O Crepúsculo dos Deuses

User avatar
Thanatos
Edição Única
Posts: 13871
Joined: 31 Dec 2004 22:36
Contact:

O Crepúsculo dos Deuses

Postby Thanatos » 09 Apr 2012 22:58

Este texto pretende ser uma brincadeira escrita ao correr da pena, sem grande artifícios, usando como inspiração os chamados romances paranormais e como personagens membros do fórum. Caso algum membro se sinta ofendido ou não deseje surgir neste pequeno divertimento que assim o diga a mim (note-se que convém só o dizer se efetivamente aparecer, nem todos serão personagens). Para já fica aqui o prólogo. ^_^


O Crepúsculo dos Deuses

Prólogo

Anibunny corria pela rua fora, o corpete demasiado apertado fincando-lhe as tenras carnes do abdómen. Pelas costas abaixo sentia um fio de suor escorrendo mas nem o desconforto, nem a sensação de comichão insuportável era suficiente para a fazer abrandar o ritmo desesperado das passadas. Tentava colocar a maior distância possível entre si e o perseguidor. Se alguém lhe tivesse dito nessa manhã, quando se erguera, o sol a passar pelas brechas das persianas e a pintar-lhe o quarto de estrias douradas, que ia acabar o dia a fugir dum assassino decerto daria uma sonora gargalhada. Mas a verdade é que agora encontrava-se precisamente na posição de ter de correr para escapar com vida. E tudo porque não resistira ao apelo de mostrar os seus manuscritos a um reconhecido editor do meio, de todos conhecido como o mais competente e capaz em fazer jovens escritores singrarem nas tormentosas e turbulentas águas do chamado Círculo do Fantástico Nacional. Nunca, jamais, nem que mil anos passassem lhe passaria pela cabeça que Thanatos, o doce e algo patético Thanatos com quem tantas vezes “conversara” no facebook era um monstro sanguinário, um monstro na verdadeira acepção do termo, um predador que se ocultava por detrás das frágeis esperanças de jovens escritoras para, após lhes ganhar a confiança, sugar-lhes a vida e transmutá-las num débil concha amorfa, vazia de vida e emoções, para sempre escravas do seu poder.

Sim, a vida era assim mesmo: cruel, caprichosa e dada a reviravoltas inesperadas.

O manuscrito, esse devia ainda estar onde ficara quando as reais intenções de Thanatos se revelaram a ela. Abandonado em cima da mesa do pequeno quarto do escritório alugado no Edifício Brasília. Um quarto onde a início os sonhos de Anibunny tinham-se erguido bem alto para logo depois soçobrarem por terra.

Agora restava-lhe correr pelas ruas desertas duma cidade que se obliterava da sua visão em mantos escuros e pardacentos, negando-lhe o socorro. A cidade era uma vasta entidade viva. Mas, embora viva, observava indiferente o desenrolar do pequeno drama com a mesma minúcia com que um cientista observa um prato de petri. Ninguém se prestaria a acudir-lhe. Era como um imenso complô de almas amarguradas que invejosamente também desejavam para ela a mesma sorte que a elas em tempos idos ocorrera. Corria e corria mas já sentia o hálito cálido do seu perseguidor na nuca. Uma terrível sensação de que se se voltasse o veria cada vez mais perto, cada vez mais perto até que as mãos, de dedos em garra se fincariam no pescoço e lhe travariam a corrida desenfreada. Assim, não querendo para si a sorte da mulher de Lot, Anibunny continuou pelas vielas e travessas da cidade viva. Era como se a cada passada penetrasse mais e mais adentro dum ser arfante que a subjugava, sufocava e envolvia num abraço mortal. O ar pesava-lhe nos pulmões, um fogo inextinguível que lhe ardia na garganta, a visão turvava-se e sentia que as pernas apenas obedeciam em moto-contínuo e que a cada momento iria desfalecer, lívida e sem forças, abandonando-se à sua sorte.

