Brincadeira de crianças

SombraOblíqua
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Brincadeira de crianças

Postby SombraOblíqua » 16 Aug 2009 18:23

Os meus olhos na escuridão.Sinto-te e mal te vejo.
Quem és tu?
Que faço aqui?
A ligação entre o antes e o depois estabelece-se de forma semi-instantânea.
Fico incrédula.
Olho-te para acreditar que é real.
E sinto o estômago encolher.

M_rd_!

A cama quente, a alma fria...De novo?
Os nossos (nossos?!?) corpos tão próximos.Assustadoramente tão separados.Ímanes do mesmo pólo.
Repelo-te.

Despertei e quero que te vás embora.
Não vou deixar que fales,não quero saber dessas palavras...sejam elas quais forem.
Vai-te embora!

Quem sou eu? -Penso enquanto sinto a tua voz a encher o quarto e a esvaziar os meus sentidos...
Quem sou eu? - E tu quebras-me o pensamento,exiges-me atenção.

Não tenho paciência!
Vai-te embora!

Viro as minhas costas nuas ao teu espanto.
Acusas-me mas não me atinges.
Palavras afiadas,de pontas aguçadas,trespassam-me mas não sinto.

Acendo um cigarro do teu maço enquanto sais da cama e vestes a roupa, perplexo comigo.
Olho-te de soslaio e apetece-me rir.
Falas uma língua que não entendo, que já esqueci e...fazes-me rir!
E eu rio-me.Para ti esta é a maior das ofensas e acusas-me de matar o futuro dos momentos.

Fazes de mim ré.

"Achas que isto é alguma brincadeira de crianças?"

Rio-me ainda mais alto, até me doer a barriga!Até sentir falta de ar!
Olhas-me atónito.Pensas que estou louca e não me importo.
Foi assim que me ensinaste que seria há tantas vidas atrás.


Não encontro cor no quarto e sinto-me uma criança zangada.

Vai-te embora.
Mas não te esqueças...fecha a porta.

Veste a gabardina e fecha a porta.
Abotoa cada botão que eu abri,
Desfaz o que eu fiz,
Não quero ver a tua imagem.
Não quero ouvir
A CHUVA DE PALAVRAS GANANCIOSAS...MENTIRAS VÃS...
METE-AS NO BOLSO,arranja espaço entre as promessas mortas E lEVA-AS CONTIGO!

Afasto-te.

Não me toques!
Quem pensas que és?
Afinal,quem és mesmo???

Pensei que sabia quem eras mas não sei.
Perdeste o meu caminho à tantos anos...porque cruzámos a nossa vida de novo esta noite?!
Maldita fuga.Insanidade.

Recordo que quando te tentei tocar,surpreendi-me!
Não passavas de um espelho a tentar enganar-me com o meu próprio reflexo.
Esbati-me na solidão ao descobrir que o teu espírito não tinha mãos para
me agarrar.

Cerro os dentes,aperto os lábios.
Queimo por dentro.
Pratico o homicídio perfeito das palavras que me querem fugir.
Fecha a porta...!

DEIXA-ME
DEITADA NO CHÃO..!

QUERO FUNDIR-ME NELE. SER CADA PEDAÇO DE LINÓLEO.
QUERO SENTIR-ME CHÃO, JÁ QUE ME SINTO PISADA.
SEI QUE NUNCA NINGUÉM REPAROU EM CADA PARTICULARIDADE DESTE CHÃO.

NINGUÉM LHE SENTIU O FRIO COMO EU AGORA.
A COR, A DUREZA.
Imagino as pessoas que já o pisaram e nunca repararam naquela mancha.

SINTO-ME CHÃO E JÁ NEM TE OIÇO.

O meu silêncio enfurece-te e não me importo.

Para mim já não existes.Penso em quem existe e não está comigo.

A dor é bem maior do que este espaço.Talvez esse alguém não exista.Talvez tudo tenha fenecido.
Desfaço-me em partículas inertes de chão.

Bates com a porta e eu sorrio amplamente na minha tristeza..



Ainda assim sussurro baixinho...Fecha a porta...(do meu coração).

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Anibunny
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Re: Brincadeira de crianças

Postby Anibunny » 16 Aug 2009 23:37

Acho que está um pouco confuso, talvez será resultado da loucura da "protagonista". No entanto há coisas que deviam melhorar:

Viro as minhas costas nuas ao teu espanto.
Acusas-me mas não me atinges.
Palavras afiadas,de pontas aguçadas,trespassam-me mas não sinto.
O facto de as palavras trespassarem implica sofrimento certo? o que basicamente queres dizer é que as palavras mesmo afiadas não te conseguem atingir?


Fazes de mim ré.


Num poema tão natural (onde os sentimentos estão à flor da pele, não acho aconselhável meter ditos populares... porque depois contrasta com isto
Talvez tudo tenha fenecido.
e quebra muito a leitura

outro exemplo

Os meus olhos na escuridão.Sinto-te e mal te vejo.
Quem és tu?
Que faço aqui?
A ligação entre o antes e o depois estabelece-se de forma semi-instantânea.
Fico incrédula.
Olho-te para acreditar que é real.
E sinto o estômago encolher.

M_rd_!


Há coisas que não batem certo... palavras eloquentes e logo a seguir coisas populares...

Não me toques!
Quem pensas que és?
Afinal,quem és mesmo???


Não percebi a dúvida "existencialista"... quer dizer percebi que era "eu já não te conheço" ou "já não és como eras de antes", mas no meio de tanta loucura, pensei que a mulher estava com a Alzheimer!


No todo achei o ensaio sobre a loucura engraçado.


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