabes porquê DROPS, mas ... dormir para quê ? Amanhã o dia vai ser o mesmo, mais azul , menos cinzento ... pouco claro como todos os dias e olhas para trás e dizes : "Fogooo já passaram três anos e ainda ando nisto !! "

Continuar sem sono talvez seja uma forma sadomasoquista de encarar a vida (leia-se mundo), mas eu chamo-lhe conseguir continuar a viver pela ambição das boas incertezas do dia-a-dia e aguardar num silêncio estúpido que um dia tudo volte ao normal (o nosso conceito pessoal de normal ... claro ) .

Ou como alguém um dia me disse : "Tu não consegues sair desse vazio porque habituáste-te a viver nele " .

DROPS estes textos são daqueles que tu sabes muito bem que "mexem" comigo . É curioso como se consegue distinguir cada vez mais o aperfeiçoamento da escrita ... leia-se dor .

Infelizmente eu ainda não (posso) consigo escrever tanto na 1ª pessoa, mas com este desabafo de palavras DROPS ... chorei :cry: e cada vez mais sei que escrever acalma (por breves instantes) a dor ... pelo menos a minha, pelo menos a minha .

Mas descobri que faz tanto mal todos os dias pensarmos no mesmo, mas o tal sentimento de sadomasoquista vem sempre ao de cima, mesmo sem o ambicionarmos .

Sabes ? Para te tentar ajudar a dormir tenho apenas uma única coisa para ti :

Obrigado por ainda escreveres :bye:

(apetecia-me escrever muito mais ... mas este espaço é teu e o reply já vai longo)
<!--coloro:#0000FF--><span style="color:#0000FF"><!--/coloro-->Desabafas??? Eu também... Estou aqui: <!--colorc--></span><!--/colorc--> <!--coloro:#9932CC--><span style="color:#9932CC"><!--/coloro-->maloveci@jamaicans.com<!--colorc--></span><!--/colorc-->

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Re: ịňşỚņĭẳ

Postby Cerridwen » 24 Aug 2005 14:46

Não tenho seguido muito a colocação de textos no fórum, incluindo os teus, Drops (um pouco por falta de tempo), mas dos últimos textos teus que li, este destacou-se um pouco, no meu entender. Há nele um força e angústia muito reais e algumas frases estão contruídas de um modo cativante. Destaque para:


Dúvidas, flashes de dias que nunca deviam ter existido, incertezas de um futuro que já devia ter chegado, ou que talvez não devesse chegar nunca… paranóias das horas que passam sem que os olhos se fechem.


Umas asas que ninguém vê, feridas por facas que não existem. Dores fingidas lágrimas forçadas… mentiras, só mentiras e fingimentos para que tenhas pena… se tu ao menos soubesses, que as asas me foram arrancadas a sangue frio, por um cão raivoso, que as facas eram dentes, que morderam, e morderam, e rasgaram-me a carne em farrapos tão pequenos, que ninguém os vê. E as dores, doeram tanto, que o corpo entrou em colapso e deixou de sentir, e as lágrimas uniram-se, e formaram aquele rio, que corre algures escondido no meio da floresta.

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Re: ịňşỚņĭẳ

Postby Drops » 28 Aug 2005 00:27

Maloveci...

Este texto... é muito mais do que aquilo que se lê. Aliás, este, é apenas aquilo que não se lê...

:( não te queria fazer chorar, embora saiba que isso é uma espécie de elogio, mas tenho tendência a escrever mais quando estou mais triste... defeito de carácter, não há nada a fazer.

E tu, talvez nunca venhas a escrever na 1ª pessoa, mas sei o que significa para ti tudo aquilo que escreves, e é isso o mais importante... e por falar nisso, tenho saudades de te ler :( muitas saudades de te ler.

Obrigada por estares lá
***
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Re: ịňşỚņĭẳ

Postby Drops » 28 Aug 2005 00:31

Cerridwen...

há dias, em que a raiva, a dor,a angústia, o desespero... são as únicas coisas que nos fazem seguir em frente. Quando escrevo assim, o resultado é este...

Espero que tenhas gostado.
***
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Re: ịňşỚņĭẳ

Postby White_Lady » 29 Aug 2005 16:28

Muito bonito. Realmente as tuas palavras tocam, lá no fundo... É incrível como a nossa experiência de certa forma se reflecte nas palavras de outros. É íncrivel como tantas experiências se parecem cruzar...

Maloveci wrote:Mas descobri que faz tanto mal todos os dias pensarmos no mesmo, mas o tal sentimento de sadomasoquista vem sempre ao de cima, mesmo sem o ambicionarmos .

Sem dúvida. Mas eu não me queixo do meu "sadomasoquismo". Quer dizer, queixo-me mas é ele que me dá força para lutar. É ele que fez o que sou hoje. É ele que me faz ver que o mundo não é cor-de-rosa, há também a dor. O sofrimento. Puxa-me para a realidade...

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Re: ịňşỚņĭẳ

Postby Samwise » 05 Sep 2005 16:05

Eu vou destacar ainda um outro trecho, que achei muito bom:

No teu livro, ficarei para sempre escondida, se mo permitires. Serei aquelas reticências, que seguem o “Era uma vez” do dia em que descobrires que és feliz.


Clap Clap Clap

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Re: ịňşỚņĭẳ

Postby Drops » 11 Sep 2005 02:04

:blush:
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