De repente duma portada um jorro de luz deu-lhe esperança. Alguém abria uma porta. Talvez saísse, inocente do drama que se desenrolava meros metros acima naquela rua anónima, iria talvez levar o lixo do dia ao caixote, ou quiçá ao café para dois dedos de conversa, uma cigarrada e um café. Fosse o que fosse Anibunny agarrou-se à presença daquela luz como um naufrágo a um pedaço de madeira em pleno alto mar. Sem sequer pensar duas vezes atirou-se de cabeça para dentro das escadas do prédio, passando abruptamente por um perplexo senhor de meia idade que segurava um cachorrinho pela trela. O cãozinho, perante tal rebuliço, desatou a ladrar histericamente como só os cães de pequeno porte conseguem, com aquele estridente e irritante béu béu que rebenta os tímpanos de qualquer um. Qualquer um isto é que não o dono que concerteza já desenvolveu geneticamente defesas para tamanho alarido completamente desporporcionais para um corpo de tão pequena dimensão. Anibunny parou apenas o tempo suficiente para se inteirar das redondezas e logo enfiou escada acima preferindo-a ao elevador de aspecto idóneo e portadas de ferro forjado que por certo facilmente seria ultrapassado pelo seu perseguidor. Entrar naquela caixa de madeira e ferro seria o mesmo que um passáro meter-se diretamente na própria gaiola onde passaria os últimos momentos da sua curta e triste vida. Lance após lance Anibunny, o cabelo ruivo em revolta como um halo chamejante em volta da cabeça, galgou as escada de dois em dois até ao topo do edifício. Tal como esperava no cimo e junto à casa das máquinas do elevador havia uma pequena escada que dava acesso ao telhado. Sem sequer se deter a pensar na temeridade do acto soltou a escada do gancho de segurança e subiu os degraus, meras prateleiras de ferro, até junto da portinhola que dava acesso ao telhado. Felizmente que a sorte parecia, finalmente, estar do lado dela e a portinhola apenas se prendia por um mero fecho de correr. Anibunny enfiou pela portinhola e saiu para o telhado. O negrume cobria a Cidade Invicta e nem mesmo a Ponte apresentava à noite as suas luzes. Toda a luminosidade estava sugada de vitalidade como se em espera pelo trágico final. Ou isso ou a sua visão se embotava do esforço que fizera para fugir ao monstro. Pé ante pé abeirou-se olhando para o precipício em que findava o telhado. Era daqueles prédios velhos que nem um corrimão de segurança tinha para acautelar possíveis quedas. Atrás de si ouviu um ruído. Alguém subia a escadinha de serviço. Alguém? Mas quem queria ela enganar? Só Thanatos, aquele monstro persistente poderia sentir-se tentado a subir ao telhado numa noite daquelas. A portinhola voou pelos ares com a violência da passagem dele e de repente ali estava ele, meros metros dela, com um sorriso escarninho no rosto hediondo.

Mas afinal que fazes tu aí? Vais ganhar asas minha pombinha aflita?

Anibunny nem lhe respondeu. Não lhe daria a satisfação de ouvir a sua voz, decerto trémula e insegura, tartamudear um pedido de comiseração. Seria valente até ao fim. A sua linhagem sentir-se-ia orgulhosa de si. Não se vergaria às forças do breu aqui representadas por aquele asqueroso lacaio de pouco porte e fraca figura. Anibunny honraria os ancestrais. Sabia-o agora que tudo lhe fora revelado num instante de epifania gloriosa, que todo o peso secular de quem fora e de quem descendia lhe aflorava nas memórias que até esta manhã desconhecia por completo.

Com um nome nos lábios olhou uma última vez para o seu algoz e deixou-se cair da beira do telhado até ao fragoso e duro abraço da rua.

Continua...
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14974
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby Samwise » 10 Apr 2012 01:10

Sinto-me ofendido por não haveres postado já mais duas ou três "continuações..."!!! :pipoca:

O Crepúsculo dos Deuses... :rotfl:
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

User avatar
Thanatos
Edição Única
Posts: 13871
Joined: 31 Dec 2004 22:36
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby Thanatos » 10 Apr 2012 07:13

Samwise wrote:Sinto-me ofendido por não haveres postado já mais duas ou três "continuações..."!!! :pipoca:

O Crepúsculo dos Deuses... :rotfl:



Não me importava nada. A verdade é que isto foi escrito ontem "on the spur of the moment", sem nenhuma estrutura subjacente e apenas a mais ténue das ideias de onde isto irá parar. Como escrevi no intróito é "ao correr da pena" e as continuações estarão muito dependentes da disponibilidade e vontade (afinal como qualquer outra tarefa não vinculativa) mas gostaria de todas as noites poder acrescentar mais um pouco à paródia. :P
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!

User avatar
pco69
Cópia & Cola
Posts: 5488
Joined: 29 Apr 2005 23:13
Location: Fernão Ferro
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby pco69 » 10 Apr 2012 08:39

And now, ladies and gentlemen, the story continues like this.... :rotfl: :bow: :bow:
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

User avatar
Anibunny
Edição Única
Posts: 2814
Joined: 10 Jun 2009 23:11
Location: Porto
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby Anibunny » 10 Apr 2012 15:43

Morri :rotfl: Agora já sei o que fazes aos meus manuscritos :bow:

User avatar
Thanatos
Edição Única
Posts: 13871
Joined: 31 Dec 2004 22:36
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby Thanatos » 10 Apr 2012 19:52

Thanatos abeirou-se cautelosamente e espreitou o corpo estatelado no granito. Um desperdício sem dúvida mas que fazer? Quando dá a loucura histérica na cabecinha das pitas não há lógica nem razão que as demova e ainda por cima o líquido do ostrogodo tinha-lhe despertado alucinações de grandeza que lhe removeram por completo qualquer vestígio de sanidade. Devia ter calculado que o sacripanta do godo não lhe daria tarefa fácil para desempenhar. Nunca depois do vexame das Cinco Bruxas. Nunca depois da humilhação pública que sofrera no Conselho dos Oito por conta do relatório detalhado e incisivo que elaborara acerca do dito vexame. Enfim, o godo era homem de rancores e decerto tinha-se torcido todo de excitação ao imaginar a linda bomba que lhe ia meter no colo.

Agora ali estava ele com um corpo inerte e sem a informação que necessitava. Parecera-lhe que a ouvira sussurrar um nome instantes antes de se atirar, qual heroína dramática de folhetim, para os braços da morte. Ai como odiava estas pitas emo com a mania do fim do mundo e de abrir os pulsos à mínima arrelia. Um bando de miúdas mimadas eram o que eram. Thanatos ergueu o olhar para cima mas um manto de nuvens encobria qualquer constelação e luz alguma, por mais etérea que fosse, furava o breu profundo. Era uma noite perfeita para caçar mas hoje não. Hoje não. Tinha lugares onde ir e gente com quem falar.

Hoje não.

Saiu do telhado por onde entrara tentando deixar a portinhola o mais perto de arranjada possível embora pendesse desengonçada das dobradiças. Não importava. Assim como assim algum detetive mais zeloso acabaria por subir até ali e decerto daria com a passagem forçada. Com sorte acabaria por decidir-se pela “teoria” do suicídio. Sempre no tope, uma verdadeira oldie but goldie e afinal ainda aquela que menos papelada provocava na mesa do pobre coitado a quem o caso fosse parar vá-se lá adivinhar como e porquê. E mesmo que, como já acontecera anteriormente, o caso fosse parar a algum daqueles detetives com a tesão do mijo e com vontade de subir a escadaria das promoções à custa dos casos resolvidos podia sempre meter-se a cunha. Poucos sítios haviam ainda em que os Illuminati não tivessem já os titereiros a postos para abafar qualquer dúvida, qualquer suspeita e nenhum deles eram concerteza os departamentos de polícia criminal. Paradoxalmente mesmo com tanto encobrimento ainda assim toda a gente falava e sabia da existência deles. Enfim, era daquelas coisas em que não valia sequer a pena pensar. Quanto mais se pensava nelas mais a cabeça andava à roda e quanto mais a cabeça andava à roda menos se conseguia fazer de útil e produtivo. E Thanatos era o tipo de cavalheiro que se prezava em ser produtivo até ao fim. Doesse a quem doesse.

E neste raciocínio circular voltou a recordar-se do ostrogodo e do relatório que tão má impressão causara ao Conselho. O que o levou a lembrar-se que também deste incidente teria de escrever um relatório. Com toda a minúcia e detalhe que lhe era reconhecido. Era algo com que se entreter na longa viagem até Viseu. O relatório, não o ostrogodo.

Assim reflectindo foi calçada abaixo na direção da Campanhã. Daí a cinco horas saía IC com passagem em Nelas e de lá tinha boleia garantida do pageHunter. Ainda ia ser uma estafa até lá chegar mas a vida é assim, madrasta para com os desaventurados. Não que Thanatos fosse muito desaventurado, pelo menos pelos padrões do comum dos portugueses. Apenas acontecia que era daqueles cavalheiros, tal como o poeta, de gostos simples a quem o melhor sempre satisfazia por completo. O busílis é que alcançar o melhor era por vezes incompatível com o nível de rendimento de Thanatos e logo surgia a necessidade destes pequenos e desagradáveis trabalhos. Nada que, no entanto, o perturbasse por aí além, ademais por vezes, muito por vezes, como fora o caso deste evento noturno mais recente acontecia tropeçar por acaso em algo que o fazia esquecer-se das agruras a que o Conselho o submetia e pensar que talvez nem tudo fosse tão negro e desesperante quanto parecia à primeira vista. Esse pequeno percalço da rotina fora desta vez apresentado sob a forma dum manuscrito que guardava cuidadosamente num bolso do jaquetão. O manuscrito da Anibunny que, talvez mesmo sem ela ter-se dado conta continha o deslindar dum enigma de séculos decifrado sob a inóspita forma dum conto de sexpunk ou lá como lhe chamara a malograda autora. Bastara ler o nome duma das personagens para ter a certeza de que aquela era uma sincronicidade perfeita e imaculada. Adosinda! Ó bela e serena Adosinda! Quem diria que uma pita aqui e agora saberia tão bem descrever-te.

Imerso nas memórias de um outro tempo e lugar Thanatos seguiu caminho no breu da madrugada invicta, aqui e ali assobiando uma melodia de antanho como que a querer reavivar as imagens dum certo salão e dum certo baile de gala.

Capítulo 1 – Dois dias atrás

pco69 examinou o volume de banda desenhada erótica que, qual achado arqueológico, descobrira nos recônditos do alfarrabista. Era um volume brochado (e como ele adorava a ironia do termo) e em razoável bom estado. O preço então era por demais atrativo, uns meros 2 euros o separavam de ficar com a coleção de Manara completa. Sem dúvida o orgulho da sua estante privada de erotica e o culminar de anos e anos de colecionismo. Dois euros não lhe repugnava mesmo nada em dar por aquele volume. Talvez pudesse vir a encontrar em melhor estado mas por agora mais valia ir pela máxima de mais vale um pássaro na mão que dois a voar. Além disso ficava finalmente possibilitado de ler a obra completa. Sim, porque embora tivesse colecionado livro atrás de livro da obra magistral do grande desenhador e escritor a verdade é que pco69 jurara que só a leria quando a tivesse completa. E por completa queria mesmo dizer isso. Completa! Tudo o que alguma vez saíra das mãos do artista e vira o prelo tinha de ser colecionado, num furor que envergonharia qualquer garça ou esquilo. E hoje, ali, diante dele a peça final que seria o findar de anos de busca e desilusões. Ainda se lembrava dos vários leilões do miau.pt que mais não tinham sido que elaborados embustes. Mas graças a um sexto sentido nunca ficara depenado nesses leilões e aliás preferia, de longe, o poder apreciar o material antes de o adquirir.

No momento em que pagava ao alfarrabista, um velhote engelhado e calvo com óculos de lentes de fundo de garrafa, recordou-se que tinha de ligar ao Thanatos. Este sempre zombara da sua obsessão colecionista e do facto de só se atrever a ler as obras quando completas. Hoje ia-lhe mostrar o que significava persistência. Ia-lhe esfregar nas fuças a maior e melhor coleção do país (disso não tinha a mínima dúvida) de Milo Manara.

Continua....
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!

User avatar
Anibunny
Edição Única
Posts: 2814
Joined: 10 Jun 2009 23:11
Location: Porto
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby Anibunny » 10 Apr 2012 20:37

Ai até incluíste a minha Adosinda :cry: e agora estou a pensar que nome terei dito antes de morrer :whistle:

User avatar
João Arctico
Dicionário
Posts: 537
Joined: 23 Oct 2009 23:16
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby João Arctico » 10 Apr 2012 22:37

Os deuses devem estar loucos... ou, senão, o Thanatos :cheers:
Simplesmente divinal :rotfl: :rotfl:



Continua....
(Shiuuu, está quase a recomeçar :pipoca: )
"É isto o que, de todo em todo, pretendia o autor? Não sei; é a opinião do leitor que eu dou." Jean-Paul Sartre
"Mas mesmo aquilo que a gente não se lembra de ter visto um dia, talvez se possa ver depois de algum viés da lembrança" Chico Buarque in Estorvo

User avatar
pco69
Cópia & Cola
Posts: 5488
Joined: 29 Apr 2005 23:13
Location: Fernão Ferro
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby pco69 » 11 Apr 2012 08:05

Manara... boff :P
Desse já tenho a coleção completa :whistle: :mrgreen:
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14974
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby Samwise » 11 Apr 2012 10:16

Isto vai em jeitos de se tornar a contrapartida litero-noir ao Nelm. :P

Pco, o teu trecho está cheio de saborosos e adequados segundos-sentidos, não sei se propositados por parte do autor, mas sempre generosos para um leitor mais imaginativo. :twisted:
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

User avatar
Ripley
Edição Limitada
Posts: 1219
Joined: 30 Jan 2009 02:10
Location: Under some mossy rock
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby Ripley » 11 Apr 2012 11:49

Samwise wrote:Isto vai em jeitos de se tornar a contrapartida litero-noir ao Nelm. :P


Já o é, Sam - muito mais bem escrita e sem necessidade de um manual/glossário auxiliar do tipo "Who's Who" para perceber :)
"És a metade que me é tudo." [Pedro Chagas Freitas]
---§§§---
"O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende." [Miguel Esteves Cardoso]

User avatar
Bugman
Edição Única
Posts: 4349
Joined: 24 Jun 2009 17:47
Location: Almada Capital
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby Bugman » 11 Apr 2012 12:16

Vamos ver para onde isto vai... Para já o termo português é Placa de Petri e nao prato...
A PENA online | O Bug Cultural

Normalcy was a majority concept, the standard of many and not the standard of just one man. Robert Neville
O homem que obedece a Deus, não precisa de outra autoridade. Petr Chelčický
Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
Yes, I am a woman of the law. And there are lots of laws. But if they don't offer us justice, then they aren't laws! They are just lines drawn in the sand by men who would stand on your back for power and glory. Sartana
"No, Señoría, no es lo mismo estar dormido que estar durmiendo, porque no es lo mismo estar jodido que estar jodiendo". Camilo Jose Cela

User avatar
Thanatos
Edição Única
Posts: 13871
Joined: 31 Dec 2004 22:36
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby Thanatos » 11 Apr 2012 13:20

Samwise wrote:Isto vai em jeitos de se tornar a contrapartida litero-noir ao Nelm. :P

Pco, o teu trecho está cheio de saborosos e adequados segundos-sentidos, não sei se propositados por parte do autor, mas sempre generosos para um leitor mais imaginativo. :twisted:


Pois, a do brochado foi mesmo a martelo-pilão. Já apreciar o material ficou mais para o subtil. ;)

@Bugman: o google não foi meu amigo. Embora não me soasse bem o prato (que seria tradução direta de petri dish) foi o que apareceu nas buscas, confesso que como escrevo isto ao correr da pena também não dedico horas em busca do termo perfeito, mas fica o apontamento. :tu:
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!

User avatar
Bugman
Edição Única
Posts: 4349
Joined: 24 Jun 2009 17:47
Location: Almada Capital
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby Bugman » 11 Apr 2012 13:48

Desculpas aceites! :P

Nesse tipo de coisas prefiro seguir a Wikipedia em inglês e passar a português (quando o há...), o que resulta também para nomes de vegetaçao e/ou ingredientes culinários! :whistle:
A PENA online | O Bug Cultural

Normalcy was a majority concept, the standard of many and not the standard of just one man. Robert Neville
O homem que obedece a Deus, não precisa de outra autoridade. Petr Chelčický
Ao mesmo tempo que ali estava tudo igual, não estava você lá, não está teu passado, não está nada. Quer dizer: só você sabe que esteve ali. A parede, os prédios, não guardam a gente. Nós só nos guardamos a nós mesmos. Só valemos nós connosco. Fora daí é literatura, é poesia, é arte. Ferreira Gullar
Yes, I am a woman of the law. And there are lots of laws. But if they don't offer us justice, then they aren't laws! They are just lines drawn in the sand by men who would stand on your back for power and glory. Sartana
"No, Señoría, no es lo mismo estar dormido que estar durmiendo, porque no es lo mismo estar jodido que estar jodiendo". Camilo Jose Cela

User avatar
Samwise
Realizador
Posts: 14974
Joined: 29 Dec 2004 11:46
Location: Monument Valley
Contact:

Re: O Crepúsculo dos Deuses

Postby Samwise » 11 Apr 2012 14:11

Ripley wrote:
Samwise wrote:Isto vai em jeitos de se tornar a contrapartida litero-noir ao Nelm. :P


Já o é, Sam - muito mais bem escrita e sem necessidade de um manual/glossário auxiliar do tipo "Who's Who" para perceber :)


Pois, mas o "Who's Who" tinha as suas compensações intelectuais, para além de que mantinha a prosa num tom certinho em termos de vocábulos. :D Se o Thanatos decidir incluir o Bugman, ainda acaba acusado de plagiar o Kafka... :twisted:
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -


Return to “Thanatos”




  Who is online

Users browsing this forum: No registered users and 3 guests

cron